Inovação


31
Aug 15

Quer dar uma espiadinha em 2040?


Mostra aí esse vídeo pra uma empresa que queira dar espiadinha no mundo em 2040.

O grupo London Futurists realiza periodicamente conferências sobre o futuro. Este ano o tema é “Abundância Sustentável para 2040”.

Contribua com o Crowfunding pra Beia ir pro Fuuturo

Contribua com o Crowfunding pra Beia ir pro Fuuturo

O tema é fantástico! Não há nada remotamente parecido no Brasil.
Será apenas 1 dia. Mas que dia! Um dia inteiro com 11 das mais fantásticas cabeças pensantes sobre o futuro. São doutores e pós doutorandos que, diferentemente do Brasil, são acadêmicos que trabalham ou trabalharam nas mais importantes empresas do mundo, como IBM, por exemplo.

Os assuntos vão de terapias com células-tronco; futuro da alimentação, da impressão 3-D, a transformação da educação e de como evitar retrocessos potenciais da tecnologia para o bem-estar da humanidade. Teremos justiça social em 2040?

Por que eu acho que essa conferência vai ser legal?
Porque como futurista do Grupo London Futurists, conheço e admiro seu trabalho. E já participei, no ano passado, da Conferência “Antecipando 2025”, que rendeu insights de peso, para o futuro dos meus clientes.

Vamos levar a futurista Beia Carvalho para 2040?

Vamos levar a futurista Beia Carvalho para 2040?

Por que me patrocinar?
Porque este é o jeito fácil de sua empresa dar uma espiadinha no mundo em 2040. E estamos a apenas 32 dias de 2040! Também, porque o evento é local, dentro da universidade, sem tradução simultânea, e exige fluência total em inglês.
E last but not least … já fui executiva -, os executivos vão e voltam desses eventos sem parar de trabalhar para o Brasil, nem um minuto. E quando voltam não tem tempo para preparar um material à altura do evento para ser compartilhado com as equipes das empresas.

Se você acha que sua empresa pode lucrar com conteúdos e conversas sobre o futuro, assista ao vídeo e considere atentamente as recompensas para que me patrocinar.

O projeto está no CROWDFUNDING KICKANTE.

Na cota única, o Patrocinador contribui com a minha participação na Conferência, e na minha volta tem direito a:
- 2 palestras gratuitas sobre os pontos mais excitantes da Conferência.
- 50% desconto nas próximas 2 palestras.
- Acesso às 10 pílulas mais relevantes logo após o evento.

O valor é de R$ 11.970. CONTRIBUA aqui: http://www.kickante.com.br/campanhas/quer-dar-uma-espiada-em-2040

Super fácil, clicou, contribuiu, chegou em 2040!
VAMOS TROCAR IDEIAS?

Conferência Abundância Sustentável para 2040

Conferência Abundância Sustentável para 2040

NOTA:
Alguns dos 11 palestrantes:
Entre os palestrantes, o fantástico Rohit Talwar, CEO da Fast Future; Stephen Minger, ex Cientista-Chefe na GE Healthcare Life Science – sobre as terapias com células-tronco; Karen Moloney, Diretora da Moloney Minds, sobre o futuro do homem e da mulher; Diana S. Fleischman, da Universidade de Portsmouth – sobre o futuro da alimentação, um mapa para a carne in-vitro e Waldemar Ingdahl, diretor do think tank Eudoxa – sobre o futuro da impressão 3-D e outras tecnologias descentralizadas. E Steve Fuller do depto de Sociologia da Universidade de Warwick, autor de Humanity 2.0 – sobre justiça social em 2040.


7
Jun 15

Para Cacilda, Janaína e Jeanne.

Janaina, Jeanne e Cacilda: as Heroínas!

Janaina, Jeanne e Cacilda: as Heroínas!

(postado há algumas horas atrás em meu perfil do Facebook, teve uma repercussão tão emocionante, que quis “eternizar” este post aqui em meu blog).

Ontem assisti a um filme que mexeu muito comigo. Still Alice. Tenho medo de Alzheimer. Muito medo. No filme, Julianne Moore, a Dra. Alice Howland, é uma renomada professora de linguistica, diagnosticada com um raro Alzheimer aos 50 anos. A doença coloca as relações entre marido, filho e 2 filhas à prova da vida.

Hoje, vejo na timeline de minha amiga Adélia Franceschini, o TED da incrível médica e palestrante contundente Dra Ana Claudia Quintana Arantes, especialista em Cuidados Paliativos pelo Instituto Pallium e Universidade de Oxford, além de pós graduada em Intervenções em Luto. O trabalho, ofício, missão desta mulher é aliviar a dor e o sofrimento de doentes e familiares e resgatar a biografia de pacientes. Ela implantou as políticas assistenciais de Avaliação da Dor e de Cuidados Paliativos do Hospital Israelita Albert Einstein e é sócia fundadora da Associação Casa do Cuidar.

Aos poucos, a plateia (cada um a seu modo e intensidade) vai sendo tomada de uma tal emoção, que contagia a todos e nos faz refletir sobre esse assunto tão tabu em nossa sociedade. A Morte. Principalmente, a morte anunciada, que segundo a doutora é responsável por 800.000 das mortes anuais, no Brasil.

Separei uma parte do filme que penso traduzir o que a doutora diz sobre a Vida diante da presença da Morte. Mais abaixo o link para o TED. Still Alice (Para Sempre Alice) foi dirigido por Richard Glatzer e Wash Westmoreland, e escrito por Lisa Genova, com roteiro de Richard Glatzer e Wash Westmoreland. Estrelando a Estrela Julianne Moore no papel de Alice, seu marido Alec Baldwin (sou fã) e uma jovem que me encanta, Kristen Stewart.

Julianne Moore recebendo Oscar por Alice.

Julianne Moore recebendo Oscar por Alice.

E para coroar, o discurso de Julianne Moore ao receber o Oscar, por sua interpretação da Alice. Preste atenção no final de seus agradecimentos – a parte em que ela conta quando um dos diretores, Richard Glatzer, descobriu que estava com ELA (esclerose lateral amiotrófica, aquela do balde de gelo) e o outro diretor Wash Westmoreland, pergunta a ele o que ele quer fazer. Richard responde: CINEMA! Nooossa, tendo assistido ao TEDx da Dra Ana, é de arrepiar!!!!

Eternamente obrigada a Cacilda, Janaína e Jeanne que deixaram as vidas de seus familiares e as nossas vidas mais ricas nesta tarde de domingo. As 3 revelaram a nós – a partir do post no meu perfil do facebook – as suas experiências com as doenças degenerativas. Mulheres fortes, que agarram o leme de suas (nossas) vidas e seguem valentes, entusiásticas, em frente. Iluminam o nosso caminho. Com seus depoimentos, cheguei às lágrimas, uma vez mais nesta tarde.

