30
Apr 16

Banho de Cachoeira: tô precisando. Tu também?

Beia Carvalho fala de Inspiração, no PropMark

Beia Carvalho fala de Inspiração, no PropMark

Palestrante futurista conta que seus maiores inspiradores são os próprios clientes: “Um porque me provocou, outro porque levantou a minha bola…”.
(Publicado no jornal PropMark de hoje, 30abril2016, na coluna Inspiração).

Você começa a se perguntar e num instante já está imerso em conceitos facilmente misturáveis: intuição, criatividade, conexão milagrosa, epifania?

Você pode se sentir profundamente inspirado, verdadeiramente impelido a alguma forma de criação e, por um ou dez motivos, isso não se realizar. Então, acho que a criatividade, no sentido de conceber e prototipar, é um passo esperado por quem se sente inspirado, porém não está umbilicalmente ligada à inspiração.

Dizem que o que te inspira tem a ver com o que você previamente já conhece do mundo. Sejam essas coisas reais ou imaginárias. Eu tendo a concordar com essa levada. Porque minha inspiração vem sempre de uma coisa que eu quero conhecer mais, que eu discordo, que eu queria gritar para o mundo e ouvir o que as outras mentes pensam. Então, imagino que o que me irrita e me inspira a escrever, a me aprofundar e jogar numa conversa com amigos, com os meus filhos, são coisas que de alguma forma conheço.

Li que a Dra Cynthia Sifonis, descobriu que, ao pedir para os participantes de sua pesquisa para criar e desenhar animais alienígenas de um distante planeta totalmente distinto da Terra, as pessoas desenhavam animais baseados em gatos e cachorros, com simetria bilateral e órgãos de sentidos como olhos e orelhas.

Ícaro Verniz, sócio da Fenix Editora

Ícaro Verniz, sócio da Fenix Editora

 

Nunca pensei que diria isso. Mas os maiores inspiradores da minha atual carreira de palestrante foram os clientes de minha Consultoria 5 Years From Now®. Um porque me desafiou, outro porque me provocou, outro porque levantou a minha bola. Meu primeiro tema de palestra, se encaixa neste último caso. A palestra sobre as 5 Gerações no Mercado de Trabalho é a que eu mais ministrei até hoje, e tem 7 anos! Ícaro Verniz foi taxativo: “nunca ouvi ninguém falar de gerações como você fala. Você tem que montar uma palestra sobre isso!”

Silvana Torres, presidente da Mark Up

Silvana Torres, presidente da Mark Up

 

O que me desafiou a criar o tema da inovação foi bem complicado. Silvana Torres, não me inspirou de imediato. Plantou. E quanto mais eu pensava, mais aquilo me incomodava. Até que um dia, aquela coisa: a tal conexão, um siricutico dentro de você, um desconforto confortável. Um ímpeto. Uma coragem. Uma energia súbita. Um toque. Não vou parar até chegar ao fim disso. E nasceu a palestra INOVAR ou MORRER. Dos meus temas, o segundo mais pedido.

A provocação veio da Endeavor. Que meninos e meninas mais adoráveis! Oliver Alexander e Felipe Braga queriam que eu falasse do Futuro Conectado para empresários, no formato TED. Estamos falando do início de 2011. Uma palestra de 29 minutos era muito ousada! Ontem fiz uma de 4 minutos. Exponencialidade!

Se as minhas palestras surgiram da inspiração de fora, meus artigos, minhas viagens, vídeos seguem a mesma toada. Em termos de inspiração própria eu sou bem medíocre. Se não fossem pelos amigos, clientes, fotos, filmes e pelas notícias, eu ficaria sentada no pudim.

Marcello Queiroz me inspira há 25 anos!

Marcello Queiroz me inspira há 25 anos!

 

Quando eu era pequena, meu apelido era manteiga derretida, porque eu chorava fácil. Em se tratando de falar com autoridades – diretoras de escola, pais etc – sempre fui a spokeswoman. Mas nos sentimentos, buá! Por isso, acho que os filmes e as fotos tem grande efeito sobre mim até hoje. Continuam a me inspirar e são meus instrumentos para inspirar outros.

https://youtu.be/ojdbDYahiCQ
Acho que o mais importante eu ainda não falei. Normal, não é? A gente fala, fala e esquece do principal. Ciente do que te inspira, cuide de levar uma vida rica de elementos, sinais, sons, cheiros, frios na espinha, luzes enigmáticas, cores triunfantes, abraços sensuais, banhos de cachoeira(tô precisando de um), poetas russos, balés pina bauscheanos, Amys e todos os motivos do Tim-Maia-Me-Dê-Motivo.

E hoje, indo ao supermercado, encontro Evandro, poeta amigo, que diante da lama que nos atinge disparou em pleno ponto de ônibus: “Deus … que diabo é você?”. E me levou a pensar no escritor mais amado de meus pais, Machado: “O acaso … é um Deus e um diabo ao mesmo tempo.”

Andy Warhol, Detroit, 1985, Inspira.

Andy Warhol, Detroit, 1985, Inspira.




26
Apr 16

Com um pé no mercado de trabalho.

Artigo publicado no Blog CEOlab em dez 2014. Atualíssimo, concorda?

Geração Z: fazedora, empreendedora, econômica,

Geração Z: fazedora, empreendedora, econômica,

O que já sabemos sobre as Novas Gerações? O que sabemos sobre a Geração Z, crianças e jovens entre 5 e 17 anos? O fato é que mal entendemos a Y e a Z já chega estressando os Ipisilons, os poderes políticos, econômicos e culturais desta nova era.

O interesse pelo estudo das gerações aumentou exponencialmente na última década. Aliás, tão exponencial como todas as mudanças ocorridas desde o início deste novo século. Ou como eu gosto de promover, uma Nova Era.

