16
Aug 15

A Geração Y invade o Ponto de Venda

Palestra de Beia Carvalho, no Brazil Promotion, é destaque no PropMark.

Palestra de Beia Carvalho, no Brazil Promotion, é destaque no PropMark.


A DMC Media-Radio Indoor e Comunicação Sonora me convidou para palestrar sobre “A Geração Y invade o Ponto de Venda”. Veja abaixo a cobertura do PropMark, na matéria de Andrea Valério, com foto de Egydio Zuanazzi.

Engajamento é a palavra de ordem para a chamada geração Y, que tem entre 18 e 35 anos, em todos os seus diversos ambientes. É o que afirmou Beia Carvalho, da 5 Years From Now, durante sua apresentação, no Seminário Brazil Promotion, que aconteceu, semana passada, em São Paulo.

Em sua palestra, Beia destacou que, se para os mais antigos a obediência era uma questão importante, para o mais novos, o que vale mais é o convencimento e o compartilhamento.

Segundo Beia, essa geração é bastante inquieta e traz características bem marcantes. “Por exemplo, valorizam mais a infância, tem alta autoestima, não entendem hierarquia, além de serem multitarefas.” A executiva ressaltou que, em média, essa geração terá 14 empregos até completar 38 anos.

Para ela, hoje temos várias gerações convivendo no mercado de trabalho. A primeira delas é a Tradicionalista e tem mais de 69 anos. Os membros dessa geração respeitam e entendem a hierarquia e estão no comando de muitas empresas. A maior pare deles teve um emprego só e já está há muitos anos na mesma empresa. As mulheres dessa geração só trabalhavam se precisavam.

Depois essa geração vieram os Baby Boomers, que hoje tem entre 50 e 69 anos. Essa geração, segundo ela, foi a que mais conseguiu sucesso econômico e profissional. “Eles romperam com vários padrões e foram responsáveis por várias revoluções políticas e culturais.” As mulheres dessas geração já começaram a investir em suas carreiras.

Vale lembrar, de acordo com ela, que os mais novos dessa geração são os pais dos mais velhos da geração Y.

A geração seguinte foi chamada de X. De acordo com a executiva, foram eles que perceberam a importância de se preocupar mais consigo mesmos, não só com a família e com o trabalho. Foi uma geração impactada pela ditadura. A última geração depois da Y, é a Z, que hoje tem de 6 a 17 anos.

NOVA VISÃO
O evento ainda contou com a participação de Manuella Curti, presidente da Filtros Europa, típica representante da geração Y.

Manuella é herdeira da empresa e viu a presidência cair em seu colo, em 2010, quando tinha 26 anos. O irmão, com 29 anos, que vinha sendo preparado para substituir o pai, foi assassinado em 2009. Seis meses mais tarde, Dácio Múcio de Souza, seu pai e fundador da Europa, morreu de câncer.

Desde que assumiu, foram muitos desafios de relacionamento, segundo ela, muito por conta desse contraste de gerações. “Uma das tarefas mais difíceis foi provar que, apesar da minha pouca idade, eu tinha competência para ocupar aquele cargo, e isso acontece até hoje, é uma conquista diária.”

Para ela, os principais desafios estão ligados à forma de engajar as pessoas e qual a visão de cada uma delas sobre as questões da empresa. “Muitas vezes, o que interessa a uma geração não interessa a outra. Estamos sempre dialogando com todos para entender tudo.”

A executiva disse que é importante uma empresa ter várias gerações e uma pode aprender com a outra.

Palestrante Beia Carvalho, foto Egydio Zuanazzi.

Palestrante Beia Carvalho, foto Egydio Zuanazzi.


05
Jun 15

Ah, as responsabilidades de compartilhar!

Adoooorooo fãs!

Adoooorooo fãs!

Recebi esta mensagem ontem, e tive que ralar pra responder à minha nova fã gaúcha Lygia Pires de Macedo, especialista em Pesquisas de Mercado & Planejamento. Olha só a saia justa! Perguntas inteligentes, respostas difíceis.

“Beia , tenho acompanhado seus posts e virei sua fã. Tenho 2 perguntas, pode ser?
1. Como você preconiza a geração Y neste novo cenário econômico (novo para eles) brasileiro? Afinal eles cresceram em um ambiente macro bem mais confortável. Levando-se em consideração que haverá retração nos empregos, fechamento de empresas, dinheiro e outros recursos mais caros, poucos investimentos e que levaremos pelo menos uns cinco anos para sair disso, se formos bem administrados, como você acha que eles lidarão com esse novo momento adverso?

2. Você fala em análise de notícias (tb acho que sim, tanto que tenho assistido noticiários onde há analistas), mas como explicar então essa limpeza de pensantes feitas pelas redações de jornais e revistas por todo Brasil? Isso poderá mudar?”

Rapidamente, respondi: “Lygia, as perguntas são boas demais. Vou me dedicar às respostas e posto aqui. Amei seus elogios. Eu adoroooo fãs.”

Obrigada, Lygia Pires de Macedo.

Obrigada, Lygia Pires de Macedo.

Este é o resultado da minha dedicação, Lygia. Espero que tenha chegado à altura de suas questões. Com a ajudinha do Deus brasileiro, que fez os EUA e a Europa passarem por uma mega recessão, a gente pode, sem gastar dinheiro em pesquisas, ter referências para a nossa crise retardada de 2015.

Em 1982, quase 4 milhões de bebês nasceram nos EUA. Eles. Aqueles. Os Millennials. A Geração Y. A maior geração americana. Wow! Passaram os baby boomers? São os NEO baby boomers? Pois é, enquanto ainda estavam se divertindo, mamando o leite materno, o país se recuperava da recessão dos anos 1980, entrando na era Reagan, com seus 4 pilares para chacoalhar a economia: redução dos gastos do governo, redução das taxas do imposto de renda federal e sobre ganho de capital, redução da regulamentação governamental e redução da oferta de moeda, para reduzir a inflação. (ouviu D. Dilma? São 4 pilares. Os 4 começam com redução, não com inchação!).

Desmamaram e se viram de frente com os anos 1990, uma era estável, bombando, parecia que a humanidade finalmente estava acertado o passo. BUM! As torres caíram em 11 de setembro de 2011! Os mais velhos da geração Y, aqueles “bezerros” dos anos 1980 estavam então com 21 anos. Pois é, sofreram o baque. Adeus mundo-cor-de-rosa. Bye bye.

https://youtu.be/jmCWQxvrZUQ

Mas o verdadeiro tapa-na-cara, o real “acorda aíê”, veio com a inesperada, para nós leigos, crise mundial de 2007-08. MUN-DI-AL. Mas por artifícios nunca dantes imaginados no mundo-mundial, o Brasil “surfou na marolinha” da crise. Afinal, somos brasileiros. Deus é brasileiro. Estávamos acima, além deste tal mundo-mundial.

