Arte


19
Jul 15

Silvana, minha melhor amiga.

Silvana e Beia, Bauru

Silvana e Beia dando umas bandas pelas ruas de Bauru

Foi a minha melhor amiga.
Cheguei em Bauru no dia de meu aniversário de 1 ano.
Ela tinha 2, como observou minha mãe ao me dar a notícia ontem: “Conheci a Silvana com 2 anos, tão lindinha, quando chegamos a Bauru, há exatos 60 anos (14 de março de 1955).

Eram todos loiros na família, numa cidade onde ninguém era loiro. Quase ninguém, porque ela se casou com Paulo, talvez o outro único loiro da cidade. Ela tinha 2 irmãs mais velhas. Hoje seriam fashionalistas. Não sei quantas horas passamos juntas naquele enorme quarto onde Sandra e Sueli se arrumavam durante horas e horas, para ir aos bailes e festas nos fins de semana. E quando chegou a nossa vez, era ali que nos arrumávamos. Porque todo o frisson estava ali. O guarda roupa ia de fora a fora em uma das paredes e era repleto de roupas, acessórios, bugigangas, lenços, espelhos e muita bijuteria. Silvana, alta, linda e loira, sempre gostou dos brilhos, das grandes bijus, das flores. E tudo que ela vestia ficava lindo naquele corpão! Era exótica. Uma palavra que meu pai adorava falar para crianças, porque elas não sabiam o significado dela.

Silvana, a 1ª da direita para esquerda ao lado de seu marido Paulo. Seguida da irmã Sueli, cunhada Regina e meus pais, Agarb e Jeanete.

Silvana, a 1ª da direita para esquerda ao lado de seu marido Paulo. Seguida da irmã Sueli, cunhada Regina e meus pais, Agarb e Jeanete.

De todos os eventos, o Carnaval era de longe o mais importante, o mais gostoso e o que ocupava nossas mentes antes, durante e depois. Antes, porque sempre fazíamos blocos temáticos entre os amigos. Meus pais sempre adoraram Carnaval e minha “tia” Dulce, mãe da Silvana, também gostava. Mas não dançava. Se divertia da mesa. E sempre nos contava como era bom quando o Carnaval tinha lança-perfume.

Carnaval em Bauru. Da esquerda para direta, minha tia Eune, meu tio Zézinho, minha mãe Jante e pai Agarb.

Carnaval em Bauru. Da esquerda para direta, tia Eune, tio Zézinho, minha mãe Jeanete, pai Agarb e tia Dulce.

De tudo o que fizemos juntas na vida, nadar na Hípica, sem dúvida, ganhou de longe. Íamos de ônibus, sozinhos num bando de umas 10 crianças de todas as idades e ficávamos dentro da água a tarde inteira. Bauru era muito mais quente que hoje. Se dá pra imaginar! Lembro-me dos longos cabelos verdes, resultado do cloro desgraçado da piscina que “tingia” o cabelos das loiras. Um dia Silvana descobriu que lavar o cabelo com OMO tirava o verde e o cloro. E passamos a usar sabão em pó para lavar as madeixas. Que divertido!

Não estudávamos juntas. Ela foi pro Colégio das Freiras. Coitada! Não sei como suportou. Às vezes, penso que suportava as exigências e desmandos das freiras, porque estava ali, só com o o corpo. A alma era artista. Desde pequena, pintava muito e muito bem. Fazia bolos de madrugada. Lia livros inteiros de madrugada. Acordava tarde. Muito tarde. Tudo na vida dela era diferente da minha. Foi a minha melhor amiga enquanto convivemos. Um dia, não nos vimos mais. Ontem à noite, soube da tragédia.

Anos mais tarde conheci o Pedro, aqui em São Paulo. Era como olhar para ela. Ele tem a alma de artista. Não sei se também prefere a noite ao dia. Tem muito da mãe. E, por acaso dos acasos, conhece meu filho Galileo e se dão bem.

É a primeira amiga que perco. Assim, amiga mesmo de infância, adolescência e de vida adulta. Não é fácil.

Sim, ela foi uma mulher disruptiva. Viveu intensamente a vida. Isso é bom. Isso é o que importa: vivê-la.

E como Pedro postou ao lado de uma linda foto dela: “o céu acaba de ganhar mais uma estrelinha, obrigado mãe, te amo.”

Eu também, Silvana.


7
Feb 15

A Adrenalina do Abutre

Jake Gyllenhaal como Louis Bloom

Jake Gyllenhaal como Louis Bloom

Jake Gyllenhaal, 33 e 13 quilos mais magro vai te aterrorizar. Como Jack Nicholson em ‘O Iluminado. O coração dispara.

“Eu queria parecer e estar faminto”.

