Homenagem


6
Feb 16

Vivam as Mulheres. Abaixo os Grupos de Mulheres!

Mulheres & Homens. Nepal.

Mulheres & Homens. Nepal.

Sempre tive problemas em compreender ou fazer parte de grupos exclusivos por gênero, raça. Nunca recebi uma boa explicação intelectual. É uma aversão natural. Uma ojeriza, mesmo. Sendo mulher, tenho sido continuamente convidada – ou, nestes tempos de redes sociais, simplesmente incluída, à minha revelia – para grupos de mulheres. Participei de algumas reuniões nesses grupos. Não gostei do que vi, nem do que ouvi. Se me coloquei e tentei mudar o que não gostava? Não. Se insisti até colher resultados? Não.

Eu acredito em grupos que são formados com um propósito e com diversidade. De gênero, idade e influência social, política, intelectual. Enfim, diversidade na veia. Morei nos Estados Unidos à época das cotas escolares para negros. E pude presenciar, ao longo de décadas, as distorções e o acirramento “black & white” que essas segregações causam. Fui contra a aplicação das cotas no Brasil até recentemente, quando meu amigo e atinado critico político-social Jayme Serva me convenceu que, se aplicadas por período seriamente predeterminado, com políticas para começo, meio e fim das cotas, poderiam ser uma arma de grande sucesso para reparar as cruéis injustiças sociais causadas pela desumana escravidão. Enfim, continuo contra, a menos que tenha essa linha de tempo estabelecida.

Nossa maior força está em levar diversidade para outros grupos

Nossa maior força está em levar diversidade para outros grupos

Voltando às mulheres. Recentemente, esses convites, reuniões e tentativas de convencimento se tornaram mais e mais frequentes. E me forçaram a ter uma opinião mais qualificada sobre essa minha oposição. Seria um capricho de minha parte?

Faço uma pausa aqui para confessar que, se as pessoas não me provocassem, acho que ficaria o dia inteiro assistindo filmes e fazendo nada. Desta vez, a provocadora foi a editora Nilceia, que está à frente do grupo Mulheres que Decidem.

Fui pesquisar e achei 2 ótimos artigos. O primeiro mais focado no networking de grupos de mulheres. E o segundo, fantástico, fruto de experiências do cientista social Thomas Malone no assunto Inteligência Coletiva.

O título do artigo de Meghan Casserly, na Revista Forbes, cativou minha atenção de imediato: “Por que Grupos de Networking de Mulheres Fracassam?” Ela, como eu, também se sente incomodada em frequentar esses grupos e propõe uma questão: “Será que grupos de mulheres podem ajudar uma jovem a invadir o Clube dos Meninos, mesmo se tratando de grandes redes?” Para responder, Meghan cita o post que leu na HBR, do blog de Athena Vongalis-Macrow. Athena pede que façamos 3 perguntas antes de nos juntarmos e colocarmos nossa energia para que um grupo funcione.

1. Quem está na rede?
A melhor receita de rede é aquela que tem uma parte de mulheres com recursos e bagagem profissional colecionados através do tempo. Outro terço de “bibliotecárias”, aquelas com as últimas e mais pertinentes informações e dados; e, finalmente, as Boas Samaritanas, que estão lá para ajudar em todas as situações. Segundo a IDEO, é esta combinação desejada: recursos, informação e boas intenções. E Athena ainda nos provoca: faltou algum desses elementos? Pula fora!

2. É uma rede que se conecta bem?
A conexão flui entre uma reunião e outra ou é aquela coisa de se encontrar uma vez por mês? Você se sente desconfortável em acessar aquela superexecutiva do grupo, porque ela pode achar você uma chata ou invasiva?

3. A rede tem uma comunicação funcional?
Isto é, suas frustrações e desapontamentos serão acolhidos e ouvidos? Alguém se voluntariará a ajudá-la com um novo caminho ou a prevenir que você exploda?

E Meghan adicionou mais uma:
Com quem você está falando?
Networking não é chamado de “escada corporativa” à toa. Networking é estar próximo do poder. A qualidade e a velocidade com que você sobe essa escada tem a ver com a qualidade das conexões que os membros de seu grupo têm e cultivam. Grupos de mulheres que pertencem a vários outros grupos são capazes de importantes novas conexões.

Com essa última reflexão de Meghan, chego mais perto do que acredito. É a diversidade que nos engrandece, que nos empurra para novos territórios, novas experiências, novos conhecimentos, novos ensaios. Novas vidas.

Eu reconheço que nós mulheres temos muitas causas a serem lutadas e vencidas. Algumas ainda a serem formuladas. E muitas delas, como o feminicídio, têm os homens como nossos algozes. Mas acredito que seja com eles, e não com a exclusão deles, que venceremos.

Por fim, o sensacional estudo de Malone, que abordou homens e mulheres entre 18 e 60 anos, aleatoriamente divididos em grupos, aos quais foram aplicados vários testes: de inteligência, exercícios de brainstorming e tomada de decisões, quebra-cabeças e um problema realmente complexo para ser resolvido pelo grupo. Quais grupos foram considerados os mais inteligentes? Aqueles que tinham pessoas com os mais altos QI? Não. Os grupos que tinham mais mulheres!

Assista o vídeo com Thomas Malone sobre Inteligência Coletiva

E neste link o cientista em entrevista à Harvard Business Review:
https://hbr.org/2011/06/defend-your-research-what-makes-a-team-smarter-more-women/ar/1

A pesquisinha valeu, não é? Em todos os casos, me parece que Meghan, Atena e Thomas nos fazem ver que uma sonora diversidade faz jus à sua fama da nova era.

