28
Apr 13

Google Glass vai Disruptar os Aparelhos Auditivos?

O Som da Disrupção

O Som da Disrupção

Este artigo foi publicado há 2 dias, 26 de abril de 2013. Achei que deveria traduzí-lo. Talvez, porque como o autor, também faço parte da geração Baby Boomer. Esta aí, pra quem se interessar. Particularmente, me encanta a disrupção do Google Glass e como a frase que dizem ser de tantos mestres (de Benjamin Franklin, General  Patton ao jornalista Walter Lippmann): “quando todo mundo está pensando igual, ninguém está pensando muito”, se aplica como uma luva nestas considerações abaixo do inovador Thomas Frey. Agora, o artigo, na minha livre tradução. Infelizmente, o blog está com um problema e não consigo postar as imagens correspondentes ao artigo.

Aparelhos auditivos são para pessoas velhas. Pelo menos, isso é o que eu pensava quando eu era jovem e invencivelmente ia aos shows de rock muito mais altos do que eles deveriam ser. Mesmo tendo mantido minha audição relativamente intacta, faço parte da geração baby boomer que está ficando velha e por seu tamanho (75 milhões de americanos nasceram entre 1945 e 1965) ameaça a saúde financeira do sistema de saúde. Pessoas acima de 65 anos gastam de 3 a 5 vezes mais que os mais jovens para cuidar da saúde. Assim, a menos que a gente descubra uma forma de disruptar esta tendência de forma radical, vamos ter que lidar desesperadamente com essas questões financeiras – uma conta que não fecha.

Como uma pedrinha atirada no imenso lago dos custos da assistência médica, uma das tecnologias mais verdadeiramente disruptivas para a indústria dos aparelhos auditivos pode ser o Google Glass com as suas capacidades de transmissão de áudio por condução óssea. As 3 características que dão ao Google Glass este potencial disruptivo são: a  eliminação do aparelho no ouvido, a capacidade de processamento do microprocessador e uma API aberta que permite aos nerds do mundo a desenvolver aplicativos muito mais engenhosos que qualquer coisa existente hoje. Aqui estão algumas reflexões sobre porque esse micro-subcategoria do Google Glass está muito perto de causar um impacto massivo.

Evolução Aparelhos Auditivos

Evolução Aparelhos Auditivos

História dos Aparelhos Auditivos 

Após a invenção do transistor em 1948, os aparelhos auditivos começaram a encolher de tamanho. As primeiras ideias são dos anos 1700s com a criação de aparelhos que lembravam conchas que permitiam que as pessoas captassem uma ampla esfera de sons e focá-los dentro do seu ouvido. Apesar de nunca terem funcionado muito bem, foram eles que impulsionaram novas gerações de aparelhos eletrônicos que começaram a pulular após a invenção do telefone de Alexander Graham Bell, em 1876. O primeiro aparelho auditivo, chamado Akouphone, foi criado por Miller Reese Hutchison, em 1898. Usava um transmissor de carbono, para que o aparelho pudesse ser portátil.

Mais tarde, a Siemens começou a comercializar seu aparelho de audição amplificada, em 1913. O aparelho era um tijolão e pouco portátil. Como indústria, mesmo, os aparelhos auditivos pegaram depois do desenvolvimento do transistores, em 1948 pelos Laboratórios Bell. Com o passar do tempo, eles forma ficando cada vez menores, mais fashion, e com capacidade auditiva extremamente melhor.

Tendências da População

Nossa população baby boomer nos EUA (o mesmo acontece em outros países) aumentará dramaticamente a demanda por produtos que tenham a ver com saúde, já que pessoas com idade acima de 65 gastam 300-500% mais com assistência médica que pessoas abaixo de 65. O número de pessoas acima de 65 aumenta rapidamente, e aumenta também os níveis de atividades. Se foram aqueles dias quando velhos estavam relegados a sentar numa cadeira de rodas na varanda esperando por seus últimos anos de vida. Os mais velhos de hoje são mais ativos, e querem soluções para qualquer obstáculo que limite suas capacidades.

