
Palestra Dia Internacional da Mulher
CLIQUE nos temas para ler todos os artigos deste blog sobre MULHERES.
Você entende o seu papel no mundo?
Facebook tem Problema com Mulheres?
Apatia sexual japonesa ameaça economia global

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#FBHate
Estava zapeando e parei nesta notícia na CNN, com a Laura Bates – fundadora do Projeto Sexismo do Dia-a-Dia, que já coletou mais de 10.000 experiências cotidianas sobre a violência contra mulheres. Ela comentava o sucesso da campanha #FBhate, que levou várias empresas a suspender e retirar seus anúncios do Facebook, devido ao fracasso do Facebook em proibir-retirar páginas com comentários e fotos de abuso slogans encorajando estupro e celebrando todo tipo de violência contra as mulheres. Apesar das muitas promessas do site, nada foi feito.
Segundo Trista Hendren, uma das líderes do movimento Women, Action & the Media, esta foi a razão da ação lançada na semana passada para dar um basta no discurso a favor do estupro e da violência contra as mulheres.
“Este problema com Facebook vem de anos. Se fosse uma prioridade para o site, eles já teriam dado um basta. Em minha conversa com Facebook nos últimos 6 meses, eles me falaram muitas vezes que já estavam “trabalhando” para reparar este abuso.”

Não Curti
Num post em seu próprio blog, o Facebook disse que “seus sistemas para identificar e remover os discursos de celebração do ódio como ele gostaria …” Mas que dentre as várias atitudes, inclui um mais linhas diretas de comunicação com grupos de mulheres e outras entidades de defesa.
De hoje, 29 a 31 de maio, a campanha incita a todos a mudar suas fotos do perfil pela imagem abaixo, em protesto à tolerância à cultura do estupro pelo Facebook.

Que Páginas Podem?
Interessante é que o Facebook retira imagens de mulheres amamentando, ou de mastectomia, mas não consegue retirar, por exemplo, uma piada de estupro de uma criança deficiente ou frases como “Não é estupro se elas estão mortas e se estão vivas é sexo surpresa”. Segundo o Facebook “aqui não há espaço para o discurso que incita o ódio, a ameaça ou a violência.”
Jaclyn Friedman, diretora da Women, Action and the Media, comentou: “Não fazíamos ideia que a coisa ia explodir dessa forma. Acho que as pessoas já estavam bem frustradas com esse assunto há muito tempo. Como consumidores temos muito poder.”
David Reuter, o porta-voz da Nissan, disse nesta 3a. feira que suspendeu todos os anúncios no Facebook até terem a certeza que seus anúncios não apareceriam em páginas com conteúdos ofensivos.
Dove e American Express não suspenderam seus anúncios.
Na página da Dove no Faecbook, este comentário: “Então, Dove, você quer fazer dinheiro em cima da gente, mas não quer levantar um dedo para mostrar ao Facebook que a violência contra a mulher é inaceitável?”
Enquanto isso, no Brasi, os registros de estupro quase triplicaram no Brasil em 5 anos, saltando de 15.351 para 41.294!