Se você quer usufruir de inteligência coletiva superior, aqui está a receita: produza um grupo com diversidade de pessoas e vá adicionando mais e mais mulheres, até que elas sejam a maioria no seu grupo. E aqui está a cereja do bolo: grupos excepcionais tem participantes que ouvem uns aos outros. Fecho este artigo com esta citação de Thomas Malone:

“Teoricamente, sim, as 10 pessoas mais inteligentes deveriam formar o grupo mais inteligente, mas não apenas porque eles são os indivíduos mais inteligentes. Mas porque grupos excepcionais ouvem uns aos outros. Eles compartilham as críticas de forma construtiva. Eles têm mentes abertas. Eles não são ditatoriais. E, em nosso estudo, vimos muito claramente que grupos que tinham pessoas inteligentes dominando as conversas não eram os grupos mais inteligentes.”

NOTAS:
1) Meghan é ex-editora da Revista Forbes e atual Relações Públicas na Google.
Why Women’s Networking Groups Fail, de Meghan Casserly.
Acesse: The Value of Your Networks, de Athena Vongalis-Macrow
https://hbr.org/2012/06/assess-the-value-of-your-network

2) Thomas W Malone é catedrático da MIT Sloan School of Management e diretor-fundador do Centro para Inteligência Coletiva do MIT. Também diretor-fundador do Centro para Coordenação de Ciências do MIT e um dos dois cofundadores da iniciativa do MIT em Inventar Organizações para o século 21. Anita Woolley é sua assistente.

Beia Carvalho
*Palestrante futurista
beia@5now.com.br


4
Feb 16

CONQUISTAS DAS MULHERES PELAS GERAÇÕES

Dia Internacional das Mulheres

Dia Internacional das Mulheres

Beia Carvalho pode falar das Conquistas da Mulheres através das gerações, porque entende de Gerações, é mãe de 2 filhos, avó de 2 netos, foi executiva e já empreendeu 4 vezes!

Faltam 25 dias para o dia 8 de março.

Quem sempre fala pra todo mundo, vai falar diretamente com as mulheres no mês da comemoração do Dia Internacional das Mulheres e do aniversário da palestrante também.


27
Oct 15

E vai começar o Movember: HOMENS, preparem-se!

MOVEMBER: eles também aderiram

MOVEMBER: eles também aderiram

Tudo pronto para começar?

‘MO’ de Moustache e ‘VEMBER’ de novembro. Há 5 anos, falei pela 1ª vez deste movimento iniciado na Austrália, em 2003, por Travis Garone e Luke Slattery, com apenas 30 participantes. Hoje engaja 5 milhões de homens e mulheres em todo o mundo, ainda que no Brasil continue a ser novidade. Desde a sua fundação é uma campanha vencedora, que levanta enormes somas para a causas de câncer de próstata em todo o mundo. Apenas nos EUA, mais de US $650 milhões até hoje.

MOVEMBER é listado em 72º lugar entre as 500 ONGs mais importantes do mundo. Na minha opinião, o sucesso vem não só de embarcar nas tendências da colaboração e compartilhamento como forças imbatíveis, mas por ter resistido em seus 12 anos de exisitência, a não abandonar o humor e o desigin como expressão da causa.

Qual é o seu estilo?

Qual é o seu estilo?

E o mais importante: é um movimento qaue sabe como engajar homens na difícil tarefa de cuidar de sua saúde. Como? Compreendendo o real sentido doengajamento e o exercendo, de fato. Este é um difícil verbo, que poucas empresa, pais, educadores sabem conjugar – e que faço questão de enfatizar e exemplificar em todas as minhas palestras. ENGAJAR é despertar a sede por conhecimento, é motivar o outro com ideias e tarefas que façam sentido para a vida do outro. Neste caso, que façam sentido para a vida dos homens do nosso planeta atual. Nas próprias palavras do MOVEMBER:

“você tem que engajá-los com aquilo que eles se sentem confortáveis: deixar seu bigode crescer e competir. Isso os leva para a conversa que queremos ter: aumentar a consciência e donativos para o câncer de próstata”.

O site traz todos os tipos de bigode que se possa imaginar. Concursos, vídeos, dados. É completo. O vídeo que escolhi é da Speedo, sempre no mote do humor.

Muito mais aqui: https://au.movember.com/get-involved/moustaches

Qual Che você prefere?

Qual Che você prefere?


12
Oct 15

Mães e Pais de Futuros Humanos.

Spier Secret Festival 2014, Guido Giglio, Africa do Sul.

Spier Secret Festival 2014, Guido Giglio, Africa do Sul.

Não sei se você está amamentando, desfraldando, ensinando a se vestir, a guardar a roupa e brinquedos, ou sofrendo para pagar a escolinha. Pague. Pague a melhor escola que faça deste ser humano um ser crítico. Ao longo se sua vida você não vai receber uma recompensa. Serão inúmeras! De cores, formatos e intensidades distintas. Na maior parte das vezes, chegarão para te surpreender. Para você ficar literalmente boquiaberta. Saltar de alegria. E querer abraçar todo mundo. Passei por essas deliciosas sensações inúmeras com meus 2 filhos. Hoje vou falar de uma destas surpresas, que tem um tom mais midiático e talvez, por isso mesmo, a gente dê uma importância desmesurada. Não sei. Você lê e depois me diz.

Antes de deixar você ler o artigo publicado, vou colar aqui 2 comentários que ilustram a situação. O primeiro é do Galileo: ‘Meu irmão Guido no Huffington Post! Agora entendi que ele é designer, mas faz eventos que misturam gastronomia e design. Ele e seu sócio Hannes Bernard falam sobre seus projetos gastro-design-nômicos e seu escritório SulSolSal.” O outro é da concunhada, Paul Kim: “Finalmente entendi, com a ajuda do Huffington Post, o que membros de sua família fazem, quando eles não estão ajudando a encher balões em festinhas de crianças junto com você. Guido Giglio, Hannes Bernard & SulSolSal: congrats!!!!