Evolução de Preços em 10 anos

Evolução de Preços em 10 anos

Tendências de Preços 

Como você pode ver no quadro acima, o preço da maioria dos produtos eletrônicos – câmeras, laptops, TVs e até sistemas de GPS – caiu em média pela metade! A combinação da concorrência de mercado com baixos preços de fabricação no extremo oriente racionalizaram os processos de produção e derrubaram os preços. As únicas exceções nos exemplos acima são os MP3 players e os aparelhos auditivos. Os MP3s experienciaram um salto de preços porque suas capacidades avançaram exponencialmente nesta última década partindo de uma memória de 128MB (quase 12 músicas) em 2000 para chegar a 160G (40.000 músicas) ou mais hoje em dia. Os preços dos aparelhos auditivos subiram em parte porque eles estão cobertos pelo seguro e também por puro aumento da demanda. É uma indústria bem posicionada para uma revisão radical.

Google Glass

Google Glass

Google Glass é uma tentativa de liberar as pessoas de seus computadores e acabar com a necessidade bizarra de checar seu celular a cada minuto. Google Glass dispõe a mesma informação num campo de visão bem em frente aos seus olhos. Essencialmente, Google Glass é uma câmera, um display, um touchpad, microprocessador, bateria e um microfone dentro de um óculos. O display está um pouquinho acima do campo de visão normal de uma pessoa, mas fácil de ver. A superfície de visão equivale a estar olhando uma tela de 24 polegadas a uma distância de 20 centímetros. Quando tivermos um display presente o tempo todo em nossas cabeças dá margem a uma série de usos óbvios como tirar, enviar e receber fotos, vídeos, buscas, reconhecimento facial, lembretes de calendário, flashes das últimas notícias e muito mais. Mas um dos mais intrigantes pensamentos é que o Glass se tornará uma interface perto-do-cérebro capaz de agregar um sem número de dispositivos.

Na atual versão do Glass você pode conectar seu óculos escuros e em pouco tempo suas lentes de grau também. Glass não tem aquele típico dispositivo para a orelha, ao invés disso, transmite o som por condução óssea. O uso desse tipo de amplificação sonora não-intrusiva cria a possibilidade de um dispositivo para ser usado como um aparelho auditivo para pessoas com baixo nível de perda auditiva. Naturalmente, um sem número de gadgets internos podem ser agregados para compensar qualquer tipo de perda de audição.

Criar aplicativos para o Google Glass é muito diferente que criar para smartphones Apps para Aparelhos Auditivos A abordagem do Google é única. O som é capturado pelo aro do “óculos google” e convertido em algo “escutável” através da transferência de condução óssea – vibrando seu crâneo para transmitir para seus ouvidos. Partindo do princípio que perda de audição acontece em milhão de diferentes formas e tamanhos, achar a solução perfeita para cada um tem sido um sonho ilusório.

Mas ao colocar um aparelho como este nas mãos de pessoas que estão fora do pensamento dos atuais líderes da indústria abre-se um mundo de novas possibilidades. Apenas agregando aplicativos de equalização (EQ apps) que se autocorrigem, baseados na micro-detecção de respostas humanas normais, poderia melhorar nossas habilidades em milhares de vezes. Com vários dispositivos direcionais, nós poderemos ter, em breve, um habilidade biônica de concentrar nossa atenção numa conversa a 1 milha de distância, ou ouvir através das paredes, ou ouvir os sussurros dentro de uma sala super barulhenta. Também é possível pensar num app que possibilitará ver a tradução instantânea de uma conversa que estivermos tendo num país estrangeiro, em nossa própria língua no display do Óculos Google. Sim, melhorias sensoriais como essa podem ser, a princípio, assustadoras, e haverá muitos abusos, mas quando é que nós ficamos satisfeitos em nos confinar em nossas habilidades do presente?

Pensamentos Finais

Como você pode ver, eu foquei num pequeno aspecto das capacidades do Google Glass. Mesmo assim, o impacto pode ser enorme! Grosso modo, 25% da população americana sofre de algum nível de perda de audição, mas afeta 100% da população direta ou indiretamente em algum ponto de suas vidas. O mercado americano de aparelhos auditivos é uma indústria de $6 bilhões que só de olhar essa população de velhos que em curto prazo estará dobrando de tamanho já está só lambendo os beiços. No entanto, eles nunca imaginaram que seu maior concorrente poderá, em pouco tempo, ser o Google, um rival que pouquíssimas empresas querem ver entrando em seus espaços.

Mas isso é apenas uma única possibilidade. Eu adoraria ouvir suas ideias sobre as disrupções que o Google Glass pode trazer, ou se você pensa que tudo isso pode fracassar. Ou se a Apple ou a Samsung criarão um produto muito melhor para concorrer com o Google Glass? Poste seus pensamentos abaixo.