Na Velha Era as mudanças eram lineares – aquelas que a gente tem um tempão pra ir se acostumando. Mudanças que não doem tanto. Hoje, elas são exponenciais, epidêmicas.

As mudanças exponenciais surgem, irrompem, se materializam em nossa frente e invadem as nossas vidas. Não pedem licença. Não têm paciência, nem ouvidos abertos para ouvir nossos lengalengas, nem mimimis. Mudanças exponenciais são como os aplicativos de táxi, que transportaram os taxistas do século XX para o século XXI, da noite para o dia. Assim, como um passe de mágica.

Os aplicativos de táxi e o Waze forçaram taxistas de todas as idades a trocar seus dinossáuricos celulares por smartphones de qualidade, porque eles só funcionam em aparelhos sofisticados e potentes. Também, de um minuto para outro, “ensinaram” esses profissionais – tidos pela sociedade brasileira como um grupo extremamente conservador -, a utilizar, manusear e acessar esses gadgets tecnológicos, mesmo em movimento! É que quando a gente adentra uma Nova Era, um novo mundo se descortina. E nunca os taxistas trocaram tantas ideias com seus filhos, sobrinhos ou netos para serem “iniciados” nesta era digital.

As mudanças exponenciais são dilacerantes, nos torturam, nos indignam, nos contundem e fazem sofrer. Elas nos dão uma rasteira no meio do dia, um caldo bem prolongado que faz faltar o ar. São como um tsunami que nos corta a energia para vir à tona e lutar. Seu impacto é um tumulto em nossa existência como seres humanos, como pais e educadores. Enfim, como seres produtivos diante dos desmoronamentos de tantos conceitos e fórmulas que sempre funcionaram. Quer um exemplo? Que poder tem o Sindicato dos Taxistas diante dos aplicativos hoje responsáveis por aumentos de até 5 vezes nos ganhos mensais da categoria?

E nenhum destes taxistas jamais viu, conversou e muitos nem sabem o nome destes “mágicos”, que aumentaram suas rendas exponencialmente. Do dia para a noite. Ah, e sem mexer em um centavo sequer na linearidade do aumento da bandeira ou 1 ou 2.

São também essas inovações disruptivas que nos fazem crer que tudo pode ser possível, porque dia após dia presenciamos o quase impossível. Bem ali, na frente de nossos olhos. Ninguém nos contou. A gente mesmo é prova viva que o WAZE existe!

Geração Z: à vontade na Nova Era

Geração Z: à vontade na Nova Era

E para ser um adulto minimamente são, num mundo que evolui por saltos, surgiu uma nova geração. Z. Novas gerações surgem para decifrar os novos mundos. Porque a gente não iria dar conta disso tudo, não é? Pelo menos não sem essas novas e ágeis mãozinhas, que parecem ter muito mais que 10 dedos.

Uma geração não surge do nada, não acontece sem propósito. E não vem para atrapalhar a vida de ninguém e de nenhuma empresa, como tanta gente culta e estudada adora bradar, a torto e a direito. Uma nova geração é a renovação de nossos genes, é a transmissão de conhecimentos, percepções, intuições de toda a raça humana.

Se você tem acima de 35 anos, foi testemunha desta perturbadora renovação, primeiramente com o surgimento da Geração Y, antecessora da Z. Os ipisilons tem hoje entre 18 e 34 anos,  e são responsáveis por quase 50% da mão de obra economicamente ativa, no Brasil. Contra eles foram despertados e revelados os mais secretos e absurdos preconceitos contra uma geração!

Comecei a pesquisar os Ipisolons 5 anos atrás, em 2009, quando os mais velhos desta geração tinham 29 anos. Tarde demais para desfazer os enraizados, irracionais, bizarros e muitas vezes risíveis prejulgamentos contra toda uma geração. Discriminação essa, que só trouxe e continua trazendo prejuízos e baixa produtividade às empresas, bancos escolares e lares da nossa sociedade.

Tento reparar o lapso, começando a cavar dados sobre a Z, a tempo de abrir os meus e os nossos horizontes. Antes que o desperdício de energias contra os Zês, se repita.

Essa é a geração que mais conviveu com fatos e imagens terroristas; com dados, consequências e insolubilidades de infindáveis crises econômicas e com a banalidade da violência. Nasceram e cresceram num mundo envolto em recessão, terrorismo, violência, volatilidade e complexidade.

Por isso, apesar de receberem generosas mesadas semanais, como seus irmãos mais velhos da geração Y, são econômicos, verdadeiros “homens de negócios”, a tal ponto de emprestarem dinheiro a seus pais e aos perdulários Ipisilons. Numa pequena pesquisa que realizei recentemente, através das redes sociais, sobre um recente achado de uma pesquisa americana, pude comprovar que a classe média brasileira rivaliza a americana no que concerne ao valor das mesadas à geração Z. Os dados americanos da Mintel 2013 “Activities of kids and teens” apontam uma mesada média de R$ 40,00 por semana. Meus resultados apontam média de R$ 45,00.

Esta generosa semanada se traduz em generosos $44 bilhões de dólares por ano para a economia americana. O que significa que esta será, com certeza, uma geração muito mais estudada e pesquisada que a anterior.

Crianças escolhem o que comer. Nunca dantes ...

Crianças escolhem o que comer. Nunca dantes …

Também estarei antenada aos novos estudos destas crianças e jovens que já são responsáveis por 84% da escolha de brinquedos, 73% dos cardápios do jantar, 65% das férias familiares e 70% das opções de entretenimento.

Muito das marcas que as novas gerações vão deixar no mundo, tem a ver como as gerações mais velhas interagem com as mais novas. Extremismo não parece ser o caminho. As novas gerações não são nem o centro do universo como seus pais os criaram – trocando o bifinho por um danoninho -, nem a escrotidão da humanidade. São uma geração não-linear, nativa digital e globalizada. E temos que nos esforçar e entender o que isso significa: como isso alavanca a humanidade, e como nos ajuda a sermos melhores num mundo que parou de andar para saltar.