Sem mais enrolações, aqui está o artigo escrito por Fabio Parasecoli, professor associado e diretor da Food Studies, New School – NYC, em 5 out 2015. Enjoy!

Food Design no Hemisfério Sul

Pop-Up Bar: drinks funcionais

Pop-Up Bar: drinks funcionais

Nos últimos meses food design tem aparecido em alguns de meus posts como um nova e estimulante área de pesquisa e de prática profissional. À medida que engrenamos para receber a 2ª. Conferência Internacional em Food Design, da New School, em New York, dias 6 e 7 de novembro, postarei aqui perfis de food designers com quem tive a sorte de colaborar ou entrevistar.

Esses curtos perfis tem o objetivo de enfatizar a riqueza e diversidade deste campo em termos de projetos e abordagens, como também delinear seus limites e potencial.

Começo com a colaboração do arquiteto brasileiro Guido Giglio e o designer sul-africano Hannes Bernard, que apresentarão um de seus projetos na Conferência New York.

Eles são o SulSolSal, que em inglês significa “South, Sun and Salt”. Tive a oportunidade de me reunir com Hannes em seu estúdio em Amsterdam, alguns meses atrás. O trabalho do SulSolSal, que atravessa a Europa, África e América do Sul, reflete como o food design é inerentemente internacional – ou global – em seu escopo e perspectiva. Seus profissionais em todo o mundo, estão perfeitamente conscientes do trabalho de seus colegas e frequentemente cooperam entre si. Os projetos de Giglio e Bernard também apontam o potencial do food design para enfrentar complexos problemas sociais. Como declarado em seu site SulSolSal combina pesquisa cultural, histórica e econômica para criar espaços comuns, publicações e food performance como uma forma de investigar as complexas inter-relações entre design, economia e sociedade. A atuação deles está em algum lugar entre a sobreposição do design crítico, urbanismo, instalações artísticas e interações entre comida e espaço público.

Uma obra que representa totalmente esta abordagem é o The End Times (foto), que eles lançaram na Cidade do Cabo, em julho de 2012. The End Times era um jornal impresso, que através das habilidades gráficas de design e comunicação de Bernard e Giglio, objetivava celebrar a criatividade do hemisfério sul, onde grandes segmentos da população vivem em uma permanente situação de austeridade, e oferecer uma crítica de como a austeridade é discutida na Europa, um continente balançado uma profunda crise econômica. O material impresso celebrava iniciativas que refletiam o empreendedorismo sul-africano, inventividade e adaptabilidade. Restaurantes “pop-up” que escapavam das cozinhas da população para as ruas, proporcionando comida acessível e ocasiões para construção de uma troca comunitária. Cabritos inteiros assados em quintais para serem vendidos para vizinhos ou passantes. Toda uma economia informal é construída ao redor da necessidade básica da comida, reagindo e tirando vantagens de espaços intersticiais onde o controle do governo e a ordem são fracos ou inexistentes. Como me explicou Bernard, essa atitude “tem muito a ver com gestos, tem muito a ver com a forma como a população vive … que eu penso que, de alguma forma, são muito melhor adaptadas para o tipo de sistema onde as coisas são mais caóticas, ou em mudança ou flexíveis.” The End Times queria apresentar uma alternativa visível à  cena “foodie” da classe média na Cidade do Cabo, que apesar de sua relativa acessibilidade, não dialoga sempre com a cena gastronômica da área em toda a sua diversidade étnica e cultural.

The End Times, jornal impresso em 2012, crítica e celebração da criatividade do hemisfério sul.

The End Times, jornal impresso em 2012, celebra criatividade do hemisfério sul.

Essa experiência na África do Sul os instigou a considerar comida com uma mídia para a prática do design. Ao cutucar audiências a refletir na produção, transformação, consumo e descarte da comida, Giglio e Bernard exploram não só o potencial, como também os problemas estruturais e culturais do sistema alimentar contemporâneo. Por exemplo, eles abriram um bar temporário em Amsterdam onde ofereceriam apenas 3 opções: Booster, Snoozer, e Builder, todas baseadas no que Bernard descreve como legal smart drugs (drogas inteligentes legais). Eles se inspiraram em drinks funcionais, cuja finalidade é atender a necessidades claramente identificadas, reduzindo o papel dos alimentos a seu aspecto puramente útil, ignorando os seus aspectos culturais e emocionais.

O projeto que o SulSolSal apresentará em New York tem foco na Pineapple Beer (Cerveja de Abacaxi) que os dois designers produziram numa área rural do estado da Bahia, Brasil, usando cana de açúcar, casca de abacaxi e fermento de origem local, energia solar (não havia eletricidade na região) e garrafas recicláveis. Até o rótulo foi criado usando uma velha impressora mecânica do governo baiano, movida por pedal, que estava no local há décadas. A motivação dos designers era desenvolver a ideia de um design de impacto-zero – ainda que especulativo -, que gerasse insights ao establishment sobre um sistema alimentar mais resiliente e sustentável. Os projetos do SulSolSal constituem um interessante exemplo de como o food design é capaz de engajar questões públicas e dinâmicas comunitárias de uma forma criativa.

