15
Mar 15

#FUI PRA RUA!

#FuiPraRua

#FuiPraRua

Voltei do #VemPraRua com pelo menos 3 surpreendentes conclusões:

A 1ª. é que a classe A, em São Paulo, tem pelo menos 1 milhão de pessoas.
A 2ª. é que os paulistas “coxinhas”, “creuset”, “varanda gastronômica” são a maioria nos 22 estados brasileiros e Distrito Federal.
E a 3ª. – não menos importante – é que o Brasil é o único país do mundo que leva às ruas apenas pessoas da classe A.

Comecei a subir, a pé, os 6 quarteirões que me separavam da Av. Paulista. No começo, uma turminha aqui, outra lá adiante. Há 3 quadras, já éramos um grande bloco de amarelos e verdes, e algumas vuvuzelas. O passo foi ficando cada vez mais apressado. O coração começa a bater diferente. E dá aquela sensação de estar chegando no Maracanã pra ver o Fla-Flu, ou quando a gente vira e dá de cara com o Estádio no Pacaembu, quando jogava o Corinthians. Todos no mesmo passo, cada vez mais acelerado. Agora, quase no centro de entretenimento-financeiro-cultural, parece o ensaio de orquestra. Pouco a pouco, entram os sons de vuvuzelas, helicópteros, gritinhos histéricos e gritos de guerra abafados.

Há 30 metros, já entrevendo o início da Paulista, as palavras de ordem destapam: “o povo acordooouu”, “fora Dilma”, “fora PT”, “pede pra sair”.

A ‘comissão de frente’ são 50 policiais perfilados ao longo daquele paredão lateral do Cine Belas Artes. E, barrando a entrada de carros para a avenida, carros da polícia com as luzes de sirene ligadas e mais uns 50 policiais, dispersos. O povo vai entrando e vai entrando no clima dos gritos, das fotos junto a faixas e cartazes que lhe representam, dos vídeos, das palavras de ordem.

Fui sem câmera, sem lenço, nem documento. E durante todo o tempo que participei da manifestação, só lamentei por um momento não ter a dita cuja. A cena estava ali, logo na segunda quadra: policiais de choque paramentados da cabeça aos pés, perfilados transversalmente à avenida. Até aí, nada demais. O bizarro, foi ver todo tipo de pessoas, jovens, pais com bebês de colo, velhos, grupos ou indivíduos fazendo “self” bem juntinho à tropa de choque – e os policiais sorrindo e posando para as fotos. E, muitos deles, até saindo da posição de sentido. “Le Brésil n’est pas un pays sérieux”.

Páro no alto de um canteiro, quase na esquina da Paulista com a Augusta. Bela decisão. Do alto, via tudo. Olhando para trás o fluxo constante de gente chegando da Rua da Consolação. À minha frente o espetáculo. Vi, ao vivo, os números subindo de 200.000 pessoas, dados da Policia Militar, para 1 milhão de manifestantes, dados de todo mundo: mídia e Polícia.

Interessante. Ao analisar este mar de gente branca, cheguei à uma triste conclusão: tenho um grave problema de visão. Vi gente de tudo quanto é cor. Ou não se fazem mais “classes As” como antigamente? A meu lado 2 desdentados. Pois é, não está fácil pra ninguém! Pagar a conta do dentista bateu aqui na classe A também.

Bem antes da TV começar a falar dos Carecas do Subúrbio, e das prisões, identifiquei 2 “armários” a meu lado que se comunicavam por sinais, segurando algo irreconhecível num saco preto sob a jaqueta. Piquei a mula rapidinho. Logo depois, começaram as prisões e vi um dos carecas a meu lado pela TV.

