Revoluções


18
Nov 15

Futuro, Disrupção, Beia Carvalho e Estadão

Beia Carvalho entrevistada no Estadão, evento Eurofinance, nov 2015.

Beia Carvalho entrevistada no Estadão, evento Eurofinance, nov 2015.

Abrir o Estadão e dar de cara com sua entrevista.

É, não tem preço. É demais! Ler todos os elogios dos amigos, conhecidos e desconhecidos nas redes sociais, também não tem preço. E pra coroar, tem a declaração do seu primogênito:
“A vida inteira as pessoas me falaram ‘Sua mãe é demais!’, e por muito tempo (na adolescência principalmente) eu não dei muita bola. Mas agora que eu tenho acesso à internet, descobri que ela é realmente demais! Parabéns, mã! Você é demais!!! (e sem aspas!).” E chega de autopromoção, aqui está a entrevista.

Futuro das corporações depende da força de inovar

A publicitária Beia Carvalho fundadora e presidente da empresa 5 Years From Now, pesquisa o futuro e os rumos das inovações. Durante o evento da Eurofinance sobre Gerenciamentos de Riscos, ela apresentou a palestra “O futuro é agora. Planejamento para a disrupção”. Leia a entrevista:

Dizem que 2016 será um ano pior do que 2015. As demissões continuam em ritmo acelerado e o custo de vida sobe. Nesse cenário, em que as pessoas e as empresas estão mais preocupadas em sobreviver, como as companhias devem se preparar para o futuro?
Entender (de verdade) o mundo virtual. Daqui pouquíssimos anos, apenas as gerações que tem hoje acima de 35 anos falarão em mundos on e off-line. Para 20% da população o mundo é um só. O Magazine Luiza, por exemplo, está invertendo a ordem varejista, ao colocar o varejo negócio como um negócio virtual que tem pontos físicos. E não o contrário.

Não sabemos como será a Internet em 2030, mas sabemos que no futuro, não vamos “ligar” a internet. Como diz Ivan Matkovic, da Spendgo, “a internet simplesmente existirá como parte de nossas interações rotineiras. Será como o ar que respiramos. Um componente crítico da vida, mas sua presença não será necessariamente reconhecível ou identificável.”

A conectividade global – a entrada de novos 3 bilhões de pessoas a uma velocidade de 1 Megabit por segundo – vai gerar 6 bilhões de hiper-conectados e trilhões de novos dólares fluindo para a economia global, graças às iniciativas de grandes players como Facebook, SpaceX, Google, Qualcomm e Virgin para 2020. Acredito que as conexões wifi grátis acontecerão até antes do prazo.

Beia Carvalho palestrando no evento da EUROFINANCE.

Beia Carvalho palestrando no evento da EUROFINANCE.

Qual seria esse investimento que as empresas não poderiam deixar de fazer, mesmo com a queda de faturamento? O que a tesouraria e as finanças deveriam ter em mente?
Para quem atua no mundo das moedas, conhecer, aprofundar, aprender e investir na tecnologia que está por trás da moeda virtual Bitcoin. Recomendo o artigo do The Economist e também publicado pelo Estadão sobre a Blockchain, em 31 de outubro. A inovação está em cada aspecto dessa tecnologia que subverte grandes dogmas. Possibilita a pessoas que não se conhecem, nem confiam uma nas outras, construírem uma contabilidade segura e confiável. Sei que em seguida vem a pergunta: como um sistema aberto a consulta, descentralizado, transparente e acessível pode ser ao mesmo tempo confiável e seguro? A resposta é inovação. Este assunto está nas rodas de valor de hoje e continuará na moda quando se projeta o mundo para 2040. Quem souber antes e “infectar” mais e melhor o ambiente, chega no futuro mais rápido. Não creio no conhecimento reservado ao departamento de TI. Acredito sim, na discussão da tecnologia sendo disseminada e compartilhada democraticamente na empresa.

A volatilidade econômica virou norma. Como a tesouraria e as finanças lidam com isso? Há um limite para a política de corte de custos? Como o planejamento pode substituir os cortes?
Quando a volatilidade vira norma, o planejamento não substitui cortes. A perseguição e a ganância por uma nova mentalidade para a empresa são imperativas. Empresas do futuro são aquelas que tem uma arquitetura com espaços férteis para que a inovação brote. Não há garantia que ela dê frutos. Inovar é necessário, não é opção, principalmente quando as crises deixaram de ser eventuais e viraram cena da vida cotidiana. O relatório do Bank of Merrill Lynch de abril de 2015 identifica 3 ecossistemas de disrupção criativa: a Internet das Coisas (7 trilhões), a Economia Colaborativa (450 bilhões) e os Serviços On-line (500 bilhões).

Paradoxalmente, o PIB pode estar escondendo uma economia mais pujante. Segundo o relatório, com o crescimento da Economia Colaborativa, mais transações não são diretamente monetizadas, fazendo a parte incontável do PIB crescer. Isso é um desafio na utilidade das estatísticas dos PIBs. Ou seja, a economia pode ser maior e estar crescendo mais rápido que os números sugerem”.

Em época de crise, a falta de perspectivas sempre abala a confiança no futuro. Imagino que isso seja um problema para as empresas. Como evitar esse cenário?
As empresas devem selar sua suprema parceria: construir plataformas interativas que acolham as discussões, as soluções, as inovações e as invenções com as quais a sociedade está engajada. Proporciona-se um espaço de confiança e esperança, o primeiro um valor, e o segundo um bem, ambos em falta neste enganado e desiludido Brasil. Não é fácil para as empresas criarem esses espaços sem se absterem de subverter a conversa. Tendenciar a conversa seria fatal e a sociedade sumiria desta rede de discussões.

Qual é a mensagem que a senhora gostaria de deixar para os homens e mulheres das finanças?
Conhecer, aprofundar, estudar, aprender mais e mais além e compartilhar.

