2025


18
Nov 15

Futuro, Disrupção, Beia Carvalho e Estadão

Beia Carvalho entrevistada no Estadão, evento Eurofinance, nov 2015.

Beia Carvalho entrevistada no Estadão, evento Eurofinance, nov 2015.

Abrir o Estadão e dar de cara com sua entrevista.

É, não tem preço. É demais! Ler todos os elogios dos amigos, conhecidos e desconhecidos nas redes sociais, também não tem preço. E pra coroar, tem a declaração do seu primogênito:
“A vida inteira as pessoas me falaram ‘Sua mãe é demais!’, e por muito tempo (na adolescência principalmente) eu não dei muita bola. Mas agora que eu tenho acesso à internet, descobri que ela é realmente demais! Parabéns, mã! Você é demais!!! (e sem aspas!).” E chega de autopromoção, aqui está a entrevista.

Futuro das corporações depende da força de inovar

A publicitária Beia Carvalho fundadora e presidente da empresa 5 Years From Now, pesquisa o futuro e os rumos das inovações. Durante o evento da Eurofinance sobre Gerenciamentos de Riscos, ela apresentou a palestra “O futuro é agora. Planejamento para a disrupção”. Leia a entrevista:

Dizem que 2016 será um ano pior do que 2015. As demissões continuam em ritmo acelerado e o custo de vida sobe. Nesse cenário, em que as pessoas e as empresas estão mais preocupadas em sobreviver, como as companhias devem se preparar para o futuro?
Entender (de verdade) o mundo virtual. Daqui pouquíssimos anos, apenas as gerações que tem hoje acima de 35 anos falarão em mundos on e off-line. Para 20% da população o mundo é um só. O Magazine Luiza, por exemplo, está invertendo a ordem varejista, ao colocar o varejo negócio como um negócio virtual que tem pontos físicos. E não o contrário.

Não sabemos como será a Internet em 2030, mas sabemos que no futuro, não vamos “ligar” a internet. Como diz Ivan Matkovic, da Spendgo, “a internet simplesmente existirá como parte de nossas interações rotineiras. Será como o ar que respiramos. Um componente crítico da vida, mas sua presença não será necessariamente reconhecível ou identificável.”

A conectividade global – a entrada de novos 3 bilhões de pessoas a uma velocidade de 1 Megabit por segundo – vai gerar 6 bilhões de hiper-conectados e trilhões de novos dólares fluindo para a economia global, graças às iniciativas de grandes players como Facebook, SpaceX, Google, Qualcomm e Virgin para 2020. Acredito que as conexões wifi grátis acontecerão até antes do prazo.

Beia Carvalho palestrando no evento da EUROFINANCE.

Beia Carvalho palestrando no evento da EUROFINANCE.

Qual seria esse investimento que as empresas não poderiam deixar de fazer, mesmo com a queda de faturamento? O que a tesouraria e as finanças deveriam ter em mente?
Para quem atua no mundo das moedas, conhecer, aprofundar, aprender e investir na tecnologia que está por trás da moeda virtual Bitcoin. Recomendo o artigo do The Economist e também publicado pelo Estadão sobre a Blockchain, em 31 de outubro. A inovação está em cada aspecto dessa tecnologia que subverte grandes dogmas. Possibilita a pessoas que não se conhecem, nem confiam uma nas outras, construírem uma contabilidade segura e confiável. Sei que em seguida vem a pergunta: como um sistema aberto a consulta, descentralizado, transparente e acessível pode ser ao mesmo tempo confiável e seguro? A resposta é inovação. Este assunto está nas rodas de valor de hoje e continuará na moda quando se projeta o mundo para 2040. Quem souber antes e “infectar” mais e melhor o ambiente, chega no futuro mais rápido. Não creio no conhecimento reservado ao departamento de TI. Acredito sim, na discussão da tecnologia sendo disseminada e compartilhada democraticamente na empresa.

A volatilidade econômica virou norma. Como a tesouraria e as finanças lidam com isso? Há um limite para a política de corte de custos? Como o planejamento pode substituir os cortes?
Quando a volatilidade vira norma, o planejamento não substitui cortes. A perseguição e a ganância por uma nova mentalidade para a empresa são imperativas. Empresas do futuro são aquelas que tem uma arquitetura com espaços férteis para que a inovação brote. Não há garantia que ela dê frutos. Inovar é necessário, não é opção, principalmente quando as crises deixaram de ser eventuais e viraram cena da vida cotidiana. O relatório do Bank of Merrill Lynch de abril de 2015 identifica 3 ecossistemas de disrupção criativa: a Internet das Coisas (7 trilhões), a Economia Colaborativa (450 bilhões) e os Serviços On-line (500 bilhões).

Paradoxalmente, o PIB pode estar escondendo uma economia mais pujante. Segundo o relatório, com o crescimento da Economia Colaborativa, mais transações não são diretamente monetizadas, fazendo a parte incontável do PIB crescer. Isso é um desafio na utilidade das estatísticas dos PIBs. Ou seja, a economia pode ser maior e estar crescendo mais rápido que os números sugerem”.

Em época de crise, a falta de perspectivas sempre abala a confiança no futuro. Imagino que isso seja um problema para as empresas. Como evitar esse cenário?
As empresas devem selar sua suprema parceria: construir plataformas interativas que acolham as discussões, as soluções, as inovações e as invenções com as quais a sociedade está engajada. Proporciona-se um espaço de confiança e esperança, o primeiro um valor, e o segundo um bem, ambos em falta neste enganado e desiludido Brasil. Não é fácil para as empresas criarem esses espaços sem se absterem de subverter a conversa. Tendenciar a conversa seria fatal e a sociedade sumiria desta rede de discussões.