Mas, ri melhor quem ri por último. Tente explicar para alguém do 1º. mundo porque estamos na pior recessão MUNDIAL! Se conseguir, e se sua explicação fizer sentido, me passe por email, por favor.

Vou retratar agora um fenômeno americano mas que, com algum esforço, dá pra gente tropicalizar. A Geração Y é a geração americana com o maior nível educacional. Nos países de 1º. mundo isso se traduz por mais mestrados, PhDs e pós doutorados. No Brasil e em outros países do 3º. mundo, não chegamos a tanto! Mas fizemos a nossa parte: temos menos analfabetos – sem entrar no triste “detalhe” dos analfabetos funcionais (sabe, a balconista da rua Oscar Freire que faz o desconto de 10% da calculadora?).

A despeito destas diferenças brutais entre os mundos-mundiais e o mundo-do-faz-de-conta-das-marolinhas, a tal melhor educação está pagando um preço fenomenal! Nos EUA, onde tudo está contabilizado, a dívida dos universitários junto às universidades dobrou entre 1996 e 2006. A esperança de poder pagar a dívida da bolsa universitária com empregos fantásticos, sucumbiu quando – ao sair da universidade – os jovens Y deram de cara com a pior crise econômica em 80 anos! Diferentemente de países liderados por caudilhos, nenhum país de 1º. mundo apelidou a crise de “marolinha”.

Mas será que se safaram os “ispertos” que não foram para as universidades? Putz, não! Com salários arrochados, melhor pagar por tecnologia que substitui gente, ou terceirizar nos países emergentes, ou pagar pouco para quem pode me oferecer muito, que pagar pouco por um “vagabundo” ou semianalfabeto.

Achar emprego e achar um bom salário tem sido cada vez mais difícil. Isso significa que o ciclo que começa com o compromisso do jovem em comprar uma casa (deixar a casa dos pais, pagar por comida, roupa lavada, comprar e manter seu carro, casar, ter filhos, escola etc) – foi interrompido. Uma geração que não compra sua casa própria, nem seu primeiro carro é uma geração que interrompe o “curso natural da economia americana”.

Olhando do ponto de vista dos baby boomers (a geração que mais acumulou poder econômico e que são os pais dos mais velhos da Geração Y); ou com os olhos da Geração X (berço dos yuppies e os pais dos mais novos da Geração Y), isso pode parecer um desastre. Só que não. A maior parte dos Y não está nem aí. E muitas vezes até despreza esta busca “patrão”, “burguesa”. Mesmo porque, sempre podem não deixar a casa dos pais, ou retornar a elas, sem sofrer a pecha de perdedores – lembrando que para as gerações mais velhas, regressar à casa dos pais era assinar que e “falharam na vida”.

E mais de 1 entre 5 americanos entre 18-34 respondendo à pesquisa da Pew Research Center disseram que adiaram se casar ou ter o primeiro bebê por conta da má fase da economia. E mais de 1/3 de jovens entre 25 e 29 anos voltaram a morar com seus pais. Não me surpreende. Essa é a geração que adora um toddynho e tem um estreito contato com a vida infantil. Por quê? Porque lá é bem mais “quentinho” que resolver problemas de adultos. Por dominarem o que nós mais velhos chamamos de tecnologia, eles vem resolvendo nossos problemas desde a mais tenra idade. Quem acima de 50 anos não pediu para uma criança de 5 anos ajustar o relógio digital do carro ou o radio-relógio da cabeceira, quando chegava o horário de verão? Quem abaixo de 50 anos não pediu para uma criança resolver um problema com a impressora ou com o computador que ‘travou”?

Há quem pense que a Geração Y é a mais azarada desde a 2ª Guerra Mundial, por conta dos baixos salários, altas taxas de desemprego, terrorismo, globalização e tecnologia substituindo mão de obra humana. Mas há quem veja o copo quase cheio: ninguém vai morrer de fome – pelo menos nos EUA. E nem no Brasil, se contarmos a escalada da obesidade em todas as faixas etárias e em todas as classe sociais, notadamente nas classes mais baixas. E a Internet possibilitou acesso gratuito a muita coisa que antes era reservada a uma distinta classe (aprendizado de línguas, educação de alto padrão, e entretenimento, por exemplo).

O mesmo instituto Pew Research Center revela que 9 entre 10 jovens da geração Y que haviam mudado para casa de seus pais já dizem ter o dinheiro que necessitam ou que o terão num futuro bem próximo.

Talvez a geração Tradicionalista (nascidos antes de 1946) estivessem certos: é preciso passar por uma ‘guerra” para dar valor à “vida”. Pew acredita que esta geração de jovens entre 18 e 35 anos, entregarão uma nação mais próspera às suas crianças que seus pais. Afinal, não nos esqueçamos: numa Era da Cognição, esses jovens são os mais bem estudados e bem equipados. Sem contar que, mais para o bem que para o mal, o preço da casa própria – por conta da crise de 2008 – ainda está super atrativo. Talvez o meio copo deles esteja realmente quase cheio.

Desde a 2ª. Guerra Mundial, o que faz a economia americana bombar são a aquisição de novos carros e de casas nos “chics” subúrbios americanos. Nenhuma das 2 coisas parece fazer os olhos dos jovens Y brilharem.

É exatamente durante entre 20 e 30 anos que arriscamos mais, experimentando na universidade, trocando de empregos, viajando, empreendendo, casando. Sim, a recessão tem um impacto sobre esses rompantes juvenis. Mas respondendo a sua pergunta, Lygia, os brasileiros são otimistas. Não me pergunte o por quê. Esta semana, quando os jornais e os maiores entendidos em economia e política anunciam a pior recessão brasileira pelos próximos 2 anos, pelo menos (!!), ouvi de várias pessoas que a situação melhorou e parece que o ano já está “pegando na rampa”.

Enfim, Lygia, em uma frase? Acredito que a Geração Y sofrerá menos as consequências destes vindouros duros anos do marolão brasileiro, que nós (Gerações acima de 36 anos) sofreríamos. Eles vieram equipados com alguns itens de fábrica, que nós tivemos que adquirir (caro) no mercado.

Sobre a sua 2ª. questão (… como explicar essa limpeza de pensantes feitas pelas redações de jornais e revistas por todo Brasil? Isso poderá mudar?), é ao mesmo tempo mais fácil de explicar e mais complexo de se safar.