Dizem que não há coincidências na vida, mas sincronicidade. Estou experimentando esta sincronicidade neste fim de semana. No meu post de ontem, afirmei que por conta da minha vida em rede, minha vida fica a cada dia melhor e mais rica de pessoas. Valeu, meninas! Obrigada a todos pelos comentários e por compartilharem e espalharem este tema tão especial a todos humanos: as nossas vidas.

NOTAS:
1. Cacilda, Janaína e Jeanne deixaram as vidas de seus familiares e as nossas mais ricas nesta tarde de domingo.

2. Still Alice (Para Sempre Alice) foi dirigido por Richard Glatzer e Wash Westmoreland, e escrito por Lisa Genova, com roteiro de Richard Glatzer e Wash Westmoreland . Com Julianne Moore no papel de Alice, Alec Baldwin, como seu marido e jovem, Kristen Stewart.

3. Link para a palestra do TEDx da Dra Ana Claudia Quintana Arantes FMUSP, especialista em Cuidados Paliativos: https://youtu.be/ep354ZXKBEs

4. Obrigada Janaína Machado pela explicação do banho de balde de gelo, como divulgação da doença degenerativa ELA (esclerose lateral amiotrófica). Eu não sabia que a escolha do gelo é porque as pessoas normais conseguem sentir, em questão de segundos, a dor quase igual à terrível dor que o portador de ELA e EM sentem em seu corpo. Agora, a campanha faz muito mais sentido para mim.


5
Jun 15

Ah, as responsabilidades de compartilhar!

Adoooorooo fãs!

Adoooorooo fãs!

Recebi esta mensagem ontem, e tive que ralar pra responder à minha nova fã gaúcha Lygia Pires de Macedo, especialista em Pesquisas de Mercado & Planejamento. Olha só a saia justa! Perguntas inteligentes, respostas difíceis.

“Beia , tenho acompanhado seus posts e virei sua fã. Tenho 2 perguntas, pode ser?
1. Como você preconiza a geração Y neste novo cenário econômico (novo para eles) brasileiro? Afinal eles cresceram em um ambiente macro bem mais confortável. Levando-se em consideração que haverá retração nos empregos, fechamento de empresas, dinheiro e outros recursos mais caros, poucos investimentos e que levaremos pelo menos uns cinco anos para sair disso, se formos bem administrados, como você acha que eles lidarão com esse novo momento adverso?

2. Você fala em análise de notícias (tb acho que sim, tanto que tenho assistido noticiários onde há analistas), mas como explicar então essa limpeza de pensantes feitas pelas redações de jornais e revistas por todo Brasil? Isso poderá mudar?”

Rapidamente, respondi: “Lygia, as perguntas são boas demais. Vou me dedicar às respostas e posto aqui. Amei seus elogios. Eu adoroooo fãs.”

Obrigada, Lygia Pires de Macedo.

Obrigada, Lygia Pires de Macedo.

Este é o resultado da minha dedicação, Lygia. Espero que tenha chegado à altura de suas questões. Com a ajudinha do Deus brasileiro, que fez os EUA e a Europa passarem por uma mega recessão, a gente pode, sem gastar dinheiro em pesquisas, ter referências para a nossa crise retardada de 2015.

Em 1982, quase 4 milhões de bebês nasceram nos EUA. Eles. Aqueles. Os Millennials. A Geração Y. A maior geração americana. Wow! Passaram os baby boomers? São os NEO baby boomers? Pois é, enquanto ainda estavam se divertindo, mamando o leite materno, o país se recuperava da recessão dos anos 1980, entrando na era Reagan, com seus 4 pilares para chacoalhar a economia: redução dos gastos do governo, redução das taxas do imposto de renda federal e sobre ganho de capital, redução da regulamentação governamental e redução da oferta de moeda, para reduzir a inflação. (ouviu D. Dilma? São 4 pilares. Os 4 começam com redução, não com inchação!).

Desmamaram e se viram de frente com os anos 1990, uma era estável, bombando, parecia que a humanidade finalmente estava acertado o passo. BUM! As torres caíram em 11 de setembro de 2011! Os mais velhos da geração Y, aqueles “bezerros” dos anos 1980 estavam então com 21 anos. Pois é, sofreram o baque. Adeus mundo-cor-de-rosa. Bye bye.

Mas o verdadeiro tapa-na-cara, o real “acorda aíê”, veio com a inesperada, para nós leigos, crise mundial de 2007-08. MUN-DI-AL. Mas por artifícios nunca dantes imaginados no mundo-mundial, o Brasil “surfou na marolinha” da crise. Afinal, somos brasileiros. Deus é brasileiro. Estávamos acima, além deste tal mundo-mundial.

Mas, ri melhor quem ri por último. Tente explicar para alguém do 1º. mundo porque estamos na pior recessão MUNDIAL! Se conseguir, e se sua explicação fizer sentido, me passe por email, por favor.

Vou retratar agora um fenômeno americano mas que, com algum esforço, dá pra gente tropicalizar. A Geração Y é a geração americana com o maior nível educacional. Nos países de 1º. mundo isso se traduz por mais mestrados, PhDs e pós doutorados. No Brasil e em outros países do 3º. mundo, não chegamos a tanto! Mas fizemos a nossa parte: temos menos analfabetos – sem entrar no triste “detalhe” dos analfabetos funcionais (sabe, a balconista da rua Oscar Freire que faz o desconto de 10% da calculadora?).

A despeito destas diferenças brutais entre os mundos-mundiais e o mundo-do-faz-de-conta-das-marolinhas, a tal melhor educação está pagando um preço fenomenal! Nos EUA, onde tudo está contabilizado, a dívida dos universitários junto às universidades dobrou entre 1996 e 2006. A esperança de poder pagar a dívida da bolsa universitária com empregos fantásticos, sucumbiu quando – ao sair da universidade – os jovens Y deram de cara com a pior crise econômica em 80 anos! Diferentemente de países liderados por caudilhos, nenhum país de 1º. mundo apelidou a crise de “marolinha”.

Mas será que se safaram os “ispertos” que não foram para as universidades? Putz, não! Com salários arrochados, melhor pagar por tecnologia que substitui gente, ou terceirizar nos países emergentes, ou pagar pouco para quem pode me oferecer muito, que pagar pouco por um “vagabundo” ou semianalfabeto.