Também ouvi outras línguas, em especial espanhol e italiano. Muitas, mas muitas câmeras fotográficas e de vídeo. Nem dava pra contar a quantidade de celulares registrando a tudo e a todos. Tentei guardar na memória os dizeres das faixas. O que me lembro é que tinha de “Fora PT/Dilma”, “PT é a favor da ditatura da Venezuela” a palavras de ordem contra a OAB, preço do diesel, Petrolão, Corrupção. Enfim. Democracia também no tipo de protesto. Não vi nenhuma bandeira partidária, nenhuma menção a Aécio.

Tive sorte de ter a meu lado 2 senhores, um argentino e o desdentado, que haviam descido no Paraíso e vindo pra este lado da Augusta. Assim, obtive o registro do mundão de gente que estava pras bandas de lá, sem sair do meu “mirante”.

Amedrontada com os carecas e ouvindo o som das buzinas dos Scania, que chegavam a mim, vindo do finalzinho-da-Rebouças-começo-da-Consolação, me dirigi para lá. WOW! Foi muito comovente!

À frente de uma fila de caminhões, 3 daqueles monstruosos Scania, que nunca vemos circulando na cidade, fechavam – como se alguém tivesse medido – a avenida de lado a lado. Uma suruba de buzinaço de caminhões com os gritos de “pede pra sair”. Na frente dos caminhões parados, um caldeirão de brasileiros de todas as cores e idades, uns com, outros sem dentes. De repente, os caminhoneiros deixaram a cabine e subiram no topo das carrocerias. E desfraldaram, lá de cima, as faixas dos manifestantes que estavam no solo e enormes bandeiras do Brasil. Foi muito bonito e emocionante. Neste momento, também senti falta de minha câmera.

Hora de voltar. Cai uma chuvinha fininha que vira uma pancada. Volto. Domingo, 15 de março. Fiz minha caminhada até a Paulista. Vivi um momento histórico, não tenho a menor dúvida. Volto correndo, a chuva cai forte. A alma está lavada.

Sou bisneta de judeus, neta de árabes e filha de paraibano. No Brasil, sou branca. Na França sou muçulmana. Nos Estados Unidos judia. Eu sou paulistana, trabalhadora incansável, nasci no ano do 4º Centenário desta cidade, que não pode parar. Orgulho!

Eu sou a Beia Carvalho e sou a favor de uma Visão de Esperança para este país. Não é possível criar filhos e netos num país, em que seu governante máximo mente descarada e repetidamente. Quem cria filhos, sabe como é difícil e exaustivo fazer as crianças entenderem que não podem mentir nem pegar coisas e brinquedos que não lhes pertencem. E a gente educa os filhos pelo exemplo. Não é possível que os exemplos dos governantes do Brasil sejam inversamente opostos àqueles que pregamos em nossos lares e que enaltecemos entre nossos amigos, em nossas escolas, empresas e em nossas comunidades.

15 de março: um marco.
300.000 menções nas redes sociais em 12 horas: das 6 da manhã às 18 horas do dia 15 de março de 2015.

Parabéns São Paulo!

#VOLTEIDARUA

#VOLTEIDARUA

Momento "love" da tropa com a população - 15 março 2015 (foto do Twitter)

Momento “love” da tropa com a população – 15 março 2015 (foto do Twitter)

#VOLTEIDARUA
Brasília 15 março 2015 (foto do Twitter)

Brasília 15 março 2015 (foto do Twitter)


09
Mar 15

Mulheres. Somos perfeitamente imperfeitas.

Beia Carvalho: Dia Internacional da Mulher 2015

Beia Carvalho: Dia Internacional da Mulher 2015. Entrevista Jornal PropMark, 8março2015

No dia 8 de março de 2010, há 5 anos, fechei um artigo* no meu blog com essa esperança:
“Espero que em 8 de março de 2015 possamos CE-LE-BRAR!? Celebrar o valor de homens e mulheres que ao desempenhar a mesma função, recebem o mesmo salário. Celebrar o fantástico declínio da violência sexual contra as mulheres, especialmente em zonas de guerra. Celebrar o fim da discriminação racial e da vileza da intimidação. Uma salva de palmas!”