Quando mudamos de Era, trazemos conosco os velhos arraigados conceitos da velha Era (que não resolvem problemas da nova era, mas atrapalham bastante!) e não conseguimos apreender e muito menos internalizar os novos conceitos da Nova Era. Assim, resolvemos problemas de uma Era Complexa da forma que costumávamos resolver problemas em uma Era Complicada. Em uma frase: um tremendo erro!

Veja. Não estamos mais vendendo tanto jornal? Fácil: despedimos os maiores salários, os grandes jornalistas, os que fazem as profundas análises, os que nos levam a refletir e a ter uma visão mais crítica. Assim, os jornais que tinham 1 grande diferencial sobre muitas das novas mídias digitais, ficam de um só golpe, além de antiquados, sujos (tinta), insustentáveis (papel), rasos e superficiais. Usar soluções da velha Era para resolver problemas da nova Era, dá nisso.

NOTAS:
1) Clique aqui para um passeio sobre a Nova Era: https://youtu.be/paIATFfWSZM

2) The Cheapest Generation: Why Millennials aren’t buying cars or houses, and what that means for the economy – http://www.theatlantic.com/magazine/archive/2012/09/the-cheapest-generation/309060


28
May 15

De Volta para o Futuro.

De Volta para o Futuro, artigo publicado na 8ª edição GoWhere Business

De Volta para o Futuro, entrevista de 5 páginas com Beia Carvalho na 8ª edição GoWhere Business

Beia Carvalho e o jornalista Reinaldo Azevedo no evento de lançamento da edição.

Beia Carvalho e o jornalista Reinaldo Azevedo no evento de lançamento da edição.

Quando eu palestro, vejo empresas que ainda se protegem do mercado, dos concorrentes, das novas gerações, na tentativa de manter segredos que não são mais segredos para ninguém.

Com uma sólida carreira na publicidade, incluindo 4 Leões de Ouro em Cannes, em 2008 ela viajou no tempo e foi parar 5 anos à frente, ao abrir a consultoria 5 Years From Now®. Seu objetivo: provocar reflexões sobre o que o futuro reserva para o mundo corporativo. Nada de premonições cabalísticas, predições com búzios. Apenas reflexões e projeções de quem conhece o mercado em todas as suas manifestações. No começo, organizou em sua própria casa workshops de 2 dias inteiros, para compartilhar sua experiência com diretores e sócios de empresas. De 2 anos para cá, ampliando o alcance desse trabalho, passou a fazer palestras para empresas de diversos portes e segmentos – como grandes bancos, institutos de ensino, empresas de tecnologia e cruzeiros marítimos.

Logo se tornou uma das profissionais mais requisitadas desse disputado mercado, com um distinção: Beia Carvalho é uma palestrante do futuro. Hoje. Instiga e provoca, dissecando o mundo não-linear em que vivemos e o tipo de profissional que o amanhã vai procurar. Depois que encerra sua apresentação, costuma ser fustigada por perguntas e questões por até 1 hora. Fio o tempo que ela dedicou a GoWhere Business, aqui e agora.

Sobre o que fala Beia Carvalho
Sua empresa tá pronta?

Mudanças exponenciais são a marca da complexidade do século 21. Diga “adeus” àquelas mudanças lineares do século passado. Bons tempos, em que tínhamos tempo para nos adaptar às movimentações locais e globais. Tínhamos tempo para longas, chatas e ineficientes reuniões. Para elucubrações e masturbações mentais. Afinal, o mundo podia esperar.

Só os talentos trazem repostas simples para problemas complexos.
Você está rodeado deles ou de songamongas?

É cruel. Mas quase nada resta às estratégias de micros, pequenas e médias empresas senão compreender, o mais rápido possível, essas significativas mudanças que a aurora de uma nova era nos acena. E sem desculpa para quem não é grande. Estudos apontam que é mais fácil inovar nas pequenas empresas. Porque nas mastodontes, a estrutura engessada não permite movimentos rápidos e cirúrgicos que o novo século reverencia.

Entrevista:
Como é que vai o mercado de palestras neste período de pessimismo empresarial?
Não conheço nenhuma pesquisa, mas é um mercado bombando. Por ser crescente e cheio de oportunidades, atrai todo tipo de gente – desde os com conteúdo aos aventureiros. O mercado é tão atraente que já há cursos e workshops especializados em formar palestrantes. Eu mesma sou constantemente procurada para fazer coaching de candidatos a palestrantes. Cheguei a fazer uma reunião com uma pessoa que tinha decidido s e tornar palestrante que, de cara, disse. “Tenho um problema. Detesto falar em público”. Um pequeno detalhe.

Dos palestrantes do mercado, você é a única que não se limita a falar do presente – projeta um futuro, situado sempre a 5 anos de hoje. Você começou esse ciclo em 2008, portanto há 7 anos. Os primeiros 5 anos comprovaram a sua estimativa?
Quando alguém se propõe a pensar no futuro – e pode ser 5, 10 ou 20 anos – o que primeiro vem à cabeça é o conceito de previsibilidade, tipo Mãe Dinah. Mas minha ideia de viajar para o futuro é provocar o cérebro para uma série de perspectivas: com quem estarei casado em 202? Onde estarei morando e trabalhando em 2020? A excitação cerebral produzida por esse tipo de exercício mental constrói novas sinapses cerebrais, novas ligações. E isso, com a devida orientação, pode gerar avanços. Aliás foi o que fiz nos meus primeiros 5 anos. Uma vez por mês, entre 2008 e 2013 organizei workshops aqui em casa, para sócios de empresas. Eu e minha sócia estudávamos cada empresa durante 1 mês e, dessa preparação, surgia uma intensa dinâmica de 2 dias, fruto de uma vida inteira como planejadora. Se fizéssemos esse trabalho hoje, colocaríamos esses diretores e a empresa deles no ano de 2020. Que tendências estariam influenciando o negócio daqui 5 anos? Suponha que fosse uma locadora de vídeos. Ao fazer o exercício de ir para o futuro, esses executivos começavam a fazer novas ligações – e a despertar para coisas que não estão no seu horizonte do dia a dia, não estão nos jornais, no papo do boteco. Pode ser um exercício para sua vida, para sua empresa, para a sua comunidade, o seu país. O fato é que as pessoas tem uma tendência absurda de colocar 100% de sua energia no dia de hoje – que é o dia mais pronto e sua vida. É um presente que você pega, desembrulha e usa. Um líder não poder ser o cara que está pensando no fim do dia – nem no fim do mês. Pensar no futuro é como fazer exercício físico: dá uma preguiça danada, deixa para amanhã …

Se eu, editor de revistas, fizesse esse exercício com você, no que eu deveria pensar daqui 5 anos?
No universo dos livros e revistas, com os vários segmentos em que elas se especializam, vejo que as coisas plásticas tem um futuro mais garantido – no sentido de que é muito mais bonito ver um parto num papel couché, com supercuidado gráfico, do que vê-lo numa telinha que some a um toque. O mesmo acontece com livros de arte, que também tem essa permanência. O contato com a mídia papel não se perderá tão cedo. Mas evidentemente ela precisa se reciclar. Assim que abaixo para pegar o jornal que deixaram à minha porta, percebo que já vi aquelas manchetes várias vezes ontem nos noticiários da TV, nos sites de notícia e nas redes sociais. O mundo das notícias é o mais complicado. O que eu queria ver num jornal não é a manchete do Jornal Nacional do dia anterior, mas uma análise mais profunda – só que o cara capaz de fazer essa análise já foi demitido.