Qual é a mensagem que a senhora gostaria de deixar para os homens e mulheres das finanças?
Conhecer, aprofundar, estudar, aprender mais e mais além e compartilhar.

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Explique o conceito de disrupção. As empresas deveriam ter uma área de planejamento que fosse além da questão financeira? Como isso se daria?
Uma inovação disruptiva substitui e elimina o que a antecedeu. As empresas tem de investir em espaços permanentes de dissidência ativa, onde ideias heréticas e divergentes possam ser discutidas para serem acolhidas ou destruídas. “Não temos este tempo para perder”, é uma desculpa do século passado. Para começar as empresas precisam entender criteriosamente os conceitos de inovação, imaginação, criação, exponencialidade, recursos finitos e abundância. Muitos destes conceitos estão embolados e servem de bloqueios à inovação. Por isso, é tão fácil falar sobre inovação e tão difícil inovar.

Investir na investigação do futuro, nos leva à poderosa combinação entre inteligência artificial (AI) e a nova safra da robótica, que varrerá da face do mercado 35% dos trabalhadores do Reino Unido e 47% nos Estados Unidos, incluindo postos de colarinho branco, segundo o relatório de 300 páginas do Bank of Merrill Lynch.

NOTAS:
1. Texto da entrevista publicada em 18/11/2015. Publicada no Caderno de Economia e Negócios Estadão e produzida por Estadão Projetos Especiais, para meu cliente Eurofinance.

2. EuroFinance é uma empresa do Grupo The Economist, líder mundial em conferências e seminários sobre gestão financeira e de tesouraria. Realiza mais de 50 encontros na área, em diversos países. Fui convidada a palestrar no evento Gerenciamento Internacional de Tesouraria, Caixa e Riscos para Empresas no Brasil, em São Paulo, 10-11 de novembro 2015, que reuniu mais de 400 profissionais da área financeira. Palestra “O futuro é agora. Planejamento para a disrupção”


12
Jul 15

“Peak Car”: a chegada da decadência do Carro?

Car Peak, artigo do futurista Thomas Frey

Car Peak, artigo do futurista Thomas Frey

Em que ano o número de carros do mundo vai atingir seu pico e as vendas de veículos começarão a declinar?

Por mais surpreendente que seja, isso já está acontecendo nos EUA! As pesquisas mostram que as economias mais ricas já atingiram o “peak car,” o ponto de saturação do mercado caracterizado por uma desaceleração sem precedentes tanto no crescimento de proprietários de carros, quanto no total de quilômetros rodados e nas vendas anuais.

Por décadas, o tráfego de veículos cresceu numa velocidade assombrosa. Mas isso tudo mudou em 2007. Alguns se referem ao fato como uma tempestade perfeita combinando colapso econômico, revolução digital e enormes mudanças no estilo de vida urbano.

Muitas startups surgiram nessa época, na área de transporte alternativo, como Zipcar (ZazCar, no Brasil), Uber, Lyft, e SideCar. Junte tudo isso ao surgimento de carros conectados, aumento de carros elétricos, carros autônomos, declínio da natalidade, e o crescente congestionamento das vias expressas em quase todas as grandes cidades do mundo.

Indicadores mostram um quadro muito claro da indústria automobilística para os próximos anos, quando o resto do mundo também atingirá o tal pico. Mesmo contando que o continente africano com seus altos índices de natalidade e infraestrutura subdesenvolvida está longe de atingir o pico automotivo, as atuais mudanças no jeito de pensar o transporte acionaram o alarme por toda a indústria automobilística.

Mas como se dará essa transformação?

Em apenas pouco mais de uma década, ser proprietário de um carro será relegado a um hobby, ou ao mercado de luxo, algo parecido com ter aviões ou cavalos.

Ter um carro e ser responsável por toda a chatice que vem com ele, como financiamento, licenciamento, impostos, consertos, seguros, combustível, troca de óleo, lavagens, e submeter-se a todas as 10.000 leis de trânsito,  estacionamento, velocidade, ruídos, poluição, sinalização e semáforos serão, brevemente, coisas do passado.

Na realidade, possuir um carro passou a ser uma experiência dolorosa. Do vendedor da concessionária, o cara que faz o financiamento, aos guardas de trânsito te vigiando a cada momento, fazem os compradores de carro se sentirem como ratos com um montão de urubus circulando acima de suas cabeças.

As vendas da indústria automobilística começaram a sua lenta marcha para a inexistência.

As pessoas aguentaram tudo isso, porque não tinham nenhuma outra boa opção. Mas as novas opções já estão aqui. E muitas outras estão chegando. [...]

Minha intuição é que num mundo onde o transporte passa a ser on-demand, a indústria automobilística será paga por quilômetro rodado, e mudará seu foco para veículos duráveis, capazes de viajar por mais de um milhão de quilômetros. Menos veículos, que durarão muito mais, vão gerar uma equação muito mais lucrativa para a indústria automobilística.

Os perdedores neste cenário serão as companhias de seguros e as financeiras, e toda a rede de concessionárias, que dependem de vendas. Ao mesmo tempo, guardas e juízes de trânsito, estacionamentos, e milhares de outros pequenos negócios que sustentam nosso atual mundo centrado em humanos dirigindo carros.[...]