Achar emprego e achar um bom salário tem sido cada vez mais difícil. Isso significa que o ciclo que começa com o compromisso do jovem em comprar uma casa (deixar a casa dos pais, pagar por comida, roupa lavada, comprar e manter seu carro, casar, ter filhos, escola etc) – foi interrompido. Uma geração que não compra sua casa própria, nem seu primeiro carro é uma geração que interrompe o “curso natural da economia americana”.

Olhando do ponto de vista dos baby boomers (a geração que mais acumulou poder econômico e que são os pais dos mais velhos da Geração Y); ou com os olhos da Geração X (berço dos yuppies e os pais dos mais novos da Geração Y), isso pode parecer um desastre. Só que não. A maior parte dos Y não está nem aí. E muitas vezes até despreza esta busca “patrão”, “burguesa”. Mesmo porque, sempre podem não deixar a casa dos pais, ou retornar a elas, sem sofrer a pecha de perdedores – lembrando que para as gerações mais velhas, regressar à casa dos pais era assinar que e “falharam na vida”.

E mais de 1 entre 5 americanos entre 18-34 respondendo à pesquisa da Pew Research Center disseram que adiaram se casar ou ter o primeiro bebê por conta da má fase da economia. E mais de 1/3 de jovens entre 25 e 29 anos voltaram a morar com seus pais. Não me surpreende. Essa é a geração que adora um toddynho e tem um estreito contato com a vida infantil. Por quê? Porque lá é bem mais “quentinho” que resolver problemas de adultos. Por dominarem o que nós mais velhos chamamos de tecnologia, eles vem resolvendo nossos problemas desde a mais tenra idade. Quem acima de 50 anos não pediu para uma criança de 5 anos ajustar o relógio digital do carro ou o radio-relógio da cabeceira, quando chegava o horário de verão? Quem abaixo de 50 anos não pediu para uma criança resolver um problema com a impressora ou com o computador que ‘travou”?

Há quem pense que a Geração Y é a mais azarada desde a 2ª Guerra Mundial, por conta dos baixos salários, altas taxas de desemprego, terrorismo, globalização e tecnologia substituindo mão de obra humana. Mas há quem veja o copo quase cheio: ninguém vai morrer de fome – pelo menos nos EUA. E nem no Brasil, se contarmos a escalada da obesidade em todas as faixas etárias e em todas as classe sociais, notadamente nas classes mais baixas. E a Internet possibilitou acesso gratuito a muita coisa que antes era reservada a uma distinta classe (aprendizado de línguas, educação de alto padrão, e entretenimento, por exemplo).

O mesmo instituto Pew Research Center revela que 9 entre 10 jovens da geração Y que haviam mudado para casa de seus pais já dizem ter o dinheiro que necessitam ou que o terão num futuro bem próximo.

Talvez a geração Tradicionalista (nascidos antes de 1946) estivessem certos: é preciso passar por uma ‘guerra” para dar valor à “vida”. Pew acredita que esta geração de jovens entre 18 e 35 anos, entregarão uma nação mais próspera às suas crianças que seus pais. Afinal, não nos esqueçamos: numa Era da Cognição, esses jovens são os mais bem estudados e bem equipados. Sem contar que, mais para o bem que para o mal, o preço da casa própria – por conta da crise de 2008 – ainda está super atrativo. Talvez o meio copo deles esteja realmente quase cheio.

Desde a 2ª. Guerra Mundial, o que faz a economia americana bombar são a aquisição de novos carros e de casas nos “chics” subúrbios americanos. Nenhuma das 2 coisas parece fazer os olhos dos jovens Y brilharem.

É exatamente durante entre 20 e 30 anos que arriscamos mais, experimentando na universidade, trocando de empregos, viajando, empreendendo, casando. Sim, a recessão tem um impacto sobre esses rompantes juvenis. Mas respondendo a sua pergunta, Lygia, os brasileiros são otimistas. Não me pergunte o por quê. Esta semana, quando os jornais e os maiores entendidos em economia e política anunciam a pior recessão brasileira pelos próximos 2 anos, pelo menos (!!), ouvi de várias pessoas que a situação melhorou e parece que o ano já está “pegando na rampa”.

Enfim, Lygia, em uma frase? Acredito que a Geração Y sofrerá menos as consequências destes vindouros duros anos do marolão brasileiro, que nós (Gerações acima de 36 anos) sofreríamos. Eles vieram equipados com alguns itens de fábrica, que nós tivemos que adquirir (caro) no mercado.

Sobre a sua 2ª. questão (… como explicar essa limpeza de pensantes feitas pelas redações de jornais e revistas por todo Brasil? Isso poderá mudar?), é ao mesmo tempo mais fácil de explicar e mais complexo de se safar.

Quando mudamos de Era, trazemos conosco os velhos arraigados conceitos da velha Era (que não resolvem problemas da nova era, mas atrapalham bastante!) e não conseguimos apreender e muito menos internalizar os novos conceitos da Nova Era. Assim, resolvemos problemas de uma Era Complexa da forma que costumávamos resolver problemas em uma Era Complicada. Em uma frase: um tremendo erro!

Veja. Não estamos mais vendendo tanto jornal? Fácil: despedimos os maiores salários, os grandes jornalistas, os que fazem as profundas análises, os que nos levam a refletir e a ter uma visão mais crítica. Assim, os jornais que tinham 1 grande diferencial sobre muitas das novas mídias digitais, ficam de um só golpe, além de antiquados, sujos (tinta), insustentáveis (papel), rasos e superficiais. Usar soluções da velha Era para resolver problemas da nova Era, dá nisso.

NOTAS:
1) Clique aqui para um passeio sobre a Nova Era: https://youtu.be/paIATFfWSZM

2) The Cheapest Generation: Why Millennials aren’t buying cars or houses, and what that means for the economy – http://www.theatlantic.com/magazine/archive/2012/09/the-cheapest-generation/309060


28
May 15

De Volta para o Futuro.

De Volta para o Futuro, artigo publicado na 8ª edição GoWhere Business

De Volta para o Futuro, entrevista de 5 páginas com Beia Carvalho na 8ª edição GoWhere Business

Beia Carvalho e o jornalista Reinaldo Azevedo no evento de lançamento da edição.

Beia Carvalho e o jornalista Reinaldo Azevedo no evento de lançamento da edição.

Quando eu palestro, vejo empresas que ainda se protegem do mercado, dos concorrentes, das novas gerações, na tentativa de manter segredos que não são mais segredos para ninguém.