Todo o futuro que se projeta hoje passa pelas redes sociais, pela internet?
Vivemos num mundo com plataformas de engajamento – das redes sociais aos programas de trocas e de produção de conhecimentos. De qualquer forma, ninguém mais conhece resolver e criar coisas sozinho. Você compartilha seu know-how e ao compartilhar, contribui para a plataforma de conhecimento – por isso o conhecimento dá saltos exponenciais. É a única forma de se produzir soluções para problemas complexos. Quando eu palestro, vejo empresas que ainda se protegem do mercado, dos concorrentes, das novas gerações, na tentativa de manter segredos que não são mais segredos para ninguém. Tem gente que me diz: “você põe seu vídeo na internet, ninguém vai contratar sua palestra”. É ao contrário: me contratam porque eu ponho meu vídeo na internet. Quem não perceber isso ainda não entendeu o mundo. E não serve para trabalhar em sua empresa.

Algum tipo de profissional deve ser mais valorizado nos dias de hoje?
O mundo de hoje precisa de talentos. Tudo o que for passível de ser automatização será robotizado ou terceirizado. Só talentos conseguem resolver problemas complexos de forma simples. E essas pessoas são fundamentais, porque daqui a 2 minutos surge outro problema complexo. É a tal história, você gosta de fazer pão francês? Vá aprender tudo sobre o pão francês, e dos outros pães, da bioquímica à história. Com esse cabedal, você vai ter um lugar 5 years from now. Os talentos que interessam ao futuro são necessariamente complexos.

Quais os temas carro-chefe de suas palestras?
Eu diria que são dois: o das gerações e o da inovação. É a primeira vez que temos 5 gerações convivendo no mesmo mercado de trabalho: A Geração Tradicionalista, os Baby Boomers, a Gen X e as Gerações Y e Z. Mas o x da questão é a Geração Y.

Defina a Geração Y
Situa-se entre 17 e 34 anos e é a primeira geração que, desde a aquisição da fala, vive num mundo com internet. É a primeira geração não-linear e esse é o mote de minhas palestras. No mundo linear, feito em linhas sucessivas, você chega a presidente da empresa subindo linha por linha, degrau por degrau. É um mundo hierárquico. Num mundo não-linear um membro da geração Y entra de repente na sala do presidente da empresa, que é um Baby Boomer, ou pertence à geração Tradicionalista, e este pode achar aquela presença inconveniente e mal educada. Na realidade, quem é da Geração Y, por ser não-linear, não entende por que deve bater à porta e se reverência diante de um superior.

Em sua palestra, você ensina os mais velhos a lidarem com a Geração Y?
O mundo não será do jeito que você quer, mas do jeito que eles querem. Na geração anterior, era muito difícil alguém com 30 anos ser diretor de uma empresa grande – ou um empreendedor. A Geração Y já é diretora, porque é mais precoce. E, dependendo do tipo de negócio dessa empresa, ele está mais apto do que os mais velhos em postos de comando. Porque eles podem eventualmente não ter entendido este mundo não-linear. Eles não entendem porque a palestra da Beia está na internet …

E a Geração Z já está na cola …
Os Y têm irmãos Z – e às vezes têm dificuldades de entendê-los. O mundo vai para frente. E é incrível que, em minhas palestras, ouço de muita gente de alto nível algo como “isso é uma fase” e o mundo vai voltar a ser o que era … A Geração Y é multitarefa – uma consequência de ser não-linear. Está atenta a várias coisas, simultaneamente, com foco em todas – o que para as gerações anteriores pode parecer dispersão. Há exemplos e mais exemplos de que há um gap na forma de adquirir e expressar conhecimentos para a vida entre as gerações mais velhas e a Y.

Mas o cara que atravessa a rua digitando freneticamente no celular não pode ser um boçal?
Mas ele não é atropelado. E você é …

Sua outra palestra muito requisitada é sobre inovação. Em que sentido?
Ela surgiu de meus workshops com empresários. Eles falavam em inovação -mas eu percebia que esse conceito variava muito de diretor para diretor. Para um pode ser dar um Ipod para cada funcionário. Então, dei um passo para trás para discutir com eles o que é inovar – e porque é tão difícil inovar. Por que é fácil falar e escrever sobre inovação e tão difícil fazer? Há empresas gastando milhões de dólares com inovação – com resultados pífios. Inovar não é comprar tendências ou contratar consultor, mas introjetar esse espirito de enfatizar a diversidade, acolher o diferente. Inovação não está na prateleira, mas na cabeça. E nossos instintos querem o conforto das velhas certezas. Além disso, inovação pode, sim, dar errado…Mas, nesta nova era, ou você inova ou você morre.

Cantores pop já mortos sobrevivem pela técnica da holografia.
Haverá palestrantes holográficos?
Na minha palestra mais futurista, a “Se Liga”, mostro o show holográfico de uma rock star japonesa que lota estádios em toda a Ásia. É mais louco ainda, porque não é que ela esteja morta – ela nunca existiu! Mas palestrante virtual ainda está na infância.

Fale com a beia: beia@5now.combr

NOTAS:
O artigo “De Volta para o futuro”, é matéria de capa da 8ª edição especial da Revista GoWhere Business. Foi escrito pelo jornalista Celso Arnaldo Araujo.
O texto acima é uma reprodução fiel do texto publicado.

Beia Carvalho e o empresário Norberto Busto no evento de lançamento da edição

Beia Carvalho e o empresário Norberto Busto no evento de lançamento da edição.

Beia Carvalho, o jornalista Celso Arnaldo e a executiva Tânia Mattana.

Beia Carvalho, jornalista Celso Arnaldo e executiva Tânia Mattana no lançamento da edição.

 


02
Apr 15

Talentos ou songamongas?


2020: Sua Empresa tá Pronta?

Mudanças exponenciais são a marca da complexidade do século XXI.