Estupro: Dê um Basta Facebook
NOTAS:
Does Facebook have a problem with women? Laura Bates, The Guardian, 19 fevereiro/2013
Companies pull Facebook ads over violent content, http://www.cbsnews.com, 29 maio/2013
Facebook Says It Failed to Bar Posts With Hate Speech, http://www.nytimes.com, 28 maio/2013
estupro brasil, http://g1.globo.com, 18 maio/2013
Em menos de 1 mês li 2 frases que me fizeram refletir sobre o intrincadíssimo e velho assunto das relações homem e mulher.
A primeira foi a manchete “A CADA 2 MINUTOS, 5 MULHERES SÃO AGREDIDAS VIOLENTAMENTE NO BRASIL” e a segunda foi num post de Marcelo Heidrich “HÁ MUITO HOMEM NÃO ENTENDENDO SEU PAPEL NO MUNDO.”
Nunca tinha feito esta ligação. Entre violência contra as mulheres e a falta de posicionamento do HOMEM (a espécie humana) na nova Era. Quando você guga “qual o papel do homem no mundo” encontra, nos primeiros textos, o homem ligado ao cosmos e à natureza. Nada sobre a relação homem-mulher.
Quando você guga “o papel da mulher no mundo” ou “what’s women’s role in the world” pouco vai agregar a seu conhecimento. As primeiras buscas são sobre o papel da mulher ao longo da história: como foi ganhando espaços na sociedade e mostrando que tem capacidade tanto quanto os homens. As primeiras, em inglês, referem-se às histórias das guerras e os consequentes pulos evolutivos da mulher. História, História, História. Outra vez, nada sobre o nosso papel hoje. Sabemos o que foi feito, mas pelo o que queremos lutar? O que queremos conquistar?
E a guerra terminou antes de eu nascer! Faz 66 anos!
Sim, a pesquisinha é rápida e superficial, mas aponta que faltam conteúdos envolventes e democráticos para serem discutidos sobre o papel da mulher e do homem. Galgar espaços antes destinados aos homens é bacana, mas esses fatos estão sendo repisados há mais de meio século.
Me parece que temos objetivos, metas e tarefas, mas falta uma visão. O que queremos com os homens? Queremos registrar que um país bem maior que a Dinamarca, 7 milhões e 200 mil mulheres com mais de 15 anos já sofreram agressões? E que 2% dos homens entrevistados declararam que “tem mulher que só aprende apanhando bastante”? Atente para o “bastante”!
Quando mudamos de Era as mudanças são épicas. Vamos deixar os fatos históricos na história e produzir conteúdos que expressem os buracos desse novo Homem Multitarefa? Conteúdos inclusivos, sobre todas as nossas escolhas sexuais e de vida no mundo. Conteúdos que possamos discutir, agregar, compartilhar. Uma nova visão, que nos inspire a querer contribuir para que o padrão de comportamento seja o de contribuir para a preservação de uma espécie fantástica. A espécie dos homens e das mulheres de todos os sexos, culturas, religiões e credos.
Vamos começar? Que mensagens nós mulheres estamos passando para o mundo dos nossos sobrinhos, primos, tios, pais, vizinhos, namorados, amantes, maridos? E que mensagens eles querem passar, discutir, aprender?
Deixo aqui a citadíssima e muito apropriada citação de Simone de Beauvoir “Enquanto o homem e a mulher não se reconhecerem como semelhantes, enquanto não se respeitarem como pessoas em que, do ponto de vista social, político e econômico, não há a menor diferença, os seres humanos estarão condenados a não verem o que têm de melhor: a sua liberdade.”
notas
Marcelo Heidrich é sócio-presidente da Ponto de Criação.
A pesquisa “Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado” , da Fundação Perseu Abramo em parceria com o SESC, foi realizada em agosto de 2010 e ouviu a opinião de 2.365 mulheres e 1.181 homens, com mais de 15 anos de idade, de 25 unidades da federação, cobrindo as áreas urbanas e rurais de todas as macrorregiões do país. Envolveu 176 municípios na amostra feminina e 104 na masculina. A margem de erro da pesquisa é entre 2 e 4 pontos percentuais para mulheres e entre 3 e 4 pontos para os homens, em ambos o intervalo de confiança é de 95%.
O pôster We Can Do It foi baseado na foto da operária americana Geraldine Doyle, aos 17 anos, quando trabalhava no avião bombardeiro A-31 Vengeance, em Nashville, Tennessee (1943). Ela serviu de modelo para o famoso cartaz de uma mulher vestindo um lenço na cabeça e mostrando seus bíceps. Rosie the Riveter foi o nome dado às mulheres trabalhando em fábricas durante a guerra. Doyle morreu em 26/12/2010, em Lansing, Michingan, aos 86 anos.