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Explique o conceito de disrupção. As empresas deveriam ter uma área de planejamento que fosse além da questão financeira? Como isso se daria?
Uma inovação disruptiva substitui e elimina o que a antecedeu. As empresas tem de investir em espaços permanentes de dissidência ativa, onde ideias heréticas e divergentes possam ser discutidas para serem acolhidas ou destruídas. “Não temos este tempo para perder”, é uma desculpa do século passado. Para começar as empresas precisam entender criteriosamente os conceitos de inovação, imaginação, criação, exponencialidade, recursos finitos e abundância. Muitos destes conceitos estão embolados e servem de bloqueios à inovação. Por isso, é tão fácil falar sobre inovação e tão difícil inovar.

Investir na investigação do futuro, nos leva à poderosa combinação entre inteligência artificial (AI) e a nova safra da robótica, que varrerá da face do mercado 35% dos trabalhadores do Reino Unido e 47% nos Estados Unidos, incluindo postos de colarinho branco, segundo o relatório de 300 páginas do Bank of Merrill Lynch.

NOTAS:
1. Texto da entrevista publicada em 18/11/2015. Publicada no Caderno de Economia e Negócios Estadão e produzida por Estadão Projetos Especiais, para meu cliente Eurofinance.

2. EuroFinance é uma empresa do Grupo The Economist, líder mundial em conferências e seminários sobre gestão financeira e de tesouraria. Realiza mais de 50 encontros na área, em diversos países. Fui convidada a palestrar no evento Gerenciamento Internacional de Tesouraria, Caixa e Riscos para Empresas no Brasil, em São Paulo, 10-11 de novembro 2015, que reuniu mais de 400 profissionais da área financeira. Palestra “O futuro é agora. Planejamento para a disrupção”


27
Oct 15

E vai começar o Movember: HOMENS, preparem-se!

MOVEMBER: eles também aderiram

MOVEMBER: eles também aderiram

Tudo pronto para começar?

‘MO’ de Moustache e ‘VEMBER’ de novembro. Há 5 anos, falei pela 1ª vez deste movimento iniciado na Austrália, em 2003, por Travis Garone e Luke Slattery, com apenas 30 participantes. Hoje engaja 5 milhões de homens e mulheres em todo o mundo, ainda que no Brasil continue a ser novidade. Desde a sua fundação é uma campanha vencedora, que levanta enormes somas para a causas de câncer de próstata em todo o mundo. Apenas nos EUA, mais de US $650 milhões até hoje.

MOVEMBER é listado em 72º lugar entre as 500 ONGs mais importantes do mundo. Na minha opinião, o sucesso vem não só de embarcar nas tendências da colaboração e compartilhamento como forças imbatíveis, mas por ter resistido em seus 12 anos de exisitência, a não abandonar o humor e o desigin como expressão da causa.

Qual é o seu estilo?

Qual é o seu estilo?

E o mais importante: é um movimento qaue sabe como engajar homens na difícil tarefa de cuidar de sua saúde. Como? Compreendendo o real sentido doengajamento e o exercendo, de fato. Este é um difícil verbo, que poucas empresa, pais, educadores sabem conjugar – e que faço questão de enfatizar e exemplificar em todas as minhas palestras. ENGAJAR é despertar a sede por conhecimento, é motivar o outro com ideias e tarefas que façam sentido para a vida do outro. Neste caso, que façam sentido para a vida dos homens do nosso planeta atual. Nas próprias palavras do MOVEMBER:

“você tem que engajá-los com aquilo que eles se sentem confortáveis: deixar seu bigode crescer e competir. Isso os leva para a conversa que queremos ter: aumentar a consciência e donativos para o câncer de próstata”.

O site traz todos os tipos de bigode que se possa imaginar. Concursos, vídeos, dados. É completo. O vídeo que escolhi é da Speedo, sempre no mote do humor.

Muito mais aqui: https://au.movember.com/get-involved/moustaches

Qual Che você prefere?

Qual Che você prefere?


9
Sep 15

Não se iluda, Boko Haram é ultramoderno.

Filósofo francês Luc Ferry

Filósofo francês Luc Ferry

Por 5 anos, entre 2009 e 2014 ministrei o workshop Let’s Network Together, sobre essa Nova Era da Inteligência em Redes Colaborativas e Sociais. Por ali passaram quase 500 pessoas. A maior parte delas se sente parte da “mafiazinha do Let’s”.

Do início de 2009, quando mostrava as vantagens das empresas fazerem parte do Facebook (as poucas que se aventuravam pelas redes achavam que, por serem empresas e sérias, só poderiam estar discretamente no LinkedIn) aos novos comportamentos dos radicais, “perdidos” lá nas montanhas e cavernas de um distante Afeganistão, que tinham sacado e usavam toda a tecnologia a seu favor – desde a mais tenra idade das redes sociais. Enquanto isso, a Dilma usava o Gmail para assuntos de segurança nacional.

Ontem, o Estadão trouxe a entrevista do filósofo francês Luc Ferry a respeito do lançamento de seu novo livro “A Inovação Destruidora”. E ele tocou neste assunto. Foi um revival. Uma doce nostalgia daqueles workshops e de tanta gente bacana que conheci e viraram amigos e clientes. Veja como o filósofo Luc Ferry termina a entrevista:

“Não se engane, movimentos como Daech, Boko Haram e Al Qaeda são, apesar das aparências, movimentos ultramodernos. Eles querem voltar para a tradição, mas os meios que utilizam para chegar lá são ultramodernos: propaganda modernista sobre a Internet e redes sociais, armas sofisticadas, sistema financeiro eficiente para a coleta de dinheiro, etc. Eles são falsos tradicionalistas e verdadeiros modernos, como foram os nazistas nos anos 1930.”

NOTA:
1) Luc Ferry discute o paradoxo da inovação moderna (não achei o link da matéria) – Estadão Caderno 2 – 8/9/2015
2) Vídeo das meninas nigerianas sequestradas pelo Boko Haram:

Vídeo das meninas nigerianas sequestradas pelo Boko Haram

Vídeo das meninas nigerianas sequestradas pelo Boko Haram


16
Aug 15

A Geração Y invade o Ponto de Venda

Palestra de Beia Carvalho, no Brazil Promotion, é destaque no PropMark.

Palestra de Beia Carvalho, no Brazil Promotion, é destaque no PropMark.


A DMC Media-Radio Indoor e Comunicação Sonora me convidou para palestrar sobre “A Geração Y invade o Ponto de Venda”. Veja abaixo a cobertura do PropMark, na matéria de Andrea Valério, com foto de Egydio Zuanazzi.