Carro Autônomo Google

Carro Autônomo Google

Como sempre, muitas coisas podem dar errado, no caminho. Hackers podem fazer carros sem motoristas bater um contra o outro, sindicatos podem proibir alguns estados de ter carros sem motorista, protestos de pessoas que perderam seus empregos, ou carros sem motoristas sendo usados em ataques terroristas, são algumas das ameaças potenciais deste futuro cenário.

O caminho do progresso nunca é fácil, portanto espere muitas coisas darem errado ao longo desta estrada.

No entanto, eu vejo o “peak car” como um estágio muito positivo. Mas eu adoraria ouvir sua opinião. Isso é bom? Estaremos todos nós usando carros sem motorista na próxima década? O “pico do automóvel” vai acontecer nos próximos 10 anos, e se não acontecer, por que será que não?

NOTAS:
Escrito pelo futurista Futurist Thomas Frey, autor de “Communicating with the Future” e traduzido parcialmente e livremente por mim.

Para acessar o artigo original:

http://www.futuristspeaker.com/2015/07/the-coming-of-peak-car


9
Dec 14

3 futuristas futurando

Jantar de Aniversário, 14 março 2014, NYC. Robert, Doug e Beia

Jantar de Aniversário, 14 março 2014, NYC. Robert, Doug e Beia

No começo de 2014, decidi que no aniversário de 60 anos iria viajar. Básico. Viajar é a melhor coisa do mundo, porque tudo que é maravilhoso na vida fica ainda melhor em viagens: namorar, beber, comer, fazer nada, conhecer e aprender. Nesta data especial quis aprender. E aprender comendo, bebendo, fazendo lhufas e conhecendo. Desta vez não teve namorado, snif. Foi em março deste ano. Apenas 2 destinos: New York e London.

Giacomo Balla, Futurismo Italiano - vanguarda artística altamente estética e políticamente radicalizada.

Giacomo Balla, Futurismo Italiano – vanguarda artística altamente estética e políticamente radicalizada.

Em NYC para comemorar o aniversário com amigos e visitar a exposição multidisciplinar do Futurismo Italiano (1909-1944), no Guggenheim. O começo da minha viagem para o futuro. Futurando desde a 2ª. guerra mundial.
De lá, direto para a Conferência Antecipando 2025, em Londres.
Decisão inspirada e timing perfeito. Amigos, Conhecimento e Novos Amigos.

Conferência Anticipating 2025, London 2014.

Conferência Anticipating 2025, London 2014.

Na conferência, convivi intensamente com pessoas que desde então vejo citadas como referência do grande assunto de todas as agendas: o futuro. David Levy (Amor com Robôs), Natasha Vita-More (Transhumanismo) e Aubrey de Grey (Longevidade) e o futurista Rohit Talwar – a inspiração deste post – são alguns das dezenas de personalidades futuristas daqueles dias londrinos.

Rohit abriu os trabalhos e me apaixonei, imediatamente. No coffee break, eu e uma horda de gente fomos falar com ele. Ao ouvir “Brazilian”, se virou e disse: eu adoro o Jose Cordeiro”. E eu ali, com aquela cara de conteúdo (Who the F* is Jose Cordeiro?). O que me lembro é que tive instantânea e total atenção da celebridade do momento. Rohit falou e falou sobre o venezuelano Jose Cordeiro, que era Conselheiro Fundador da área de Energia da Singularity University/NASA, Professor convidado do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e isso e aquilo e mais um quilômetro de curriculum. Findo o break, é hora de voltar para a conferência.

Adiante o seu relógio para 4 meses depois e se situe no Rio de Janeiro. Estou fazendo a abertura do 3º. Seminário de Inovação, porque o convidado internacional que abriria o evento se enroscou no aeroporto. Quem irrompe no recinto? Sim, ele, Jose Cordeiro. Foi um encontro rápido e marcante, que me deixou muito impressionada com toda aquela sincronicidade.

Vamos dar mais um salto à frente, 5 meses depois, estamos Jose e eu no mesmo palco. Desta vez num evento só nosso sobre Inovação, tecnologia e Energia. Os 2 ali, alternando o palco. Dá para acreditar? 

Futuristas Beia Carvalho & Jose Cordeiro no Evento da Rio Tinto Alcan, 2014.

Futuristas Beia Carvalho & Jose Cordeiro no Evento da Rio Tinto Alcan, 2014.

O que eu esperava ouvir na CONFERÊNCIA “Antecipando 2025”?
Ah, que daqui 10 anos teremos a capacidade de produzir energia solar para todas as necessidades humanas. Que a nanotecnologia e a biologia sintética nos trarão a abundância material. Que testemunharemos a transição do homem 1.0 para o pós-homem ou o transhumano 2.0, muito mais inteligente e com níveis de consciência e conectividade mais altos e muito mais sofisticados.

Que reverteremos os processos de envelhecimento e viveremos indefinida e saudavelmente. E transporemos um sistema educacional exaurido, que coloca as matérias que desenvolvem a criatividade como opcionais. Também esperava compartilhar os temores de que a tecnologia fosse usada para o “mal”, porque os terroristas terão acesso a armas de destruição em massa. Medos de desastres ecológicos por conta de todo este aquecimento global e de novas crises financeiras que venham acometer o mundo.

