Empreender é assim como esse vídeo: emocionante, vibrante, exagerado, experiencial, instigante, intrigante, fodástico, orgasmático, intenso, incrível, inimaginável, impensável, incomensurável, fabulous e dá um PUTA de um MEDO! Ah, e vale!
Algumas coisas na vida tem que ser vividas de corpo e alma. Não dá pra sentir sua grandiosidade nem mesmo na telona do cinema. Antes de conhecê-lo, não entendia a fixação dos americanos em mostrar filmes produzidos no Grand Canyon. Ao contrário de outros assuntos, quanto mais se sabe, menos impressionante nos parece. Moldado pelo rio Colorado durante milhares de anos, tem 446km de comprimento, 30km de largura e 2km de profundidade. Uma das 7 maravilhas do mundo, habitado por 5 tribos indígenas, os Hopi, Navajo, Havasupai, Paiute and Hualapai, e aí?
Do Planeta dos Macacos, à genialidade de Thelma & Louise, (“It’s the goddam Grand Canyon!” ?responde Susan Sarandon à Geena Davis), nada se compara ao estar lá. Por isso, o espanto de Louise não nos causa a empatia pretendida pelo diretor que ali está – embevecido por um dos mais inesquecíveis espetáculos: o amanhecer no Canyon.
A minha (recomendada) caminhada ladeira abaixo de 13km até o rio Colorado, começa às 4h da manhã. E você tem só até às 9 pra chegar lá embaixo, antes do sol te comer viva. Paramentada com tudo de especial, meias, botas, cantil e amendoim pra dar sede e você não se esquecer de tomar água. O canyon é um deserto, você não sua, porque não há umidade no ar. E isso faz você se esquecer de ingerir líquidos. Pelo caminho, esquilos, bambis, águias vaondo com uma cobra no bico e cores. Muitas cores. A cada 10 minutos rochas mudam de cor. E mudam de novo e mais uma vez. Mais de 7 km chutando pedra e uma parada no oásis: sombra de árvores e água potável. Ah, que benção é o oásis. Descansou? Bóra enfrentar o restinho que falta: um pequeno e interminável deserto de areias fofas. Já é de manhã, o sol rachando na cabeça. A bota afunda a cada passo e pesa 1 tonelada pra sair da areia. A mochila, 2!
Já dá pra vislumbrar ao longo da trilha as águas do Colorado, enquanto os pés chafurdam pesadamente na areia incandescente.
Agora só falta atravessar a ponte. Parece miragem. Nunca chega. Mas chega. Arranco as meias e botas e mergulho os doloridos pés, já com bolhas, no escuro e deliciosamente gélido rio Colorado. Ah o paraíso existe! A volta, só amanhã de madrugada. Fico ali, catatônica. Pés estraçalhados dentro da água, contemplando o verde. Amanhã tem mais ocres, marrons e azuis, sem verdes.
Contemplação, “otium” [ócio], “uma forma de lazer dedicada às coisas do espírito”*. Momentos em que a mente se alimenta. Jamais esquecerei aquele dia. Grandes idéias vem deste “verdadeiro repouso”*, uma pausa para o “negotium” [o comércio].*
Quando John Powel dirigiu a primeira expedição ao desfiladeiro, em 1870, referiu-se ao Canyon como “páginas de um belo livro de histórias”. É incrível como há coisas incríveis que fazem uma incrível diferença nas páginas do belo livro da história das nossas vidas. Coisas que fazem a vida valer incrivelmente a pena de ser vivida.

Grand Canyon & Beia Carvalho

Rio Colorado: enfim o descanso dos justos. Grand Canyon & Beia Carvalho
Notas:
-Todos os créditos do vídeo neste link: World’s Most Insane Rope Swing Ever!!! – Canyon Cliff Jump
Música do vídeo é “Kitten Air” do novo álbum do Scott & Brendo, aqui no iTunes: http://bit.ly/15I54vR .Amazon:http://amzn.to/ZGWMnh
– * Marc Fumaroli, professor honorário do Collège de France, no Le Monde.
– Texto originalmente publicado na Revista Results On Negócios Inteligentes, em maio 2009.
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