Engajamento é a palavra de ordem para a chamada geração Y, que tem entre 18 e 35 anos, em todos os seus diversos ambientes. É o que afirmou Beia Carvalho, da 5 Years From Now, durante sua apresentação, no Seminário Brazil Promotion, que aconteceu, semana passada, em São Paulo.

Em sua palestra, Beia destacou que, se para os mais antigos a obediência era uma questão importante, para o mais novos, o que vale mais é o convencimento e o compartilhamento.

Segundo Beia, essa geração é bastante inquieta e traz características bem marcantes. “Por exemplo, valorizam mais a infância, tem alta autoestima, não entendem hierarquia, além de serem multitarefas.” A executiva ressaltou que, em média, essa geração terá 14 empregos até completar 38 anos.

Para ela, hoje temos várias gerações convivendo no mercado de trabalho. A primeira delas é a Tradicionalista e tem mais de 69 anos. Os membros dessa geração respeitam e entendem a hierarquia e estão no comando de muitas empresas. A maior pare deles teve um emprego só e já está há muitos anos na mesma empresa. As mulheres dessa geração só trabalhavam se precisavam.

Depois essa geração vieram os Baby Boomers, que hoje tem entre 50 e 69 anos. Essa geração, segundo ela, foi a que mais conseguiu sucesso econômico e profissional. “Eles romperam com vários padrões e foram responsáveis por várias revoluções políticas e culturais.” As mulheres dessas geração já começaram a investir em suas carreiras.

Vale lembrar, de acordo com ela, que os mais novos dessa geração são os pais dos mais velhos da geração Y.

A geração seguinte foi chamada de X. De acordo com a executiva, foram eles que perceberam a importância de se preocupar mais consigo mesmos, não só com a família e com o trabalho. Foi uma geração impactada pela ditadura. A última geração depois da Y, é a Z, que hoje tem de 6 a 17 anos.

NOVA VISÃO
O evento ainda contou com a participação de Manuella Curti, presidente da Filtros Europa, típica representante da geração Y.

Manuella é herdeira da empresa e viu a presidência cair em seu colo, em 2010, quando tinha 26 anos. O irmão, com 29 anos, que vinha sendo preparado para substituir o pai, foi assassinado em 2009. Seis meses mais tarde, Dácio Múcio de Souza, seu pai e fundador da Europa, morreu de câncer.

Desde que assumiu, foram muitos desafios de relacionamento, segundo ela, muito por conta desse contraste de gerações. “Uma das tarefas mais difíceis foi provar que, apesar da minha pouca idade, eu tinha competência para ocupar aquele cargo, e isso acontece até hoje, é uma conquista diária.”

Para ela, os principais desafios estão ligados à forma de engajar as pessoas e qual a visão de cada uma delas sobre as questões da empresa. “Muitas vezes, o que interessa a uma geração não interessa a outra. Estamos sempre dialogando com todos para entender tudo.”

A executiva disse que é importante uma empresa ter várias gerações e uma pode aprender com a outra.

Palestrante Beia Carvalho, foto Egydio Zuanazzi.

Palestrante Beia Carvalho, foto Egydio Zuanazzi.


12
Jul 15

“Peak Car”: a chegada da decadência do Carro?

Car Peak, artigo do futurista Thomas Frey

Car Peak, artigo do futurista Thomas Frey

Em que ano o número de carros do mundo vai atingir seu pico e as vendas de veículos começarão a declinar?

Por mais surpreendente que seja, isso já está acontecendo nos EUA! As pesquisas mostram que as economias mais ricas já atingiram o “peak car,” o ponto de saturação do mercado caracterizado por uma desaceleração sem precedentes tanto no crescimento de proprietários de carros, quanto no total de quilômetros rodados e nas vendas anuais.

Por décadas, o tráfego de veículos cresceu numa velocidade assombrosa. Mas isso tudo mudou em 2007. Alguns se referem ao fato como uma tempestade perfeita combinando colapso econômico, revolução digital e enormes mudanças no estilo de vida urbano.

Muitas startups surgiram nessa época, na área de transporte alternativo, como Zipcar (ZazCar, no Brasil), Uber, Lyft, e SideCar. Junte tudo isso ao surgimento de carros conectados, aumento de carros elétricos, carros autônomos, declínio da natalidade, e o crescente congestionamento das vias expressas em quase todas as grandes cidades do mundo.

Indicadores mostram um quadro muito claro da indústria automobilística para os próximos anos, quando o resto do mundo também atingirá o tal pico. Mesmo contando que o continente africano com seus altos índices de natalidade e infraestrutura subdesenvolvida está longe de atingir o pico automotivo, as atuais mudanças no jeito de pensar o transporte acionaram o alarme por toda a indústria automobilística.

Mas como se dará essa transformação?

Em apenas pouco mais de uma década, ser proprietário de um carro será relegado a um hobby, ou ao mercado de luxo, algo parecido com ter aviões ou cavalos.

Ter um carro e ser responsável por toda a chatice que vem com ele, como financiamento, licenciamento, impostos, consertos, seguros, combustível, troca de óleo, lavagens, e submeter-se a todas as 10.000 leis de trânsito,  estacionamento, velocidade, ruídos, poluição, sinalização e semáforos serão, brevemente, coisas do passado.

Na realidade, possuir um carro passou a ser uma experiência dolorosa. Do vendedor da concessionária, o cara que faz o financiamento, aos guardas de trânsito te vigiando a cada momento, fazem os compradores de carro se sentirem como ratos com um montão de urubus circulando acima de suas cabeças.

As vendas da indústria automobilística começaram a sua lenta marcha para a inexistência.

As pessoas aguentaram tudo isso, porque não tinham nenhuma outra boa opção. Mas as novas opções já estão aqui. E muitas outras estão chegando. [...]

Minha intuição é que num mundo onde o transporte passa a ser on-demand, a indústria automobilística será paga por quilômetro rodado, e mudará seu foco para veículos duráveis, capazes de viajar por mais de um milhão de quilômetros. Menos veículos, que durarão muito mais, vão gerar uma equação muito mais lucrativa para a indústria automobilística.