Food DesignFood SystemBrazilSouth AfricaSocial InnovationFood for Thought

Notas:
1. The Huffington Post é um portal de notícias e agregador de blogs americano criado em 2005 por Arianna Huffington e Kenneth Lerer. Em 2011 Arianna esteve em São Paulo, palestrando sobre “como as mídias sociais têm revolucionado as comunicações” e anunciou a versão brasileira do The Huffington Post, o primeiro da America Latina, e o 6º. criado fora dos Estados Unidos. Além dos comentaristas habituais (Harry Shearer, John Conyers e Rosie O’Donnell) e Roy Sekoff, editor do site, o Huffington Post conta com as colunas de personalidades, como Barack ObamaHillary ClintonNorman MailerSaskia SassenJohn Cusack e Bill Maher. O site faz o contraponto liberal à cobertura conservadora de sites como o Drudge Report. Comparado a blogs de esquerda, como o Znet ou o Daily Kos, o Huffington Post mostra-se muito mais complexo, uma vez que oferece tanto notícias como comentários, e não se limita à política, discute também sobre religiãoculturaambientalismomídiaeconomia etc.
2. Guido e Hannes são sócios do SulSolSal. Visite o site.
Guido Giglio B.A. ARCHITECTURE & URBANISM 2007 Universidade de São Paulo, Brazil. M.DES – MASTERS OF DESIGN 2012 Sandberg Instituut, Amsterdam, Netherlands. 
Hannes Bernard, B.A. VISUAL COMMUNICATION DESIGN, 2008 Stellenbosch University, South Africa.  M.DES – MASTERS OF DESIGN  2013 Sandberg Instituut, Amsterdam, Netherlands. 
3. 2ª. Conferência Internacional em Food Design, da New School, em New York, dias 6 e 7 de novembro.
4. Huffington Post – 5/10/15Foto: Sulsolsal
5. Para ler no original em inglês: aqui.

SulSolSal designed a special edition of Carne do Sol, a preserved food dining experience for Spier Secret 2014, Spier Secret Festival, Africa do Sul.

SulSolSal designed a special edition of Carne do Sol,  for Spier Secret 2014, South Africa.


15
Jun 15

50 anos de Inovação: OLHO NELES!

Contato, inovação anos 1980, por Beia Carvalho, presidente das Palestras 5 Years From Now® e Galileo Giglio, CEO e diretor de criação do Estúdio MOL.

Lentes de Contato, inovação anos 1980, por Beia Carvalho, presidente das Palestras 5 Years From Now® e Galileo Giglio, CEO e diretor de criação do Estúdio MOL TV.

Tem gente que foge do job que nem o diabo foge da cruz. Tem gente que empurra o job com a barriga. Outros são corretos: vão lá e executam. OK. Poucos, raros, agarram o bixo-job pelos cornos até dominá-lo e aos poucos arquitetam um meta job. O job do job.

E aquilo vai crescendo e tomando dimensões faraônicas. E a criatura-criadora, um tanto quanto tomada por todo aquele redemoinho de ideias, pessoas, imagens e possibilidades, bate o martelo e vai. Vai com tudo. Acelera numa tresloucada empreitada que inclui muita pesquisa, organização, coordenação, timing, e tesão sem fim. Tesão pelo trabalho.

Todos os finais de ano, presencio os momentos de nascimento do job “Aniversário do Jornal propmark”. A cada ano, uma nova-e-insana ideia é levada a cabo e nos encanta. E a cada ano, assisto à metamorfose do job em meta-job. Mais um ano, mais uma grande ideia, mais uma comemoração.

O resultado?

Sempre fantástico, interessante, gostoso, leve, instrutivo. A edição é da altura de um tijolo. Fruto de uma cabeça que não se cansa em fazer combinações inovadoras.

Ao completar 50 anos, o propmark faz nesta edição uma homenagem à INOVAÇÃO. Seu editor convidou 50 profissionais a representar visualmente as 50 inovações dos últimos 50 anos. É uma honra, um prazer inenarrável, ser parte deste seleto ‘club’.

Uma das 50 inovações destes 50 anos foram as Lentes de Contato. Desde que comecei a usá-las, há 20 anos, sou fã e uma verdadeira propagandista deste produto. Quem me conhece e tem mais que 40 anos, usa lentes, rs.

E o assunto-lentes-de-contato me seduz ainda mais, pela assombrosa evolução que as lentes terão nos próximos 10 anos.

De executar as funções do estranho Google Glass, a monitoramento da diabetes, realidade aumentada e a possibilidade de enxergar luz ultravioleta e infravermelha no mesmo espectro normal de visão. Para uma futurista como eu, lentes de contato são um verdadeiro parque de diversões. E tenho a certeza que cada um dos 50 convidados se sentiu, assim como eu, em total sinergia com o tema. Você está percebendo e acompanhando o tamanho da encrenca que é este job?

Espero que também goste da minha metade deste trabalho, criado junto com Galileo Giglio, CEO e diretor de criação do Estúdio MOL TV.

Galileo Giglio, CEO e Diretor de Criação do Estudio MOL TV

Galileo Giglio, CEO e Diretor Criação do Estudio Mol TV

Tudo começou a ser gerado pelo Diretor de Redação Marcello Queiroz, em dezembro de 2014. Porque tem gente que tem um prazer visceral em inovar. Que pega o job pelos cornos e o domina! Eu quero estar mais e mais colada a pessoas como o Marcello, que me inspiram, me empurram, me fazem repensar e re-repensar. Valeuuuu, Marcello Queiroz!

Aqui o meta-job:

por Marcello Queiroz

Uma das palavras que podem estar mais diretamente associadas à inovação é o desafio. Pois bem, o propmark se propôs ao interessante desafio de selecionar 50 exemplos de inovação nos últimos 50 anos para comemorar o aniversário de 50 anos do jornal.

O principal critério estabeleceu que cada um dos exemplos precisaria ter sido lançado em qualquer lugar do mundo a partir de 1965. A seleção também poderia contar com inovações idealizadas antes de 1965, mas que só chegaram ao Brasil ou tiveram impacto comercial a partir de algum momento no tempo decorrido das últimas cinco décadas. Também avaliamos o impacto das inovações no dia a dia do consumidor.

A relação desses 50 exemplos foi definida pela Redação do propmark após indicações feitas pelos professores Edward Leaman e Patrick Hunt, da Universidade de Stanford, especializados na área de inovação.