Créditos: Thomas Frey é o editor de inovação da revista THE FUTURIST. Seu Web site is Futuristspeaker.com

Nota: Assim que o blog voltar ao normal, postarei as fotos e gráficos originais correspondentes a este artigo.


04
Mar 13

“It’s the goddamn Grand Canyon!” ?

Empreender é assim como esse vídeo: emocionante, vibrante, exagerado, experiencial, instigante, intrigante, fodástico, orgasmático, intenso, incrível, inimaginável, impensável, incomensurável, fabulous e dá um PUTA de um MEDO! Ah, e vale!

Algumas coisas na vida tem que ser vividas de corpo e alma. Não dá pra sentir sua grandiosidade nem mesmo na telona do cinema. Antes de conhecê-lo, não entendia a fixação dos americanos em mostrar filmes produzidos no Grand Canyon. Ao contrário de outros assuntos, quanto mais se sabe, menos impressionante nos parece. Moldado pelo rio Colorado durante milhares de anos, tem 446km de comprimento, 30km de largura e 2km de profundidade. Uma das 7 maravilhas do mundo, habitado por 5 tribos indígenas, os Hopi, Navajo, Havasupai, Paiute and Hualapai, e aí?

Do Planeta dos Macacos, à genialidade de Thelma & Louise, (“It’s the goddam Grand Canyon!” ?responde Susan Sarandon à Geena Davis), nada se compara ao estar lá. Por isso, o espanto de Louise não nos causa a empatia pretendida pelo diretor que ali está – embevecido por um dos mais inesquecíveis espetáculos: o amanhecer no Canyon.

A minha (recomendada) caminhada ladeira abaixo de 13km até o rio Colorado, começa às 4h da manhã. E você tem só até às 9 pra chegar lá embaixo, antes do sol te comer viva. Paramentada com tudo de especial, meias, botas, cantil e amendoim pra dar sede e você não se esquecer de tomar água. O canyon é um deserto, você não sua, porque não há umidade no ar. E isso faz você se esquecer de ingerir líquidos. Pelo caminho, esquilos, bambis, águias vaondo com uma cobra no bico e cores. Muitas cores. A cada 10 minutos rochas mudam de cor. E mudam de novo e mais uma vez. Mais de 7 km chutando pedra e uma parada no oásis: sombra de árvores e água potável. Ah, que benção é o oásis. Descansou? Bóra enfrentar o restinho que falta: um pequeno e interminável deserto de areias fofas. Já é de manhã, o sol rachando na cabeça. A bota afunda a cada passo e pesa 1 tonelada pra sair da areia. A mochila, 2!

Já dá pra vislumbrar ao longo da trilha as águas do Colorado, enquanto os pés chafurdam pesadamente na areia incandescente.

Agora só falta atravessar a ponte. Parece miragem. Nunca chega. Mas chega. Arranco as meias e botas e mergulho os doloridos pés, já com bolhas, no escuro e deliciosamente gélido rio Colorado. Ah o paraíso existe! A volta, só amanhã de madrugada. Fico ali, catatônica. Pés estraçalhados dentro da água, contemplando o verde. Amanhã tem mais ocres, marrons e azuis, sem verdes.

Contemplação, “otium” [ócio], “uma forma de lazer dedicada às coisas do espírito”*. Momentos em que a mente se alimenta. Jamais esquecerei aquele dia. Grandes idéias vem deste “verdadeiro repouso”*, uma pausa para o “negotium” [o comércio].*

Quando John Powel dirigiu a primeira expedição ao desfiladeiro, em 1870, referiu-se ao Canyon como “páginas de um belo livro de histórias”. É incrível como há coisas incríveis que fazem uma incrível diferença nas páginas do belo livro da história das nossas vidas. Coisas que fazem a vida valer incrivelmente a pena de ser vivida.

Grand Canyon & Beia Carvalho

Grand Canyon & Beia Carvalho

Grand Canyon & Beia Carvalho

Rio Colorado: enfim o descanso dos justos. Grand Canyon & Beia Carvalho

Notas:
-Todos os créditos do vídeo neste link: World’s Most Insane Rope Swing Ever!!! – Canyon Cliff Jump
Música do vídeo é “Kitten Air” do novo álbum do Scott & Brendo, aqui no iTunes: http://bit.ly/15I54vR .Amazon:http://amzn.to/ZGWMnh

– * Marc Fumaroli, professor honorário do Collège de France, no Le Monde.
Texto originalmente publicado na Revista Results On Negócios Inteligentes, em maio 2009.