Crianças Prototipando: Adeus Tédio. Bem-vinda a Atenção!

Crianças Prototipando: Adeus Tédio. Bem-vinda a Atenção!

A Geração Z diz que vai inventar uma coisa que vai mudar o mundo. Vamos ajudá-los? Queremos uma geração bombando suas incríveis potencialidades ou entediada com avalanches de reprovação?

Se você faz parte das gerações tradicionalistas, baby boomer, ou da X, há 99,99% de chances que esteja lendo esse artigo em uma tela. Lembra quando você achou que isso não ia pegar, ou que era coisa de moleque?

As 5 Gerações Conectadas

Há menos de 10 anos você não acreditaria que estaria hoje lendo este artigo em uma tela.

Nota:
Idade das Gerações hoje em 2016.
Geração tradicionalista (acima de 70 anos), baby-boomer (51 a 69 anos), X (36 a 50), Y (35 a 19), Z (6 a 18) e A (até 5 anos).




23
Apr 16

Como os Carros sem Motorista vão Redesenhar nossas Cidades

Fila de carros (Lexus) autônomos da Google, num evento da Google Computer History Museum, em Mountain View, California. AP Photo/Eric Risberg.

Fila de carros (Lexus) autônomos da Google, num evento da Google Computer History Museum, em Mountain View, California. AP Photo/Eric Risberg.

Este artigo foi publicado em 25 fevereiro de 2016 no site Curbed (www.curbed.com), que trata de tudo sobre casas, design de interior e arquitetura, terrenos, reformas, casas minúsculas, pré-fabricadas e tecnologia para o lar. O texto foi escrito por Patrick Sisson e traduzido por mim, de forma livre.

Em apenas poucos anos, os carros autônomos saíram daquela remota visão futurística para uma quase certeza. Montadoras e empresas de tecnologia estão numa louca corrida para desenvolver carros que possam se auto navegar por nossas ruas e estradas. Google declarou recentemente que sua frota de carros autônomos percorre 4.800.00 quilômetros por dia. Claro que toda essa certeza vem junto com um monumental asterisco: adoção generalizada, barreiras tecnológicas, estruturas legais que precisam ser eliminadas e, claro, ainda não há nenhum carro-robô legalizado para andar nas ruas à venda para o público. Mas os massivos investimentos e o tamanho potencial do mercado (de US$ 42 bilhões, de acordo com o Boston Consulting Group) sinaliza que eles estão chegando, de um jeito ou de outro.

Isso significa absurdas mudanças no nosso deslocamento diário, mas também tem um imenso potencial de remodelar dramaticamente nossas cidades. O tamanho, o alcance e o impacto ambiental dos carros têm sido um enorme fator no planejamento e no desenvolvimento urbano do último século. Um mundo onde carros sem motoristas são predominantes, e veículos com propriedade compartilhada passam a ser a regra, oferece uma chance para repensar e reconsiderar o desenho de nosso ambiente urbano. Curbed entrevistou 5 designers expertos em centros urbanos e pediu a eles que especulassem como esse potencial futuro do transporte, chegando sob sua própria direção, poderia remodelar as cidades em que vivemos.

Um gráfico re-imaginando a rua 19th, em São Francisco: bem menos carros nas ruas devido a eficiência causada pelo uso de carros sem motoristas. Mais espaço para as faixas para bicicletas e áreas verdes. green space. Gerry Tierney, Perkins + Will.

Um gráfico re-imaginando a rua 19th, em São Francisco: bem menos carros nas ruas devido a eficiência causada pelo uso de carros sem motoristas. Mais espaço para as faixas para bicicletas e áreas verdes. green space. Gerry Tierney, Perkins + Will.

Adeus, estacionamentos (e carros estacionados)

Alain Kornhauser, professor na Universidade de Princeton: “O maior impacto será nos estacionamentos. Nós não iremos precisar deles, definitivamente, não nos lugares que eles estão hoje. Estacionamentos perto de onde as pessoas trabalham ou se divertem serão uma coisa do passado. Se eu for a um jogo de futebol, meu carro não precisa ficar comigo. Se eu estiver no escritório, ele não precisa estar ali. O shopping center que conhecemos hoje, com um mar de vagas de estacionamentos, está morto.”

Dr. Kara Kockelman, da Universidade do Texas em Austin: “Tudo vai depender realmente da quantidade de pessoas que vão abrir mão de ter a propriedade de um carro. Eu acho que a gente perderia 50% da demanda para estacionamentos. Se todos aderissem, nós poderíamos nos livrar de 7 em cada 8 carros nas ruas, portanto, precisaríamos de apenas 1/8 das vagas de hoje.”

Carlo Ratti, diretor no MIT Senseable City Laboratory: “Normalmente, nos EUA, um carro fica parado por assombrosos 95% do tempo. O compartilhamento de carros [no Brasil temos o ZAZCAR, Uber] já está reduzindo a necessidade por vagas de estacionamento: há uma estimativa de que cada carro compartilhado remove entre 10 a 30 carros privados das ruas. Os carros autônomos vão reforçar essa tendência e prometem ter um impacto dramático na vida urbana, porque irão diluir as diferenças entre os modos privados e públicos de transportes. ‘Seu’ carro poderia te dar uma carona para o trabalho, de manhã, e, depois, em vez de ficar ociosamente parado num estacionamento, daria uma carona a alguém da sua família ou qualquer outra pessoa da sua vizinhança, dos seus amigos das mídias sociais ou de sua cidade.”

Alain Kornhauser: “Se você está na avenida Michigan, em Chicago, é uma beleza. Mas a um quarteirão dali, só tem estacionamentos. Os quarteirões atrás da avenida Michigan são basicamente um grande estacionamento, para aqueles que vão até a avenida Michigan. Com carros autônomos, não haverá necessidade destes estacionamentos e, de repente, toda essa terra ressurgirá. Há tanta coisa para ser feita com todo esse espaço: nós precisamos de muita gente criativa para pensar e refletir sobre o que esse novo espaço significa.”