Para cada item da lista, o propmark escolheu um convidado especial para fazer uma representação visual. O briefing para cada convidado foi simples: imaginar ou desenvolver um desenho/arte/fotografia/colagem/montagem/ilustração com sua visão criativa ou mercadológica para os exemplos de inovação. O resultado, que inclui do adoçante artificial ao YouTube, passando por Prozac, Viagra, DVD, fertilização in vitro, fibra ótica, smartphone, GPS, Projeto Genoma e cirurgia a laser, está nas páginas a seguir.

Viva a inovação!

Parabéns ao empresário fundador do jornal Propmark, Armando Ferrentini!

Para ver as 50 inovações, clique aqui: http://propmark.uol.com.br/especial50#

Palestras 5 Years From Now® pela Futurista Beia Carvalho

Palestras 5 Years From Now® pela Futurista Beia Carvalho


23
Jan 15

Você é o que Você Compartilha

MOOC- Educação Aberta Online Massiva

MOOC- Educação Aberta Online Massiva

Tenho muita sorte em conhecer muita gente, muito inteligente e com muita vontade de espalhar conhecimento, de colaborar. Na semana passada, o Repensador Gil Giardelli me enviou vários links preciosos sobre Educação. Um assunto que ele é mestre e que sabe do meu interesse.
Todos em inglês. Peguei um deles, sobre as tecnologias que já estão aí, batendo em nossas portas. Está aí, traduzido livremente por mim.
Estou aqui re-compartilhando o conhecimento. Valeu, Gil!

6 Tecnologias Emergentes

6 Tecnologias Emergentes

A tecnologia continua a revolucionar o ensino básico e de 2º. grau (K-12), faculdades e universidades e outras organizações e instituições educacionais.

O Relatório 2013 Horizon identificou e diagramou 6 tecnologias que serão integradas dentro das classes. Algumas estão ainda em desenvolvimento, mas há outras que já dá para serem usada já.

EM 1 ANO:
1) MOOCS (cursos massivos online e abertos)
Cursos online abertos ao público permitem que qualquer pessoa, a despeito de seu histórico ou localização, ganhe novas habilidades e conhecimento a custo zero. O interesse em MOOCs e sua proliferação tem crescido rapidamente nos últimos anos.
EXEMPLO:
O primeiro curso do Google online e aberto, Curso de Busca Avançado, (Power Searching with Google), ajudou seus participantes a melhorar suas habilidades de busca na Internet.

2) Tecnologia Móvel
Graças às sua portabilidade, a disponibilidade de aplicativos interativos e móveis, e o baixo custo quando comparado aos laptops, o crescimento dos tablets como ferramentas de aprendizado dentro das classes vem crescendo.
EXEMPLO:
Os estudantes da Universidade Vanderbilt estão projetando um aplicativo para Android para ajudar os deficientes visuais a aprender matemática usando vibrações e áudio como feedback.

EM 2-3 ANOS:
3) Games e Gamificação (jogos)
Jogar jogos educacionais pode construir pensamento crítico, para solução de problemas e habilidades para trabalhar em equipe.
medalhas e sistemas de ranking podem servir também para reconhecer a performance e realizações dos estudantes.
EXEMPLO:
O projeto A História da Narrativa Viva de Williamsburg é um jogo de ficção interativo que incorpora geografia, cultura e personagens de Williamsburg, no estado da Virginia, EUA.

4) Monitoramento do Aprendizado (learning analytics)
O monitoramento do aprendizado ajuda os instrutores a criar estratégias eficazes de ensino e aprendizado sob medida para cada estudante. Porque decifra as tendências e os padrões a partir de dados (data) educacionais.
EXEMPLO:
Uma empresa incorporou uma ferramenta destas em sua e-apostila que dava aos alunos insights sobre os seus comportamentos e hábitos de estudar.

EM 4-5 ANOS:
5) Impressoras 3D (3 dimensões)
Essa tecnologia vem se tornando mais e mais barata e acessível ao longo dos últimos anos. As aplicações dentro de classe vão desde criar replicas de objetos a produzir modelos em 3D de desenhos e conceitos.
EXEMPLO:
A impressora 3D poderia ser usada para criar modelos de fósseis de dinossauros, esculturas e moléculas.

6) Tecnologia Vestível (wearable technology)
Acessórios vestíveis, como o Google Glass, podem oferecer informação em tempo real ao usuário sobre seu ambiente e arredores, seguir movimentos e gestos, e deixar as mãos livres para várias outras funções tecnológicas.
EXEMPLO:
Câmeras de vídeo vestíveis (câmera GoPro) permitem a gravação do aprendizado de projetos e experiências.2014 Horizon Report

2014 Horizon Report

Notas:
Repensador Gil Giardelli: https://www.youtube.com/watch?v=7nv12ceZQbI
Você é o que Você Compartilha: livro de Gil Giardelli: http://www.gilgiardelli.com.br/blog/livro

Repensadora Beia Carvalho: https://www.youtube.com/watch?v=hKafA4Z80G0
Horizon report 2014: http://www.nmc.org/nmc-horizon


3
Jan 15

Caipiras e Urbanóides

Donna Douglas, A Família Buscapé. 1933-2015

Donna Douglas, A Família Buscapé. 1933-2015

Eu era fã. Minha família toda era. Estávamos lá todas as semanas nos divertindo juntos. A TV ficava numa área de piso frio, o que era muito bom, pra quem morava em Bauru, sem ventiladores, nem ar condicionado.

A Família Buscapé – The Beverly Hillbillies – foi uma das primeiras sitcoms (situation comedies) da TV americana. Produzida pela CBS com 274 episódios – 106 em preto e branco (de 1962 a 1965) e 168 em cores (1965 a 1971). Nos divertíamos e aprendíamos bastante com a família caipira que havia ficado rica ao encontrar petróleo no quintal de casa e se mudado para uma das mansões de Beverly Hills, na Califórnia.