Com uma sólida carreira na publicidade, incluindo 4 Leões de Ouro em Cannes, em 2008 ela viajou no tempo e foi parar 5 anos à frente, ao abrir a consultoria 5 Years From Now®. Seu objetivo: provocar reflexões sobre o que o futuro reserva para o mundo corporativo. Nada de premonições cabalísticas, predições com búzios. Apenas reflexões e projeções de quem conhece o mercado em todas as suas manifestações. No começo, organizou em sua própria casa workshops de 2 dias inteiros, para compartilhar sua experiência com diretores e sócios de empresas. De 2 anos para cá, ampliando o alcance desse trabalho, passou a fazer palestras para empresas de diversos portes e segmentos – como grandes bancos, institutos de ensino, empresas de tecnologia e cruzeiros marítimos.

Logo se tornou uma das profissionais mais requisitadas desse disputado mercado, com um distinção: Beia Carvalho é uma palestrante do futuro. Hoje. Instiga e provoca, dissecando o mundo não-linear em que vivemos e o tipo de profissional que o amanhã vai procurar. Depois que encerra sua apresentação, costuma ser fustigada por perguntas e questões por até 1 hora. Fio o tempo que ela dedicou a GoWhere Business, aqui e agora.

Sobre o que fala Beia Carvalho
Sua empresa tá pronta?

Mudanças exponenciais são a marca da complexidade do século 21. Diga “adeus” àquelas mudanças lineares do século passado. Bons tempos, em que tínhamos tempo para nos adaptar às movimentações locais e globais. Tínhamos tempo para longas, chatas e ineficientes reuniões. Para elucubrações e masturbações mentais. Afinal, o mundo podia esperar.

Só os talentos trazem repostas simples para problemas complexos.
Você está rodeado deles ou de songamongas?

É cruel. Mas quase nada resta às estratégias de micros, pequenas e médias empresas senão compreender, o mais rápido possível, essas significativas mudanças que a aurora de uma nova era nos acena. E sem desculpa para quem não é grande. Estudos apontam que é mais fácil inovar nas pequenas empresas. Porque nas mastodontes, a estrutura engessada não permite movimentos rápidos e cirúrgicos que o novo século reverencia.

Entrevista:
Como é que vai o mercado de palestras neste período de pessimismo empresarial?
Não conheço nenhuma pesquisa, mas é um mercado bombando. Por ser crescente e cheio de oportunidades, atrai todo tipo de gente – desde os com conteúdo aos aventureiros. O mercado é tão atraente que já há cursos e workshops especializados em formar palestrantes. Eu mesma sou constantemente procurada para fazer coaching de candidatos a palestrantes. Cheguei a fazer uma reunião com uma pessoa que tinha decidido s e tornar palestrante que, de cara, disse. “Tenho um problema. Detesto falar em público”. Um pequeno detalhe.

Dos palestrantes do mercado, você é a única que não se limita a falar do presente – projeta um futuro, situado sempre a 5 anos de hoje. Você começou esse ciclo em 2008, portanto há 7 anos. Os primeiros 5 anos comprovaram a sua estimativa?
Quando alguém se propõe a pensar no futuro – e pode ser 5, 10 ou 20 anos – o que primeiro vem à cabeça é o conceito de previsibilidade, tipo Mãe Dinah. Mas minha ideia de viajar para o futuro é provocar o cérebro para uma série de perspectivas: com quem estarei casado em 202? Onde estarei morando e trabalhando em 2020? A excitação cerebral produzida por esse tipo de exercício mental constrói novas sinapses cerebrais, novas ligações. E isso, com a devida orientação, pode gerar avanços. Aliás foi o que fiz nos meus primeiros 5 anos. Uma vez por mês, entre 2008 e 2013 organizei workshops aqui em casa, para sócios de empresas. Eu e minha sócia estudávamos cada empresa durante 1 mês e, dessa preparação, surgia uma intensa dinâmica de 2 dias, fruto de uma vida inteira como planejadora. Se fizéssemos esse trabalho hoje, colocaríamos esses diretores e a empresa deles no ano de 2020. Que tendências estariam influenciando o negócio daqui 5 anos? Suponha que fosse uma locadora de vídeos. Ao fazer o exercício de ir para o futuro, esses executivos começavam a fazer novas ligações – e a despertar para coisas que não estão no seu horizonte do dia a dia, não estão nos jornais, no papo do boteco. Pode ser um exercício para sua vida, para sua empresa, para a sua comunidade, o seu país. O fato é que as pessoas tem uma tendência absurda de colocar 100% de sua energia no dia de hoje – que é o dia mais pronto e sua vida. É um presente que você pega, desembrulha e usa. Um líder não poder ser o cara que está pensando no fim do dia – nem no fim do mês. Pensar no futuro é como fazer exercício físico: dá uma preguiça danada, deixa para amanhã …

Se eu, editor de revistas, fizesse esse exercício com você, no que eu deveria pensar daqui 5 anos?
No universo dos livros e revistas, com os vários segmentos em que elas se especializam, vejo que as coisas plásticas tem um futuro mais garantido – no sentido de que é muito mais bonito ver um parto num papel couché, com supercuidado gráfico, do que vê-lo numa telinha que some a um toque. O mesmo acontece com livros de arte, que também tem essa permanência. O contato com a mídia papel não se perderá tão cedo. Mas evidentemente ela precisa se reciclar. Assim que abaixo para pegar o jornal que deixaram à minha porta, percebo que já vi aquelas manchetes várias vezes ontem nos noticiários da TV, nos sites de notícia e nas redes sociais. O mundo das notícias é o mais complicado. O que eu queria ver num jornal não é a manchete do Jornal Nacional do dia anterior, mas uma análise mais profunda – só que o cara capaz de fazer essa análise já foi demitido.

Todo o futuro que se projeta hoje passa pelas redes sociais, pela internet?
Vivemos num mundo com plataformas de engajamento – das redes sociais aos programas de trocas e de produção de conhecimentos. De qualquer forma, ninguém mais conhece resolver e criar coisas sozinho. Você compartilha seu know-how e ao compartilhar, contribui para a plataforma de conhecimento – por isso o conhecimento dá saltos exponenciais. É a única forma de se produzir soluções para problemas complexos. Quando eu palestro, vejo empresas que ainda se protegem do mercado, dos concorrentes, das novas gerações, na tentativa de manter segredos que não são mais segredos para ninguém. Tem gente que me diz: “você põe seu vídeo na internet, ninguém vai contratar sua palestra”. É ao contrário: me contratam porque eu ponho meu vídeo na internet. Quem não perceber isso ainda não entendeu o mundo. E não serve para trabalhar em sua empresa.