Garry Tierney, arquiteto de Projeto Sênior, Perkins + Will: “A característica proeminente aqui é que os carros autônomos, sem motoristas, levam em conta um modelo de propriedade compartilhada. Nós fizemos um estudo e uma apresentação para a SPUR (uma empresa de São Francisco, de pesquisa e planejamento urbano, sem fins lucrativos) e estudamos as eficiências que os carros autônomos trazem para as ruas, que pode ser algo em torno de 400% menos tráfego de veículos. Vamos ser conservadores e dizer que eles trariam 200% de aumento de eficiência. Se você aplicasse isso a toda a cidade de São Francisco e criasse uma dieta para as ruas que refletisse essa redução, você ganharia uma área equivalente a 1 e 1/4 do Golden Gate Park [ou 3 Parques do Ibirapuera]. E isso é muito espaço público.”

Carlo Ratti: “Do ponto de vista da arquitetura, a cidade do amanhã não diferiria fundamentalmente das cidades de hoje – tanto quanto a Roma antiga não difere muito das cidades que nos são familiares hoje. O que mudará, no entanto, será a experiência que teremos com a cidade – especialmente do ponto de vista das viagens.”
Garry Tierney: “Neste ambiente, você não precisa estacionar seu carro, ele estacionará por si mesmo, portanto, você pode pensar em recapturar o espaço das vagas da frente de um prédio até a frente do outro prédio. Sim, isso se transforma num espaço dominado pelo pedestre, onde os veículos terão um papel subsidiário. Nós veremos um crescimento massivo na quantidade de espaço cedida ao domínio público e um imenso aumento na largura das calçadas, faixas de bicicletas e espaço para qualquer outra forma alternativa de transporte.”

Viagem de Bonde em São Francisco – 1906, clique para assistir no Vimeo.

Garry Tierney: “Já citei este exemplo antes: há um vídeo feito em São Francisco, em 1906, uma semana antes do terremoto. Alguém colocou uma câmera na frente de um bonde, que ia pela Rua Market para o Ferry Building. Frequentemente, as pessoas olham este vídeo em termos de arquitetura, como era a cidade naqueles tempos. Mas quando eu olho para esse vídeo, ele me mostra como as pessoas interagiam com o domínio público, antes do advento do carro. O filme mostra pessoas trançando entre cavalos, carroças e bondes. Há poucos carros na rua, e mais parece a louca viagem do Mr Toad’s Wild Ride na Disney. A parte instrutiva aqui é ver as pessoas caminhando sem estarem condicionadas a andar na frente dos prédios. Elas simplesmente usam o espaço da forma que querem. Até mais ou menos 100 atrás, era como todo mundo experienciava a cidade. Só recentemente, fomos treinados a andar obedientemente ao longo de uma estreita calçada, esperando o homenzinho do semáforo mudar de vermelho para verde para que possamos atravessar. Isso nos permitirá voltar a usar o espaço entre os edifícios como um real e verdadeiro domínio público. Essa parte, que é uma verdadeira volta ao futuro, é realmente apaixonante para mim.”

Trânsito Público: Fortalecido ou Ameaçado?

Paul Lewis, vice-presidente de Políticas, Eno Center de Transportes: “Eu acho que vai ajudar o transporte público em muitas formas. Os pioneiros, ‘early adopters’, poderiam muito bem ser donos de uma frota, como uma agência de trânsito. Se a economia de ônibus autônomos der certo, eles reduziriam despesas e, com esse ganho, colocariam mais ônibus nas ruas. O sistema de transporte em áreas urbanas densas realmente não pode dar certo sem transporte público ou veículos que possam carregar dezenas ou centenas de veículos. Simplesmente, não há capacidade de vias para que cada um tenha um veículo.”

Alain Kornhauser: “Na simulação que fizemos em New Jersey, considerando a habilidade de ir para a Princeton Junction ou outra estação de trem sem se preocupar em estacionar seu carro, os veículos autônomos aumentam as viagens de trem num fator de 5. Ou seja, em vez dos trens passarem a cada 30 minutos, teriam que passar a cada 5 minutos.”

Dr. Kara Kockelman: “Uma das razões que fazem as pessoas não usarem bicicletas é o medo dos carros. Com todos sendo tão multimodais, as bicicletas compartilhadas serão bem importantes.”

Um pesquisador do Centro de Inteligência de Veículos da Universidade Nacional de Seul, mostra o aplicativo de smartphone para o carro autônomo. AP Photo/Lee Jin-man

Um pesquisador do Centro de Inteligência de Veículos da Universidade Nacional de Seul, mostra o aplicativo de smartphone para o carro autônomo. AP Photo/Lee Jin-man

Como prevenir a abordagem “Vencedores e Perdedores” aos Transportes

Garry Tierney: “Temos que começar a pensar em consequências não intencionais. Onde estarão estas garagens? Onde armazenaremos todos esses carros? Precisamos tomar cuidado para não começar a colocá-los em comunidades onde a terra tem baixo valor. Os ricos teriam um bucólico domínio público, enquanto as áreas pobres estariam cercadas de veículos autônomos, como um enxame de moscas. Temos que ter consciência e fazer de tudo para que isso não aconteça. Hoje, este admirável mundo novo nos é mostrado com jovens entre 20-30 anos conectados, chamando seus Ubers e se divertindo, e, ali na esquina, a faxineira está em pé esperando o ônibus que nunca chega. Nós simplesmente não podemos deixar isso acontecer. Se estamos nos movendo em direção a um sistema de trânsito autônomo e descentralizado, nós precisamos nos assegurar de que a acessibilidade é para todos, de que haverá um conceito de equiparação social no design.”