É dos anos 1960 também a criação do cartel OPEP - Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Desde então, os países membros controlam refinadamente as “torneirinhas” do óleo negro balouçando os preços mundiais a seu bel prazer e interesses. Sou leiga no assunto, estou aqui googando, me perdendo e me achando com tanta informação. Me deparo com um tal relatório LINK, também dos anos 1960. Uma boa leitura para quem se interessa pela história da Petrobrás. Quem se aprofundar, poderá traçar algum paralelo entre os conselhos (desprezados, à época, pela esquerda) do geólogo americano e alto funcionário da Petrobrás, Walter K. Link, e os milhões do Pré-Sal.

De 1961 a 1964, a Petrobrás, como ‘criança teimosa’, só perfurou onde Mr. Link desaconselhou. Jogou centenas de milhões de dólares no lixo, sem produzir petróleo comercial. “Com o Brasil falido e em terrível crise cambial, o regime militar adotou as providências de Mr. Link, a partir de 1964. Logo no segundo poço perfurado no mar, o petróleo apareceu. Entre março de 1960 e março 1964, a produção de petróleo do Brasil caiu, e, entre março de 1964 e 1969, esta produção mais que dobrou.”

Donna Douglas era a linda filha caipiríssima da família. Morreu aos 81 anos. No primeiro dia do ano de 2015.

Era uma família ingênua em relação aos desafios da cidade grande. Mas desafiavam os parcos conhecimentos de seus urbanóides sobre a natureza com sua afiada cultura rural. Enquanto a previsão da TV anunciava um belo dia de sol, o pai – vindo dos cafundós do Arkansas – afirmava categoricamente que iria chover, porque as formigas, em seu belo jardim, estavam se recolhendo. E chovia.

NOTAS:
WIKIPEDIA:
A Familia Buscapé: http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Beverly_Hillbillies
O Relatório LINK, de Walter K. Link. http://pt.wikipedia.org/wiki/Relatório_Link


26
Sep 14

Janis Joplin se foi há 44 anos!

Janis Joplin 1943-1970

Janis Joplin 1943-1970

Ontem, repliquei um vídeo, assim, despretensiosamente. Como fazemos algumas vezes ao dia, quando damos de cara com algo que nos toca.

São coisas que nos fazem rir. Que nos entristecem. Num átimo, nos enraivecem de um tanto, que quase pensamos em pegar em armas e marchar contra o “inimigos”. Tem outras que nos enternecem, assim, no meio do turbilhão de coisas e responsabilidades do dia. E poucas, potentes, nos fazem viajar no tempo. Em nossas antigas e ainda presentes crenças. Em nossos esquecidos sonhos, namorados, viagens e bobas preocupações de outrora. E canções tão sólidas, intoxicantes, influenciadoras que é irresistível assistir ao vídeo até o final, mesmo com “o mundo caindo” a seu redor.

Clique aqui para ver o vídeo com legendas em português. Publicação by Lula Zeppeliano.

Um dia depois, Elizabeth Silva, replicou meu comentário com essas tocantes palavras: “Cada um tem o seu jeito, né? E quando a gente gostaria ser de um jeito e é de outro, faz o quê? Pega o jeito de alguém emprestado, oras! Mesmo que seja só uma coisinha … Hoje, destaco uma pessoa e palestrante que tem um jeito “descolado” que eu adoro: Beia Carvalho. Postei um mimo dela, com uma entrevista bem bacana da Janis Joplin.”

OBRIGADA BETH! Foi a 1ª. coisa que li hoje de manhã. Me sentindo muiiiito bem!

Janis morreu 3 meses depois desta entrevista a Dick Cavett Show, em outubro de 1970. É muito bom revê-lo também, showman! Dick a entrevistou mais uma vez, em agosto de 1970.

Mês que vem, faz 44 anos de sua morte. Tempo para 3 gerações: X, Y e a Z. Ao ouví-la falar sobre as mulheres, a impressão que nos passa é que “freezamos” este assunto há quase meio século! Reproduzo aqui o comentário que fiz ao postar este vídeo em meu perfil: “Ídola! Entrevista incrível! Nestes 45 anos avançamos muito pouco como mulheres. Ouvi uma entrevista na TV da menina que fica sem graça de parar a transa – se o cara não tem camisinha -”porque ele pode ficar bravo da gente cortar o clima dele”.

A parábola de Janis Joplin sobre a carroça, a mula e a cenoura, e as promessas entre homens e mulheres, é incrível. E, infelizmente, verdadeira. Quase 50 anos após a sua morte, me dei conta que essa (minha) luta parece que não evolui com a rapidez que o mundo está se movendo. Meninos e meninas, que tem todo o planeta na ponta de seus dedos, também parecem não conseguir explorar e se beneficiar de seus papéis consigo e com o outro. Nem de se beneficiar com espetaculares avanços feitos há quase 100 anos, quando a 19ª Emenda à Constituição americana liberou o voto a todas as mulheres. Ouvir Janis Joplin é sempre uma boa ideia. E daqui 5 anos?

Nota:
Elizabeth Silva é Consultora do Grupo Consulte e escreve na fanpage Palestras Inspiracionais.

#janisjoplin
#5yearsfromnow
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#daqui5anos

www.palestrasdabeia.com


20
Aug 14

Andy Warhol.

Andy Warhol, Detroit, 1985

Andy Warhol, Detroit, 1985

Andy Warhol me intriga, me inspira, me desafia, me enlouquece, me apavora, me chacoalha, me atiça, me cutuca, me espanta, me atrai. Me enche de prazer.