Ele interpreta Louis Bloom no filme Nightcrawler ao lado de Bill Paxton e da fenomenal (sou fã) Rene Russo, 60. Dirigido pelo maridão dela, Dan Gilroy, de Legado Bourne (2012) e produzido por Jake.

Louis Bloom é muito louco. Ladrão desempregado, ele é seduzido pelo frisson do submundo do jornalismo criminal televisivo de Los Angeles e com um capital inicial advindo do roubo de uma bicicleta, investe em uma câmera e num rádio para interceptar as frequências da polícia. Assim, se torna um freelancer que registra os acidentes, incêndios e mortes para vender seus vídeos para as estações de TV. Os chamados stringers ou “paparazzi of pain” (paparazzi da dor).

Não, ele não é um freelancer. Ele é um homem de negócios, um empresário. Um viciado em dicas online sobre empreender e liderar. Com uma mente loucamente assombrosa, decora e recita – em improváveis ocasiões – lições de empreendedorismo numa verborragia sem precedentes. Parece estar lendo aqueles posts que nos acostumamos a ver em redes sociais como LinkedIn, sites de coaching e outras chatices. Mas ele não apenas estuda, ele pratica. E nos prova, ironicamente, como se tornar uma liderança empresarial autodidata. Obstinação, disciplina, amoralidade, foco e tempo dedicado a estudar pela internet.

O filme nos ameaça com a constante dúvida sobre o que é moral, ético e legal. Onde está a fronteira? Louis facilmente borra essa linha-limite entre o observador e o participante para se tornar a estrela de sua própria história e de sua marca, a “Video Production Services” (Cultured Vultures). Punir a desobediência de forma cabal e matar a concorrência são tarefas levadas a sério e no sentido literal pelo “empresário” Louis: “I can’t jeopardize my company’s success to retain an untrustworthy employee” (Não posso prejudicar o sucesso de minha empresa para reter um funcionário em quem não confio).

No vídeo abaixo você pode assistir ao Jake Gyllenhaal falando de sua personagem: “Ele faz parte de uma geração de pessoas que está procurando emprego num mundo onde os próprios empregos estão sendo redefinidos.”

Você vai sentir todas aquelas fortes sensações e emoções, que os bons thrillers nos despertam. Taquicardia. Medo. Pânico. Repugnância. Aversão. Ansiedade. Vai rir, um pouco, nervosamente. E de forma bem amoral, mas extremamente eficiente, vai compreender na prática conceitos, dicas e visões de empreendedorismo, branding, marca, equipe e marketing pessoal.

Vale por um curso de Capitalismo? Marketing? Branding? Com bem mais adrenalina que numa entediante sala de aula.

Notas:
Filme: Nightcrawler, dirigido por Dan Gilroy, 2014.
Atores principais: Jake Gyllenhaal, Rene Russo, Bill Paxton e Riz Ahmed.

Cultured Vultures

Rene Russo em Nightcrawler

Rene Russo em Nightcrawler


24
Sep 14

Matarazzo, Victor Emmanuel II, Einstein, Beia?

Arne Quinze: Feito por Brasileiros

Arne Quinze: Feito por Brasileiros

Há 133 anos, o imigrante italiano Francesco Matarazzo chegava ao Brasil. Era agricultor. Virou mascate. E empresário. Em 1937, morreu como o homem mais rico do país, com a fortuna de 10 bilhões de dólares!
Em 1904, construiu Hospital Matarazzo. No final dos anos 1930, batizou uma nova construção: a Maternidade Condessa Filomena Matarazzo, “com proporções e simetrias neoclássicas”, sóbria e imponente.

Em 14 de março de 1954, lá eu nasci. No mesmo dia e mês nascia Victor Emmanuel II, em 1820, em Turin. E Einstein, em 1879, em Ulm, rs.

Todo o conjunto de prédios – hospital, casa de saúde, clínica pediátrica, maternidade e oPavilhão Vitório Emanuele III foi tombado em 1986, “como bem cultural de interesse histórico-arquitetônico”. Em 1993, foi fechado e vendido para a PREVI, atolado em dívidas.

A resolução do Tombamento do Complexo Hospitalar foi revogada em fevereiro de 2014.
Nascia a Cidade Matarazzo, do grupo francês Allard, que vai construir um complexo cultural, hotel e restaurantes.
A exposição Made by … Feito por Brasileiros é a 1ª. ação de revitalização da área.
Termina dia 12 deste mês. Você não pode perder!

Há 10 anos, fui ver um apto à venda, bem em frente deste conjunto, à época, ainda tombado. A proprietária me disse: “e a vista é linda eterna!”.

Eterna enquanto dure.

Feito por Brasileiros

Feito por Brasileiros

Feito por Brasileiros

Feito por Brasileiros

Mais no site da exposição: http://www.feitoporbrasileiros.com.br


20
Aug 14

Andy Warhol.