Encantada, apreensiva, estupefata, desentendida, ouvi a todos estes assuntos. E a muitos outros inesperados como a tese de doutorado Amor e Sexo com Robôs, de David Levy, que faz aniversário no mesmo dia que eu, rs. Param por aí as coincidências. Levy é Mestre internacional de xadrez, responsável pelos primeiros experimentos com inteligência artificial (Deep Blue) e envolvido com os mais recentes também, e escreveu mais de 40 livros. Imprevisível também foi ouvir sobre biologia quântica, que não faço a menor ideia do que seja, mas parece que será responsável pelo implante da vacina contra o câncer. E ficar fascinada com a incrível nanotecnóloga Sonia Contera dizendo que apenas 2% dos nossos genes são formados pelo tão aclamado DNA. “O resto nós não sabemos!”.

Ao recontar essa história 9 meses depois, tudo parece tão mais perto e mais familiar que no momento que comecei esse artigo. Relembro de Rohit Talwar dizendo que a incerteza é o novo normal, que a educação online e de graça vai mudar todo e qualquer jogo, e que se você não quiser jogar o jogo do momento, que invente outros.

Fui aprender. Trouxe comigo um montão de dúvidas. Um mundo de horas estudadas e já mastigadas por esses PhDs. Que se transformaram em novos e interessantes insights sobre o futuro. Sobre o que podemos fazer, no presente, para catapultar.

Aprendi com esses futuristas que futuram, que veem o porvir com bons olhos, que temos que lutar para fazer as coisas acontecerem bem. Que o desenvolvimento tecnológico tem que pensar nos homens deste planeta, em primeiro lugar. E não em alguns poucos homens, sempre.

Amor+Sexo com Robôs, David Levy

Amor+Sexo com Robôs, David Levy

Notas:

Guggenheim Museum: www.guggenheim.org/new-york/exhibitions/past/exhibit/5354

Giacomo Balla: pt.wikipedia.org/wiki/Giacomo_Balla

Singularity University/NASA: www.SingularityU.org

Jose Cordeiro: Conselheiro Fundador da área de Energia da Singularity University/NASA: www.cordeiro.org

Rohit Talwar: CEO da Fast Future Research: www.fastfuture.com

Beia Carvalho: Palestrante futurista e Presidente da 5 Years From Now®: www.5now.com.br

Evento Antecipando 2025 promovido pelo London Futurists, David Wood, presidente da Delta Wisdom.

Seminário Inovação Muzy, Cordeiro, Beia, Gustavo Caetano, Lindalia Reis e Pedro Moneo

Seminário Inovação Muzy, Cordeiro, Beia, Gustavo Caetano, Lindalia Reis e Pedro Moneo

 

Matéria no PropMark sobre o Evento na Rio Tinto Alcan

Matéria no PropMark sobre o Evento na Rio Tinto Alcan

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19
Jun 14

Zelite Branca

Chico Anísio em Escolinha do Professor Raimundo

Chico Anísio em Escolinha do Professor Raimundo

Viver num mundo que cresce de forma exponencial é enervante, fatigante, debilitante, extenuante, árduo, exaustivo. Exige de nós, cidadãos desta nova era, muito de tudo: muito mais trabalho, muito mais dedicação, mais conhecimento e muito, muito mais estudo.

Por isso, EDUCAÇÃO é um dos 15 Desafios Globais classificados pelo mais respeitado e influente relatório sobre o futuro da humanidade, o State of the Future 2013-14*. Porque a Educação constrói uma humanidade mais inteligente, detentora de mais conhecimento e mais sábia para compreender e enfrentar os desafios globais.

Por exemplo, como vamos suprir a necessidade crescente de energia com segurança e eficiência para todos? Como equilibrar o aumento da população e recursos? Como diminuir o abismo entre pobres e ricos, e o status da mulher? Como impedir as redes transnacionais do crime organizado de se transformarem em empresas globais ainda mais poderosas e sofisticadas? Como fazer chegar água potável a todos os habitantes do planeta sem conflitos?

Quando a Educação figura ao lado de gigantescas tarefas como energia, água potável, crime organizado transnacional, dá para entender a sua colossal importância. Mas tem mais! Os futuristas ainda colocam a Educação acima delas – como um “caminho”, a chave para se chegar à solução, senão de todos, de alguns desses 14 hercúleos desafios que o futuro nos impõe.

Posto isso, eu desafio o ditado que “uma mentira repetida mil vezes se torna verdade”. Não me importa quantas mil vezes o cidadão Sr. Lula repita essa lamentável frase. “Comeram demais, estudaram demais e perderam a educação”*, ela não se tornará verdade para mim. Muito menos para o mundo que propõe o oposto. Estudar cada vez mais e interconectar conhecimentos tem a ver com as nações que querem ver seus cidadãos dando as cartas no futuro próximo.

Não se tornará verdade, talvez porque eu faça parte das “zelite branca”: sou descendente de paraibanos, índios, portugueses, alemães, árabes e judeus. Ou porque sempre fui 1a. da classe. CDF. Tirei 10 em todas as matérias do vestibular com exceção de matemática. Sou trilíngue. Estudo todos os dias. E estou estudando agora para escrever este artigo.

Boliviana carregando seu bebê vota durante eleições nacionais Boliviana carregando seu bebê vota durante eleições nacionais.

Peguei um trem em São Paulo e fui até New York por terra, nos anos 1970. Conheço 3 continentes, 30 países, centenas de cidades em todo o mundo e nunca, jamais em todos os meus 60 anos conheci uma família – nos cafundós da Bolívia, Peru; na Colômbia caótica pelos conflitos entre cartéis da droga; num El Salvador em pé de guerra; numa Belize paralisada pelos cortadores de cana; no Panamá militarizado; na “Suécia sul americana”, a Costa Rica; Guatemala e México, em todos os subempregos que tive nos Estados Unidos, e em todas as famílias que conheci na Europa, ricas, pobres e remediadas – pais que não almejassem, desejassem e se sacrificassem para dar estudo para os seus filhos. Quanto mais e melhor, melhor.

