26
Jun 11

Gay Parade & Fé

XÔ Homofobia!

XÔ Homofobia!

E eu tenho que ficar ouvindo que é difícil inovar. E por um tempo eu acreditei! Fui estudar um pouco pra entender como podemos inovar.

REBELDIA! Nossos instintos querem sentar no pudim. XÔ velhas certezas! Crie um espaço de dissidência ativa.

Nossa, que lindo! Tenho uma palestra sobre este assunto! Cabeça.
Mas tenho good news for you! É muito, muito mais fácil!

É tão fácil, que quando meu melhor amigo me perguntou de onde poderíamos ver a Gay Parade amanhã, eu gelei!

Só pra contextualizar, sempre me perguntam aonde ir – tenho aquela agendinha com tudo! Mas não me lembro de nenhum restaurante com vista panorâmica para a Parada. Talvez, o Tivoli São Paulo, Mofarrej? Mas a vista seria muito panorâmica e pouco específica. Não!

E dá pra acreditar que nenhuma cerveja, operadora de celular, marca esportiva, concessionária, enfim todas aquelas marcas que ficam choramingando pelos corredores atrás da tal INOVAÇÃO, simplesmente nunca pensaram na coisa mais óbvia do país do carnaval? Um camarote pra gente ver a Gay Parade na Paulista?

Ah, mas por que iriam gastar energia com isso? São apenas 4 milhões de pessoas. Pouco menos que a população da Dinamarca de 5.500.000! Sempre lembrando que nestes 5 milhões, tem bebês, presos, gente doente no hospital e gente que tem um certo probleminha com a diversidade.

Gente assim, como os editores do Guia Cultural do Estadão. Que dedica capa e mais 7 páginas à Fé e 1 página pra festa que muda a cena de São Paulo: a maior festa gay, ooopsss, da diversidade do mundo! Atrás somente do maior evento paulistano, a Formula 1! Tá, meu bem? Tá boa, Santa?

Sim, eu quero passar o domingão num camarote da Devassa. Não é demais?

Ah, e o tema deste ano, que comemora a edição de 15 anos da Parada Gay de São Paulo é “Amai-vos uns aos outros. Basta de homofobia” (Love one Another. Enough with Homophobia). Aliás, foi mais fácil encontrar o slogan em inglês, que em português, no Google! Fica assim até elementar concordar com o presidente da Associação, Ideraldo Luiz Beltrame, que falou sobre a pressão que o movimento recebe de grupos religiosos.

E como tudo começou? Com uma série de demonstrações espontâneas e violentas contra a polícia novaiorquina que invadiu a pousada Stonewall, no Village, na manhã do dia 28 de junho de 1969: a primeira vez na história americana que a comunidade homo lutou contra o sistema estabelecido. E assim começou o movimento dos direitos gays nos Estado Unidos e no mundo. Foi em Los Angeles, no dia 28 de junho de 1970 que rolou a primeira Gay Parade. Aí está o porquê da parada ser num mês tão frio no Brasil!

A primeira de São Paulo foi em 1997, com o slogan “Somos muitos, estamos em todas as profissões” e 2.000 pessoas. Eu estava lá com o meu inseparável amigo Edson, que me deu a idéia para este post!

Amanhã 1.500 policiais militares vão fazer a segurança do evento, quase o dobro do ano passado (800), apesar do Comando de Policiamento do Centro declarar que é um evento pacífico. Há mais coisas entre o céu e a Terra que os aviões de carreira.

E mais uma fantástica oportunidade de engajamento será perdida pelas mais importantes (até o momento) marcas atuando no Brasil.


21
Feb 10

A Cor do Som

A Cor do Som

publicado no jornal PropMark em 22fev10

A Cor do Som era o nome de uma banda brasileira no início de 1977, o mesmo ano do lançamento do Apple II, do Atari 2600, da ópera espacial Star Wars, do Voyager I, da Soyuz 24, do adeus do Pelé ao futebol e ao Cosmos. Também foi o ano em que tranquei o curso de publicidade na ECA para uma viagem que duraria 8 meses, rumo a Nova Iorque, por terra.

Em janeiro daquele ano Bruce Eisner publicou um polêmico artigo na revista High Times, no qual ele revelava sua longa experiência em busca da sintetização do LSD.

As propriedades alucinatórias psicodélicas do LSD, tão procuradas para a “expansão da mente”, nos permitem ver a cor do som, entre outras tantas experiências transcendentais. Sob circunstâncias normais, esta percepção do mundo não nos é permitida, porque não existem conexões no nosso cérebro ligando as cores aos sons, ou os sabores às cores. Menos complexa, a ponte entre o gosto da maçã e a própria maçã é um trajeto percorrido por bilhões de pessoas todos os dias, antes e depois de Newton.

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