Andy Warhol, Detroit, 1985

Andy Warhol, Detroit, 1985

Andy Warhol me intriga, me inspira, me desafia, me enlouquece, me apavora, me chacoalha, me atiça, me cutuca, me espanta, me atrai. Me enche de prazer.

Ele faria 86 anos neste mês. Meu pai faria 89. Ele morreu com a idade que tenho hoje. Autor de frases fascinantes. “I am a deeply superficial person”. (Sou uma pessoa profundamente superficial). Suas Time Capsules me inspiraram a fazer as Capsulas do Tempo da minha empresa 5 Years From Now®. E me inspiraram a inspirar meus clientes em muitos workshops.

Estudar este artista é ter muito assunto todos os dias por toda a sua vida. Sua vida-arte-vida foi registrada em filmes, fotos, polaroides, moda. Tarefa árdua (e deliciosa) escolher fotos para este post. Ele tem fotos com todo mundo que já era “alguém” e todo mundo que “virou alguém” por sua causa.

Andy Warhol e poeta Gerard Malanga, The Factory

Andy Warhol e poeta Gerard Malanga, The Factory

Yoko Ono, John Lennon e Andy Warhol, 1971 Junho 5

Yoko Ono, John Lennon e Andy Warhol, 1971 Junho 5

Andy Warhol e Mick Jagger com a caneca de crânio, 1977

Andy Warhol e Mick Jagger com a caneca de crânio, 1977

Warhol e Lou Reed fotografados por Stephen Shore em 1965

Warhol e Lou Reed fotografados por Stephen Shore em 1965

THE FACTORY, O LUGAR MAIS COOL DE NEW YORK NOS ANOS 60-70.
The Factory, esse era o nome de seu estúdio, que teve 3 diferentes localizações entre 1962 e 1984. A The Factory original ficava no 5o. andar na 231 East 47th Street, em Midtown Manhattan, com um aluguel de 100 dólares por ano! Em 1968, mudou-se para o 6o. andar do Decker Building, na 33 Union Square West. Em 1984, mudou-se para 22 East 33rd Street, um edifício de escritórios convencional. (wikipedia)

O famoso sofa da The Factory

O famoso sofa da The Factory

The Factory, estúdio de Andy Warhol

The Factory, estúdio de Andy Warhol

The Factory, estúdio de Andy Warhol

The Factory, estúdio de Andy Warhol

ANDY WARHOL E AS MAIS FAMOSAS TIME CAPSULES

Warhol deixou um armazém com 612 caixas de papelão do mesmo tamanho com objetos triviais que eram limpados da sua mesa de trabalho diariamente de 1974 até sua morte. A maior parte destes – notas fiscais, cartas, contas, trabalhos, clipping de jornais, fotos – ainda não catalogada e guardada no Andy Warhol Museum, em Pittsburgh. Elas contem de 300 a 500.000 objetos (Peter Nesbet). “Cada cápsula, de forma única, combina a gramática e a sintaxe, respectivamente, tanto da história quanto da arte, em algo verdadeiramente original, que é difícil de definir pelos critérios tradicionais.” (Thomas Sokolowski sobre a famosa time capsule 21).

INSPIRAÇÃO: AS MAIS FAMOSAS TIME CAPSULES

INSPIRAÇÃO: AS MAIS FAMOSAS TIME CAPSULES

INSPIRAÇÃO: AS MAIS FAMOSAS TIME CAPSULES

MINHA PROPOSTA PARA SUA CAPSULA DO TEMPO
É você se transportar para 2019, daqui a 5 anos, e colocar dentro da caixa tudo o que você JÁ realizou de 2014 a 2019. Pode ser em forma de bilhetes, cartas, gravações, objetos ou vídeos. Em 2019, quando você abrir a sua cápsula do tempo, vai ver se concretizou o que sonhou para a sua vida. Vai encontrar lá seus desejos pra daqui 5 anos.

1º. Workshop 5 Years From Now®, em janeiro de 2009.

1º. Workshop 5 Years From Now®, em janeiro de 2009.

TIME CAPSULES
De mensagens dentro de garrafas jogadas ao mar às famosas Time Capsules de Andy Warhol, o homem sempre foi fascinado por brincar com a transcendência. Tire os seus pés do chão, do tempo presente e se transporte para o futuro, para daqui 5 anos, 2019. Nesta data, as Olimpíadas e a Copa da Rússia já acabaram. Onde e como você está? E a sua empresa? E esse é um futuro que você pensou há um tempo atrás, ou esse é um futuro chegou tão rápido que te atropelou?
Vamos colocar nossos desejos numa Capsula do Tempo?