24
Feb 13

A ousadia da geração Y e sua ascensão

Beia Carvalho: A ousadia da geração Y favorece a promoção

Beia Carvalho: A ousadia da geração Y favorece a promoção

 

É sempre bom saber que a gente é fonte para alguns assuntos. Principalmente, quando é para a Folha de S.Paulo. Mais uma vez, somos consultadas sobre o tema da Geração Y. Um tema que a+do+ra+mos e sempre queremos falar. Porque o primeiro passo para entender os tais profissionais “impacientes, infiéis e insubordinados”, os “ipisilons”, todo mundo sabe, mas poucos dão: é deixar o preconceito de lado e conhecer, fuçar, aprender, googar. Esbravejar com “insubordinados” não vai mudar nada, mas pode piorar muito.

Veja abaixo a nossa contribuição para a matéria de Reinaldo Chaves “Profissional assume cargo de gerência cada vez mais cedo” e, ao final, o link para o texto integral.

A ousadia da geração Y é um aspecto que favorece a promoção de jovens à gerência. A presidente da consultoria 5 Years From Now, Béia de Carvalho, afirma que esses profissionais sabem executar diversas funções ao mesmo tempo, têm afinidade com a tecnologia e sabem compartilhar a liderança. Carvalho diz que “é quase uma lei na gestão moderna usar a liderança compartilhada”, ou seja, não se isolar dos subordinados na hora de tomar uma decisão. “Só que as gerações mais velhas não sabem agir assim. Os jovens, no entanto, já nascem compartilhando tudo”, diz.

Na realidade, para mim, o aspecto mais interessante da liderança compartilhada é o fato de que a cada momento em que um assunto/problema se impõe, liderará o processo de solução a pessoa mais capacitada e que mais entende daquele assunto. Neste novo formato, a liderança não é fixa, não está umbilicalmente ligada ao poder e, sim, ao conhecimento, à experiência, ao jogo de cintura. Assim, o conceito de chefe passa a ser nômade, ambulante. A empresa tem a sua produtividade catapultada pelo liderança dos melhores.

E pra quem ainda tem dúvidas dos novos ares dos novos tempos, dê uma olhada neste vídeo sobre a entrevista de trabalho mais doida que você já viu.

Matéria completa da Folha de S.Paulo, domingo 24/2/2013
Profissional assume cargo de gerência cada vez mais cedo
Demografia, tecnologia e falta de mão de obra impulsionam a promoção de pessoas com menos de 30 anos para postos de comando


24
Feb 13

Tapa na Cara

Eu procrastinador?

Eu procrastinador?

Ninguém melhor do que nós mesmos pra saber e sentir o quanto a nossa atual atividade está inadequada ao nosso momento de vida. Motivos? Cada um tem os seus. E para cada um de nós são os mais terríveis possíveis. De chefes tiranos, escravidão de horas a fio, atividades sem sentido, sem avaliação, involução de carreira, baixos salários, baixa autoestima. Putz, vamos parar por aqui.

O fato é que todo dia tem alguém tremendamente insatisfeito com o seu trabalho no mundo. Mas por que é tão difícil dar um pé na bunda e virar a mesa?
É que falta uma faísca, um chacoalhão, um “tapa na cara”, o alerta de uma imagem tão forte quanto o alce deste comercial da Monster, que nos tira do conforto de nossas velhas certezas – e faz jus ao mais famoso dos sensos de humor, o inglês.

Ah, depois penso numa foto pra por aqui!

Ah, depois eu penso numa foto pra por aqui!

Porque quando estamos tão envolvidos, que parece que mergulhamos numa cratera, só sairemos de lá com uma ajuda de fora – com aquela mãozinha. Aqui, na 5 Years From Now® a gente gosta de se ver como esta mãozinha fora do problema técnico dos nossos clientes.

A Monster.Uk.Com é uma empresa que oferece vagas e aconselhamento de carreira. Em seu Facebook, diz “encorajar cada pessoa a destampar seu potencial, porque sabem o que é necessário para crescer, desenvolver, melhorar e avançar na carreira e na vida como ninguém”. E que estão à procura de pessoas que querem ser as melhores em suas funções, gente que gostar de fazer mais, receber mais e ser MAIS!. E que não tem medo de desafios, não importa de onde venham, mas que se empenhem em obter os melhores resultados.”

Me parece ser bem mais fácil pra Monster recolocar pessoas deste naipe (que se empenham em obter os melhores resultados), que realmente SER este candidato tão destemido.