Se você ainda não disse, diga “adeus” àquelas mudanças lineares do século passado. Bons tempos, em que tínhamos tempo para nos acostumar e nos adaptar às movimentações locais e globais. Tínhamos tempo para longas, chatas e ineficientes reuniões. Para elocubrações e masturbações mentais. Afinal, o mundo pode esperar.

Ah, mas as mudanças exponenciais exigem respostas simples. Respostas que somente os novos olhares sobre esta Nova Era pós industrial podem trazer. E é bom olhar quem está a sua volta, porque quem traz respostas simples para problemas complexos são os talentos.

Você está rodeado deles, ou de songamongas?

É cruel! Mas quase mais nada resta às estratégias de Micros, Pequenas, Médias e Grandes Empresas senão compreender, o mais rápido possível, essas significativas mudanças. Mudanças que a aurora de uma Nova Era nos acena. Pare, olhe e reflita, para se beneficiar rapidamente das vantagens competitivas que a Inovação e a Tecnologia aportam para os negócios.

E sem desculpas para quem não é grande. Estudos apontam que é mais fácil inovar nas pequenas empresas. Porque nas mastodontes – o capital abunda – mas a estrutura engessada não permite movimentos rápidos e cirúrgicos, que o novo século reverencia.

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E depois me conte.

Palestras 5 Years From Now® pela Futurista Beia Carvalho

Palestras 5 Years From Now® pela Futurista Beia Carvalho


24
Mar 15

Sua casa daqui 5 anos: 2020

Ou como seu sempre digo: 5 Years From Now!

Texturas Bizarras, Sensações Estranhas

Texturas Bizarras, Sensações Estranhas

Texturas Bizarras, Sensações Estranhas  
Uma das 7 previsões da IKEA para nossas casas em 2020 (daqui 5 anos)

Marcus Engman, lembra que passamos a maior parte de nosso tempo tocando telas, e o quanto isso é entediante. Ele prevê que no futuro próximo estaremos vivendo numa casa mais tátil, rodeada de tecidos e materiais personalizados (custom-designed), que contrastarão com as polidas telas de smartphones e tablets.

A Morte do Armazenamento
Uma das 7 previsões da IKEA para nossas casas em 2020.

Armazenamento foto de er Jonathan Lin, Flickr

Armazenamento foto de Jonathan Lin, Flickr

Gavetas, armários, estantes costumavam guardar nossos amados livros, discos, CDs e DVDs. Em outras épocas, disquetes. Ao mesmo tempo em que o espaço de moradia está ficando cada vez mais diminuto, toda essa “mobília” subiu para a NUVEM (cloud).

Segundo Marcus Engman, o Manda-Chuva do design da Ikea sueca, as pessoas gostam de mostrar seus objetos como uma forma de mostrar quem eles são. Assim, o que não estiver guardado na nuvem,  não estará escondido em uma gaveta. Ele fala em displays que sejam funcionais, mas também exibicionistas. Como a exposição de peças em um museu. Prateleiras abertas e gabinetes com vidro serão a tendência.

Mobília Inteligente
Uma das 7 previsões da IKEA para nossas casas em 2020 (daqui 5 anos)

Luminárias Inteligentes IKEA: carrega seu celular

Luminárias Inteligentes IKEA: carrega seu celular

No início deste mês, a Ikea lançou uma linha de luminárias que podia carregar via wifi todos seus gadgets. A ideia não é transformar a Ikea numa manufatura de eletrônicos, mas como diz Engman “nossa missão não é vender eletrônicos, mas descobrir como tornar a vida dentro de casa mais fácil e inteligente”. Tão bom e tão raro ver empresas com missões claras!

Mas será que será tão simples assim? Não bastarão as atualizações de aplicativos e vamos ter também que atualizar tapetes, luminárias e sofás? Ah, a Internet das Coisas (IoT).
Ikea deve expor uma Cozinha Conceitual, no próximo mês, em Milão, no Salone del Mobile.

Este artigo é uma adaptação do artigo publicado na FASTCOMPANY em 16/3/2015. Para ler sobre todas as outras previsões clique aqui no artigo de JOHN BROWNLEE, escritor deste artigo para a Fast Company. Seu trabalho já foi publicado pela Wired, Playboy, PopMech, CNN, Boing Boing, Gizmodo. Seu email é: john.brownlee+fastco@gmail.com.

Palestras 5 Years From Now® pela Futurista Beia Carvalho

Palestras 5 Years From Now® pela Futurista Beia Carvalho

Beia Carvalho é palestrante futurista, a 1ª figura feminina a falar sobre Inovação.
Seus temas são aqueles que estão dando um nó em nossas empresas e vidas: Futuro, Gerações e Inovação.


16
Mar 15

O Futuro é um país BEM estrangeiro

Sua Mochila pra Viajar pro Futuro Tá Super Equipada?

Sua Mochila pra Viajar pro Futuro Tá Super Equipada?

Patrícia Lustig é uma futurista como eu e vemos o exercício de futurar de forma muita parecida. Neste artigo, que traduzi livremente, ela usa uma expressão que está no meu primeiro site: exercitar os músculos que viajam para o futuro (exercising your “foresight muscles”). Leia seu artigo:

Se você for a um país estrangeiro, como o Nepal e esperar que ele seja igual a seu país, você vai apanhar. O mesmo acontece quando você planeja o futuro: se você só pensar sobre o hoje e o ontem, você também apanha.

E se a gente morrer e descobrir que Deus é uma grande galinha?? E aí?! - What If? What Else?

E se a gente morrer e descobrir que Deus é uma grande galinha?? E aí?! -What If? What Else?

Lidar efetivamente com qualquer futuro não tem nada a ver com acertar o que acontecerá neste futuro, mas como exercitar o que eu chamo de “músculos da previsão” e se preparar para um leque de potenciais diferentes futuros, exatamente igual você se prepararia para um leque de possibilidades de clima se fosse escalar no Nepal. Quanto mais você esticar seu pensamento para ele trabalhar nos mais diferentes e estranhos potenciais de futuro (e o que você faria diante cada um deles), mais bem preparado você estará para qualquer um deles se e quando eles ocorrerem – e se tornarem o seu hoje.

A pesquisa de Daniel Gilbert indica que as pessoas sempre estimam a quantidade de mudanças que acontecerão no futuro, muito abaixo do que eles já sabem que aconteceu no mesmo espaço de tempo, no passado. E se você adiciona o fator de aceleração das mudanças, a coisa fica bem complicada. Em “De Volta para o Futuro”, Marty McFly vai de 1985 a 1955. Imagine que o filme fosse feito hoje e fosse de 2015 para 1985. Em 1985 não havia celulares, computadores, internet, câmeras digitais, só pra ficar em tecnologia. A diferença dos últimos 30 anos é muito MAIS significativa que a dos 30 anos anteriores. Ray Kurzweil chama isso de Teoria das Mudanças Aceleradas. Ele acredita que o século 21 terá 1000 vezes mais progresso que o século 20. E outros cientistas concordam. Portanto, não é de se admirar que seja tão difícil imaginar quais seriam esses potenciais futuros.