Infelizmente, passados 5 anos, ainda não podemos bater palmas. Infelizmente, engatamos rapidamente uma marcha ré. Por favor, um uísque triplo, um balde de gelo, uma porrada no meio da minha cara, me tirem do túnel do tempo!

Temos, mulheres e homens juntos, que chegar ao cerne da questão do “feminicídio”, “femicídio” ou simplesmente “assassinato” contra mulheres, justificado sociocultural e historicamente pela dominação da mulher pelo homem e estimulado pela impunidade e indiferença da sociedade e do Estado. Crimes de ódio.***

Números?
ONU estima que 66 mil mulheres tenham sido assassinadas entre 2004 e 2009, em razão de serem mulheres. Impunidade é norma.

Números Brasil?
Quase 44 mil mulheres assassinadas entre 2000 e 2010. Em 30 anos (1980-2010) dobramos o nosso abominável e repugnante status de 2,3 para 4,6 assassinatos por grupo de 100 mil mulheres. Assim, junto com a posição de 7ª. economia do mundo, o Brasil está na 7ª. posição mundial de assassinatos de mulheres. Totais? São 92.000 mulheres assassinadas nestes 30 anos (em 20 anos de Guerra do Vietnã morreram 60.000 americanos). Ah, mas era uma guerra!

Então, vamos falar claramente: os homens estão em guerra contra as mulheres. Com uma diferença gritante: quase metade das mulheres assassinadas morreram nas mãos de seus companheiros ou ex-companheiros e em suas próprias casas. Não há nem a dignidade de declarar a guerra e se colocar como inimigo.

Será isso mesmo?
Será que muitos destes homens não deixaram muito claro para muitas destas mulheres que eram seus inimigos? O que acontece com a gente? Estamos cegas? Ou somos realmente seres tão inferiores que não conseguimos entender que ali é “Perigo, Perigo, Perigo”? Cai fora. Salta de banda.

Segundo os especialistas, homem que espanca mulher, repete. É que nem grapete. E quase metade também espanca os filhos. Mas as mães não dizem que amam os filhos? Que fazem tudo por eles? Oras, então há alguma coisa muito estranha e profunda nesta problemática. Sim, é muito complexo. É por isso que temos que juntar forças e reconhecer a complexidade do problema, que atinge todas as classes sociais, no mundo todo. Mas que aqui é muito, muito grave.

1 milhão abortos clandestinos por ano

1 milhão abortos clandestinos por ano


Neste Dia Internacional das Mulheres, também podemos comemorar as aterrorizantes cifras do aborto clandestino no Brasil: 1 milhão por ano!
E se é pra falar de vida: 1 mulher morre a cada 2 dias devido a abortos inseguros no Brasil. Sabe quem faz/fez aborto? Sua mãe, sua namorada, sua mulher (com ou sem seu consentimento), sua vizinha, sua avó, e sua prima de 16 anos. Mais da metade das mulheres (60%) entre 18 e 29 anos fizeram abortos.**

E de repente, em 2014, tivemos uma confluência de oportunidades incrível: 2 mulheres concorrendo em pé de igualdade a ser a nova presidenta do Brasil! Inacreditavelmente, em pleno século 21, vivenciamos uma realidade ímpar –– nenhuma das 2 representam os nossos anseios mais básicos: ter direitos sobre o nosso corpo. Direitos irrestritos. É muito muito triste. É muito muito desesperançoso. É desempolgante. É um país broxa.

Apatia sexual seria a solução?

Na contramão da tradição japonesa, novas palavras-conceitos surgem a todo momento para abarcar os novos comportamentos sociais/sexuais. Sekkusu shinai shokogun, ou “síndrome do celibato”: 45% das mulheres e 25% dos homens com idade entre 16 e 24 anos “não estão interessados ou desprezam o contato sexual.” A outra palavra: soshoku danshi ou “homens herbívoros,” indica aqueles que não tem interesse por mulheres. E deixei a pérola para o final. Oniyome “esposas do diabo” designa mulheres casadas que trabalham.