Ele faria 86 anos neste mês. Meu pai faria 89. Ele morreu com a idade que tenho hoje. Autor de frases fascinantes. “I am a deeply superficial person”. (Sou uma pessoa profundamente superficial). Suas Time Capsules me inspiraram a fazer as Capsulas do Tempo da minha empresa 5 Years From Now®. E me inspiraram a inspirar meus clientes em muitos workshops.

Estudar este artista é ter muito assunto todos os dias por toda a sua vida. Sua vida-arte-vida foi registrada em filmes, fotos, polaroides, moda. Tarefa árdua (e deliciosa) escolher fotos para este post. Ele tem fotos com todo mundo que já era “alguém” e todo mundo que “virou alguém” por sua causa.

Andy Warhol e poeta Gerard Malanga, The Factory

Andy Warhol e poeta Gerard Malanga, The Factory

Yoko Ono, John Lennon e Andy Warhol, 1971 Junho 5

Yoko Ono, John Lennon e Andy Warhol, 1971 Junho 5

Andy Warhol e Mick Jagger com a caneca de crânio, 1977

Andy Warhol e Mick Jagger com a caneca de crânio, 1977

Warhol e Lou Reed fotografados por Stephen Shore em 1965

Warhol e Lou Reed fotografados por Stephen Shore em 1965

THE FACTORY, O LUGAR MAIS COOL DE NEW YORK NOS ANOS 60-70.
The Factory, esse era o nome de seu estúdio, que teve 3 diferentes localizações entre 1962 e 1984. A The Factory original ficava no 5o. andar na 231 East 47th Street, em Midtown Manhattan, com um aluguel de 100 dólares por ano! Em 1968, mudou-se para o 6o. andar do Decker Building, na 33 Union Square West. Em 1984, mudou-se para 22 East 33rd Street, um edifício de escritórios convencional. (wikipedia)

O famoso sofa da The Factory

O famoso sofa da The Factory

The Factory, estúdio de Andy Warhol

The Factory, estúdio de Andy Warhol

The Factory, estúdio de Andy Warhol

The Factory, estúdio de Andy Warhol

ANDY WARHOL E AS MAIS FAMOSAS TIME CAPSULES

Warhol deixou um armazém com 612 caixas de papelão do mesmo tamanho com objetos triviais que eram limpados da sua mesa de trabalho diariamente de 1974 até sua morte. A maior parte destes – notas fiscais, cartas, contas, trabalhos, clipping de jornais, fotos – ainda não catalogada e guardada no Andy Warhol Museum, em Pittsburgh. Elas contem de 300 a 500.000 objetos (Peter Nesbet). “Cada cápsula, de forma única, combina a gramática e a sintaxe, respectivamente, tanto da história quanto da arte, em algo verdadeiramente original, que é difícil de definir pelos critérios tradicionais.” (Thomas Sokolowski sobre a famosa time capsule 21).

INSPIRAÇÃO: AS MAIS FAMOSAS TIME CAPSULES

INSPIRAÇÃO: AS MAIS FAMOSAS TIME CAPSULES

INSPIRAÇÃO: AS MAIS FAMOSAS TIME CAPSULES

MINHA PROPOSTA PARA SUA CAPSULA DO TEMPO
É você se transportar para 2019, daqui a 5 anos, e colocar dentro da caixa tudo o que você JÁ realizou de 2014 a 2019. Pode ser em forma de bilhetes, cartas, gravações, objetos ou vídeos. Em 2019, quando você abrir a sua cápsula do tempo, vai ver se concretizou o que sonhou para a sua vida. Vai encontrar lá seus desejos pra daqui 5 anos.

1º. Workshop 5 Years From Now®, em janeiro de 2009.

1º. Workshop 5 Years From Now®, em janeiro de 2009.

TIME CAPSULES
De mensagens dentro de garrafas jogadas ao mar às famosas Time Capsules de Andy Warhol, o homem sempre foi fascinado por brincar com a transcendência. Tire os seus pés do chão, do tempo presente e se transporte para o futuro, para daqui 5 anos, 2019. Nesta data, as Olimpíadas e a Copa da Rússia já acabaram. Onde e como você está? E a sua empresa? E esse é um futuro que você pensou há um tempo atrás, ou esse é um futuro chegou tão rápido que te atropelou?
Vamos colocar nossos desejos numa Capsula do Tempo?

Marilyn Monroe by Warhol

Marilyn Monroe by Warhol

Notas:
Andy Warhol: http://www.warhol.org
Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/The_Factory
Futurar: fonte palestras 5 Years From Now®, palestrante futurista Beia Carvalho: www.5now.com.br


8
Mar 14

2030: Ah não, me recuso a ver esse futuro!

Meu artigo hoje no PropMark em comemoração ao Dia Internacional da Mulher.

Samanthas & Rachels

Samanthas & Rachels

O que a linda e graciosa feiticeira Samantha, a bela adolescente androide Rachel, de Blade Runner, a mega inteligente e bem humorada Siri do iPhone e arrasadora robô Scarlett Johansson, do filme ELA têm em comum? Todas elas são absurdamente bonitas, perfeitas, poderosas – e irreais. São telas de projeção. E personalizam a suprema fantasia masculina de mulheres encantadoras, fortes e poderosas, e que desistiram de tudo por amor – a eles.

Samantha é uma bruxa de 3.000 anos, que abriu mão de sua independência e carreira para se realizar como esposa e dona de (uma linda) casa, nos arrumadinhos subúrbios americanos dos anos 60. Rachel é uma perfeição da engenharia genética, que desenvolve emoções humanas, que “enfeitiça” Deckard, seu par romântico, a ponto dele desistir de sua tarefa de matá-la para juntos fugirem para o norte, numa Los Angeles de 2019. Siri é uma palavra norueguesa que significa “linda mulher que te conduz à vitória”. Sabia?