As cidades se tornarão mais densas ou mais espalhadas?

Alain Kornhauser: “O que acontece com as Levittowns do mundo? Pra mim, a implicação é, considerando a densidade residencial dos lares desejáveis, eu acho que voltaríamos para as fileiras de casas, como as dos anos 1920. Não seriam necessariamente arranha-céus, como uma Pequim.”

Paul Lewis: “Se você tem políticas que encorajam o acúmulo e casas para famílias de solteiros, e esse estilo de vida continua a ser acessível, é o resultado que você terá. Tem a ver com o jeito que formatamos políticas.”

Garry Tierney: “O argumento que se discute é que, com essa tecnologia, as pessoas podem se mudar para qualquer lugar da Bay Area [São Francisco]. Discute-se que mais gente vai morar mais longe dos centros, nos subúrbios. As pessoas fundamentalmente escolhem morar onde elas querem morar. Eu acho que, em geral, nós estamos vendo uma situação agora na qual as pessoas querem viver na cidade, sem precisar da infraestrutura de trânsito, autônoma ou não. Não importa o barulho que essa tecnologia faça. Eu acho que muita gente vai querer viver num bairro central por muitas razões que vão muito além do trânsito.”

Dr. Kara Kockelman: “Uma grande preocupação que tenho com as cidades, estados e regiões é o excesso de viagens. Eu acho que haverá regras para enviar um veículo vazio ou quantas viagens vazias um operador de frota pode gerir. Nas simulações que fizemos em Austin, nós constantemente vemos 8% ou menos milhas viajadas com veículos vazios. Se as pessoas compartilharem, isso reduzirá as viagens com carros vazios. Mas se os carros derem a ideia às pessoas de que elas podem ir mais longe e mais facilmente, isso é uma grande preocupação. Acho que precisaremos de um modelo de preço baseado em créditos de congestionamento.”

Paul Lewis: “Nos esquecemos que para um carro nos levar de um ponto A ao B, por si só, há um caminho muito, muito longo. No curto prazo, vemos carros andarem com autonomia, num ambiente controlado, em rodovias e vias expressas. A condução autônoma já começou em faixas adaptadas e com controle de velocidade de cruzeiro. Fazer longos deslocamentos mais fáceis poderia aumentar o número de pessoas pegando o carro para ir trabalhar, porque é mais fácil, e aí haveria mais gente precisando de mais vagas de estacionamento.”

Veja o artigo original:
http://www.curbed.com/2016/2/25/11114222/how-driverless-cars-can-reshape-our-cities




23
Apr 16

Geenteeem, eu tô passaaaada!

Sera que eu falo?

Sera que eu falo?

Fazia tempo que a conversa de restaurante, da mesa ao lado, não me alucinava tanto!

Ouço, olho de soslaio, nem pisco! Estico o ouvido diante da improbabilidade de um ser humano falar como se fosse um livro. É inviável, mas é verdade: é uma conversa real entre 2 pessoas!

Uma é a cliente (coachee). Dela saíram as primeiras frases, que me esforço aqui para repetir. Achei que poderia lembrar aquela monótona e infindável sequência de “jogos do contente”. Ia assim, “quero me cercar de pessoas do amor e da amizade e construir uma Roda da Felicidade (!)”. Acho que se a verdadeira Poliana a ouvisse, a acharia too-much-Poliana!

A outra é a profissional, a Coach.

Quem me conhece, sabe da minha ojeriza a frases prontas, frases formais que impactam, mas pouco ou nada transmitem além de seus sons. Não comunicam. São palavras, soam como palavras, mas são vazias de envolvimento.

Bla Bla Bla ...

Bla Bla Bla …

A tal Coach-de-Prateleira soa como um livro-falante. Mas que inveja! Linda, calma, tranquila, serena, plácida. E de sua linda boca saem dezenas, centenas de palavras, todas perfeitamente ordenadas, harmônicas, com sujeito, predicado, conjunções verbais e adverbiais, dois pontos, travessão, notas de rodapés e páginas numeradas. Tudo parecia estar saindo de alguma apostila-de-como-se-tornar-coach-em-15-minutos. Expressões faciais: zero! Mas linda, linda!

Deduzi que esse jantar era a primeira reunião delas ao vivo. A química foi perfeita! Ali mesmo fecharam o negócio e selaram as sessões de coach. E, dali para frente, elas viverão felizes em suas Rodas de Felicidades!

Deixando de lado a chacota, quero esclarecer 2 coisas. Primeiro, fiquei extremamente incomodada com o fechamento do negócio. Segundo, pra quem não me conhece, nada tenho contra o exercício de coaches, nem de mentores. Poucas pessoas têm tantos amigos que desempenham essas profissões, como eu. São tantos, que quando me pedem indicação, me dou ao luxo de discorrer sobre seus distintos estilos. Conheço até coach antroposófica!

Fico pensando se a tal cliente, ouvindo a tal coach em outro contexto, enxergaria a falcatrua, a barbaridade da situação. Se se revoltaria tanto quanto eu.

A analogia que me passa pela cabeça é a pessoa desesperada que sai à procura de igrejas milagrosas. Vai encaixar, não vai? A fragilidade é tamanha, que as vãs frases feitas dos bispos-falantes marcam um golaço, em poucos minutos. Nada bate uma verborragia comprovada.

Tem solução? Como um cliente pode fazer uma melhor escolha usando uma lente objetiva? Minha sugestão é terceirizar essa objetividade, essa sensibilidade, e cheguei a uma solução que acredito simples e bem prática: leve um amigo junto com você.

Ah, se ela tivesse me levado naquele almoço! Te digo, com essa coach-de-prateleira é que ela não fecharia suas sessões. Não mesmo!

Num mundo complexo como o que estamos vivendo, energizar a carreira e a empresa com coaches e mentores é um impulso fenomenal para as nossas vidas e trabalho.