Como futurista, quero líderes que pensem nos homens deste planeta em primeiro lugar. E não em alguns poucos homens, sempre.

Senhor cidadão Lula, afasta de mim esse cálice.

NOTAS:

Obrigada, Malu Moraes, amiga, professora e cidadã guerreira pela Educação.

Relatório Anual State of the Future 2013-14

Relatório Anual State of the Future 2013-14

I- 15 Desafios Globais pelo relatório State of the Future 2013-14.
1. Desenvolvimento sustentável e mudanças climáticas
2. Água potável
3. Equilíbrio populacional e recursos
4. Democracia
5. Previsões globais e tomada de decisões
6. Convergência global de TI
7. Abismo entre pobres e ricos
8. Ameaças na Saúde
9. Paz e Conflitos
10. Status das mulheres
11. Crime organizado transnacional
12. Energia
13. Ciência e Tecnologia
14. Ética global.
15. Educação para uma humanidade mais inteligente, detentora de mais conhecimento e sábia para compreender e enfrentar os desafios globais.

II – Estudar não é feio, artigo de Miriam Leitão, em globo.com, 17/6/2014

III -  Lula conquistou a Copa da Cretinice, artigo de Augusto Nunes, em VEJA, 18/6/2014 

IV – Cálice, Chico Buarque e Milton Nascimento


22
May 14

Complicado ou Complexo?

Vamos Mudar de Era?

Vamos Mudar de Era?

Se você não acredita que mudamos de Era, nem perca seu tempo com este texto. Aqui vamos discutir como vamos municiar as nossas crianças para os novos conceitos desta nova ordem mundial que se avizinha. Para falar de poucos: sexualidade, longevidade e transhumanismo, que é a transição do homem 1.0 para o pós-homem: mais inteligente e com níveis de consciência e conectividade mais altos e mais sofisticados. Coisas que já estão acontecendo ou serão realidade nos próximos 30 anos.

Não sei se você vai se esconder num buraco quando tudo isso estiver acontecendo para valer. Mas bilhões – isso mesmo bilhões – de crianças e jovens (seus filhos, sobrinhos, netos, vizinhos) estarão enfrentando as complexidades do século XXI. Municiados de que? Do sistema educacional pensado e criado há 200 anos, para bombar a Revolução Industrial! Onde, por princípio, crianças são tão absolutamente iguais a operários numa linha de produção. Chocado?

É por esse precioso e digno motivo e não mais pelo lamentável estado da Escola no Brasil e governos afins, que o tema EDUCAÇÃO foi um dos 3 tópicos de peso mais calorosamente discutidos por países de primeiro mundo, na Conferência “Antecipando 2025?, em março deste ano, em Londres.

Numa Era onde criatividade já-é-e-será a mais importante habilidade do cidadão do mundo, um sistema educacional que coloca as matérias que desenvolvem a criatividade como opcionais, é um sistema que desprepara as nossas crianças e jovens para o processo de decisão.(1)

Viver numa Nova Era, é viver um dia a dia onde as regras do passado são dinossauros que não resolvem os problemas do presente, que dirá nossos problemas do futuro! Crescer numa Nova Era é viver um dia adia em que a não tomada de decisões pode paralisar todo um país. E sem exagero, todo o planeta. Somos testemunhas oculares da não tomada de decisões dos principais governantes do mundo, a cada encontro do G8.(2)

Decidir é uma das atividades mais importantes para partirmos para a ação. Saber tomar decisões é uma habilidade essencial ao líder. Entender como nós chegamos às nossas escolhas é uma área da psicologia cognitiva, muito longe do meu “quadrado”. Meu ponto aqui é que todos os dias somos assolados por uma estrondosa massa de informações e não de conhecimento. Como ranquear as informações? Como identificar e escolher – dentre as várias alternativas – aquela que tem a maior probabilidade de ser bem sucedida, aquela que não afronta nossos valores, que não destrói nossos desejos e que serve como uma luva para aquele problema em questão?

Tomar uma decisão é habilidade cada vez mais rara e a cada segundo mais desejada em todo o mundo. Porque não tomar decisões é tomar a decisão de empurrar o problema com a barriga – o que nos deixa paralisados como indivíduos, como amantes, como chefes de família, professores, líderes corporativos, espirituais e governamentais. Amanhã, não só o problema não se resolveu, como se intercomunicou e se interrelacionou com outros, produzindo um emaranhado ainda mais complexo que o anterior.

Seguramente, tomar uma decisão já foi muito mais fácil, para alguém que foi educado para a mesma Era em que viveu. Tome as gerações tradicionalistas e os mais velhos BabyBoomers (hoje entre 50 a 68 anos), que viveram a glória da Revolução Industrial e que foram educadas segundo um Sistema Educacional, criado pela mesma Revolução Industrial. Uma Era em que 1 + 1 dava 2, sempre.