Scarlett Johansson, que no filme ELA interessantemente se chama ‘Samantha’, nunca aparece na tela: ela é um inteligente e envolvente sistema operacional telefônico, que deixa o solitário escritor Theodore de quatro por sua voz sedutora, sua perspicácia, sensibilidade, acolhimento, sensualidade e sua arte. O filme ELA, também se passa em Los Angeles, um pouco mais no futuro, em 2030.

Para trazer esse “futurismo”, o visionário diretor Spike Jonze nos traz uma Los Angeles filmada na futurista Shangai dos arranha-céus. Longas passarelas elevadas, trens e ausência de carros, nos levam a crer que ELA realmente se passa no futuro. Mas duas coisas me fazem crer que o filme faz a crítica do presente.

A primeira, é que após o choque inicial de acompanhar a naturalidade do relacionamento amoroso entre o escritor e a robô, caímos em si que esta é a forma como nós já estamos lidando com todo esse mundo virtual que nos cerca!

A outra, é quando conhecemos Amy, a vizinha de Theodore, uma nerd que está desenvolvendo um game chamado “A Mãe Perfeita”. No jogo, a mãe perde milhares de pontos porque alimenta os filhos com açúcar refinado. Mas ela pode se redimir e ganhar pontos ao fazer suas mães rivais sentirem inveja de seus cupcakes. CUPCAKES! Dá um tempo! Quase tive um ataque ao ver retratado em 2030, as mesmas pressões que as mães enfrentaram e ainda enfrentam para fazer de tudo para ser a Mãe Perfeita.

Depois que me livrei de um acesso de ódio ao diretor, comecei a entender a presença, no filme, deste sufocante game da condição feminina. É um alerta geral! Se não tomarmos em nossas mãos femininas a tarefa de virar esse jogo, os 16 anos que nos separam do filme ELA vão voar. E, quando menos percebermos, BUM! Estaremos cara a cara com 2030, com as mesmas velhas e irreais expectativas em relação às mulheres e mães, que não trazem felicidade para nenhum dos lados envolvidos.

Dá pra fazer muita coisa, de hoje até lá, se pensarmos em novas possiblidades de criar e educar as nossas crianças. Em 2030, tenho a certeza que esses jovens estarão namorando de um jeito diferente e terão expectativas mais construtivas em relação aos diferentes sexos. Não gosto de pensar que essa é uma luta de mulheres. Penso que homens e mulheres, juntos, deveriam se unir para um mundo mais harmônico. Vamos nos magnetizar pela utopia de um mundo mais feliz – e não por um mundo de mulheres e mães perfeitas.

Há uma correlação entre o feminicídio – a violência fatal contra a mulher – e esses modelos da mulher perfeita perpetrados em nossa sociedade? Mulheres lindas, inteligentes, que completam seus homens como a Voz Robô de ELA, que compõe músicas ou tocam piano como Rachel, de Blade Runner? Acredito que sim. Porque as pesquisas mostram que os parceiros íntimos são os principais assassinos de mulheres, no Brasil. Somos a 7a. economia do mundo e o 7o. país que mais mata mulheres numa lista de 87 países! A cada 1 ½ hora acontece um feminicídio no Brasil.

A visão de Melinda Gates, Fundação Gates, sobre o futuro da mulher para 2030 é que “mulheres e meninas não encontrarão limites para as suas aspirações no futuro, não importa onde tenham nascido”. É uma poderosa visão, daquele tipo que emociona, envolve e empurra a gente a fazer valer. Em seu site Impatient Optimists (otimistas impacientes) há uma coleção de visões, ela dá essa cutucada: “Qual é a sua esperança para 2030? Compartilhe a sua aqui: www.myhope2030.com”.

Comecei comparando as feiticeiras-robóticas com modelos ilusórios e irreais da mulher contemporânea. Refletindo sobre todas elas durante os dias em que escrevi esse texto, um feliz insight me arrebatou. A ideia de que podemos, sim, aprender uma lição pra lá de importante e transformadora com elas. Todas tem emoções. Ao se humanizarem, elas evoluíram e conquistaram uma qualidade que nos distingue dos androides: o livre arbítrio. A Feiticeira Samantha quer ser a dona de casa e mulher do mortal publicitário Darrin Stephens; a Rachel quer aproveitar seus últimos anos da limitada vida de androide num grande romance com Harrison Ford; e a Samantha de ELA seduz e fala ao mesmo tempo com mais de 8000 homens. Rs.

É isso! Livre-arbítrio. Ser mulher não é cumprir uma lista de tarefas e tentar preencher expectativas de perfeição impossíveis de serem cumpridas. Livre-arbítrio é ser livre para determinarmos nossos próprios destinos, para almejarmos a possiblidade de um futuro melhor para homens e mulheres, crianças, filhos, vizinhos, sobrinhos, netos, amigos, clientes. E, muito brevemente, a felicidade de nossos próprios avatares. Ah, mas isso é conversa pra outro artigo.

Em 2030, teremos mais mulheres, mais cabelos brancos e uma maior diversidade étnica no mercado de trabalho. Esta mudança sugere que os líderes do futuro terão que mudar a sua cabecinha em relação às mulheres, à idade e à diversidade – ao mesmo tempo! Faltam apenas 15 anos e 265 dias para 2030.

Beia Carvalho é palestrante futurista da 5 Years From Now®, ex-publicitária.2030: queremos outro futuro para as mulheres

2030: queremos outro futuro para as mulheres

Notas:

A Feiticeira (Bewitched), Sol Saks, 1964-1972.
Siri, assistente pessoal, adquirido pela Apple, 2008
Blader Runner (Caçador de Androides), Ridley Scott, 1986.
ELA (Her), Spike Jonze, 2013.
Pesquisa Deloitte: Women’s agenda, http://www.womensagenda.com.au
Melinda Gates: http://www.impatientoptimists.org
IPEA Feminicídios no Brasil, http://www.ipea.gov.br, 2013.