1955-1985-2015

1955-1985-2015

No momento atual todo e qualquer futuro são uma surpresa. Para se preparar para esses diferentes e surpreendentes você tem que liberar seus “músculos de previsão” para cada um destes futuros, e assim criar um plano A, B e C. Você traça um caminho plausível de como você chegaria naquele particular futuro potencial, a partir do hoje. Conceber um caminho ajuda você a notar quando você realmente estiver caminhando por ali, na vida real. Assim, você poderá tirar vantagem do seu Plano B para aquele futuro particular, porque saberá engajar as forças apropriadas e necessárias para obter benefícios para o seu negócio. Você saberá quais são essas forças porque você já havia pensado nelas de antemão.

Aqui estão algumas coisas que você vai gostar de levar em sua mochila, para ajudá-lo a pensar futuros bem ‘futurísticos’:
– Você pode ler ou assistir a ficção científica e anotar coisas que poderiam lhe afetar.
– Você pode prestar atenção aos novos avanços da medicina, tecnologia e do pensamento. Imagine o que pode acontecer quando diferentes tendências se encontram, se fundem e tem bebês.
– Você pode desenvolver um conjunto de futuros potenciais (com uma equipe diversificada) – e desafiar suas suposições e convicções, brincar com loucas ideias e construir sobre as ideias dos outros.
– Você pode perguntar ‘E se …?’ e ‘O que mais?’
– E você pode pensar como é o seu Plano A, B e C para cada um desses futuros potenciais.

Não chegue despreparado naquele país estrangeiro do futuro – tenha a certeza que a sua mochila está super bem equipada.

Palestras 5 Years From Now® pela Futurista Beia Carvalho

Palestras 5 Years From Now® pela Futurista Beia Carvalho

Referências:
Dan Gilbert
A Revolução da Inteligência Artificial

Agradecimentos:
Futurista Rohit Talwar

Beia Carvalho é palestrante futurista, a 1ª figura feminina a falar sobre Inovação. Seu verbo é futurar. Seus temas são aqueles que estão dando um nó em nossas empresas e vidas: Futuro, Gerações e Inovação.


09
Mar 15

Mulheres. Somos perfeitamente imperfeitas.

Beia Carvalho: Dia Internacional da Mulher 2015

Beia Carvalho: Dia Internacional da Mulher 2015. Entrevista Jornal PropMark, 8março2015

No dia 8 de março de 2010, há 5 anos, fechei um artigo* no meu blog com essa esperança:
“Espero que em 8 de março de 2015 possamos CE-LE-BRAR!? Celebrar o valor de homens e mulheres que ao desempenhar a mesma função, recebem o mesmo salário. Celebrar o fantástico declínio da violência sexual contra as mulheres, especialmente em zonas de guerra. Celebrar o fim da discriminação racial e da vileza da intimidação. Uma salva de palmas!”

Infelizmente, passados 5 anos, ainda não podemos bater palmas. Infelizmente, engatamos rapidamente uma marcha ré. Por favor, um uísque triplo, um balde de gelo, uma porrada no meio da minha cara, me tirem do túnel do tempo!

Temos, mulheres e homens juntos, que chegar ao cerne da questão do “feminicídio”, “femicídio” ou simplesmente “assassinato” contra mulheres, justificado sociocultural e historicamente pela dominação da mulher pelo homem e estimulado pela impunidade e indiferença da sociedade e do Estado. Crimes de ódio.***

Números?
ONU estima que 66 mil mulheres tenham sido assassinadas entre 2004 e 2009, em razão de serem mulheres. Impunidade é norma.

Números Brasil?
Quase 44 mil mulheres assassinadas entre 2000 e 2010. Em 30 anos (1980-2010) dobramos o nosso abominável e repugnante status de 2,3 para 4,6 assassinatos por grupo de 100 mil mulheres. Assim, junto com a posição de 7ª. economia do mundo, o Brasil está na 7ª. posição mundial de assassinatos de mulheres. Totais? São 92.000 mulheres assassinadas nestes 30 anos (em 20 anos de Guerra do Vietnã morreram 60.000 americanos). Ah, mas era uma guerra!

Então, vamos falar claramente: os homens estão em guerra contra as mulheres. Com uma diferença gritante: quase metade das mulheres assassinadas morreram nas mãos de seus companheiros ou ex-companheiros e em suas próprias casas. Não há nem a dignidade de declarar a guerra e se colocar como inimigo.

Será isso mesmo?
Será que muitos destes homens não deixaram muito claro para muitas destas mulheres que eram seus inimigos? O que acontece com a gente? Estamos cegas? Ou somos realmente seres tão inferiores que não conseguimos entender que ali é “Perigo, Perigo, Perigo”? Cai fora. Salta de banda.

Segundo os especialistas, homem que espanca mulher, repete. É que nem grapete. E quase metade também espanca os filhos. Mas as mães não dizem que amam os filhos? Que fazem tudo por eles? Oras, então há alguma coisa muito estranha e profunda nesta problemática. Sim, é muito complexo. É por isso que temos que juntar forças e reconhecer a complexidade do problema, que atinge todas as classes sociais, no mundo todo. Mas que aqui é muito, muito grave.

1 milhão abortos clandestinos por ano

1 milhão abortos clandestinos por ano


Neste Dia Internacional das Mulheres, também podemos comemorar as aterrorizantes cifras do aborto clandestino no Brasil: 1 milhão por ano!
E se é pra falar de vida: 1 mulher morre a cada 2 dias devido a abortos inseguros no Brasil. Sabe quem faz/fez aborto? Sua mãe, sua namorada, sua mulher (com ou sem seu consentimento), sua vizinha, sua avó, e sua prima de 16 anos. Mais da metade das mulheres (60%) entre 18 e 29 anos fizeram abortos.**

E de repente, em 2014, tivemos uma confluência de oportunidades incrível: 2 mulheres concorrendo em pé de igualdade a ser a nova presidenta do Brasil! Inacreditavelmente, em pleno século 21, vivenciamos uma realidade ímpar –– nenhuma das 2 representam os nossos anseios mais básicos: ter direitos sobre o nosso corpo. Direitos irrestritos. É muito muito triste. É muito muito desesperançoso. É desempolgante. É um país broxa.