Por isso, gosto tanto do comercial. Porque ao nos darmos conta do ambiente em que estamos, criamos esta força extra para abandonar a situação dramática, patética, involutiva e estressante em que estamos vivendo e parar de procrastinar.
Notas:
PROCRASTINAR: vem do latim procrastinatus: pro- (à frente) e crastinus (de amanhã). É adiar uma ação. Para a pessoa que está procrastinando, isso resulta em stress, sensação de culpa, perda de produtividade e vergonha em relação aos outros, por não cumprir com suas responsabilidades e compromissos. Embora a procrastinação seja considerada normal, ela se torna um problema quando impede o funcionamento normal das ações. Fonte: wikipedia.

DICA do MONSTER: se quiser continuar a ouvir Don Giovanni tente aqui E se quiser saber mais sobre essa ópera no iTunes UK


13
Feb 13

Papa põe a Boca no Trombone

2 dias depois da renúncia, Papa diz que tomou a decisão “em plena liberdade, pelo bem da Igreja”. Ooops!

No dia seguinte à notícia da renúncia do Papa, todos os chefes de estado que se pronunciaram foram bem contidos em suas declarações – li uma por uma, no Estadão. Nenhum deles ousou a falar em dissidência, simplesmente dançaram conforme os primeiros versos da “música”, que ligava a renúncia do chefe da Igreja à sua falta de saúde e avançada idade. Ba-le-la. Ah, Dilma não estava entre as personalidades importantes que se pronunciaram. Ah, mas o país nem é católico, não é?

A Wikipédia nos diz que a média de idade dos papas quando foram eleitos é de 65 anos e chefiaram a Igreja por 13 anos. E os papas mais velhos tinham 78 quando começaram a servir e o fizeram por mais de 6 anos. Ou seja, o Vaticano sempre conviveu com a 4a. idade. Não ia ser agora que isso seria novidade ou obstáculo! Bento XVI tem 85 anos.

Bem, tudo isso serviu para trazer à tona, não a óbvia idade avançada, mas a sujeira que aparece nas disputas de poder. O beligerante é o cardeal Tarcisio Bertone e seu grupo contrários à promessa do papa de conduzir uma limpeza na Igreja: aqui leia-se o escândalo da pedofilia envolvendo a igreja por todos os cantos do mundo. Ou como colocou o Estadão: “corrupção no Banco do Vaticano e roubo de documentos por seu ex-mordomo seriam parte do desgaste”.

Mas quem é que vai se surpreender com corrupção e escândalos no Vaticano, em 2013? Adoro 2 filmes que versam sobre o assunto: O Poderoso Chefão 3, dirigido por Coppola, em 1990 e a comédia Habemus Papam, dirigida por Nanni Moretti, 2011.

No último “chefão”, Michael Corleone passa o filme tentando legalizar suas operações mafiosas. Um dos últimos lances era ter o controle majoritário da International Immobiliare, uma imobiliária europeia, da qual a Igreja detinha 25% das ações.

O cardeal irlandês Gilday era o chefe do Bando do Vaticano, afundado em dívidas (puxa! que coincidência!). Ele convence Michael a depositar $600 milhões dólares em troca de ¼ da Immobiliare. Mas tudo era uma fraude de Gilday articulada com o chefe da Contabilidade Frederick Keinszig e Don Lucchesi, presidente da Immobiliare. Ainda segundo a trama do filme, quando a maquinação está prestes a ser revelada pelo cardeal Lamberto (aquele para quem Michael se confessa no filme e que havia se tornado o novo Papa João Paulo I), o cardeal Gilday e sua gangue o envenenam e matam o reformista Papa. Ooops!

Em Habemus Papa, quem não viu poderá conhecer cena por cena o que ocorre dentro do Vaticano desde o dia em que o “cargo de papa” está desocupado até o momento em que, da varanda central da Basílica de São Pedro, o mais velho dentre os cardeais da ordem dos diáconos pronuncia as palavras Habemus Papam. E a tal fumacinha branca começa a sair da chaminé da capela Sistina e anuncia: “Temos Papa”. Enquanto o Colégio de Cardeais não se decide a fumaça é negra, significa que não houve maioria e os votos então são queimados. Quando há o consenso, o novo pontífice é eleito e a fumaça sai branca.

Será que daqui 5 anos veremos a tal limpeza da Igreja?


03
Feb 13

Previsões sobre o futuro: 1967


Quando a gente gosta muito de uma “coisa”, vai cutucar – e descobre que coisas bacanas não acontecem assim, por acaso. Elas tem “pai e mãe”. Neste caso, Walter Cronkite e a Revista Smithsonian.

