#FUI PRA RUA!

#FuiPraRua

#FuiPraRua

Voltei do #VemPraRua com pelo menos 3 surpreendentes conclusões:

A 1ª. é que a classe A, em São Paulo, tem pelo menos 1 milhão de pessoas.
A 2ª. é que os paulistas “coxinhas”, “creuset”, “varanda gastronômica” são a maioria nos 22 estados brasileiros e Distrito Federal.
E a 3ª. – não menos importante – é que o Brasil é o único país do mundo que leva às ruas apenas pessoas da classe A.

Comecei a subir, a pé, os 6 quarteirões que me separavam da Av. Paulista. No começo, uma turminha aqui, outra lá adiante. Há 3 quadras, já éramos um grande bloco de amarelos e verdes, e algumas vuvuzelas. O passo foi ficando cada vez mais apressado. O coração começa a bater diferente. E dá aquela sensação de estar chegando no Maracanã pra ver o Fla-Flu, ou quando a gente vira e dá de cara com o Estádio no Pacaembu, quando jogava o Corinthians. Todos no mesmo passo, cada vez mais acelerado. Agora, quase no centro de entretenimento-financeiro-cultural, parece o ensaio de orquestra. Pouco a pouco, entram os sons de vuvuzelas, helicópteros, gritinhos histéricos e gritos de guerra abafados.

Há 30 metros, já entrevendo o início da Paulista, as palavras de ordem destapam: “o povo acordooouu”, “fora Dilma”, “fora PT”, “pede pra sair”.

A ‘comissão de frente’ são 50 policiais perfilados ao longo daquele paredão lateral do Cine Belas Artes. E, barrando a entrada de carros para a avenida, carros da polícia com as luzes de sirene ligadas e mais uns 50 policiais, dispersos. O povo vai entrando e vai entrando no clima dos gritos, das fotos junto a faixas e cartazes que lhe representam, dos vídeos, das palavras de ordem.

Fui sem câmera, sem lenço, nem documento. E durante todo o tempo que participei da manifestação, só lamentei por um momento não ter a dita cuja. A cena estava ali, logo na segunda quadra: policiais de choque paramentados da cabeça aos pés, perfilados transversalmente à avenida. Até aí, nada demais. O bizarro, foi ver todo tipo de pessoas, jovens, pais com bebês de colo, velhos, grupos ou indivíduos fazendo “self” bem juntinho à tropa de choque – e os policiais sorrindo e posando para as fotos. E, muitos deles, até saindo da posição de sentido. “Le Brésil n’est pas un pays sérieux”.

Páro no alto de um canteiro, quase na esquina da Paulista com a Augusta. Bela decisão. Do alto, via tudo. Olhando para trás o fluxo constante de gente chegando da Rua da Consolação. À minha frente o espetáculo. Vi, ao vivo, os números subindo de 200.000 pessoas, dados da Policia Militar, para 1 milhão de manifestantes, dados de todo mundo: mídia e Polícia.

Interessante. Ao analisar este mar de gente branca, cheguei à uma triste conclusão: tenho um grave problema de visão. Vi gente de tudo quanto é cor. Ou não se fazem mais “classes As” como antigamente? A meu lado 2 desdentados. Pois é, não está fácil pra ninguém! Pagar a conta do dentista bateu aqui na classe A também.

Bem antes da TV começar a falar dos Carecas do Subúrbio, e das prisões, identifiquei 2 “armários” a meu lado que se comunicavam por sinais, segurando algo irreconhecível num saco preto sob a jaqueta. Piquei a mula rapidinho. Logo depois, começaram as prisões e vi um dos carecas a meu lado pela TV.

Também ouvi outras línguas, em especial espanhol e italiano. Muitas, mas muitas câmeras fotográficas e de vídeo. Nem dava pra contar a quantidade de celulares registrando a tudo e a todos. Tentei guardar na memória os dizeres das faixas. O que me lembro é que tinha de “Fora PT/Dilma”, “PT é a favor da ditatura da Venezuela” a palavras de ordem contra a OAB, preço do diesel, Petrolão, Corrupção. Enfim. Democracia também no tipo de protesto. Não vi nenhuma bandeira partidária, nenhuma menção a Aécio.

Tive sorte de ter a meu lado 2 senhores, um argentino e o desdentado, que haviam descido no Paraíso e vindo pra este lado da Augusta. Assim, obtive o registro do mundão de gente que estava pras bandas de lá, sem sair do meu “mirante”.

Amedrontada com os carecas e ouvindo o som das buzinas dos Scania, que chegavam a mim, vindo do finalzinho-da-Rebouças-começo-da-Consolação, me dirigi para lá. WOW! Foi muito comovente!

À frente de uma fila de caminhões, 3 daqueles monstruosos Scania, que nunca vemos circulando na cidade, fechavam – como se alguém tivesse medido – a avenida de lado a lado. Uma suruba de buzinaço de caminhões com os gritos de “pede pra sair”. Na frente dos caminhões parados, um caldeirão de brasileiros de todas as cores e idades, uns com, outros sem dentes. De repente, os caminhoneiros deixaram a cabine e subiram no topo das carrocerias. E desfraldaram, lá de cima, as faixas dos manifestantes que estavam no solo e enormes bandeiras do Brasil. Foi muito bonito e emocionante. Neste momento, também senti falta de minha câmera.

Hora de voltar. Cai uma chuvinha fininha que vira uma pancada. Volto. Domingo, 15 de março. Fiz minha caminhada até a Paulista. Vivi um momento histórico, não tenho a menor dúvida. Volto correndo, a chuva cai forte. A alma está lavada.

Sou bisneta de judeus, neta de árabes e filha de paraibano. No Brasil, sou branca. Na França sou muçulmana. Nos Estados Unidos judia. Eu sou paulistana, trabalhadora incansável, nasci no ano do 4º Centenário desta cidade, que não pode parar. Orgulho!

Eu sou a Beia Carvalho e sou a favor de uma Visão de Esperança para este país. Não é possível criar filhos e netos num país, em que seu governante máximo mente descarada e repetidamente. Quem cria filhos, sabe como é difícil e exaustivo fazer as crianças entenderem que não podem mentir nem pegar coisas e brinquedos que não lhes pertencem. E a gente educa os filhos pelo exemplo. Não é possível que os exemplos dos governantes do Brasil sejam inversamente opostos àqueles que pregamos em nossos lares e que enaltecemos entre nossos amigos, em nossas escolas, empresas e em nossas comunidades.

15 de março: um marco.
300.000 menções nas redes sociais em 12 horas: das 6 da manhã às 18 horas do dia 15 de março de 2015.

Parabéns São Paulo!

#VOLTEIDARUA

#VOLTEIDARUA

Momento "love" da tropa com a população - 15 março 2015 (foto do Twitter)

Momento “love” da tropa com a população – 15 março 2015 (foto do Twitter)

#VOLTEIDARUA
Brasília 15 março 2015 (foto do Twitter)

Brasília 15 março 2015 (foto do Twitter)

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2 comments

  1. Cristina De Luca

    Béia, que artigo maravilhoso, me senti reprsentada em cada parágrafo, bjs

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