Algum tipo de profissional deve ser mais valorizado nos dias de hoje?
O mundo de hoje precisa de talentos. Tudo o que for passível de ser automatização será robotizado ou terceirizado. Só talentos conseguem resolver problemas complexos de forma simples. E essas pessoas são fundamentais, porque daqui a 2 minutos surge outro problema complexo. É a tal história, você gosta de fazer pão francês? Vá aprender tudo sobre o pão francês, e dos outros pães, da bioquímica à história. Com esse cabedal, você vai ter um lugar 5 years from now. Os talentos que interessam ao futuro são necessariamente complexos.

Quais os temas carro-chefe de suas palestras?
Eu diria que são dois: o das gerações e o da inovação. É a primeira vez que temos 5 gerações convivendo no mesmo mercado de trabalho: A Geração Tradicionalista, os Baby Boomers, a Gen X e as Gerações Y e Z. Mas o x da questão é a Geração Y.

Defina a Geração Y
Situa-se entre 17 e 34 anos e é a primeira geração que, desde a aquisição da fala, vive num mundo com internet. É a primeira geração não-linear e esse é o mote de minhas palestras. No mundo linear, feito em linhas sucessivas, você chega a presidente da empresa subindo linha por linha, degrau por degrau. É um mundo hierárquico. Num mundo não-linear um membro da geração Y entra de repente na sala do presidente da empresa, que é um Baby Boomer, ou pertence à geração Tradicionalista, e este pode achar aquela presença inconveniente e mal educada. Na realidade, quem é da Geração Y, por ser não-linear, não entende por que deve bater à porta e se reverência diante de um superior.

Em sua palestra, você ensina os mais velhos a lidarem com a Geração Y?
O mundo não será do jeito que você quer, mas do jeito que eles querem. Na geração anterior, era muito difícil alguém com 30 anos ser diretor de uma empresa grande – ou um empreendedor. A Geração Y já é diretora, porque é mais precoce. E, dependendo do tipo de negócio dessa empresa, ele está mais apto do que os mais velhos em postos de comando. Porque eles podem eventualmente não ter entendido este mundo não-linear. Eles não entendem porque a palestra da Beia está na internet …

E a Geração Z já está na cola …
Os Y têm irmãos Z – e às vezes têm dificuldades de entendê-los. O mundo vai para frente. E é incrível que, em minhas palestras, ouço de muita gente de alto nível algo como “isso é uma fase” e o mundo vai voltar a ser o que era … A Geração Y é multitarefa – uma consequência de ser não-linear. Está atenta a várias coisas, simultaneamente, com foco em todas – o que para as gerações anteriores pode parecer dispersão. Há exemplos e mais exemplos de que há um gap na forma de adquirir e expressar conhecimentos para a vida entre as gerações mais velhas e a Y.

Mas o cara que atravessa a rua digitando freneticamente no celular não pode ser um boçal?
Mas ele não é atropelado. E você é …

Sua outra palestra muito requisitada é sobre inovação. Em que sentido?
Ela surgiu de meus workshops com empresários. Eles falavam em inovação -mas eu percebia que esse conceito variava muito de diretor para diretor. Para um pode ser dar um Ipod para cada funcionário. Então, dei um passo para trás para discutir com eles o que é inovar – e porque é tão difícil inovar. Por que é fácil falar e escrever sobre inovação e tão difícil fazer? Há empresas gastando milhões de dólares com inovação – com resultados pífios. Inovar não é comprar tendências ou contratar consultor, mas introjetar esse espirito de enfatizar a diversidade, acolher o diferente. Inovação não está na prateleira, mas na cabeça. E nossos instintos querem o conforto das velhas certezas. Além disso, inovação pode, sim, dar errado…Mas, nesta nova era, ou você inova ou você morre.

Cantores pop já mortos sobrevivem pela técnica da holografia.
Haverá palestrantes holográficos?
Na minha palestra mais futurista, a “Se Liga”, mostro o show holográfico de uma rock star japonesa que lota estádios em toda a Ásia. É mais louco ainda, porque não é que ela esteja morta – ela nunca existiu! Mas palestrante virtual ainda está na infância.

Fale com a beia: beia@5now.combr

NOTAS:
O artigo “De Volta para o futuro”, é matéria de capa da 8ª edição especial da Revista GoWhere Business. Foi escrito pelo jornalista Celso Arnaldo Araujo.
O texto acima é uma reprodução fiel do texto publicado.

Beia Carvalho e o empresário Norberto Busto no evento de lançamento da edição

Beia Carvalho e o empresário Norberto Busto no evento de lançamento da edição.

Beia Carvalho, o jornalista Celso Arnaldo e a executiva Tânia Mattana.

Beia Carvalho, jornalista Celso Arnaldo e executiva Tânia Mattana no lançamento da edição.

 


28
Apr 15

Telefonemas Gratuitos para e do Nepal. Ou como os Deuses ainda Sorriem.

Os Deuses ainda Sorriem

Os Deuses ainda Sorriem

Após o terremoto de magnitude 7.8 no Nepal, a Microsoft liberou ligações gratuitas, via Skype, para-e-do Nepal para telefones fixos e celulares. Skype é uma das ferramentas de telecomunicação online mais usadas em todo o mundo. É um esforço muito significativo da Microsoft e parte de sua iniciativa de doar $1 milhão de dólares em cash, tecnologia e serviços para ajudar no resgate e recuperação do Nepal. O massivo terremoto já ceifou mais de 4.000 vidas (alguns estimam que chegará a 10.000) e há milhares de feridos e desabrigados.

Microsoft não é a única empresa de tecnologia a ajudar o Nepal. Google abriu seu Person Finder tool e está cobrando apenas 1 centavo de dólar em vez dos 19 centavos para chamadas ao Nepal através do GoogleVoice. Google diz que não é de graça para “evitar os abusos em seu sistema e assim causar mais tráfego desnecessário ao sobrecarregado sistema de telefonia nepalês”. Tanto a T-Mobile quanto a Sprint liberaram gratuitamente as mensagens de texto e as chamadas para o Nepal. Apple lançou uma parceria com a Cruz Vermelha americana para encorajar os usuários do iTunes a doar, e o Facebook ativou o app Safety Check feature, que permite que as pessoas façam um “check=in” e assim “avisem” a todos de sua rede que estão vivas no Nepal.

Traduzido livremente por mim do artigo da The Verge, Microsoft responds to Nepal earthquake with free Skype calls, escrito por Tom Warren, em 27 de abril de 2015.


16
Mar 15

O Futuro é um país BEM estrangeiro

Sua Mochila pra Viajar pro Futuro Tá Super Equipada?

Sua Mochila pra Viajar pro Futuro Tá Super Equipada?