A “coisa” é um interessante vídeo de 1967, apresentado pelo jornalista da CBS, Walter Cronkite, que mostra a tecnologia do futuro em vários cômodos de uma casa.

O “pai” dessa história é o jornalista que virou a opinião pública norte-americana contra a Guerra do Vietnam, no início dos anos 1970. Walter Cronkite também foi considerado como o “homem que mais inspira confiança à América”, descartando políticos, dirigentes religiosos ou heróis do esporte.”

Foi apresentador do jornal da noite da rede CBS, por quase 2 décadas, entre 1960 e 1970 e tinha um programa chamado “The 21st Century”, sobre a tecnologia do futuro. Os vídeos deste post foram ao ar em 12 de março, 1967. Neste episódio, o programa mostrou como seria uma casa em 2001: TVs em 3D, videofones, uma máquina gigante que poderia ser o avô do Twitter, robôs e outros gadgets.

A “mãe” é a revista Smithsonian Mag, que tinha com linha editorial publicar “coisas em que o Instituto Smithsonian estava interessado, poderia estar interessado ou deveria estar interessado.” 5 anos depois de publicada pela primeira vez, em 1970, a circulação da revista atingiu 1 milhão de exemplares e se sagrava um dos mais bem sucedidos lançamentos de seu tempo.

Foi Smithsonian que resgatou este episódio do “Século 21”, do fundo do baú e Gizmodo publicou essa história em seu site, no último dia 31. No site, dá pra ver os 3 vídeos “futurísticos”: sala, escritório e cozinha. Você vai ver que eles não previram a genialidade de Steve Jobs e o design fica muito a desejar. Mas a tecnologia chega bem pertinho. Eu gostei particularmente da cozinha e das soluções de sustentabilidade que remoldam os utensílios usados, em vez de termos que lavá-los.

“Adoro como as previsões sobre o futuro estão sempre limitadas aos conceitos do presente. Em 1967, podíamos imaginar diferentes tarefas sendo controladas por um console, mas não conseguíamos imaginar múltiplos consoles sendo controlados por um único computador (ou smartphones ou tablets). Nos faz pensar o que as limitações da tecnologia de hoje causam à nossa imaginação do futuro”. Casey Chan, editor do Gizmodo.

O verbo da 5 Years From Now® é futurar. Futurar é visitar o futuro, um lugar que não está pronto. O presente está irremediavelmente pronto, é imexível. Mas passamos 100% do tempo tentando mudar algo imexível, e não dedicamos 1% ao futuro, onde tudo pode acontecer.

Fico aqui com a frase que Cronkite, que morreu aos 92 anos, terminava cada noticiário: “And that’s the way it is”. (é assim que é).


30
Jan 13

13a. 15a. 19a. emendas: mais Lincoln

Lincoln e Ira Clark

Lincoln e Ira Clark

A cena inicial do filme Lincoln muito provavelmente nunca existiu, mas é uma daquelas coisas “spielberg”, impacto que não sai da cabeça.

Na cena, Lincoln está às margens do rio Anacostia, em Maryland. Neblina e chuva. O presidente está falando com 2 soldados negros, Harold Green, da infantaria e Ira Clark, da cavalaria, que aproveita a ilustre presença para soltar o verbo:

“Agora que os brancos se acostumaram a ver negros carregarem armas para lutar por eles, agora que eles podem tolerar que negros recebam algum soldo – talvez, em alguns anos eles possam se conformar com a ideia de ter tenentes e capitães negros. Em 50 anos, talvez um coronel. Em 100 anos – o voto.”

A 15a. emenda à Constituição americana garantiu o voto aos negros e foi ratificada apenas 5 anos depois desta cena, em 1870. A 19a. emenda, 55 anos mais tarde, deu direito de voto às mulheres americanas, em 1920. E 144 anos mais tarde, Obama é empossado. E reeleito ano passado.

Em 2013, 2 filmes tratam do tema abolicionista: Django e Lincoln. Com certeza, Hollywood tem mais.

Em tempo, Lincoln se passa nos últimos 4 meses do governo que luta para passar a 13a. emenda, que põe um fim na escravatura, em 1865.

Nota:

Lincoln, Steven Spielberg, 2012


27
Jan 13

Freedom: Django & Lincoln

Tarantino e Spielberg

Tarantino e Spielberg

Assim que você deixa a sala, já está todo mundo querendo falar mais que a boca sobre Django: as músicas, o ator coadjuvante – que parece ser mais principal que o protagonista -, o diabólico DiCaprio, o irreconhecível Samuel Jackson, as brutais cenas, que mais acontecem na sua cabeça que na tela, e mais um vinho, e mais café e o papo não termina. É muito Tarantino pra pouca noite.