Os perdedores neste cenário serão as companhias de seguros e as financeiras, e toda a rede de concessionárias, que dependem de vendas. Ao mesmo tempo, guardas e juízes de trânsito, estacionamentos, e milhares de outros pequenos negócios que sustentam nosso atual mundo centrado em humanos dirigindo carros.[...]

Carro Autônomo Google

Carro Autônomo Google

Como sempre, muitas coisas podem dar errado, no caminho. Hackers podem fazer carros sem motoristas bater um contra o outro, sindicatos podem proibir alguns estados de ter carros sem motorista, protestos de pessoas que perderam seus empregos, ou carros sem motoristas sendo usados em ataques terroristas, são algumas das ameaças potenciais deste futuro cenário.

O caminho do progresso nunca é fácil, portanto espere muitas coisas darem errado ao longo desta estrada.

No entanto, eu vejo o “peak car” como um estágio muito positivo. Mas eu adoraria ouvir sua opinião. Isso é bom? Estaremos todos nós usando carros sem motorista na próxima década? O “pico do automóvel” vai acontecer nos próximos 10 anos, e se não acontecer, por que será que não?

NOTAS:
Escrito pelo futurista Futurist Thomas Frey, autor de “Communicating with the Future” e traduzido parcialmente e livremente por mim.

Para acessar o artigo original:

http://www.futuristspeaker.com/2015/07/the-coming-of-peak-car


8
Jun 15

FICADICA: a coleção #01 a #20

#FICADICA é o desejo de registrar as minhas próprias frases, as de colegas futuristas e de amigos, que me inspiram pelo mundo afora.

FICADICA #01. Se liga nas dicas do FUTURO! Colecione!

FICADICA #01. Se liga nas dicas do FUTURO! Colecione!

Reúno as primeiras 20 dicas aqui. Se gostar, colecione e espalhe. Daqui 5 anos vamos recompartilhá-las e ver o que já virou realidade.
Vamos ver a minha disciplina para chegar a 50 dicas. Projeto compartilhado com meu dupla André Moraes, da amDESIGN.

FICADICA #02. Se liga nas dicas do FUTURO! Colecione!

FICADICA #02. Se liga nas dicas do FUTURO! Colecione!

FICADICA #03. Se liga nas dicas do FUTURO! Colecione!

FICADICA #03. Se liga nas dicas do FUTURO! Colecione!

FICADICA #04. Se liga nas dicas do FUTURO! Colecione!

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FICADICA #05. Se liga nas dicas do FUTURO! Colecione!

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FICADICA #06. Se liga nas dicas do FUTURO! Colecione!

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FICADICA #07. Se liga nas dicas do FUTURO! Colecione!

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FICADICA #08. Se liga nas dicas do FUTURO! Colecione!

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FICADICA #09. Se liga nas dicas do FUTURO! Colecione!

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FICADICA #10. Se liga nas dicas do FUTURO! Colecione!

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FICADICA #11. Se liga nas dicas do FUTURO! Colecione!

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FICADICA #12. Se liga nas dicas do FUTURO! Colecione!

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FICADICA #13. Se liga nas dicas do FUTURO! Colecione!

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FICADICA #14. Se liga nas dicas do FUTURO! Colecione!

FICADICA #14. Se liga nas dicas do FUTURO! Colecione!

FICADICA #15. Se liga nas dicas do FUTURO! Colecione!

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FICADICA #16. Se liga nas dicas do FUTURO! Colecione!

FICADICA #16. Se liga nas dicas do FUTURO! Colecione!

FICADICA #17. Se liga nas dicas do FUTURO! Colecione!

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FICADICA #18. Se liga nas dicas do FUTURO! Colecione!

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FICADICA #19. Se liga nas dicas do FUTURO! Colecione!

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FICADICA #20. Se liga nas dicas do FUTURO! Colecione!

FICADICA #20. Se liga nas dicas do FUTURO! Colecione!

 

Se liga nas dicas do FUTURO! Colecione e Inspire-se!!

Quer saber mais?

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Palestras 5 Years From Now® pela Futurista Beia Carvalho

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Daqui 5 anos vamos ver o que virou realidade.

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Minha Capa Cool: Ello 2020

2020


20
May 15

Politicamente incorreto. SIM!

Slavoj Žižek

Slavoj Žižek

Li um artigo do esloveno Slavoj Zizek na Think Big.

Tive a imediata vontade de traduzi-lo para o meu blog. Bad idea. Por quê? Ah, Zizek não é nada fácil de ser traduzido. Só que o assunto me atrai demais: a correção política sempre me incomodou. Mas não tenho os recursos para expressar meus incômodos. Tenho, sim, uma intuitiva sensação de que o “politicamente correto” cheira mal, esconde algo sobre o tapete; é prepotente. E, como Zizek brilhantemente conclui em seu artigo, uma forma arrogante de nos colocarmos acima do outro.

Comercial sobre preconceito após a volta de Mandela ao poder, TBWA\Hunt Lascaris, África do Sul.

Como eu disse, não é um assunto fácil, e o estilo do professor escrever tampouco me ajudou. Sou teimosa e fiz uma tradução livre. Queria que mais pessoas tivessem acesso a este tema tão contemporâneo. Ainda que bem mais acentuado nos Estados Unidos – o que num mundo globalizado nos afeta diretamente. Quando cheguei ao final da tradução, achei o artigo ainda mais relevante para a audiência do blog do CEOlab.

Deixo, ao final, um link para um de seus vídeos – uma verdadeira aula sobre o destino da democracia e do capitalismo –, que dá conta para o leitor de seus peculiares trejeitos e sua inquieta personalidade. É um filósofo-personagem! Talvez seja interessante assistir primeiro a uma parte do vídeo para conhecê-lo, ou revê-lo, se você já é fã. Fica a dica. Bom proveito!

Slavoj Žižek: Correção Política é a Forma Mais Perigosa de Totalitarismo

É claro que eu não tenho nada contra o fato de seu chefe lhe tratar bem. O problema é se essa atitude não apenas encobre uma real relação de poder, como a faz ainda mais impenetrável. Você distingue muito bem o chefe antiquado, que grita com você e exerce plenamente sua brutal autoridade. De certo modo, é muito mais fácil se rebelar contra esse tipo do que o chefinho super bacana, que acolhe você e quer saber como foi o encontro de ontem à noite, blah, blah, e toda aquela conversa fiada. Nesse caso, fica quase indelicado protestar!