Patrícia Lustig é uma futurista como eu e vemos o exercício de futurar de forma muita parecida. Neste artigo, que traduzi livremente, ela usa uma expressão que está no meu primeiro site: exercitar os músculos que viajam para o futuro (exercising your “foresight muscles”). Leia seu artigo:

Se você for a um país estrangeiro, como o Nepal e esperar que ele seja igual a seu país, você vai apanhar. O mesmo acontece quando você planeja o futuro: se você só pensar sobre o hoje e o ontem, você também apanha.

E se a gente morrer e descobrir que Deus é uma grande galinha?? E aí?! - What If? What Else?

E se a gente morrer e descobrir que Deus é uma grande galinha?? E aí?! -What If? What Else?

Lidar efetivamente com qualquer futuro não tem nada a ver com acertar o que acontecerá neste futuro, mas como exercitar o que eu chamo de “músculos da previsão” e se preparar para um leque de potenciais diferentes futuros, exatamente igual você se prepararia para um leque de possibilidades de clima se fosse escalar no Nepal. Quanto mais você esticar seu pensamento para ele trabalhar nos mais diferentes e estranhos potenciais de futuro (e o que você faria diante cada um deles), mais bem preparado você estará para qualquer um deles se e quando eles ocorrerem – e se tornarem o seu hoje.

A pesquisa de Daniel Gilbert indica que as pessoas sempre estimam a quantidade de mudanças que acontecerão no futuro, muito abaixo do que eles já sabem que aconteceu no mesmo espaço de tempo, no passado. E se você adiciona o fator de aceleração das mudanças, a coisa fica bem complicada. Em “De Volta para o Futuro”, Marty McFly vai de 1985 a 1955. Imagine que o filme fosse feito hoje e fosse de 2015 para 1985. Em 1985 não havia celulares, computadores, internet, câmeras digitais, só pra ficar em tecnologia. A diferença dos últimos 30 anos é muito MAIS significativa que a dos 30 anos anteriores. Ray Kurzweil chama isso de Teoria das Mudanças Aceleradas. Ele acredita que o século 21 terá 1000 vezes mais progresso que o século 20. E outros cientistas concordam. Portanto, não é de se admirar que seja tão difícil imaginar quais seriam esses potenciais futuros.

1955-1985-2015

1955-1985-2015

No momento atual todo e qualquer futuro são uma surpresa. Para se preparar para esses diferentes e surpreendentes você tem que liberar seus “músculos de previsão” para cada um destes futuros, e assim criar um plano A, B e C. Você traça um caminho plausível de como você chegaria naquele particular futuro potencial, a partir do hoje. Conceber um caminho ajuda você a notar quando você realmente estiver caminhando por ali, na vida real. Assim, você poderá tirar vantagem do seu Plano B para aquele futuro particular, porque saberá engajar as forças apropriadas e necessárias para obter benefícios para o seu negócio. Você saberá quais são essas forças porque você já havia pensado nelas de antemão.

Aqui estão algumas coisas que você vai gostar de levar em sua mochila, para ajudá-lo a pensar futuros bem ‘futurísticos’:
- Você pode ler ou assistir a ficção científica e anotar coisas que poderiam lhe afetar.
- Você pode prestar atenção aos novos avanços da medicina, tecnologia e do pensamento. Imagine o que pode acontecer quando diferentes tendências se encontram, se fundem e tem bebês.
- Você pode desenvolver um conjunto de futuros potenciais (com uma equipe diversificada) – e desafiar suas suposições e convicções, brincar com loucas ideias e construir sobre as ideias dos outros.
- Você pode perguntar ‘E se …?’ e ‘O que mais?’
- E você pode pensar como é o seu Plano A, B e C para cada um desses futuros potenciais.

Não chegue despreparado naquele país estrangeiro do futuro – tenha a certeza que a sua mochila está super bem equipada.

Palestras 5 Years From Now® pela Futurista Beia Carvalho

Palestras 5 Years From Now® pela Futurista Beia Carvalho

Referências:
Dan Gilbert
A Revolução da Inteligência Artificial

Agradecimentos:
Futurista Rohit Talwar

Beia Carvalho é palestrante futurista, a 1ª figura feminina a falar sobre Inovação. Seu verbo é futurar. Seus temas são aqueles que estão dando um nó em nossas empresas e vidas: Futuro, Gerações e Inovação.


14
Feb 15

Joga Tudo Fora e Começa Tudo de Novo!

Google Glass Model - Tim Reckmann

Google Glass Model – Tim Reckmann

Este artigo foi publicado há 10 dias, dia 3 de fevereiro de 2015. Achei que deveria traduzí-lo. Talvez, porque como o autor, Steve Pearson, também ajudo empresas quando o assunto é Inovação. Já escrevi algumas vezes sobre o Google Glass e sempre discuto algum aspecto desta polêmica “inovação”. Reflita.

Agora, o artigo, na minha livre tradução.

PENSE ANTES DE MATAR UMA INOVAÇÃO!
Fracassar é uma palavra tão dramática. Tão final!
Enquanto muita gente está louca para matar projetos ambiciosos, eu gosto de me ver como uma pessoa otimista. Acredito que muitas tecnologias dão certo, mas talvez não no tempo e na forma previamente pensada.
Seja o critério financeiro, de mercado, social ou psicológico, o tempo parece ser a essência de tudo.
Dois exemplos terríveis nos vem do artigo The Top Technology Failures of 2014 (Os maiores erros de 2014). Resumidamente, este artigo declara a morte do Google Glass, do EEG Exoesqueleto brasileiro, Bitcoin e mais um punhado de outros esforços ambiciosos que não estão de forma alguma kaput (destruídos).

Por exemplo, a seção sobre o Exoesqueleto brasileiro descreve uma pessoa paralisada dando o chute inicial na Copa do Mundo de 2014, com um exoesqueleto controlado pelo cérebro. “Em vez de um homem levantando de uma cadeira de rodas e andando, o exoesqueleto parece não estar fazendo uma tarefa muito difícil ao simplesmente mover um pé para chutar a bola.” Veja vídeo here. Será que o clímax de “17 meses de trabalho insano” não é o suficiente para aplacar nossas necessidades insaciáveis?

Falar do Google Glass é falar de um produto altamente financiado sem uma data rígida de lançamento. Por que, então, declarar seu fracasso? Suponha que não fosse amplamente adotado (eu deliberadamente evito a palavra “fracasso”) por conta do estigma social para seus usuários. Apesar de não ter sido nem um ávido seguidor, nem um piloto de testes.
Quero sugerir que a vagarosa adoção do Google Glass seja um problema de aceitação social puramente relacionado com o tempo. Quanto mais a sociedade for exposta à tecnologia, mais será aceito. Eu acho que este produto está à frente de seu tempo.

