
Geração Y por Beia Carvalho, ilustração Marc Beaudet, 2008
Veja o vídeo e leia a parcial da matéria do caderno especial da Folha de S.Paulo de hoje.
“LÍDER EM XEQUE” por Reinaldo Chaves e Rogério de Moraes.
O ex-diretor-executivo da Apple, Steve Jobs, ao criar o iPod e o iPad sugeriu que o tradicional botão de ligar e desligar fosse retirado ou reduzido. O guru da tecnologia entendeu que a geração Y não sente mais a necessidade de se desligar de uma atividade para iniciar outra.
Essa compreensão das novas gerações é um desafio para todos os executivos. Os chefes da geração “baby boomer” (que hoje têm mais de 45 anos) e da geração X (os adultos de 30 a 45 anos) têm que lidar com a geração Y (nascidos após 1980), jovens que não compartimentam a vida em momentos separados para trabalhar, se divertir ou para ficar com a família – tudo é interligado. O papel do líder no mundo dos negócios vem passando por intensa transformação. Hoje, não basta dizer o que e como algo deve ser feito. O chefe também precisa explicar o porquê. E tem de fazer isso de modo convincente.
A presidente da consultoria 5 Years From Now, Béia Carvalho, lembra que o verbo que movia as pessoas no século 20 era “obedecer”. No século 21, defende a especialista, a palavra de ordem mudou para “engajar”.
“O jovem precisa de um desafio, seja ele alcançar um cargo mais alto ou tornar melhor algo em que acredita. Claro que mandar é muito mais fácil que engajar, mas a geração Y não aceita isso”, afirma Carvalho.
Para João Baptista Brandão, professor de liderança e de gestão de pessoas na Fundação Getúlio Vargas, a chave da nova liderança não está mais apenas na graduação ou na capacidade de gerenciar projetos, mas principalmente no caráter e na postura do líder. “Antes de tudo, é preciso construir vínculos de confiança. Sem confiança, os jovens não se comprometem”, explica o especialista.
NÃO LINEAR
O conceito de carreira para as gerações de meados do século 20 sempre esteve ligado à valorização da hierarquia e à construção, “tijolo por tijolo”, de uma trajetória. Carvalho explica que a geração Y tem uma relação não linear com a carreira. “Ao mesmo tempo eles trabalham, leem, escutam música, veem um vídeo e marcam uma balada. Os jovens entendem a carreira da mesma forma, acham que ela não precisa ter uma ordem fixa. É muito comum perguntarem ‘como eu faço para ser gerente?’ logo no começo de um trabalho.”
Segundo ela, o problema é que a maioria dos líderes não sabe responder a essa pergunta, ou pior, fica irritada com o questionamento. “Mas isso é na verdade uma grande oportunidade para engajar e reter o jovem”, diz.
Carvalho também destaca que estudos demográficos no Brasil mostram que a geração Y representa aproximadamente 47% da mão de obra e diz que essa é mais uma razão para entendê-los.
Outro fator importante é que a inovação nas empresas precisa dos jovens. “Muitos gestores de RH procuram profissionais inovadores, porém, só aceitam métodos de trabalho de décadas atrás. Isso é um contrassenso. No mundo complexo e interligado de hoje, precisamos das ideias dos jovens”, finaliza.
Notas: matéria completa: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/especial/75855-lider-em-xeque.shtml