Selfies & Networking

Fernanda e Beia, Brooklyn, NY, 2014

Fernanda e Beia, Brooklyn, NY, 2014

Brooklyn, final de inverno, -3C, caminho por 15 minutos. Destino: Manhattan. Meio: metro.

Chego. Tô gelada. Entro na estação. Máquinas de tickets quebradas. Dois homens tentam consertar. Estou no guichê. Passagem pra Rua 14, plis. Não há trens para Manhattan. Como assim? Madam, não há trens para Manhattan. Não sabemos o que aconteceu. Não sabemos quando haverá. Ponto final. Volto pra rua na esperança de um taxi. Não vai rolar. São poucos e cheios. E muita concorrência. Polar, a esquina em que me encontro. Vento inimigo, cortante. Vejo 2 mulheres muito lindas se abraçando. É um adeus. Falam brasileiro. Cada uma vai para um lado. Interrompo a mais próxima. Onde é o melhor lugar pra se pegar um taxi por aqui? Vem comigo. Tem taxi-service na quadra da frente. Mais do que bonita, tem aquela luz que algumas pessoas tem. Fico fascinada. Ela é fotógrafa. Veio fazer curso. Já terminou faz 1 ano. Mas tá aqui, ficando, cavando. Me conta da festa indiana que abre a primavera. Foi ontem, no Queens. Jogam pó colorido, daquelas cores da India, vermelho, azul turquesa, roxo, rosa choque, para o alto, nas pessoas, em tudo. Uma euforia cromática. Meu taxi chega. Pergunto seu nome. Fernanda. Sou Beia. Ah, eu sabia que você era a Beia, desde que te vi na esquina. Eu sou amiga da Bruna Laruccia, que trabalhou com você – há 5 anos atrás. Como dizem os gringos:”What are the odds?”. Não sei. Lembro daquele matemático que calculava a probabilidade dos ganhadores da loteria da semana. Tem milhão de brasileiros em New York. Não importa, a gente se espanta. É intrigante.

Seria só isso, uma coincidência? Ah, a mente quer achar que aí tem mais.

Damos risada e nos abraçamos. Fazemos um selfie. Compartilhamos com a Bruna. Vou para um lado. Ela para o outro. É a mesma cena de 5 minutos atrás. Dia da marmota?*

Notas:
-Fernanda Lens, fotógrafa
-Bruna Laruccia, publicitária
-Comemoração de 60 anos
-*Groundhog Day (Feitiço do Tempo) foi dirigido por Harold Ramis, em 1993.
No filme, um egocêntrico homem do tempo da TV, encontra-se repetindo o mesmo dias várias vezes, durante a abertura do anual Dia da Marmota. Em 2006, Groundhog Day foi incluído no National Film Registry, sendo considerado “culturalmente, historicamente ou esteticamente significaste”.- Wikipedia

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3 comments

  1. História bacana, Béia. Não existe acaso, segundo o Meu Chapéu. Bjs, felizes anos novos.

  2. Valeu, Lee! Que bom te ver por aqui! Apareça mais vezes!

  3. Segura os paparazzi!

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