Apatia sexual seria a solução?

Na contramão da tradição japonesa, novas palavras-conceitos surgem a todo momento para abarcar os novos comportamentos sociais/sexuais. Sekkusu shinai shokogun, ou “síndrome do celibato”: 45% das mulheres e 25% dos homens com idade entre 16 e 24 anos “não estão interessados ou desprezam o contato sexual.” A outra palavra: soshoku danshi ou “homens herbívoros,” indica aqueles que não tem interesse por mulheres. E deixei a pérola para o final. Oniyome “esposas do diabo” designa mulheres casadas que trabalham.

Lá, no riquíssimo Japão com altos índices educacionais, está um dos piores sistemas de igualdade entre sexos. Engraçado. Não serão as patentes ou a falta de inovação, que rebaixarão a economia japonesa. Será a falta de bebês para sustentar a economia. Será que bebês virtuais impulsionam a economia? Porque o jogo “LovePlus+,” xodó dos jovens japoneses, simula um relacionamento (não sexual) onde jovens saem de férias, num hotel real, com suas namoradas virtuais.

E em 2030?
A ficção trabalha muitas vezes como uma luz no fim do túnel. Assistindo ao Filme “Ela” (Her) conhecemos Amy, uma nerd que está desenvolvendo um game chamado “A Mãe Perfeita”. No jogo, a mãe perde milhares de pontos porque alimenta os filhos com açúcar refinado. Mas ela pode se redimir e ganhar pontos, ao fazer suas mães rivais sentirem inveja de seus cupcakes. CUPCAKES! Dá um tempo?!? Quase tive um ataque ao ver retratado em 2030, as mesmas pressões que as mães enfrentaram e ainda enfrentam para fazer de tudo para serem Mães Perfeitas.

Se não tomarmos em nossas mãos femininas a tarefa de virar esse jogo, os 16 anos que nos separam do filme ELA vão voar. E, quando menos percebermos, BUM! Estaremos cara a cara com 2030, com as mesmas intragáveis, velhas e irreais expectativas em relação às mulheres e mães, que não trazem felicidade para nenhum dos lados envolvidos.

Dá pra fazer muita coisa de hoje até lá!
Quais são as novas possibilidades de criar e educar as nossas crianças?
O que nós estamos (des)ensinando a nossos filhos e filhas, sobrinhos e sobrinhas, netos e netas, vizinhos e vizinhas, primos e primas, irmão e irmãs? Porque o resultado é que muitos deles estão matando e muitas delas estão sendo mortas.

O que podemos começar a fazer JÁ?
Educar mulheres para serem seres por si e não para e pelo outro. Ensinar homens a serem homens. E que espanquem paredes, oras bolas! E que levem suas fúrias pra longe das mulheres. Mas o que mais? Não vamos deixar isso morrer no jornal de ontem, vamos? Então, bóra fazer o que mulheres sabem fazer de melhor? Conversar? Falar, falar, falar. Sem discriminações. Homens e mulheres vamos juntos nos livrar desta vergonha?

Vamos começar?
Em 2030, tenho a certeza que esses jovens estarão namorando de um jeito diferente e terão expectativas mais construtivas em relação aos diferentes sexos. Não gosto de pensar que essa é uma luta de mulheres. Penso que homens e mulheres, juntos, deveriam se unir para um mundo mais harmônico. Vamos nos magnetizar pela utopia de um mundo mais feliz – e não por um mundo de mulheres e mães perfeitas.

Neste dia Internacional das Mulheres não me venham com os adjetivos que santificam as mulheres: rosa, santa, esposa, mãe, “lá em casa quem manda é ela”. As mulheres não são perfeitas. Não falem, escrevam, reproduzam, incentivem, nem se alimentem machistamente com esta ideia de santidade. Porque quando não correspondemos a esta imagem da Santa Perfeição, os homens ficam muito decepcionados. E quando eles se decepcionam …

Nós somos mulheres. Somos perfeitamente imperfeitas.

Espero que em 8 de março de 2020 possamos CE-LE-BRAR!?Celebrar o valor de homens e mulheres que ao desempenhar a mesma função, recebem o mesmo salário. Celebrar o fantástico declínio da violência sexual contra as mulheres, especialmente em zonas de guerra. Celebrar o fim da discriminação racial e da vileza da intimidação. Uma salva de palmas!

Dia Internacional da Mulher 2015: Pesquisa IPSP MediaCT

Dia Internacional da Mulher 2015: Pesquisa IPSP MediaCT, Jornal PropMark, 8março2015

NOTAS:
A entrevista completa com os dados da pesquisa IPSOS MediaCT e com as entrevistadas Cecília Russo, Marlene Bregman, Judith Brito e eu está aqui: http://propmark.uol.com.br/mercado/52414:mulheres-questionam-hoje-a-propria-responsabilidade-na-continuidade-do-machismo. Por Cristiane Marsola.

* link para o post de 2010:

** dados Pesquisa Nacional do Abortamento (PNA)

*** Em 8.3.2015, num discurso atrapalhado, misto de comemoração ao dia das mulheres, arrocho econômico e programa de governo, a presidente Dilma sancionará no dia de hoje, 9.3.2015, a lei que tipifica feminicídio e o classifica como “crime hediondo”: o que impede que os acusados sejam libertados após pagamento de fiança, estipula que a morte de mulheres por motivos de gênero seja um agravante do homicídio e aumenta as penas às quais podem ser condenados os responsáveis, que poderão variar de 12 a 30 anos. (UOL) Vamos em frente!


07
Feb 15

A Adrenalina do Abutre

Jake Gyllenhaal como Louis Bloom

Jake Gyllenhaal como Louis Bloom

Jake Gyllenhaal, 33 e 13 quilos mais magro vai te aterrorizar. Como Jack Nicholson em ‘O Iluminado. O coração dispara.

“Eu queria parecer e estar faminto”.

Ele interpreta Louis Bloom no filme Nightcrawler ao lado de Bill Paxton e da fenomenal (sou fã) Rene Russo, 60. Dirigido pelo maridão dela, Dan Gilroy, de Legado Bourne (2012) e produzido por Jake.

Louis Bloom é muito louco. Ladrão desempregado, ele é seduzido pelo frisson do submundo do jornalismo criminal televisivo de Los Angeles e com um capital inicial advindo do roubo de uma bicicleta, investe em uma câmera e num rádio para interceptar as frequências da polícia. Assim, se torna um freelancer que registra os acidentes, incêndios e mortes para vender seus vídeos para as estações de TV. Os chamados stringers ou “paparazzi of pain” (paparazzi da dor).