Como tomar decisões numa Era em que novas descobertas, novos negócios, novas fortunas advêm de raciocínios onde 1+1 dá 5? O Paypal não foi inventado por um banco, nem a Amazon por um livreiro, o Instagram pela Kodak, ou o Zipcar pelas grandes Avis ou Hertz. Tampouco, a maior comunidade de viagens do mundo, o TripAdvisor, brotou de uma reunião dos maiores conglomerados de hotéis do mundo. E não dá para desprezar uma comunidade com mais de 30 milhões de associados e 100 milhões de opiniões e posts sobre hotéis, restaurantes e atrações em geral. E se não bastassem esse disparates, o Skype foi criado na Estônia!

Muita gente se sente segura com esse sistema de educação criado no século XIX para resolver os problemas do século XXI. Nossas crianças, não. Elas estão em risco. Elas sabem que estamos, sim, muito atrasados! Que deveríamos ter criado um novo sistema para o século XXI. Essa é a agenda que países com excelentes escolas e top índices de desenvolvimento humano junto com países como o Brasil, na pífia e estagnada 85a. posição no IDH, tem que se engajar. (3) Porque não restam mais dúvidas que as soluções repetitivas serão robotizadas. Tampouco restam dúvidas que para as soluções não óbvias vamos precisar de um outro tipo de pensamento; um pensamento generativo, inventivo, que pense em possibilidades, que seja inclusivo. Vamos precisar de um pensamento divergente, dissidente. Sim, vamos precisar de um pouco de rebeldia para criar um jeito novo de aprender e ensinar e aprender e ensinar.

Meu amigo Ronaldo, tem uma explicação simples: na Era passada os problemas eram complicados, na nova Era os problemas são complexos. Não dá para enfrentar problemas complexos com armas que resolvem problemas complicados. Problemas complicados você resolve por partes, pensando no presente e no passado. Os complexos você olha como o todo se interconecta com outros todos, pensando no presente e no futuro. Sim, a Educação é um problema complexo.

Como cidadãos do mundo, precisamos de uma nova Agenda, como se diz em inglês. Uma Nova Ordem Mundial, como dizia Caetano. O verbo mudou. O jogo da educação mudou. Vamos criar o Jogo do Aprender para Ensinar. Aprender o novo de novo nas escolas, no mercado de trabalho, nas relações. Precisamos equipar pessoas com habilidades para que elas possam formular perguntas, sobreviver, viver, criar, desenvolver, aprender, ensinar, lutar, prosperar, apreciar, florescer, desfrutar, progredir, ralar, colher, transar, amar e procriar num mundo que já mudou.

Precisamos estimular um debate público muito mais profundo. Porque todos nós temos que desenvolver a capacidade de ver mais sobre o futuro do que o dia que vai cair o Carnaval em 2015. Temos que olhar o futuro com um olhar de quem quer fazer parte das mudanças do planeta. De quem quer entender como essas mudanças impactam o nosso trabalho, nosso emprego, nossa empresa, nossa casa, nossas relações e o nosso relacionamento com filhos e netos e com as gerações mais jovens. Com a vontade de quem quer ser protagonista ao esboçar as possibilidades para que comunidade, mercado e país reajam a essas mudanças! Como vamos tomar decisões? Como vamos garimpar para ampliar o nosso conhecimento? Onde vamos aprender que há outras alternativas além do mundinho da cartilha do século XIX? Somente assim, a nossa decisão terá chance de empurrar o mundo para ação e não para a estagnação.

Uma Nova Era muda os conceitos mais básicos que temos sobre o mundo. Para a geração que tem hoje menos de 16 anos e que será adulta daqui 10 anos riqueza não é dinheiro. Riqueza é a habilidade de influenciar pessoas. Qual riqueza nossa escola está apta a ensinar? Qual riqueza a nossa sociedade quer que os nossos filhos desfrutem? (4)

Queremos que os nossos filhos façam parte dos 87% de empregados que não se sentem engajados no mercado de trabalho, segundo a pesquisa Gallup em 142 países? Não! (5)

Queremos que os exemplos históricos dos impactos da tecnologia sobre a sociedade nos ensinem a caminhar pelos círculos virtuosos do desenvolvimento. Aqueles que pensam nos homens deste planeta em primeiro lugar. E não em alguns poucos homens, sempre.

Quando você ainda fica feliz em descobrir que é a pessoa mais inteligente da sala, você está com 2 problemas: ainda fica feliz e nem desconfia que está na sala errada. Michel Dell dá 2 dicas: ou você convida gente mais inteligente que você ou procura uma nova sala. E aproveito para dar a minha dica: convide gente muito diferente do segmento da Educação. Gente que faz parte de outros mundos. Porque você conhece a ladainha: quando todo mundo está pensando igual, ninguém está pensando muito. (6)

NOTAS:
1 Sir Ken Robinson consultor internacional em educação nas artes para o governo e ONGs. Clique para ver o vídeo: Ken Robinson: How schools kill creativity

2 Encontro do G8 termina com cordial impasse sobre Síria

3 Brasil continua na 85ª posição no ranking mundial de IDH

4 Natasha Vita-More, designer e teórica do Transhumanismo.

5 Pesquisa Gallup “State of the Global Workplace”, em 142 países: a cada 1 pessoa engajada em seu trabalho, 2 não estão.

6 Walter Lippmann, escritor, jornalista e comentarista político estadunidense.

Ronaldo Ramos é diretor presidente da CEOLAB.


6
May 14

Mundo MUDOU: RECONFIGUROU?