Lá, no riquíssimo Japão com altos índices educacionais, está um dos piores sistemas de igualdade entre sexos. Engraçado. Não serão as patentes ou a falta de inovação, que rebaixarão a economia japonesa. Será a falta de bebês para sustentar a economia. Será que bebês virtuais impulsionam a economia? Porque o jogo “LovePlus+,” xodó dos jovens japoneses, simula um relacionamento (não sexual) onde jovens saem de férias, num hotel real, com suas namoradas virtuais.

E em 2030?
A ficção trabalha muitas vezes como uma luz no fim do túnel. Assistindo ao Filme “Ela” (Her) conhecemos Amy, uma nerd que está desenvolvendo um game chamado “A Mãe Perfeita”. No jogo, a mãe perde milhares de pontos porque alimenta os filhos com açúcar refinado. Mas ela pode se redimir e ganhar pontos, ao fazer suas mães rivais sentirem inveja de seus cupcakes. CUPCAKES! Dá um tempo?!? Quase tive um ataque ao ver retratado em 2030, as mesmas pressões que as mães enfrentaram e ainda enfrentam para fazer de tudo para serem Mães Perfeitas.

Se não tomarmos em nossas mãos femininas a tarefa de virar esse jogo, os 16 anos que nos separam do filme ELA vão voar. E, quando menos percebermos, BUM! Estaremos cara a cara com 2030, com as mesmas intragáveis, velhas e irreais expectativas em relação às mulheres e mães, que não trazem felicidade para nenhum dos lados envolvidos.

Dá pra fazer muita coisa de hoje até lá!
Quais são as novas possibilidades de criar e educar as nossas crianças?
O que nós estamos (des)ensinando a nossos filhos e filhas, sobrinhos e sobrinhas, netos e netas, vizinhos e vizinhas, primos e primas, irmão e irmãs? Porque o resultado é que muitos deles estão matando e muitas delas estão sendo mortas.

O que podemos começar a fazer JÁ?
Educar mulheres para serem seres por si e não para e pelo outro. Ensinar homens a serem homens. E que espanquem paredes, oras bolas! E que levem suas fúrias pra longe das mulheres. Mas o que mais? Não vamos deixar isso morrer no jornal de ontem, vamos? Então, bóra fazer o que mulheres sabem fazer de melhor? Conversar? Falar, falar, falar. Sem discriminações. Homens e mulheres vamos juntos nos livrar desta vergonha?

Vamos começar?
Em 2030, tenho a certeza que esses jovens estarão namorando de um jeito diferente e terão expectativas mais construtivas em relação aos diferentes sexos. Não gosto de pensar que essa é uma luta de mulheres. Penso que homens e mulheres, juntos, deveriam se unir para um mundo mais harmônico. Vamos nos magnetizar pela utopia de um mundo mais feliz – e não por um mundo de mulheres e mães perfeitas.

Neste dia Internacional das Mulheres não me venham com os adjetivos que santificam as mulheres: rosa, santa, esposa, mãe, “lá em casa quem manda é ela”. As mulheres não são perfeitas. Não falem, escrevam, reproduzam, incentivem, nem se alimentem machistamente com esta ideia de santidade. Porque quando não correspondemos a esta imagem da Santa Perfeição, os homens ficam muito decepcionados. E quando eles se decepcionam …

Nós somos mulheres. Somos perfeitamente imperfeitas.

Espero que em 8 de março de 2020 possamos CE-LE-BRAR!?Celebrar o valor de homens e mulheres que ao desempenhar a mesma função, recebem o mesmo salário. Celebrar o fantástico declínio da violência sexual contra as mulheres, especialmente em zonas de guerra. Celebrar o fim da discriminação racial e da vileza da intimidação. Uma salva de palmas!