Não tenha pressa. Fuce. Você merece o melhor profissional. E você não achou o seu suado dinheirinho na rua. Comunicar não é falar. Abaixo o bla bla bla. 

 




31
Mar 16

Nova Era da Cognição Exige Educação Experimental

Beia Carvalho e a Educação do século 21.

Beia Carvalho e a Educação do Século 21.

Fui entrevistada pela jornalista Luciana Alvarez para o blog da Bett Educar. É que em maio palestro pelo 3º ano para o BETT BRASIL EDUCAR, o maior evento educacional do Brasil, este ano com o tema ‘Melhor educação, melhor sociedade!’. A entrevista toca no tema dos sobressaltos da educação na Nova era dos saltos. Eu amei o texto desta jovem e adorável jornalista. Aqui está:

Para além do verniz de inovação, escolas têm de investir em mudar o centro do processo de ensino-aprendizagem e, assim, desenvolver a criticidade dos alunos, diz a futurista Beia de Carvalho.

Mas por que questionar e criticar é cada dia mais importante? Por que a escola precisa mudar? Segundo Beia, estamos em trânsito para a nova era – e a escola deve preparar os mais jovens para essa realidade.

Claro que a mudança tem certas dificuldades. “Quando se está em trânsito, o sentimento é de insegurança, porque você não está em casa nem no seu destino. Quanto mais resistência houver, mais o ser humano estica esse trânsito, mas nada aborta chegada da nova era”, afirmou.

Beia Carvalho Palestrante Futurista

Beia Carvalho Palestrante Futurista

Um exemplo clássico de resistência é o uso de telefones celulares. No começo, era comum as pessoas dizerem que não precisavam de celular, as empresas proibirem os funcionários de usar. Não importa por quanto tempo se resistiu, hoje praticamente todos aderiram.

Mas qual é a grande diferença entre a era passada e a próxima, a tal “era da cognição”? De acordo com Beia, a do passado era linear, com mudanças de degrau por degrau, de forma compassada. Na nova era, as mudanças serão exponenciais, por saltos. “Depois de um salto, vem o salto em cima do salto, nos deixando atônitos”, afirmou.

Essa nova era em que o mundo entra ainda não ganhou um nome oficial. Beia gosta de usar o termo “era da cognição”, algo que mostra que educação é um ponto nevrálgico. “Hoje no Brasil ela está atrasada e ineficiente, mas a educação está sendo rediscutida mesmo nos países de excelência. Em um mundo complexo, você precisa de talentos para resolver problemas complexos de forma simples. Pessoas críticas, questionadoras vão ser valorizadas”, disse.

A educação atual é linear, baseada no que a sociedade precisava numa era de revolução industrial. “Tudo tinha que ser igual, o mais padronizado possível. O que a gente menos precisa no mundo hoje são pessoas iguais. Só a diversidade traz inovação”, afirmou a futurista.

Aparentemente é simples, mas quem trabalha na área sabe bem que não é assim. A nova educação tem que ser experimental e, portanto, é repleta de incertezas, avalia Beia: “Os pais querem uma educação moderna, para o século 21, mas querem manter as certezas do passado, pedindo conteúdos, provas. A mudança é necessária para todos nós”.

Repense seus paradigmas numa palestra inquietante, desafiadora e cheia de bom humor, na Bett Brasil Educar 2016.

Notas:
Veja a entrevista original no Blog Bett Educar: http://www.bettbrasileducar.com.br/Content/Bett-Blog-61-29-03

Foto de capa: Felipe Feca

Foto do post: Egydio Zuanazzi.




23
Mar 16

Prometido e Cumprido!

AQUI!

Não está sendo fácil, não. Está sendo muito gostoso TER que gravar todas as semanas.
Tudo para fazer valer a promessa de publicar 2 novos vídeos toda semana. Hoje, cumpro a promessa semanal em dobro: 4 vídeos! Estreia ‘Dica de Mestres’ e 3 novas ‘Dicas do Futuro’: 29, 30 e 31. Pra quem está acompanhando, são 50 dicas. Aqui vão elas!

Gostou? Vá lá e assine meu canal.

E aqui a dica #31:

Até a próxima semana!
Nesta não tem gravação por conta do feriado, mas já fiz um estoque de vídeos para estes casos. Então, depois da sua ótima Páscoa, vai ter mais 2 novos vídeos!

Se você não viu o vídeo de lançamento, cá está:

Espero que você goste!

CRÉDITOS: Co-Produção FIVE + NANU. Conteúdo Beia Carvalho. Direção e Edição: Sanna Mancebo. Direção Geral: Galileo Giglio. Identidade Visual: Guido Giglio. Cabelo e Make-up: Lira Chan.




06
Mar 16

Facão e o Dia da Mulher

Facão e o Dia da Mulher

Facão e o Dia da Mulher

Mulheres são fundamentais, mas ainda abrem caminho com facão.

Edição Especial do PropMark em homenagem ao Dia Internacional da Mulher

Edição Especial do PropMark em homenagem ao Dia Internacional da Mulher

E a minha expressão ‘facão” virou a manchete da matéria!
Leia aqui a minha entrevista completa para a Edição Especial do PropMark em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.

Valeu PropMark!

Beia Carvalho, presidente da 5 Years From Now®, é outro exemplo feminino que abriu caminhos à força. “Acho que tenho um caminho aberto com facão. Fui sócia durante 15 anos de cinco homens. Isso não é comum, não é um bolinho crocante. Foi um aprendizado. Uma minissociedade é reflexo da sociedade com seus dramas, problemas e problemáticas.”
O desafio dela foi abrir o próprio negócio e partir para o desconhecido. “Faço as pessoas pensarem no futuro. Abri essa picada para explicar uma coisas que não existe com uma metodologia baseada em jogos num mundo em que as pessoas tendem a ser mais formais.”Uma das maiores batalhas é a falta de apoio para abrir frentes e desbravar novos caminhos. Beia fica impressionada como a sociedade, de uma forma geral, e as as mulheres de forma específica, não têm apoio para inovar. “As pessoas acham que você está louca”, diz. “Parece que a sociedade não quer você empreendedora. A sociedade não te fortalece para ter esse aval de empreender na vida. Acho que isso é a maior batalha.”