Vou contar uma velha história, que sempre uso para exemplificar claramente o meu ponto de vista. Imagine você ou eu; eu sou uma criança. É domingo à tarde. Meu pai quer que eu vá visitar minha avó. Vamos dizer que meu pai seja um tipo autoritário. Como ele agiria? Provavelmente, diria algo assim: “Tô me lixando para o que você acha; é seu dever visitar a sua avó e seja educado com ela e blah, blah.” Não vejo nada de errado nesse sermão, porque eu ainda não tenho espaço para me rebelar. É uma ordem clara.

Mas como seria o papo do pai pós-moderno-não-autoritário?

Eu sei porque vivi isso. O outro pai pegaria esse caminho: “Você sabe o quanto a sua avó te ama, mas não estou te forçando a ir visitá-la. Você deveria ir só se quiser mesmo.” Aí, toda criança aprende que, por trás de uma aparente livre escolha, há uma pressão muito maior na 2ª mensagem. Porque basicamente seu pai não está apenas dizendo que você deveria visitar a sua avó, mas que você deveria adorar isso. Seu pai está falando como você deve se sentir. É uma ordem muito mais forte que a anterior. E isso, para mim, é quase um paradigma da moderna e permissiva autoridade. É por isso que a fórmula do autoritarismo não é a de “não quero saber o que você pensa, é pra fazer!”. Esse é o autoritarismo tradicional. A fórmula totalitária é “eu sei melhor o que você realmente quer e, pode parecer que estou forçando, mas estou apenas lhe mostrando o que você – mesmo sem saber – quer realmente fazer. Portanto, nesse sentido, fico horrorizado. E há um outro aspecto dessa nova cultura, na qual uma ordem é apresentada somente como um enunciado neutro.

Tenho um outro exemplo que gosto muito, e não vamos nos equivocar. Eu não fumo e sou a favor da punição da indústria do fumo e por aí vai. Mas sou super desconfiado em relação a nossa fobia sobre o ato de fumar. E não estou convencido que ela seja justificada apenas no conhecimento científico sobre os males que o cigarro nos causa. Meu primeiro problema é que a maior parte das pessoas contra o fumo são, geralmente, a favor da liberação da maconha etc. Mas meu problema básico é um só. Veja isso, agora eles acharam uma meia solução, os e-cigarettes ou cigarros eletrônicos. E acabo de descobrir que as maiores empresas aéreas americanas decidiram proibi-los. É interessante saber por quê. A razão não é tanto pela dúvida de que são benéficos ou não. Basicamente, eles o são. Mas a ideia é que, se você está fumando um e-cigarette durante um voo, está publicamente exibindo seu vício e isso não é um bom exemplo pedagógico para os outros, para a sociedade.

Acredito que esse seja um claro exemplo de como algumas éticas, que não são éticas de saúde neutras, mas basicamente penso que é uma ética do tipo “não tenha um comportamento apaixonado”. Fique a uma distância apropriada, controle-se. E, agora, vou chocar você. Eu penso que até o racismo pode ser ambíguo. Uma vez fiz uma entrevista em que eu perguntava como a gente encontra o racismo ultraconservador. Você já sabe a minha resposta. Com o racismo progressivo. Então, ah, ah, o que eu quero dizer? Lógico que não quero dizer racismo. O que quero dizer é o seguinte: sim, claro que as piadas racistas e outras atitudes podem ser extremamente opressivas, humilhantes, e daí por diante. Mas penso que a solução seja criar um clima ou praticar essas piadas de um jeito que elas realmente funcionem como aquela partezinha de obscenidade que serve para estabelecer uma proximidade verdadeira entre nós. E falo isso a partir da minha própria experiência política passada.

Ex-Iugoslávia. Eu me lembro quando era jovem e encontrava pessoas das outras ex-repúblicas iugoslavas – sérvios, croatas, bósnios. A gente passava o tempo todo contando piadas sujas uns sobre os outros. Não tanto contra o outro. Estávamos, de um jeito maravilhoso, competindo com quem conseguiria contar a mais indecente das piadas sobre nós. Essas eram piadas obscenas e racistas, mas o seu efeito era um surpreendente senso de obscena solidariedade compartilhada.

Slavoj Žižek

Slavoj Žižek


E eu tenho uma outra prova aqui. Você sabia que quando a Guerra Civil eclodiu na Iugoslávia, no começo do anos 1990, e mesmo antes com as tensões éticas de 1980, as primeiras vítimas foram exatamente essas piadas: elas desapareceram imediatamente. Por exemplo, digamos que você vá visitar um outro país. Eu detesto essa coisa do politicamente correto, do tipo, ah, de que comida vocês gostam, quais são as suas expressões de cultura. Eu, não; peço que me contem uma piada racista sobre si e seremos amigos. Dá certo. Pois é, veja essa ambiguidade – esse é o meu problema com o politicamente correto. Não é uma forma de autodisciplina, que permite superar o racismo. É somente um racismo oprimido e controlado. É a mesma coisa por aqui. Vou contar uma maravilhosa história, muito simples. Aconteceu comigo há um ano, bem aqui na livraria da esquina. Eu estava assinando um dos meus livros. Dois homens negros chegam, afro-americanos; não gosto do termo “correto”. Meus amigos negros também não, porque, por razões óbvias, pode ser até mais racista.

O ponto é que eles me pediram para assinar o livro, e os vendo ali eu não pude resistir e fazer um comentário racista. Quando estava retornando os livros a eles, eu disse: “sabe, eu não sei qual dos livros é pra quem, porque vocês negros, como os amarelos, parecem todos iguais.” Eles me abraçaram e disseram, você pode nos chamar de negão (nigga). E quando isso acontece, significa que estamos juntos, na mesma sintonia. Eles sacaram no ato.