E o tempo também é decisivo para avaliar o Exoesqueleto. A ambiciosa equipe teve pouco tempo para desenvolver e construir o aparelho e ainda treinar o usuário sobre a forma de controlá-lo num prazo específico. Em minha opinião, eles fizeram um belo gol (o trocadilho é de propósito).

Será que essas 2 tecnologias fracassaram? Não. Mas nenhuma delas alcançou, até agora, seus objetivos. Isso não significa fracasso. Ambas tem tudo para continuar a ser desenvolvidas e creio serão relançadas no mercado no futuro.

Você rotularia os resultados do Google Glass e do EEG Exoesqueleto como fracassos? Quando o fracasso deveria ser apregoado? Quando o produto não vende tanto quanto foi estimado anteriormente, ou quando não cumpre um prazo? Você considera tempo um fator ou uma desculpa razoável? A questão do tempo é uma questão que rotineiramente pedimos que nosso clientes considerem ao avaliar uma nova ideia.
Como você usar o fator de tempo para determinar se uma tecnologia é um sucesso?

O Som da Disrupção

O Som da Disrupção

Autor: Steve Pearson da Pearson Strategy Group: http://pearsonstrategy.com
Nota do autor 1 dia após a publicação deste seu artigo:
Steve Pearson nos dá o link de um artigo publicado, no dia seguinte ao seu, que dá conta de que o novo chefe do projeto Glass, Tony Fadell, quer que o Google Glass seja desenhado a partir do zero! Joga tudo fora e começa tudo de novo!
Créditos do gráfico: Tim.Reckmann (Wikimedia)  

Meu vídeo de 2011: “Joga Fora”:

Meus posts sobre Google Glass:

Apple watches Santos Dumont

Google Glass vai Disruptar os Aparelhos Auditivos?


11
Dec 14

Quer a dica para seu evento do fim de ano?

Beia Carvalho é Palestrante futurista: Vamos FUTURAR pra FATURAR!

Beia Carvalho é Palestrante Futurista: Vamos FUTURAR pra FATURAR!

A disposição para INOVAR tem a ver com estados de espírito e comportamentos que não estavam em voga no século passado, como aprender e trabalhar com a diversidade, celebrar a heterogeneidade, compartilhar conhecimentos gratuitamente, exprimir ideias dissidentes e divergentes.

A inovação não acontece na ordem. A Era passada foi uma era ordenada, industrial, produtos iguais numa produção em escala. Quanto mais igual melhor!

É preciso uma certa disposição interna para inovar. Podemos inovar em nossa família, nossa comunidade, escola, empresa, estado. No namoro, no casamento. Inovar é vencer a batalha contra os nossos instintos, que querem o conforto das nossa velhas certezas.

Inovar não é uma decisão, uma tarefa a ser cumprida. Não passa pelo crivo dos benefícios e seus potenciais riscos como a compra ou não de uma determinada máquina. Há riscos, haverá erros e os benefícios serão uma incógnita. Mas na nova era da inteligência em rede a opção é INOVAR ou MORRER.

Vamos levar essas indagações para seu time repensar 2015?

Criei o conceito 5 Years From Now® porque me apavora como pessoas e empresas passam todas as horas do dia de hoje pensando em como mudar o presente. E não dedicam 1% de seu tempo para o futuro, onde nada existe e tudo pode acontecer.

5 anos é perto o bastante pra se imaginar e longe o suficiente pra você sonhar.

Quer falar de FUTURO? Fique com a original: 5 Years From Now®

Quer falar de FUTURO? Fique com a original: 5 Years From Now®


9
Dec 14

3 futuristas futurando

Jantar de Aniversário, 14 março 2014, NYC. Robert, Doug e Beia

Jantar de Aniversário, 14 março 2014, NYC. Robert, Doug e Beia

No começo de 2014, decidi que no aniversário de 60 anos iria viajar. Básico. Viajar é a melhor coisa do mundo, porque tudo que é maravilhoso na vida fica ainda melhor em viagens: namorar, beber, comer, fazer nada, conhecer e aprender. Nesta data especial quis aprender. E aprender comendo, bebendo, fazendo lhufas e conhecendo. Desta vez não teve namorado, snif. Foi em março deste ano. Apenas 2 destinos: New York e London.

Giacomo Balla, Futurismo Italiano - vanguarda artística altamente estética e políticamente radicalizada.

Giacomo Balla, Futurismo Italiano – vanguarda artística altamente estética e políticamente radicalizada.

Em NYC para comemorar o aniversário com amigos e visitar a exposição multidisciplinar do Futurismo Italiano (1909-1944), no Guggenheim. O começo da minha viagem para o futuro. Futurando desde a 2ª. guerra mundial.
De lá, direto para a Conferência Antecipando 2025, em Londres.
Decisão inspirada e timing perfeito. Amigos, Conhecimento e Novos Amigos.

Conferência Anticipating 2025, London 2014.

Conferência Anticipating 2025, London 2014.

Na conferência, convivi intensamente com pessoas que desde então vejo citadas como referência do grande assunto de todas as agendas: o futuro. David Levy (Amor com Robôs), Natasha Vita-More (Transhumanismo) e Aubrey de Grey (Longevidade) e o futurista Rohit Talwar – a inspiração deste post – são alguns das dezenas de personalidades futuristas daqueles dias londrinos.

Rohit abriu os trabalhos e me apaixonei, imediatamente. No coffee break, eu e uma horda de gente fomos falar com ele. Ao ouvir “Brazilian”, se virou e disse: eu adoro o Jose Cordeiro”. E eu ali, com aquela cara de conteúdo (Who the F* is Jose Cordeiro?). O que me lembro é que tive instantânea e total atenção da celebridade do momento. Rohit falou e falou sobre o venezuelano Jose Cordeiro, que era Conselheiro Fundador da área de Energia da Singularity University/NASA, Professor convidado do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e isso e aquilo e mais um quilômetro de curriculum. Findo o break, é hora de voltar para a conferência.

Adiante o seu relógio para 4 meses depois e se situe no Rio de Janeiro. Estou fazendo a abertura do 3º. Seminário de Inovação, porque o convidado internacional que abriria o evento se enroscou no aeroporto. Quem irrompe no recinto? Sim, ele, Jose Cordeiro. Foi um encontro rápido e marcante, que me deixou muito impressionada com toda aquela sincronicidade.

Vamos dar mais um salto à frente, 5 meses depois, estamos Jose e eu no mesmo palco. Desta vez num evento só nosso sobre Inovação, tecnologia e Energia. Os 2 ali, alternando o palco. Dá para acreditar? 