Uma das maiores batalhas é a falta de apoio para abrir frentes e desbravar novos caminhos. Beia fica impressionada como a sociedade, de uma forma geral, e as as mulheres de forma específica, não têm apoio para inovar. “As pessoas acham que você está louca”, diz. “Parece que a sociedade não quer você empreendedora. A sociedade não te fortalece para ter esse aval de empreender na vida. Acho que isso é a maior batalha.”

O comercial abaixo tem legendas em inglês, mas dá pra entender muito bem, tim tim por tim tim. Porque esta é a vida como ela é. Ou como tem sido para a maior parte das mulheres do mundo, em todas as classes sociais.

Com expertise para provocar reflexão, inspirar a ousar, criar e inovar, Beia acha importante questionar o que as mães estão ensinando aos seus filhos. “Quando as mulheres aprenderem a criar seus filhos como ‘pares’ de uma mulher e não ‘chefes’, aí, sim, teremos uma sociedade mais igualitária. Nós, mulheres, temos de nos reeducar, educar nossos filhos com essa perspectiva e, principalmente, continuarmos a desfilar pelo mundo, trazendo a paz a compreensão e a beleza por onde passarmos”, opina. No fundo, o que as mulheres querem não é a igualdade, mas sim, equidade. Equiparação. “Não faz sentido que uma mulher ganhe menos que um homem. Eu nunca passei esse perrengue, mas isso sempre me chamou a atenção”, declara Beia.

Sempre me causou espécie o fato que países considerados não-machistas, os países nórdicos por exemplo, também praticarem a desigualdade de salários.
Isso leva essa discussão a um nível muito mais complexo e profundo, já que sempre que se aponta a desigualdade , se força a barra no machismo latino.

Edição Especial do PropMark em homenagem ao Dia Internacional da Mulher

CAPA da Edição Especial do PropMark em homenagem ao Dia Internacional da Mulher

Texto da minha entrevista para o PropMark em homenagem ao Dia Internacional da Mulher

Texto da minha entrevista para o PropMark em homenagem ao Dia Internacional da Mulher

MATÉRIA de Ana Paula Jung, publicada no jornal PropMark, março 2016.




06
Feb 16

Vivam as Mulheres. Abaixo os Grupos de Mulheres!

Mulheres & Homens. Nepal.

Mulheres & Homens. Nepal.

Sempre tive problemas em compreender ou fazer parte de grupos exclusivos por gênero, raça. Nunca recebi uma boa explicação intelectual. É uma aversão natural. Uma ojeriza, mesmo. Sendo mulher, tenho sido continuamente convidada – ou, nestes tempos de redes sociais, simplesmente incluída, à minha revelia – para grupos de mulheres. Participei de algumas reuniões nesses grupos. Não gostei do que vi, nem do que ouvi. Se me coloquei e tentei mudar o que não gostava? Não. Se insisti até colher resultados? Não.

Eu acredito em grupos que são formados com um propósito e com diversidade. De gênero, idade e influência social, política, intelectual. Enfim, diversidade na veia. Morei nos Estados Unidos à época das cotas escolares para negros. E pude presenciar, ao longo de décadas, as distorções e o acirramento “black & white” que essas segregações causam. Fui contra a aplicação das cotas no Brasil até recentemente, quando meu amigo e atinado critico político-social Jayme Serva me convenceu que, se aplicadas por período seriamente predeterminado, com políticas para começo, meio e fim das cotas, poderiam ser uma arma de grande sucesso para reparar as cruéis injustiças sociais causadas pela desumana escravidão. Enfim, continuo contra, a menos que tenha essa linha de tempo estabelecida.

Nossa maior força está em levar diversidade para outros grupos

Nossa maior força está em levar diversidade para outros grupos

Voltando às mulheres. Recentemente, esses convites, reuniões e tentativas de convencimento se tornaram mais e mais frequentes. E me forçaram a ter uma opinião mais qualificada sobre essa minha oposição. Seria um capricho de minha parte?

Faço uma pausa aqui para confessar que, se as pessoas não me provocassem, acho que ficaria o dia inteiro assistindo filmes e fazendo nada. Desta vez, a provocadora foi a editora Nilceia, que está à frente do grupo Mulheres que Decidem.

Fui pesquisar e achei 2 ótimos artigos. O primeiro mais focado no networking de grupos de mulheres. E o segundo, fantástico, fruto de experiências do cientista social Thomas Malone no assunto Inteligência Coletiva.

O título do artigo de Meghan Casserly, na Revista Forbes, cativou minha atenção de imediato: “Por que Grupos de Networking de Mulheres Fracassam?” Ela, como eu, também se sente incomodada em frequentar esses grupos e propõe uma questão: “Será que grupos de mulheres podem ajudar uma jovem a invadir o Clube dos Meninos, mesmo se tratando de grandes redes?” Para responder, Meghan cita o post que leu na HBR, do blog de Athena Vongalis-Macrow. Athena pede que façamos 3 perguntas antes de nos juntarmos e colocarmos nossa energia para que um grupo funcione.

1. Quem está na rede?
A melhor receita de rede é aquela que tem uma parte de mulheres com recursos e bagagem profissional colecionados através do tempo. Outro terço de “bibliotecárias”, aquelas com as últimas e mais pertinentes informações e dados; e, finalmente, as Boas Samaritanas, que estão lá para ajudar em todas as situações. Segundo a IDEO, é esta combinação desejada: recursos, informação e boas intenções. E Athena ainda nos provoca: faltou algum desses elementos? Pula fora!

