Eu nunca tinha ouvido falar, mas eles já estão na estrada há 25 anos. Chamados simplesmente “A Banda”, eles são 10 na percussão, 10 nos metais, mais surdo, repenique, caixa e as 5 lindas e loiríssimas dançarinas com exclusivíssimas coreografias – que mais deixam os machões babando por suas belezuras escandinavas, que realmente pelo samba no pé.
São dinamarqueses em sua maioria, suecos, um argentino aqui, um espanhol ali, que tocam de Marchinhas, Frevo e Maracatu a Afoxé e Samba Reggae, e tem agenda cheia, o ano inteiro, na Escandinávia, Europa e aqui no Brasil.
A maioria dos fundadores – exilados políticos dos anos 60 – participavam da ‘Copenhagen’s Rhythmic Evening School’, nos anos 80. Eram uns 50, e alguns dos membros originais ainda continuam na banda: o que explica a anarquia e descontração nada usual nos escandinavos.
O que faz esta banda passar todos os anos por Canoa Quebrada, Ceará? Aqui, dentre as várias colônias européias, há a famosa Pousada do Toby, responsável por despejar por estas bandas centenas destes vikings que mais conhecemos por livros, que na vida real.
Ainda mais bacana é que eles são uma Escola: “Se você gosta da música brasileira, gosta de se divertir e sabe tocar qualquer um dos instrumentos aplicáveis (ou sabe dançar samba ou pagode), provavelmente é um bom candidato a entrar para a A Banda”. As aulas/ensaios são obrigatórios 4 vezes ao mês e se paga US$ 10 mês para se juntar ao grupo. Eles tem um Comitê Executivo de 9 membros eleitos para a gestão de 1 ano.
Fico imaginando que os meses de ensaio mais pesados para se prepararem para o Carnaval brasileiro coincidem com a neve caindo lá fora, dias de apenas 4 horas de luz e temperaturas muito abaixo de zero. Haja disciplina! Mas como diz uma das maiores autoridades em felicidade, a psicóloga russa Sonja Lyubomirsky, “as pessoas felizes são mais bem-sucedidas”.
Muita coisa chama a atenção nesta banda que parece ter encontrado a receita do mix entre a seriedade e descontração. Talvez, por isso não seja tão surpreendente o fato de fecharem o site com a “A Nossa Visão de Futuro”, que reproduzo abaixo:
-Aumentar a amizade e coleguismo dentro da “A Banda”
-Melhorar ainda mais o nível do grupo das dançarinas
-Adquirir novos talentos para o grupo
-Desenvolver nossas habilidades em termos de pagode e samba de salão
-Melhorar a divulgação da “A Banda”
-Redigir nosso primeiro demo-vídeo
-Cultivar novos mercados para “A Banda”
Apesar do mix entre visão, missão e metas, dá para sacar que ao escreverem a visão, começaram a ordenar a cabeça, suas decisões no presente e reescrever o futuro da “A Banda”.
fotos: Canoa Quebrada, 20FEV09
Sonja Lyubomirsky, PhD pela Universidade de Stanford, “A Ciência da Felicidade”, publicado no Brasil em 2008
Tags: negócios & fun, visão