Dia Internacional da Mulher 2015: Pesquisa IPSP MediaCT

Dia Internacional da Mulher 2015: Pesquisa IPSP MediaCT, Jornal PropMark, 8março2015

NOTAS:
A entrevista completa com os dados da pesquisa IPSOS MediaCT e com as entrevistadas Cecília Russo, Marlene Bregman, Judith Brito e eu está aqui: http://propmark.uol.com.br/mercado/52414:mulheres-questionam-hoje-a-propria-responsabilidade-na-continuidade-do-machismo. Por Cristiane Marsola.

* link para o post de 2010:

** dados Pesquisa Nacional do Abortamento (PNA)

*** Em 8.3.2015, num discurso atrapalhado, misto de comemoração ao dia das mulheres, arrocho econômico e programa de governo, a presidente Dilma sancionará no dia de hoje, 9.3.2015, a lei que tipifica feminicídio e o classifica como “crime hediondo”: o que impede que os acusados sejam libertados após pagamento de fiança, estipula que a morte de mulheres por motivos de gênero seja um agravante do homicídio e aumenta as penas às quais podem ser condenados os responsáveis, que poderão variar de 12 a 30 anos. (UOL) Vamos em frente!


07
Feb 15

A Adrenalina do Abutre

Jake Gyllenhaal como Louis Bloom

Jake Gyllenhaal como Louis Bloom

Jake Gyllenhaal, 33 e 13 quilos mais magro vai te aterrorizar. Como Jack Nicholson em ‘O Iluminado. O coração dispara.

“Eu queria parecer e estar faminto”.

Ele interpreta Louis Bloom no filme Nightcrawler ao lado de Bill Paxton e da fenomenal (sou fã) Rene Russo, 60. Dirigido pelo maridão dela, Dan Gilroy, de Legado Bourne (2012) e produzido por Jake.

Louis Bloom é muito louco. Ladrão desempregado, ele é seduzido pelo frisson do submundo do jornalismo criminal televisivo de Los Angeles e com um capital inicial advindo do roubo de uma bicicleta, investe em uma câmera e num rádio para interceptar as frequências da polícia. Assim, se torna um freelancer que registra os acidentes, incêndios e mortes para vender seus vídeos para as estações de TV. Os chamados stringers ou “paparazzi of pain” (paparazzi da dor).

Não, ele não é um freelancer. Ele é um homem de negócios, um empresário. Um viciado em dicas online sobre empreender e liderar. Com uma mente loucamente assombrosa, decora e recita – em improváveis ocasiões – lições de empreendedorismo numa verborragia sem precedentes. Parece estar lendo aqueles posts que nos acostumamos a ver em redes sociais como LinkedIn, sites de coaching e outras chatices. Mas ele não apenas estuda, ele pratica. E nos prova, ironicamente, como se tornar uma liderança empresarial autodidata. Obstinação, disciplina, amoralidade, foco e tempo dedicado a estudar pela internet.

O filme nos ameaça com a constante dúvida sobre o que é moral, ético e legal. Onde está a fronteira? Louis facilmente borra essa linha-limite entre o observador e o participante para se tornar a estrela de sua própria história e de sua marca, a “Video Production Services” (Cultured Vultures). Punir a desobediência de forma cabal e matar a concorrência são tarefas levadas a sério e no sentido literal pelo “empresário” Louis: “I can’t jeopardize my company’s success to retain an untrustworthy employee” (Não posso prejudicar o sucesso de minha empresa para reter um funcionário em quem não confio).

No vídeo abaixo você pode assistir ao Jake Gyllenhaal falando de sua personagem: “Ele faz parte de uma geração de pessoas que está procurando emprego num mundo onde os próprios empregos estão sendo redefinidos.”