Outro problema que tive numa palestra foi com um jovem surdo-mudo que pediu por um tradutor. E não pude resistir. No meio da palestra, diante de umas 200-300 pessoas, eu disse: “o que vocês estão fazendo aí, garotos?” Minha ideia era mostrar que, ao olhar os gestos do tradutor, parecia que ele estava passando mensagens obscenas. O surdo-mudo morreu de rir e ficamos amigos. E uma ridícula repórter me denunciou por fazer piadas com um deficiente. Era como se ela não tivesse visto que havíamos nos tornado amigos. Mas eu sou… espere um minuto. Eu não sou um idiota. Sei perfeitamente bem que isso não significa que nós deveríamos andar por aí humilhando uns aos outros. Fazer isso é uma grande arte. Digo apenas que esta é a minha hipótese. Sem a troca de uma pequena dose de amigáveis obscenidades você não estabelece um contato real com o outro.

Fica aquele respeito frio, sabe? Nós precisamos estabelecer um contato real. Pra mim, é disso que o politicamente correto carece. E a coisa chega a um ponto que fica tão louca como uma piada. Eu confirmei com um amigo australiano. Sabe o que aconteceu em Perth, na Austrália. Não é uma piada, repito. Proibiram o teatro municipal de encenar Carmen. A ópera Carmen, sabe por quê? Porque o 1º ato acontece em uma fábrica de tabaco. Não estou brincando. Só estou dizendo que há algo muito falso sobre a correção. Sei que é melhor que um racismo aberto, lógico. Mas me pergunto se funciona, porque eu, por exemplo, nunca entrei nessa onda de fazer as substituições permanentes no vocabulário. Negões são negros. Negros são pretos. OK, pretos são afro-americanos. Talvez – acho que eles que deveriam decidir. A única coisa que sei é que quando estava em Missoula, no estado de Montana, me envolvi numa conversa de amigos com alguns americanos nativos. Eles odiavam o termo e me deram uma razão maravilhosa: “nós americanos nativos, eles americanos cultos.” E daí, somos parte da natureza. Eles me disseram que preferiam ser chamados de índios.

“Pelo menos nosso nome é um monumento à estupidez do homem branco”, que pensaram que eles estavam na Índia, quando chegaram na América. Ah, que insight eles tiveram sobre essa bobagem da Nova Era, sabe. Nós, os brancos, exploramos a natureza tecnologicamente enquanto os nativos dialogaram com a natureza, eles pediriam à montanha permissão para mineração blah, blah. Não é verdade. Pesquisas nos mostram que os nativos, os índios, mataram mais búfalos e queimaram muito mais florestas que os brancos. Você sabe por que esse é o ponto correto. A coisa mais racista é, arrogantemente, nos elevar em relação àquele jeito primitivo, orgânico, de viver em harmonia com a Mãe Natureza. Não, eles têm o direito fundamental de ser maus também. Se nós podemos ser maus, porque eles não poderiam? Por fim, repito, mesmo se tratando de racismo, temos que ser muito precisos para não lutar contra o preconceito de um modo que, eventualmente, reproduza as condições para o racismo.

SLAVOJ ŽIŽEK
Slavoj Žižek é um filósofo esloveno e um crítico cultural. É professor da European Graduate School, diretor internacional do Instituto Birkbeck para as Humanidades, no Birkbeck College, University of London, e pesquisador sênior no Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana, Eslovênia. Entre seus livros, Living in the End Times, First as Tragedy, Then as Farce, In Defense of Lost Causes, 4 volumes do Essential Žižek, e Event: A Philosophical Journey Through a Concept.

Clique para ver os vídeos:

Vídeo “Capitalismo e Democracia estão destinados a se divorciar”:

Artigo original:

*Beia Carvalho é Palestrante futurista, 1ª mulher a falar sobre Inovação e Gerações no mercado.
beia@5now.com.br

Palestras 5 Years From Now® pela Futurista Beia Carvalho

Palestras 5 Years From Now® pela Futurista Beia Carvalho


9
Mar 15

Mulheres. Somos perfeitamente imperfeitas.

Beia Carvalho: Dia Internacional da Mulher 2015

Beia Carvalho: Dia Internacional da Mulher 2015. Entrevista Jornal PropMark, 8março2015

No dia 8 de março de 2010, há 5 anos, fechei um artigo* no meu blog com essa esperança:
“Espero que em 8 de março de 2015 possamos CE-LE-BRAR!? Celebrar o valor de homens e mulheres que ao desempenhar a mesma função, recebem o mesmo salário. Celebrar o fantástico declínio da violência sexual contra as mulheres, especialmente em zonas de guerra. Celebrar o fim da discriminação racial e da vileza da intimidação. Uma salva de palmas!”

Infelizmente, passados 5 anos, ainda não podemos bater palmas. Infelizmente, engatamos rapidamente uma marcha ré. Por favor, um uísque triplo, um balde de gelo, uma porrada no meio da minha cara, me tirem do túnel do tempo!

Temos, mulheres e homens juntos, que chegar ao cerne da questão do “feminicídio”, “femicídio” ou simplesmente “assassinato” contra mulheres, justificado sociocultural e historicamente pela dominação da mulher pelo homem e estimulado pela impunidade e indiferença da sociedade e do Estado. Crimes de ódio.***

Números?
ONU estima que 66 mil mulheres tenham sido assassinadas entre 2004 e 2009, em razão de serem mulheres. Impunidade é norma.

Números Brasil?
Quase 44 mil mulheres assassinadas entre 2000 e 2010. Em 30 anos (1980-2010) dobramos o nosso abominável e repugnante status de 2,3 para 4,6 assassinatos por grupo de 100 mil mulheres. Assim, junto com a posição de 7ª. economia do mundo, o Brasil está na 7ª. posição mundial de assassinatos de mulheres. Totais? São 92.000 mulheres assassinadas nestes 30 anos (em 20 anos de Guerra do Vietnã morreram 60.000 americanos). Ah, mas era uma guerra!

Então, vamos falar claramente: os homens estão em guerra contra as mulheres. Com uma diferença gritante: quase metade das mulheres assassinadas morreram nas mãos de seus companheiros ou ex-companheiros e em suas próprias casas. Não há nem a dignidade de declarar a guerra e se colocar como inimigo.

Será isso mesmo?
Será que muitos destes homens não deixaram muito claro para muitas destas mulheres que eram seus inimigos? O que acontece com a gente? Estamos cegas? Ou somos realmente seres tão inferiores que não conseguimos entender que ali é “Perigo, Perigo, Perigo”? Cai fora. Salta de banda.