Hora de Reconfigurar Seu Negócio

Hora de Reconfigurar Seu Negócio

Quando o teu avô te pergunta uma função do celular e dali 2 minutos seu neto te mostra um novo app; quando você vê países que até pouco tempo só constavam de lista de desgraças passando zulando na frente de dezenas de países; quando você achou que a guerra fria e poliomielite tinham acabado; quando a centenária Coca-Cola deixa de ser a marca mais valiosa do mundo pela 1a. vez em 14 anos - desbancada não por outra bebida, mas por 2 gigantes de tecnologia – Apple – com 37 anos de vida e Google de apenas 15 aninhos; estamos todos diante de uma poderosa combinação de novas forças. Mudanças econômicas estão redistribuindo o poder, a riqueza, a competitividade,  os valores e as habilidades desta nova era.

Sim, estamos em transição para uma Nova Era. Não um novo século, mas uma nova era. Ah, sim, e todo mundo que está vivo, nunca mudou de era. Por isso, somos todos aprendizes. E aprendizes sem mapas ou fórmulas. Reconhecer este estado é crucial para se compreender a necessidade de reconfiguração. Precisamos nos auto-reconfigurar para aí partirmos para as grandes as reconfigurações de nossas vidas, comunidade, empresas, país, planeta.

Por isso, é tão importante discutir dentro das empresas o que é INOVAÇÃO, por que se fala tanto em GERAÇÃO Y, em FUTURO e LONGEVIDADE. É preciso trazer novos conteúdos para o umbigo da empresa, para gerar desconforto, novas conversas, novas perguntas, novos incômodos. Estamos diante de uma NOVA CONVERGÊNCIA. Entram em cena palavrões como a NEUROROBÓTICA e NEURONANOROBÓTICA. Ah, isso não tem a ver com você? Tem sim. Porque já estamos discutindo e assistindo a filmes sobre sexo com robôs. Isso tem a ver com TODO o MUNDO.

E voltando para a senhora Coca-Cola, veja que ela rebolou para ficar com o honroso 3o. lugar: é uma marca que vem lutando, se reinventando e até se transparentando. Quem diria!

Se das 10 marcas mais valiosas, pelo menos 6 são de tecnologia, dos 10 jovens brasileiros mais inovadores escolhidos pelo MIT, 8 de seus projetos tem a ver com tecnologia e um deles com robótica. É a Geração Y surfando no seu mundo onde as gerações mais velhas se engasgam e tropeçam.
Se você está pensando em reconfiguração, temos muito o que conversar. VAMOS?

Beia Carvalho Palestrante Futurista

Beia Carvalho Palestrante Futurista


NOTAS:
Geração Y: resumo
Relatório Best Global Brands: http://issuu.com/propmark/docs/ed_comp071013/27
MIT divulgou quem são os 10 jovens brasileiros mais inovadores:
5 produtos que vão morrer daqui 5 anos
ELA (HER): homem com o coração partido inicia relacioanmento com um novo e avançado sistema operacional, filme dirigido por Spike Jonze com Joaquin Phoenix, Amy Adams, Scarlett Johansson.

10 ganhadores brasileiros do MIT Technology Review, divulgado pelo Olhar Digital:

  • David Schlesinger (34 anos): software de computador para melhorar o diagnóstico de doenças genéticas.
  • Eduardo Bontempo (30 anos): plataforma de ensino própria para personalizar o ensino em universidades e também em escolas.
  • Guilherme Lichand (28 anos): reunião de informações de celulares com grande penetração com o objetivo de melhorar a gestão de problemas sociais.
  • Gustavo Caetano (32 anos): empresa inserida no segmento de internet que trabalha solucionando problemas de comunicação digital dentro de corporações.
  • Lorrana Scarpioni (23 anos): rede social focada na troca de diferentes experiências e conhecimentos entre os usuários.
  • Lucas Strasburg (22): criação de próteses ortopédicas mais baratas com o uso de plástico reciclado.
  • Mario Sérgio Adolfi Jr. (27 anos): desenvolvimento de softwares para o gerenciamento de cuidados hospitalares.
  • Martin Restrepo (32 anos): método de ensino com o uso de dispositivos móveis para melhorar a formação de empresários e também de estudantes.
  • Vanessa Testoni (34 anos): nova tecnologia de compras online mais seguras.
  • Wendell Coltro (34 anos): tecnologia mais acessível para a fabricação de aparelhos que vão ser usados em análises microfluídicas a partir do papel.
  • Marcas Mais Valorizadas 2013

    Marcas Mais Valorizadas 2013


    15
    Apr 14

    EDUCAR EDUCADOR 2014: importante para o Brasil.

    Beia Carvalho, Futurista e Repensadora fala das Gerações na Feira EDUCAR EDUCADOR

    Beia Carvalho, Futurista e Repensadora fala das Gerações na Feira EDUCAR EDUCADOR

    O tema EDUCAÇÃO foi um dos 3 temas de peso discutidos por países de primeiro mundo, na Conferência “Antecipando 2025″, em março deste ano, em Londres. Este fato per si, deixa toda e qualquer discussão a respeito do estado [lamentável] em que se encontra a Educação no Brasil, 100 vezes mais importante, mais relevante, mais urgente, mais imprescindível, mais pertinente, mais significativa, mais pivotal, mais séria, mais grave, mais decisiva, mais crítica, mais fundamental, mais essencial, mais central, mais crucial, mais indispensável, mais imperativa, mais inegociável, mais vital.