Futuristas Beia Carvalho & Jose Cordeiro no Evento da Rio Tinto Alcan, 2014.

Futuristas Beia Carvalho & Jose Cordeiro no Evento da Rio Tinto Alcan, 2014.

O que eu esperava ouvir na CONFERÊNCIA “Antecipando 2025”?
Ah, que daqui 10 anos teremos a capacidade de produzir energia solar para todas as necessidades humanas. Que a nanotecnologia e a biologia sintética nos trarão a abundância material. Que testemunharemos a transição do homem 1.0 para o pós-homem ou o transhumano 2.0, muito mais inteligente e com níveis de consciência e conectividade mais altos e muito mais sofisticados.

Que reverteremos os processos de envelhecimento e viveremos indefinida e saudavelmente. E transporemos um sistema educacional exaurido, que coloca as matérias que desenvolvem a criatividade como opcionais. Também esperava compartilhar os temores de que a tecnologia fosse usada para o “mal”, porque os terroristas terão acesso a armas de destruição em massa. Medos de desastres ecológicos por conta de todo este aquecimento global e de novas crises financeiras que venham acometer o mundo.

Encantada, apreensiva, estupefata, desentendida, ouvi a todos estes assuntos. E a muitos outros inesperados como a tese de doutorado Amor e Sexo com Robôs, de David Levy, que faz aniversário no mesmo dia que eu, rs. Param por aí as coincidências. Levy é Mestre internacional de xadrez, responsável pelos primeiros experimentos com inteligência artificial (Deep Blue) e envolvido com os mais recentes também, e escreveu mais de 40 livros. Imprevisível também foi ouvir sobre biologia quântica, que não faço a menor ideia do que seja, mas parece que será responsável pelo implante da vacina contra o câncer. E ficar fascinada com a incrível nanotecnóloga Sonia Contera dizendo que apenas 2% dos nossos genes são formados pelo tão aclamado DNA. “O resto nós não sabemos!”.

Ao recontar essa história 9 meses depois, tudo parece tão mais perto e mais familiar que no momento que comecei esse artigo. Relembro de Rohit Talwar dizendo que a incerteza é o novo normal, que a educação online e de graça vai mudar todo e qualquer jogo, e que se você não quiser jogar o jogo do momento, que invente outros.

Fui aprender. Trouxe comigo um montão de dúvidas. Um mundo de horas estudadas e já mastigadas por esses PhDs. Que se transformaram em novos e interessantes insights sobre o futuro. Sobre o que podemos fazer, no presente, para catapultar.

Aprendi com esses futuristas que futuram, que veem o porvir com bons olhos, que temos que lutar para fazer as coisas acontecerem bem. Que o desenvolvimento tecnológico tem que pensar nos homens deste planeta, em primeiro lugar. E não em alguns poucos homens, sempre.

Amor+Sexo com Robôs, David Levy

Amor+Sexo com Robôs, David Levy

Notas:

Guggenheim Museum: www.guggenheim.org/new-york/exhibitions/past/exhibit/5354

Giacomo Balla: pt.wikipedia.org/wiki/Giacomo_Balla

Singularity University/NASA: www.SingularityU.org

Jose Cordeiro: Conselheiro Fundador da área de Energia da Singularity University/NASA: www.cordeiro.org

Rohit Talwar: CEO da Fast Future Research: www.fastfuture.com

Beia Carvalho: Palestrante futurista e Presidente da 5 Years From Now®: www.5now.com.br

Evento Antecipando 2025 promovido pelo London Futurists, David Wood, presidente da Delta Wisdom.

Seminário Inovação Muzy, Cordeiro, Beia, Gustavo Caetano, Lindalia Reis e Pedro Moneo

Seminário Inovação Muzy, Cordeiro, Beia, Gustavo Caetano, Lindalia Reis e Pedro Moneo

 

Matéria no PropMark sobre o Evento na Rio Tinto Alcan

Matéria no PropMark sobre o Evento na Rio Tinto Alcan

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21
Nov 14

5 YEARS FROM NOW® FAZ ANIVERSÁRIO

Há 6 anos o céu mostrou um alinhamento surpreendente: Júpiter, Vênus e Lua. 

Era 1 dezembro 2008! Dia que escolhi para lançar a 5 Years From Now®.

Alinhamento surpreendente: Júpiter, Vênus e Lua.

Alinhamento surpreendente: Júpiter, Vênus e Lua.

Neste 1 DEZ 2014 tem Baladinha!
Faz 5 anos que garantimos a diversão de Clientes e Amigos da “FAIVE”!

Será no mais novo espaço de entretenimento e gastronomia: OVO e UVA.
Venha se divertir e fazer negócios na 12a. Baladinha!

Clima de Baladinha da "5"

Clima de Baladinha da “5″

fatos inovadores ocorridos em 1 de dezembro

1640 – Dom João IV é aclamado rei, após 60 anos de domínio espanhol
1878 – Instalado 1º. telefone na Casa Branca
1887 – Publicado 1º. romance policial sobre o detetive Sherlock Holmes
1902 – Lançamento de ‘Os Sertões’, de Euclides da Cunha
1909 – Fundado 1º. Kibutz, em Israel
1913 – Inaugurado 1º. posto de gasolina em Pittsburgh
1935 – Nasce Woody Allen, cineasta e humorista norte-americano
1955 – Rosa Parks é presa por não ceder lugar no ônibus a um branco
1959 – Nações se comprometem a não reivindicar o continente Antártico
1959 – Tirada 1ª. fotografia colorida do planeta Terra, de uma espaçonave
1970 – Aprovada lei do divórcio, na Itália
1976 – Dona Flor é maior bilheteria do cinema, indicado ao Globo de Ouro
1989 – Gorbatchov é o 1º. líder soviético a visitar o papa, desde 1917
1990 – Operários dos 2 lados do túnel Canal da Mancha encontram-se
1999 – Apenas 30 dias para o Bug do Milênio!
2002 – Num blog “a volta do feriadão foi um saco.”
2005 – Aprovado casamento entre pessoas do mesmo sexo na África Sul
2005 – Parlamento belga reconheceu o direito à adoção para casais gays
2008 – Beia Carvalho lança os Workshops 5 Years From Now®
2009 – Comemoramos 1 ano da 5 Years From Now®
2010 - Comemoramos 2 anos da 5 Years From Now®
2011 - Comemoramos 3 anos da 5 Years From Now®
2012 - Comemoramos 4 anos da 5 Years From Now®
2013 - Comemoramos 5 anos e lançamento das Palestras 5 Years From Now®
2014 - Comemoraremos 6 anos da 5 Years From Now®

Mais detalhes na semana que vem.