Não, ele não é um freelancer. Ele é um homem de negócios, um empresário. Um viciado em dicas online sobre empreender e liderar. Com uma mente loucamente assombrosa, decora e recita – em improváveis ocasiões – lições de empreendedorismo numa verborragia sem precedentes. Parece estar lendo aqueles posts que nos acostumamos a ver em redes sociais como LinkedIn, sites de coaching e outras chatices. Mas ele não apenas estuda, ele pratica. E nos prova, ironicamente, como se tornar uma liderança empresarial autodidata. Obstinação, disciplina, amoralidade, foco e tempo dedicado a estudar pela internet.

O filme nos ameaça com a constante dúvida sobre o que é moral, ético e legal. Onde está a fronteira? Louis facilmente borra essa linha-limite entre o observador e o participante para se tornar a estrela de sua própria história e de sua marca, a “Video Production Services” (Cultured Vultures). Punir a desobediência de forma cabal e matar a concorrência são tarefas levadas a sério e no sentido literal pelo “empresário” Louis: “I can’t jeopardize my company’s success to retain an untrustworthy employee” (Não posso prejudicar o sucesso de minha empresa para reter um funcionário em quem não confio).

No vídeo abaixo você pode assistir ao Jake Gyllenhaal falando de sua personagem: “Ele faz parte de uma geração de pessoas que está procurando emprego num mundo onde os próprios empregos estão sendo redefinidos.”

Você vai sentir todas aquelas fortes sensações e emoções, que os bons thrillers nos despertam. Taquicardia. Medo. Pânico. Repugnância. Aversão. Ansiedade. Vai rir, um pouco, nervosamente. E de forma bem amoral, mas extremamente eficiente, vai compreender na prática conceitos, dicas e visões de empreendedorismo, branding, marca, equipe e marketing pessoal.

Vale por um curso de Capitalismo? Marketing? Branding? Com bem mais adrenalina que numa entediante sala de aula.

Notas:
Filme: Nightcrawler, dirigido por Dan Gilroy, 2014.
Atores principais: Jake Gyllenhaal, Rene Russo, Bill Paxton e Riz Ahmed.

Cultured Vultures

Rene Russo em Nightcrawler

Rene Russo em Nightcrawler


03
Jan 15

Caipiras e Urbanóides

Donna Douglas, A Família Buscapé. 1933-2015

Donna Douglas, A Família Buscapé. 1933-2015

Eu era fã. Minha família toda era. Estávamos lá todas as semanas nos divertindo juntos. A TV ficava numa área de piso frio, o que era muito bom, pra quem morava em Bauru, sem ventiladores, nem ar condicionado.

A Família Buscapé – The Beverly Hillbillies – foi uma das primeiras sitcoms (situation comedies) da TV americana. Produzida pela CBS com 274 episódios – 106 em preto e branco (de 1962 a 1965) e 168 em cores (1965 a 1971). Nos divertíamos e aprendíamos bastante com a família caipira que havia ficado rica ao encontrar petróleo no quintal de casa e se mudado para uma das mansões de Beverly Hills, na Califórnia.

É dos anos 1960 também a criação do cartel OPEP – Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Desde então, os países membros controlam refinadamente as “torneirinhas” do óleo negro balouçando os preços mundiais a seu bel prazer e interesses. Sou leiga no assunto, estou aqui googando, me perdendo e me achando com tanta informação. Me deparo com um tal relatório LINK, também dos anos 1960. Uma boa leitura para quem se interessa pela história da Petrobrás. Quem se aprofundar, poderá traçar algum paralelo entre os conselhos (desprezados, à época, pela esquerda) do geólogo americano e alto funcionário da Petrobrás, Walter K. Link, e os milhões do Pré-Sal.

De 1961 a 1964, a Petrobrás, como ‘criança teimosa’, só perfurou onde Mr. Link desaconselhou. Jogou centenas de milhões de dólares no lixo, sem produzir petróleo comercial. “Com o Brasil falido e em terrível crise cambial, o regime militar adotou as providências de Mr. Link, a partir de 1964. Logo no segundo poço perfurado no mar, o petróleo apareceu. Entre março de 1960 e março 1964, a produção de petróleo do Brasil caiu, e, entre março de 1964 e 1969, esta produção mais que dobrou.”

Donna Douglas era a linda filha caipiríssima da família. Morreu aos 81 anos. No primeiro dia do ano de 2015.

Era uma família ingênua em relação aos desafios da cidade grande. Mas desafiavam os parcos conhecimentos de seus urbanóides sobre a natureza com sua afiada cultura rural. Enquanto a previsão da TV anunciava um belo dia de sol, o pai – vindo dos cafundós do Arkansas – afirmava categoricamente que iria chover, porque as formigas, em seu belo jardim, estavam se recolhendo. E chovia.

NOTAS:
WIKIPEDIA:
A Familia Buscapé: http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Beverly_Hillbillies
O Relatório LINK, de Walter K. Link. http://pt.wikipedia.org/wiki/Relatório_Link


11
Dec 14

Quer a dica para seu evento do fim de ano?

Beia Carvalho é Palestrante futurista: Vamos FUTURAR pra FATURAR!

Beia Carvalho é Palestrante Futurista: Vamos FUTURAR pra FATURAR!

A disposição para INOVAR tem a ver com estados de espírito e comportamentos que não estavam em voga no século passado, como aprender e trabalhar com a diversidade, celebrar a heterogeneidade, compartilhar conhecimentos gratuitamente, exprimir ideias dissidentes e divergentes.

A inovação não acontece na ordem. A Era passada foi uma era ordenada, industrial, produtos iguais numa produção em escala. Quanto mais igual melhor!

É preciso uma certa disposição interna para inovar. Podemos inovar em nossa família, nossa comunidade, escola, empresa, estado. No namoro, no casamento. Inovar é vencer a batalha contra os nossos instintos, que querem o conforto das nossa velhas certezas.

Inovar não é uma decisão, uma tarefa a ser cumprida. Não passa pelo crivo dos benefícios e seus potenciais riscos como a compra ou não de uma determinada máquina. Há riscos, haverá erros e os benefícios serão uma incógnita. Mas na nova era da inteligência em rede a opção é INOVAR ou MORRER.

Vamos levar essas indagações para seu time repensar 2015?

Criei o conceito 5 Years From Now® porque me apavora como pessoas e empresas passam todas as horas do dia de hoje pensando em como mudar o presente. E não dedicam 1% de seu tempo para o futuro, onde nada existe e tudo pode acontecer.

5 anos é perto o bastante pra se imaginar e longe o suficiente pra você sonhar.

Quer falar de FUTURO? Fique com a original: 5 Years From Now®

Quer falar de FUTURO? Fique com a original: 5 Years From Now®