    Sim, é uma questão de vida ou morte. De vida ou morte de qualquer país que deseja fazer parte do jogo da próxima década. Quer seja embaralhando, jogando, ou dando as cartas. Mas no jogo. E o jogo mudou. Notou? As regras que demoramos tanto para aprender não servem mais. Não porque não sejam boas, mas porque elas não se aplicam ao novo jogo. Um exemplo deste novo jogo? MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) um dos líderes mundiais em ciência e tecnologia, foi surpreendido quando as mais altas notas para engenharia foram conquistadas por meninas de 16 anos da Mongólia, que tiveram acesso a educação online, de graça. Você começa a entender que o mundo está mudando quando a potencialidade de cada indivíduo combinada com a tecnologia barata e acessível dos cursos online muda o resultado do jogo. De repente, essas meninas tem acesso a oportunidades que nunca tiveram antes em suas vidas e em seus países. Porque a hora de “consertar” a Educação no Brasil, já passou. Uma das marcas dos novos jogos desta Nova Era é que as coisa não se acontecem linearmente, degrau por degrau. Elas nos surpreendem, como surpreenderam o MIT, porque saltam etapas, ignoram regras e desprezam destinos preconcebidos pela incompetência de seus países.

    Neste sentido, os desafios estão muito mais além do conhecido e infeliz mantra da educação “Nossos professores são mal pagos e desvalorizados. Nossas faculdades não formam os professores como deveriam. Nossos currículos não atendem princípios e regras que poderiam nos levar ao sucesso.”

    Se nos concentrarmos em pensar a Educação desta Nova Era, os nossos desafios serão outros. Talvez os problemas não sejam mais esses, porque eles pertencem ao passado. E não será “consertando” esses problemas, que teremos a Educação do futuro. Observar como setores tão imprescindíveis ao homem como a produção de alimentos desenvolveram soluções para o futuro é uma valiosa dica para conseguirmos saltos na Educação.

    Fazendas verticais, em Chicago

    Fazendas verticais, em Chicago

    O mundo precisa de um crescimento de mais de 4% na produção de alimentos e a produção não cresce nem 2%. Como produzir mais, com menos energia, menos água e menos espaço? Não é tentando “consertar” a atual fazenda, mas dando um salto: as fazendas verticais. A solução é radical. De novo, não é linear. Não é “melhorando” o que temos. É reinventando. Fazendas verticais de 30 a 40 andares estão sendo construídas em Chicago e Singapura. Isso não melhora, e sim muda a cadeia produtiva.

    Por que observar é interessante? Porque é raro encontrar nesta solução profissionais que vieram da área de alimentos. Os responsáveis por essa inovação vieram de diversos setores de tecnologia. Para não ficar num só exemplo, os aplicativos de taxi não são uma solução do Sindicato dos Taxistas, do Taxi Vermelho e Branco, nem de algum taxista desesperado, nem de um engenheiro de trânsito. Para cada inovação com que nos deparamos nos dias de hoje, detectamos soluções que vieram de profissionais não envolvidos diretamente com o assunto em questão. E em muitos casos, as soluções do futuro passam pela conjunção e colaboração de vários profissionais, expertises, experiências que, aparentemente, ou melhor, vistas com as regras dos jogos do passado, não fazem sentido. Com os olhos de ver o futuro, tem tudo a ver!

    Venha participar da EDUCAR EDUCADOR. É a 21a. edição da Feira que, neste ano, tem como temática central “Uma Verdadeira Imersão para a Excelência em Educação. Que Rumo Seguir?”. Muita gente boa vai estar lá. Grandes estudiosos nacionais e internacionais.

    Sim, eu vou estar lá ao lado de mais 2 Repensadores: Gil Giardelli e Alexandre Le Voci. E do meu mais novo amigo, o grande Tom Coelho. E os incríveis internacionais Domenico De Masi e Marc Giget.

    Gil Giardelli Professor e Repensador

    Gil Giardelli Professor e Repensador

    Alexandre Sayad Educador, Repensador e Jornalista

    Alexandre Sayad Educador, Repensador e Jornalista

    Tom Coelho Educador e Escritor

    Tom Coelho Educador e Escritor

    Domenico DeMasi Sociólogo

    Domenico DeMasi Sociólogo

    Marc Giget Inovador

    Marc Giget Inovador

    NOTAS:
    Beia Carvalho e as “5 Gerações no Mercado de Trabalho. Y é o X da Questão”.

    Gil Giardelli e seu grande tema “Você é o que Você Compartilha.”

    Alexandre Le Voci Sayad vai falar de “Mensurando o Impacto da Tecnologia na Educação”.

    Tom Coelho fala de “Sete Vidas: Lições para Construir seu Equilíbrio Profissional e Pessoal.

    Domenico De Masi: ”O Ócio Criativo: Criatividade, Empreendedorismo e Inovação”

    Marc Giget  “Inovação ou Arte de Definir o Futuro e Desenvolvimento Humano”.

    Agradecimentos a Rede de Repensadores e a seu idealizador Otávio Dias, ao São Paulo e London Futurists e ao futurista Michell Zappa.

    Agradecimentos a Rohit Talwar, palestrante futurista da Futurist Speaker Fast Future Research, Fast Future Solutions, Fast Future Ventures.

    21a. Feira Educar Educador 2014

    21a. Feira Educar Educador 2014

    Destaques da Educar/Educador 2014
    • 21 a 24 de maio de 2014
    • Tema: uma verdadeira imersão para a excelência em educação. Que rumo seguir?
    • Evento em conjunto com a Bett Brasil será estruturado em 32.000 m²
    • Público de 20.000 pessoas entre congressistas e visitantes

    Livro The Vertical Farm

    Livro The Vertical Farm