Na maratona de feriado, vi Lincoln primeiro. Recomendo fortemente o contrário: Tarantino pra abrir o apetite, Spielberg para ser degustado de sobremesa.

Pensei em escrever sobre cada um dos 2 filmes, em separado. Mas com Django com 5 indicações ao Oscar e Lincoln com 12, já tem muito material disponível pra ser lido, quer seja como história do cinema, história americana ou história da democracia.

Voltando à sequencia dos 2 filmes, note que eles se passam com meros 7 anos de diferença. O primeiro, Django, situado em 1858, apenas 2 anos antes de começar a sangrenta Guerra Civil americana. E o segundo, Lincoln, fixado nos primeiros 4 meses do ano de 1865. Os trailers estão abaixo.

A guerra durou exatos 4 anos e deixou um absurdo rastro de mais de 600.000 mortes. Muito além da Guerra Civil Espanhola ou da recente Guerra do Vietnã, quando 58.183 americanos morreram, menos de 10% que nessa guerra de secessão entre o norte, a União, e o sul, os Confederados.

Nos 2 filmes, a escravidão. E todo o modus vivendi que dela deriva. No primeiro, a população pasma ao ver um negro montado num cavalo. No segundo, uma população de 200.000 negros está empunhando uma arma para defender a União! No primeiro, vemos mais do sul dos Estados Unidos – Texas, Tennessee e Mississipi. Em Lincoln, mais do norte, a Casa Branca e o River Queen, em Virginia. E é inacreditável pensar que a abolição possa ter acontecido, quando toda a economia do sul estava baseada no trabalho escravo. É só a gente inverter os pontos cardeais, e imaginar DiCaprio, um coronel do nordeste. Sim, também é chamado de “painho”, mas como é americano é Big Daddy. Divaguei.

Mas para além da escravidão, o cerne, o que realmente vemos nos 2 filmes é o poder da negociação, a política do mundo dos homens. É disso que o ex dentista Dr Schultz e o presidente Lincoln tratam. Magnificamente!

Dr King Schultz, o irrepreensível Christoph Waltz, é um eloquente negociador. Usa as palavras, cena a cena, tão bem, rápida e eficazmente quanto aperta gatilhos. Lincoln, só atira com as palavras e com aquelas histórias compridas, que no nordeste chamam de anedotas. É, este Lincoln de Spielberg tem humor. E Waltz, desde Bastardos Inglórios, se diverte e continua nos divertindo com tantos salamaleques de vocabulário. O primeiro, ganha a vida caçando os procurados pela justiça para receber a recompensa por suas cabeças. Haja estratégia de negociação para achar, matar e entregar os procurados. E aí, Tarantino é mestre nos diálogos. E se até então, esse não era o forte de Spielberg, agora é. É tanta informação que sai da boca de Daniel Day-Lewis em sua aclamada voz de Lincoln, que vira uma gincana apreender todos os seus significados.

Lincoln, tem um problema tão grande e insolúvel na mão que ninguém acredita que ele possa prosseguir com sua teimosia e ter sucesso. Um, não, ele tem 3 problemas. Tem que acabar com a Guerra Civil antes que ela acabe com o país; tem que conseguir a maioria para aprovar a 13a. emenda à Constituição – a abolição da escravatura – e, por fim, tem que se reeleger. Para conseguir apoio para passar a emenda, precisa por um fim à guerra. Se acabar com a guerra não consegue por um fim à escravidão. Se acabar com a escravidão e não acabar com a guerra, não se reelege. Catch 22. É como convencer um Sarney que acabar com a escravidão será bom para o clã. Se você não viu, vá. O cara era bom, mesmo!

O projeto de Tarantino começou em 2007, terminou o script em 2011 e começou a filmá-lo em novembro do mesmo ano, durante 130 dias. O primeiro script de Lincoln, do próprio Spielberg, é de 2002 e não fez a cabeça de Daniel Day-Lewis. O segundo é do ganhador do Pulitzer, Tony Kushner, de 2006, e foi filmado em 90 dias, no final de 2011.

Quem teve que ligar pra Daniel Day-Lewis e convencê-lo a aceitar o papel foi DiCaprio, o crudelíssimo Calvin Candie, de Django: “Daniel, você tem que reconsiderar, porque Steven realmente quer você no papel e não vai fazer o filme sem você.”