Você vai sentir todas aquelas fortes sensações e emoções, que os bons thrillers nos despertam. Taquicardia. Medo. Pânico. Repugnância. Aversão. Ansiedade. Vai rir, um pouco, nervosamente. E de forma bem amoral, mas extremamente eficiente, vai compreender na prática conceitos, dicas e visões de empreendedorismo, branding, marca, equipe e marketing pessoal.

Vale por um curso de Capitalismo? Marketing? Branding? Com bem mais adrenalina que numa entediante sala de aula.

Notas:
Filme: Nightcrawler, dirigido por Dan Gilroy, 2014.
Atores principais: Jake Gyllenhaal, Rene Russo, Bill Paxton e Riz Ahmed.

Cultured Vultures

Rene Russo em Nightcrawler

Rene Russo em Nightcrawler


23
Jan 15

Você é o que Você Compartilha

MOOC- Educação Aberta Online Massiva

MOOC- Educação Aberta Online Massiva

Tenho muita sorte em conhecer muita gente, muito inteligente e com muita vontade de espalhar conhecimento, de colaborar. Na semana passada, o Repensador Gil Giardelli me enviou vários links preciosos sobre Educação. Um assunto que ele é mestre e que sabe do meu interesse.
Todos em inglês. Peguei um deles, sobre as tecnologias que já estão aí, batendo em nossas portas. Está aí, traduzido livremente por mim.
Estou aqui re-compartilhando o conhecimento. Valeu, Gil!

6 Tecnologias Emergentes

6 Tecnologias Emergentes

A tecnologia continua a revolucionar o ensino básico e de 2º. grau (K-12), faculdades e universidades e outras organizações e instituições educacionais.

O Relatório 2013 Horizon identificou e diagramou 6 tecnologias que serão integradas dentro das classes. Algumas estão ainda em desenvolvimento, mas há outras que já dá para serem usada já.

EM 1 ANO:
1) MOOCS (cursos massivos online e abertos)
Cursos online abertos ao público permitem que qualquer pessoa, a despeito de seu histórico ou localização, ganhe novas habilidades e conhecimento a custo zero. O interesse em MOOCs e sua proliferação tem crescido rapidamente nos últimos anos.
EXEMPLO:
O primeiro curso do Google online e aberto, Curso de Busca Avançado, (Power Searching with Google), ajudou seus participantes a melhorar suas habilidades de busca na Internet.

2) Tecnologia Móvel
Graças às sua portabilidade, a disponibilidade de aplicativos interativos e móveis, e o baixo custo quando comparado aos laptops, o crescimento dos tablets como ferramentas de aprendizado dentro das classes vem crescendo.
EXEMPLO:
Os estudantes da Universidade Vanderbilt estão projetando um aplicativo para Android para ajudar os deficientes visuais a aprender matemática usando vibrações e áudio como feedback.

EM 2-3 ANOS:
3) Games e Gamificação (jogos)
Jogar jogos educacionais pode construir pensamento crítico, para solução de problemas e habilidades para trabalhar em equipe.
medalhas e sistemas de ranking podem servir também para reconhecer a performance e realizações dos estudantes.
EXEMPLO:
O projeto A História da Narrativa Viva de Williamsburg é um jogo de ficção interativo que incorpora geografia, cultura e personagens de Williamsburg, no estado da Virginia, EUA.

4) Monitoramento do Aprendizado (learning analytics)
O monitoramento do aprendizado ajuda os instrutores a criar estratégias eficazes de ensino e aprendizado sob medida para cada estudante. Porque decifra as tendências e os padrões a partir de dados (data) educacionais.
EXEMPLO:
Uma empresa incorporou uma ferramenta destas em sua e-apostila que dava aos alunos insights sobre os seus comportamentos e hábitos de estudar.