Segundo os especialistas, homem que espanca mulher, repete. É que nem grapete. E quase metade também espanca os filhos. Mas as mães não dizem que amam os filhos? Que fazem tudo por eles? Oras, então há alguma coisa muito estranha e profunda nesta problemática. Sim, é muito complexo. É por isso que temos que juntar forças e reconhecer a complexidade do problema, que atinge todas as classes sociais, no mundo todo. Mas que aqui é muito, muito grave.

1 milhão abortos clandestinos por ano

1 milhão abortos clandestinos por ano


Neste Dia Internacional das Mulheres, também podemos comemorar as aterrorizantes cifras do aborto clandestino no Brasil: 1 milhão por ano!
E se é pra falar de vida: 1 mulher morre a cada 2 dias devido a abortos inseguros no Brasil. Sabe quem faz/fez aborto? Sua mãe, sua namorada, sua mulher (com ou sem seu consentimento), sua vizinha, sua avó, e sua prima de 16 anos. Mais da metade das mulheres (60%) entre 18 e 29 anos fizeram abortos.**

E de repente, em 2014, tivemos uma confluência de oportunidades incrível: 2 mulheres concorrendo em pé de igualdade a ser a nova presidenta do Brasil! Inacreditavelmente, em pleno século 21, vivenciamos uma realidade ímpar –– nenhuma das 2 representam os nossos anseios mais básicos: ter direitos sobre o nosso corpo. Direitos irrestritos. É muito muito triste. É muito muito desesperançoso. É desempolgante. É um país broxa.

Apatia sexual seria a solução?

Na contramão da tradição japonesa, novas palavras-conceitos surgem a todo momento para abarcar os novos comportamentos sociais/sexuais. Sekkusu shinai shokogun, ou “síndrome do celibato”: 45% das mulheres e 25% dos homens com idade entre 16 e 24 anos “não estão interessados ou desprezam o contato sexual.” A outra palavra: soshoku danshi ou “homens herbívoros,” indica aqueles que não tem interesse por mulheres. E deixei a pérola para o final. Oniyome “esposas do diabo” designa mulheres casadas que trabalham.

Lá, no riquíssimo Japão com altos índices educacionais, está um dos piores sistemas de igualdade entre sexos. Engraçado. Não serão as patentes ou a falta de inovação, que rebaixarão a economia japonesa. Será a falta de bebês para sustentar a economia. Será que bebês virtuais impulsionam a economia? Porque o jogo “LovePlus+,” xodó dos jovens japoneses, simula um relacionamento (não sexual) onde jovens saem de férias, num hotel real, com suas namoradas virtuais.

E em 2030?
A ficção trabalha muitas vezes como uma luz no fim do túnel. Assistindo ao Filme “Ela” (Her) conhecemos Amy, uma nerd que está desenvolvendo um game chamado “A Mãe Perfeita”. No jogo, a mãe perde milhares de pontos porque alimenta os filhos com açúcar refinado. Mas ela pode se redimir e ganhar pontos, ao fazer suas mães rivais sentirem inveja de seus cupcakes. CUPCAKES! Dá um tempo?!? Quase tive um ataque ao ver retratado em 2030, as mesmas pressões que as mães enfrentaram e ainda enfrentam para fazer de tudo para serem Mães Perfeitas.

Se não tomarmos em nossas mãos femininas a tarefa de virar esse jogo, os 16 anos que nos separam do filme ELA vão voar. E, quando menos percebermos, BUM! Estaremos cara a cara com 2030, com as mesmas intragáveis, velhas e irreais expectativas em relação às mulheres e mães, que não trazem felicidade para nenhum dos lados envolvidos.

Dá pra fazer muita coisa de hoje até lá!
Quais são as novas possibilidades de criar e educar as nossas crianças?
O que nós estamos (des)ensinando a nossos filhos e filhas, sobrinhos e sobrinhas, netos e netas, vizinhos e vizinhas, primos e primas, irmão e irmãs? Porque o resultado é que muitos deles estão matando e muitas delas estão sendo mortas.

O que podemos começar a fazer JÁ?
Educar mulheres para serem seres por si e não para e pelo outro. Ensinar homens a serem homens. E que espanquem paredes, oras bolas! E que levem suas fúrias pra longe das mulheres. Mas o que mais? Não vamos deixar isso morrer no jornal de ontem, vamos? Então, bóra fazer o que mulheres sabem fazer de melhor? Conversar? Falar, falar, falar. Sem discriminações. Homens e mulheres vamos juntos nos livrar desta vergonha?

Vamos começar?
Em 2030, tenho a certeza que esses jovens estarão namorando de um jeito diferente e terão expectativas mais construtivas em relação aos diferentes sexos. Não gosto de pensar que essa é uma luta de mulheres. Penso que homens e mulheres, juntos, deveriam se unir para um mundo mais harmônico. Vamos nos magnetizar pela utopia de um mundo mais feliz – e não por um mundo de mulheres e mães perfeitas.

Neste dia Internacional das Mulheres não me venham com os adjetivos que santificam as mulheres: rosa, santa, esposa, mãe, “lá em casa quem manda é ela”. As mulheres não são perfeitas. Não falem, escrevam, reproduzam, incentivem, nem se alimentem machistamente com esta ideia de santidade. Porque quando não correspondemos a esta imagem da Santa Perfeição, os homens ficam muito decepcionados. E quando eles se decepcionam …

Nós somos mulheres. Somos perfeitamente imperfeitas.

Espero que em 8 de março de 2020 possamos CE-LE-BRAR!?Celebrar o valor de homens e mulheres que ao desempenhar a mesma função, recebem o mesmo salário. Celebrar o fantástico declínio da violência sexual contra as mulheres, especialmente em zonas de guerra. Celebrar o fim da discriminação racial e da vileza da intimidação. Uma salva de palmas!