E, por fim, os 2 negociadores tem uma missão: aquela força que nos sacode e com força nos arremessa na direção de cumpri-la. Dr Schultz, depois de se dedicar à bem sucedida carreira de caçador de recompensas, embarca na missão de encarnar Siegfried, o herói que salva a mocinha, Brunhilde, na lenda escandinava. Lincoln não sabe o que acontecerá com os negros após a abolição e declara isso abertamente, numa conversa no pórtico da Casa Branca com a ama de quarto de sua esposa. “Freedom is first.” Mas o presidente sabe que essa é a sua missão. O que acontecerá no futuro não pode ser impedimento para adiar a Abolição.
São 2 obstinados.

E isso já tá muito longo, mas faltou falar que tanto Django quanto Lincoln tem a aquela moralidade cinza, circunstancial. Enfim, se você ainda não viu, vá. Primeiro Django, depois Lincoln. Ou, ao contrário, não importa. Vá.


Vale a pena ler:
5 regras de ouro de Tarantino, escrito por ele para o Daily Mail online, 12 de janeiro, 2013. http://www.dailymail.co.uk/home/moslive/article-2260197/Quentin-Tarantino-Django-Unchained-The-story-Western.html

Mike Fleming entrevista Spielberg: porque demorou 12 anos para encontrar Lincoln:
http://www.deadline.com/2012/12/steven-spielberg-lincoln-making-of-interview-exclusive


11
Jan 13

Destruir é Inovar?

Férias de Inverno na Suíça

Férias de Inverno na Suíça


Você seria capaz de destruir o que você faz de melhor para provar o seu ponto de vista? Os suíços são!

Não mediram esforços para divulgar que suas idílicas paisagens alpinas são o melhor destino turístico para as férias de inverno. E ao destruírem e se livrarem de seu ícone mais famoso, nos asseguram que teremos as mais relaxantes férias de nossas vidas. O resultado é um filme que mostra muita neve, seus bucólicos-quentinhos-hotéis-cabanas e casinhas suíças de um jeito que nunca vimos. E com um tipo de humor impensável em suíços.

Sua empresa seria capaz de ir tão longe e destruir o que você faz de melhor?

Nota:
pra saber mais: http://www.myswitzerland.com/winter


01
Jan 13

Jogo da Paz Mundial: conhece?

Meu desejo para este 1o. dia do ano é que todos os líderes do mundo parassem.

Parassem por 20 minutos e 28 segundos para ver, ouvir e tatuar no cérebro a palestra de John Hunter para o TED 2011, explicando o Jogo da Paz Mundial – um jogo criado em 1978, para crianças da 4a. série (9 anos), quando o professor tentava preparar uma aula sobre a África.

Consiste em resolver 50 problemas do mundo, entrelaçados, de forma que nenhum dos lados saia perdendo. De tensões étnicas, minorias, vazamentos químicos e nucleares, disputas por direitos de água, repúblicas independentes, fome, espécies ameaçadas e aquecimento global. Se uma coisa muda, todo o resto muda.

A base do jogo hoje é uma estrutura de 1,2m por 1,2m por 1,2m de Plexiglass, em 4 camadas. Mais fácil de entender vendo o vídeo. Se você nunca viu um TED, saiba que é só clicar no canto inferior direito (34 languages off) e escolher “Português, Brasileiro” para ver o vídeo com legendas. Vale muito a pena!

Sobre essas estruturas são colocados todos os problemas do mundo para que as crianças possam resolvê-los sozinhas. Há 4 países no tabuleiro. As crianças inventam os nomes dos países – alguns são ricos, outros pobres. Eles têm recursos diferentes, comerciais e militares. E cada país tem um gabinete. Tem um primeiro-ministro, secretário de estado, ministro da defesa e um chefe das finanças, ou controlador. O professor escolhe o primeiro ministro baseado na relação que tem com eles e oferece o trabalho – que pode ser recusado. E, então, eles escolhem o seu gabinete. Tem um Banco Mundial, indústrias de armas e uma Nações Unidas. Há também uma deusa do tempo que controla uma bolsa de ações randômica e um clima randômico.

Ao final, nenhum país pode sair pior do que entrou. É muito emocionante!

Nota: John Hunter é professor, músico e inventor do World Peace Game
John Hunter: Teaching with the World Peace Game http://www.ted.com/talks/john_hunter_on_the_world_peace_game.html