Marilyn Monroe by Warhol

Marilyn Monroe by Warhol

Notas:
Andy Warhol: http://www.warhol.org
Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/The_Factory
Futurar: fonte palestras 5 Years From Now®, palestrante futurista Beia Carvalho: www.5now.com.br


26
Mar 14

Festa dos Feronômios: dá um cheiro aí!

Gostou desse cheirinho? Festa dos Feronômios

Gostou desse cheirinho? Festa dos Feronômios

A PHEROMONE PARTY londrina veio direto de Los Angeles.

A promessa é que aqui você realmente encontra seu par perfeito. Dê só uma olhadinha nas regras: os convidados tem que dormir vestidos com uma camiseta de algodão limpinha por 3 noites seguidas para que seu cheiro impregne. Daí, é só colocar a T-shirt num daqueles ziplocs e trazer pra festa.

Assim que a festa começa, os convidados começam a dar uma fungadinha na camiseta de cada um até achar um cheiro que gostem. A ideia é que teu faro vai te guiar em direção ao cheiro de gente que você já é naturalmente atraído. A entrada custa £6, mais ou menos R$ 10,00 e foi ontem a partir das 19h.

Yxaiio pheromones®: energético

Yxaiio pheromones®: energético

A primeira vez que ouvi falar em feronômios, foi quando meu amigo austríaco, Michael Wlazny, fundador do energético Yxaiio pheromones®, “o primeiro e único drink afrodisíaco no mundo”. Se você ainda não provou, vai adorar: a cor incrível, o apimentado, a lata. O resultados dos feronômios depois você me conta.

Voltando pra festa, ainda teve atrações paralelas com artistas convidados:
Odette Toilette, uma scent-lover que faz eventos com fragrâncias vai falou sobre Dirty Scents. Não sei como traduzir isso. A criativa, subversiva e controvertida perfumaria Etat Libre D’ Orange contou histórias sobre uma seleção de seus maravilhosos perfumes. O artista e ilustrator Novemto Komo vai criar ao vivo usando materiais que soltam odores e promete levar os sentidos a um frenesi. E por fim, todos receberão um fanzine com cheiro criado pela incrível Annexe Magazine.

Na hora pensei em 3 dos meus amigos feronômicos:
Taís de Souza, da Tintin Vinhos. Alessandra Tucci, da Perfumaria Paralela e óbvio, Michael Wlazny, da Yxaiio.

Taís & João da Tintin Vinhos

Taís & João da Tintin Vinhos

Annexe Editora

Annexe Editora

Notas:

https://www.facebook.com/tintinvinhos

http://www.perfumariaparalela.com.br

http://www.yxaiio.com

http://annexemagazine.com/books/collections

http://www.pheromoneparties.com


3
Oct 12

RELEVÂNCIA: eita coisa difícil de entender e de ser!

Um dia ainda crio um workshop sobre SER RELEVANTE.
Talvez, a expertise mais importante e desejada nesta nova era da Inteligência em Rede.
Já tentou explicar o que é ser relevante para o OUTRO, para seu cliente, seu prospect?

Fácil, não é.
Mas os artistas fazem tudo parecer tão fácil!
Adorei ter lido os Peanuts logo cedo e me inspirar com Snoopy.

Neste momento minha “tigela” seria um espumante bem geladinho. Qual é a sua “tigela”?
E qual é a do seu cliente?
 

TIGELA!  Isso é muito relevante pro Snoopy.

TIGELA! Isso é muito relevante pro Snoopy.

 
NOTA: tira de Charles M. Schulz, faz 62 anos este mês e esta foi publicada em 3out2012, Estadão.


27
Feb 11

Bric-à-brac de que?

Display 1930s

Vintage RITA Display 1930s

Lalique

Bacchantes, Lalique

Muitas pessoas que visitam a 5 Years From Now® se divertem e ficam intrigadas com os objetos espalhados pelo escritório e querem saber de onde saíram todos aqueles badulaques. Explico que, no passado, tive uma loja de bric-à-brac, a Naphtalina. BRIC-O-QUE?

Isso foi há quase 30 anos e quanto mais o tempo passa, parece que menos pessoas sabem o que isso significa.

Tenho uma explicação que me parece muito simples: bric-à-brac é o cotidiano antigo. Estamos falando de artigos como latas de bolacha, litros de leite, bijuterias de época, cinzeiros de hotéis, bonecas, brinquedos, roupas, canetas, miniaturas, displays de propaganda, canecas comemorativas, chapéus, vidros de perfumes, caixinhas, canivetes. Coisas do dia a dia das famílias de uma determinada época. Objetos que, por seu design marcadamente referente a um tempo específico, nos fazem “viajar” rapidamente no tempo, suspirar e “festejar: “Ah, na casa da minha avó tinha um igualzinho a esse”. Um suspiro de saudades. Num átimo, uma viagem a cheiros, imagens e às emoções do passado.

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