Dia Internacional da Mulher 2015: Pesquisa IPSP MediaCT

Dia Internacional da Mulher 2015: Pesquisa IPSP MediaCT, Jornal PropMark, 8março2015

NOTAS:
A entrevista completa com os dados da pesquisa IPSOS MediaCT e com as entrevistadas Cecília Russo, Marlene Bregman, Judith Brito e eu está aqui: http://propmark.uol.com.br/mercado/52414:mulheres-questionam-hoje-a-propria-responsabilidade-na-continuidade-do-machismo. Por Cristiane Marsola.

* link para o post de 2010:

** dados Pesquisa Nacional do Abortamento (PNA)

*** Em 8.3.2015, num discurso atrapalhado, misto de comemoração ao dia das mulheres, arrocho econômico e programa de governo, a presidente Dilma sancionará no dia de hoje, 9.3.2015, a lei que tipifica feminicídio e o classifica como “crime hediondo”: o que impede que os acusados sejam libertados após pagamento de fiança, estipula que a morte de mulheres por motivos de gênero seja um agravante do homicídio e aumenta as penas às quais podem ser condenados os responsáveis, que poderão variar de 12 a 30 anos. (UOL) Vamos em frente!


26
Sep 14

Janis Joplin se foi há 44 anos!

Janis Joplin 1943-1970

Janis Joplin 1943-1970

Ontem, repliquei um vídeo, assim, despretensiosamente. Como fazemos algumas vezes ao dia, quando damos de cara com algo que nos toca.

São coisas que nos fazem rir. Que nos entristecem. Num átimo, nos enraivecem de um tanto, que quase pensamos em pegar em armas e marchar contra o “inimigos”. Tem outras que nos enternecem, assim, no meio do turbilhão de coisas e responsabilidades do dia. E poucas, potentes, nos fazem viajar no tempo. Em nossas antigas e ainda presentes crenças. Em nossos esquecidos sonhos, namorados, viagens e bobas preocupações de outrora. E canções tão sólidas, intoxicantes, influenciadoras que é irresistível assistir ao vídeo até o final, mesmo com “o mundo caindo” a seu redor.

Clique aqui para ver o vídeo com legendas em português. Publicação by Lula Zeppeliano.

Um dia depois, Elizabeth Silva, replicou meu comentário com essas tocantes palavras: “Cada um tem o seu jeito, né? E quando a gente gostaria ser de um jeito e é de outro, faz o quê? Pega o jeito de alguém emprestado, oras! Mesmo que seja só uma coisinha … Hoje, destaco uma pessoa e palestrante que tem um jeito “descolado” que eu adoro: Beia Carvalho. Postei um mimo dela, com uma entrevista bem bacana da Janis Joplin.”

OBRIGADA BETH! Foi a 1ª. coisa que li hoje de manhã. Me sentindo muiiiito bem!

Janis morreu 3 meses depois desta entrevista a Dick Cavett Show, em outubro de 1970. É muito bom revê-lo também, showman! Dick a entrevistou mais uma vez, em agosto de 1970.

Mês que vem, faz 44 anos de sua morte. Tempo para 3 gerações: X, Y e a Z. Ao ouví-la falar sobre as mulheres, a impressão que nos passa é que “freezamos” este assunto há quase meio século! Reproduzo aqui o comentário que fiz ao postar este vídeo em meu perfil: “Ídola! Entrevista incrível! Nestes 45 anos avançamos muito pouco como mulheres. Ouvi uma entrevista na TV da menina que fica sem graça de parar a transa – se o cara não tem camisinha -”porque ele pode ficar bravo da gente cortar o clima dele”.

A parábola de Janis Joplin sobre a carroça, a mula e a cenoura, e as promessas entre homens e mulheres, é incrível. E, infelizmente, verdadeira. Quase 50 anos após a sua morte, me dei conta que essa (minha) luta parece que não evolui com a rapidez que o mundo está se movendo. Meninos e meninas, que tem todo o planeta na ponta de seus dedos, também parecem não conseguir explorar e se beneficiar de seus papéis consigo e com o outro. Nem de se beneficiar com espetaculares avanços feitos há quase 100 anos, quando a 19ª Emenda à Constituição americana liberou o voto a todas as mulheres. Ouvir Janis Joplin é sempre uma boa ideia. E daqui 5 anos?

Nota:
Elizabeth Silva é Consultora do Grupo Consulte e escreve na fanpage Palestras Inspiracionais.

#janisjoplin
#5yearsfromnow
#palestrasdabeia
#daqui5anos

www.palestrasdabeia.com


14
Sep 14

Cada país tem a faixa que merece

Boneca Dilma criada pelo artista Marcus Baby

Boneca Dilma criada pelo artista Marcus Baby


Hoje faz 1 semana que a ciclofaixa ficou pronta na rua que eu moro. Nesses 7 dias não ouvi 1 elogio sequer. Um uníssono do contra. Mais que do contra, o jeito de blasfemar parecia ensaiado, raivoso: “putz, não acredito, aqui também puseram essas faixas? Que saco!”

Comecei a pensar o que todas essas pessoas-do-contra tinham em comum. Aparentemente, nada. Um taxista, o porteiro, uma amiga, um amigo, um caminhante, o cara que vende no sinal. Gente mais velha, mais moça. Gente do bairro, gente de longe.

Como é que tanta gente tão distinta é tão ostensivamente contra? Ah, sim, todos são brasileiros!

E hoje, pra coroar este assunto que vinha me coçando a semana toda, me deparei com esse vídeo, postado há exatos 7 dias com mais de 200.000 visualizações.
Eu que nunca concordei com esse ditado, passei a acreditar nele nesta semana: “cada povo tem o governo que merece”.

E aposto, que todos esses do contra, acham os 400 km de ciclovias de Amsterdam “o máximo”. E com certeza, também odeiam congestionamentos e a quantidade absurda de carros pelas ruas da capital a todo e qualquer momento do dia.

Ciclofaixas

Ciclofaixas

Ah, em tempo, sim houve uma exceção: meu amigo de Facebook, Mentor Neto, postou no dia 11: “… andando pela cidade e vendo as ciclovias bem sinalizadas, pintadas de vermelho, com duas mãos claramente indicadas e olhos de gato nos limites, dá orgulho da cidade.”

Bato palmas para os ciclistas que valentemente conseguiram, em tão pouco tempo, mudar a cara da cidade. Com muita luta e infelizmente, com algumas vidas.
#eugostodasciclofaixas