EM 4-5 ANOS:
5) Impressoras 3D (3 dimensões)
Essa tecnologia vem se tornando mais e mais barata e acessível ao longo dos últimos anos. As aplicações dentro de classe vão desde criar replicas de objetos a produzir modelos em 3D de desenhos e conceitos.
EXEMPLO:
A impressora 3D poderia ser usada para criar modelos de fósseis de dinossauros, esculturas e moléculas.

6) Tecnologia Vestível (wearable technology)
Acessórios vestíveis, como o Google Glass, podem oferecer informação em tempo real ao usuário sobre seu ambiente e arredores, seguir movimentos e gestos, e deixar as mãos livres para várias outras funções tecnológicas.
EXEMPLO:
Câmeras de vídeo vestíveis (câmera GoPro) permitem a gravação do aprendizado de projetos e experiências.2014 Horizon Report

2014 Horizon Report

Notas:
Repensador Gil Giardelli: https://www.youtube.com/watch?v=7nv12ceZQbI
Você é o que Você Compartilha: livro de Gil Giardelli: http://www.gilgiardelli.com.br/blog/livro

Repensadora Beia Carvalho: https://www.youtube.com/watch?v=hKafA4Z80G0
Horizon report 2014: http://www.nmc.org/nmc-horizon


03
Jan 15

Caipiras e Urbanóides

Donna Douglas, A Família Buscapé. 1933-2015

Donna Douglas, A Família Buscapé. 1933-2015

Eu era fã. Minha família toda era. Estávamos lá todas as semanas nos divertindo juntos. A TV ficava numa área de piso frio, o que era muito bom, pra quem morava em Bauru, sem ventiladores, nem ar condicionado.

A Família Buscapé – The Beverly Hillbillies – foi uma das primeiras sitcoms (situation comedies) da TV americana. Produzida pela CBS com 274 episódios – 106 em preto e branco (de 1962 a 1965) e 168 em cores (1965 a 1971). Nos divertíamos e aprendíamos bastante com a família caipira que havia ficado rica ao encontrar petróleo no quintal de casa e se mudado para uma das mansões de Beverly Hills, na Califórnia.

É dos anos 1960 também a criação do cartel OPEP – Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Desde então, os países membros controlam refinadamente as “torneirinhas” do óleo negro balouçando os preços mundiais a seu bel prazer e interesses. Sou leiga no assunto, estou aqui googando, me perdendo e me achando com tanta informação. Me deparo com um tal relatório LINK, também dos anos 1960. Uma boa leitura para quem se interessa pela história da Petrobrás. Quem se aprofundar, poderá traçar algum paralelo entre os conselhos (desprezados, à época, pela esquerda) do geólogo americano e alto funcionário da Petrobrás, Walter K. Link, e os milhões do Pré-Sal.

De 1961 a 1964, a Petrobrás, como ‘criança teimosa’, só perfurou onde Mr. Link desaconselhou. Jogou centenas de milhões de dólares no lixo, sem produzir petróleo comercial. “Com o Brasil falido e em terrível crise cambial, o regime militar adotou as providências de Mr. Link, a partir de 1964. Logo no segundo poço perfurado no mar, o petróleo apareceu. Entre março de 1960 e março 1964, a produção de petróleo do Brasil caiu, e, entre março de 1964 e 1969, esta produção mais que dobrou.”

Donna Douglas era a linda filha caipiríssima da família. Morreu aos 81 anos. No primeiro dia do ano de 2015.

Era uma família ingênua em relação aos desafios da cidade grande. Mas desafiavam os parcos conhecimentos de seus urbanóides sobre a natureza com sua afiada cultura rural. Enquanto a previsão da TV anunciava um belo dia de sol, o pai – vindo dos cafundós do Arkansas – afirmava categoricamente que iria chover, porque as formigas, em seu belo jardim, estavam se recolhendo. E chovia.

NOTAS:
WIKIPEDIA:
A Familia Buscapé: http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Beverly_Hillbillies
O Relatório LINK, de Walter K. Link. http://pt.wikipedia.org/wiki/Relatório_Link