
Tom Zé num disco com Caetano, Milton e a Geração Y
Gilmara obrigada pelo cutucão. É muito difícil fazer crítica de ídolo. Mas vamos lá!
Ouvi a nova música de Tom Zé, que você me enviou 2 vezes. Queria fazer a crítica assim, sem muita elucubração. Mas nada é muito simples com Tom Zé, não é?
Acho que ele fala – no sentido de ser ouvido, de se comunicar – mais com a Geração X (38 a 49 anos – nascida entre 1965 e 1976) ou com os mais velhos da Y (17 a 37 anos) que com o grosso da Geração Y. De bate pronto, me pareceu que se a música tivesse sido feita há uns 7 anos, teria uma chance de causar entre esses jovens.
Porque tudo isso que nos encanta, nos enlouquece, nos irrita, nos tiraniza – essa “tecnologia” citada na música, Ipod, Ipad, laptop, HD, wireless – é básico, é a vida da geração Y, é o ambiente que vivem. No big deal. Assim é. Quem dá importância a isso a ponto de listá-las numa música somos nós, as outras gerações: Tradicionalistas nascidos antes de 1946, os Baby Boomers como eu, entre 50 e 68 anos e a X. Nós é quem somos “esquisitos”. Porque tecnologia só é tecnologia se quando você nasceu ela não existia.
Os nomes ou apelidos dados às gerações, datas e suas descrições, pouco importam. O que é inegável, é que somos imigrantes desta nova Era. E como tal, temos sotaque. Dá pra sacar de looonge que “não pertencemos”, que nos assustamos com o novo. E, finalmente, quando passamos a compreender este novo, a ponto de brincar com seus conceitos e suas novas palavras, o mundo já mudou. E fica esse sabor de música que rançou.
As gerações anteriores à Y e Z querem ensinar ditando. Mas são elas quem tem que aprender como se caça,como se vive e, talvez, como fazer sucesso nesta nova fronteira. E como sempre digo, mal entendemos a Geração Y e a Z já está a caminho do mercado. E em menos de 1 ano estará estressandoainda mais as atuais e esgarçadas relações com o poder político, social, corporativo e educacional. Um embate com as gerações que estão hoje no poder. Inclusive com a Y, que não entende os Zes! Pasme!
E de repente, a música salta para um “transumano”, um salto para 2030. Talvez aí, uma tentativa de falar se ser ouvido pela geração do título da música, cujos representantes mais velhos estarão com 50 anos em 2030, e vivendo a propalada Era da Singularidade, do homem 2.0.
Ontem ouvi a palestra da futurista Martha Gabriel que diz que no futuro seremos cada vez mais depressivos. Neste sentido, a música combina com esse mood distópico. Me soou arrastada e deprê. Ah, e que numa Era complexa, devemos ser cada vez mais humildes.
Sobre o ser político “daqui alguns anos vamos ter que governar”, guguei e rapidamente e descobri esses dados (não checados). Brasileiros entre 21 e 34, representem quase 1/4 da população e ocupam menos de 8% (40) das 513 cadeiras da Câmara. “E 32 dos parlamentares mais jovens da atual legislatura – que não têm idade para cobiçar uma vaga no Senado – são originários de famílias que usufruem ou já experimentaram do poder político. Entre eles, 26 são herdeiros diretos de ex-governadores, ex-ministros, deputados, senadores, prefeitos e vereadores. Onze deles adotam Filho, Júnior ou Neto no nome parlamentar. Outros 6 herdaram o prestígio de tios e primos famosos no meio político.”*
E é Tom Zé que dá o recado “… uma renca de parentes atender. Puta que tragédia desaba sobre nós”**
Obrigada, Gilmara.
NOTAS:
* Sem renovação: jovens são parentes de políticos http://www.politicosbrasileiros.com.br/portal2/noticias/44destaques-nacionais/203-sem-renovacao-jovens-sao-parentes-de-politicos.html
** Geração Y, Tom Zé: http://rollingstone.uol.com.br/blog/sobe-o-som/exclusivo-tom-ze-coloca-geracao-y-contra-parede-em-primeira-musica-do-novo-disco-ouca



