2. É uma rede que se conecta bem?
A conexão flui entre uma reunião e outra ou é aquela coisa de se encontrar uma vez por mês? Você se sente desconfortável em acessar aquela superexecutiva do grupo, porque ela pode achar você uma chata ou invasiva?

3. A rede tem uma comunicação funcional?
Isto é, suas frustrações e desapontamentos serão acolhidos e ouvidos? Alguém se voluntariará a ajudá-la com um novo caminho ou a prevenir que você exploda?

E Meghan adicionou mais uma:
Com quem você está falando?
Networking não é chamado de “escada corporativa” à toa. Networking é estar próximo do poder. A qualidade e a velocidade com que você sobe essa escada tem a ver com a qualidade das conexões que os membros de seu grupo têm e cultivam. Grupos de mulheres que pertencem a vários outros grupos são capazes de importantes novas conexões.

Com essa última reflexão de Meghan, chego mais perto do que acredito. É a diversidade que nos engrandece, que nos empurra para novos territórios, novas experiências, novos conhecimentos, novos ensaios. Novas vidas.

Eu reconheço que nós mulheres temos muitas causas a serem lutadas e vencidas. Algumas ainda a serem formuladas. E muitas delas, como o feminicídio, têm os homens como nossos algozes. Mas acredito que seja com eles, e não com a exclusão deles, que venceremos.

Por fim, o sensacional estudo de Malone, que abordou homens e mulheres entre 18 e 60 anos, aleatoriamente divididos em grupos, aos quais foram aplicados vários testes: de inteligência, exercícios de brainstorming e tomada de decisões, quebra-cabeças e um problema realmente complexo para ser resolvido pelo grupo. Quais grupos foram considerados os mais inteligentes? Aqueles que tinham pessoas com os mais altos QI? Não. Os grupos que tinham mais mulheres!

Assista o vídeo com Thomas Malone sobre Inteligência Coletiva

E neste link o cientista em entrevista à Harvard Business Review:
https://hbr.org/2011/06/defend-your-research-what-makes-a-team-smarter-more-women/ar/1

A pesquisinha valeu, não é? Em todos os casos, me parece que Meghan, Atena e Thomas nos fazem ver que uma sonora diversidade faz jus à sua fama da nova era.

Se você quer usufruir de inteligência coletiva superior, aqui está a receita: produza um grupo com diversidade de pessoas e vá adicionando mais e mais mulheres, até que elas sejam a maioria no seu grupo. E aqui está a cereja do bolo: grupos excepcionais tem participantes que ouvem uns aos outros. Fecho este artigo com esta citação de Thomas Malone:

“Teoricamente, sim, as 10 pessoas mais inteligentes deveriam formar o grupo mais inteligente, mas não apenas porque eles são os indivíduos mais inteligentes. Mas porque grupos excepcionais ouvem uns aos outros. Eles compartilham as críticas de forma construtiva. Eles têm mentes abertas. Eles não são ditatoriais. E, em nosso estudo, vimos muito claramente que grupos que tinham pessoas inteligentes dominando as conversas não eram os grupos mais inteligentes.”

NOTAS:
1) Meghan é ex-editora da Revista Forbes e atual Relações Públicas na Google.
Why Women’s Networking Groups Fail, de Meghan Casserly.
Acesse: The Value of Your Networks, de Athena Vongalis-Macrow
https://hbr.org/2012/06/assess-the-value-of-your-network

2) Thomas W Malone é catedrático da MIT Sloan School of Management e diretor-fundador do Centro para Inteligência Coletiva do MIT. Também diretor-fundador do Centro para Coordenação de Ciências do MIT e um dos dois cofundadores da iniciativa do MIT em Inventar Organizações para o século 21. Anita Woolley é sua assistente.

Beia Carvalho
*Palestrante futurista
beia@5now.com.br




04
Feb 16

CONQUISTAS DAS MULHERES PELAS GERAÇÕES

Dia Internacional das Mulheres

Dia Internacional das Mulheres

Beia Carvalho pode falar das Conquistas da Mulheres através das gerações, porque entende de Gerações, é mãe de 2 filhos, avó de 2 netos, foi executiva e já empreendeu 4 vezes!

Faltam 25 dias para o dia 8 de março.

Quem sempre fala pra todo mundo, vai falar diretamente com as mulheres no mês da comemoração do Dia Internacional das Mulheres e do aniversário da palestrante também.




11
Jan 16

Estaremos em 2021. Onde você estará?

Até 2021 estaremos imprimindo pele em impressoras 3D.

Até 2021 estaremos imprimindo pele em impressoras 3D.

Não é novidade para a gigante L’Oreal fazer pele. Há décadas esse lento e complexo processo é presença nos laboratórios de indústrias cosméticas.

A Pele do Futuro

A Pele do Futuro

Em 5 anos, a bioimpressão em 3D vai acelerar a construção de protótipos mais fortes e novos produtos.

E, principalmente, criar novas receitas. Só a L’Oreal investiu perto de US$1 bilhão em pesquisas e inovação, em 2013.

No jogo também está a gigante Procter & Gamble, mas L’Oreal (LRLCF) está à frente numa joint-venture com a empresa americana de biotecnologia Organovo (ONVO) para produzir pele com o objetivo de testar produtos em “pele real”.

Assista este vídeo sobre algumas novas tecnologias incluindo a impressão de pele em 3D.

De um lado, a produção de pele em 3D levará empresas a abandonar testes de produtos em pessoas e ou animais. De outro, esse tremendo investimento traz benéficas esperanças para queimaduras, principalmente aquelas que exigem reposição de grandes áreas queimadas.

Mais aqui na reportagem da WIRED http://www.wired.com/2015/05/inside-loreals-plan-3-d-print-human-skin

FICA DICA #39: em 2021 imprimiremos pele em impressoras 3D

FICA DICA #39: em 2021 imprimiremos pele em impressoras 3D