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26
Apr 16

Com um pé no mercado de trabalho.

Artigo publicado no Blog CEOlab em dez 2014. Atualíssimo, concorda?

Geração Z: fazedora, empreendedora, econômica,

Geração Z: fazedora, empreendedora, econômica,

O que já sabemos sobre as Novas Gerações? O que sabemos sobre a Geração Z, crianças e jovens entre 5 e 17 anos? O fato é que mal entendemos a Y e a Z já chega estressando os Ipisilons, os poderes políticos, econômicos e culturais desta nova era.

O interesse pelo estudo das gerações aumentou exponencialmente na última década. Aliás, tão exponencial como todas as mudanças ocorridas desde o início deste novo século. Ou como eu gosto de promover, uma Nova Era.

Na Velha Era as mudanças eram lineares – aquelas que a gente tem um tempão pra ir se acostumando. Mudanças que não doem tanto. Hoje, elas são exponenciais, epidêmicas.

As mudanças exponenciais surgem, irrompem, se materializam em nossa frente e invadem as nossas vidas. Não pedem licença. Não têm paciência, nem ouvidos abertos para ouvir nossos lengalengas, nem mimimis. Mudanças exponenciais são como os aplicativos de táxi, que transportaram os taxistas do século XX para o século XXI, da noite para o dia. Assim, como um passe de mágica.

Os aplicativos de táxi e o Waze forçaram taxistas de todas as idades a trocar seus dinossáuricos celulares por smartphones de qualidade, porque eles só funcionam em aparelhos sofisticados e potentes. Também, de um minuto para outro, “ensinaram” esses profissionais – tidos pela sociedade brasileira como um grupo extremamente conservador -, a utilizar, manusear e acessar esses gadgets tecnológicos, mesmo em movimento! É que quando a gente adentra uma Nova Era, um novo mundo se descortina. E nunca os taxistas trocaram tantas ideias com seus filhos, sobrinhos ou netos para serem “iniciados” nesta era digital.

As mudanças exponenciais são dilacerantes, nos torturam, nos indignam, nos contundem e fazem sofrer. Elas nos dão uma rasteira no meio do dia, um caldo bem prolongado que faz faltar o ar. São como um tsunami que nos corta a energia para vir à tona e lutar. Seu impacto é um tumulto em nossa existência como seres humanos, como pais e educadores. Enfim, como seres produtivos diante dos desmoronamentos de tantos conceitos e fórmulas que sempre funcionaram. Quer um exemplo? Que poder tem o Sindicato dos Taxistas diante dos aplicativos hoje responsáveis por aumentos de até 5 vezes nos ganhos mensais da categoria?

E nenhum destes taxistas jamais viu, conversou e muitos nem sabem o nome destes “mágicos”, que aumentaram suas rendas exponencialmente. Do dia para a noite. Ah, e sem mexer em um centavo sequer na linearidade do aumento da bandeira ou 1 ou 2.

São também essas inovações disruptivas que nos fazem crer que tudo pode ser possível, porque dia após dia presenciamos o quase impossível. Bem ali, na frente de nossos olhos. Ninguém nos contou. A gente mesmo é prova viva que o WAZE existe!

Geração Z: à vontade na Nova Era

Geração Z: à vontade na Nova Era

E para ser um adulto minimamente são, num mundo que evolui por saltos, surgiu uma nova geração. Z. Novas gerações surgem para decifrar os novos mundos. Porque a gente não iria dar conta disso tudo, não é? Pelo menos não sem essas novas e ágeis mãozinhas, que parecem ter muito mais que 10 dedos.

Uma geração não surge do nada, não acontece sem propósito. E não vem para atrapalhar a vida de ninguém e de nenhuma empresa, como tanta gente culta e estudada adora bradar, a torto e a direito. Uma nova geração é a renovação de nossos genes, é a transmissão de conhecimentos, percepções, intuições de toda a raça humana.

Se você tem acima de 35 anos, foi testemunha desta perturbadora renovação, primeiramente com o surgimento da Geração Y, antecessora da Z. Os ipisilons tem hoje entre 18 e 34 anos,  e são responsáveis por quase 50% da mão de obra economicamente ativa, no Brasil. Contra eles foram despertados e revelados os mais secretos e absurdos preconceitos contra uma geração!

Comecei a pesquisar os Ipisolons 5 anos atrás, em 2009, quando os mais velhos desta geração tinham 29 anos. Tarde demais para desfazer os enraizados, irracionais, bizarros e muitas vezes risíveis prejulgamentos contra toda uma geração. Discriminação essa, que só trouxe e continua trazendo prejuízos e baixa produtividade às empresas, bancos escolares e lares da nossa sociedade.

Tento reparar o lapso, começando a cavar dados sobre a Z, a tempo de abrir os meus e os nossos horizontes. Antes que o desperdício de energias contra os Zês, se repita.

Essa é a geração que mais conviveu com fatos e imagens terroristas; com dados, consequências e insolubilidades de infindáveis crises econômicas e com a banalidade da violência. Nasceram e cresceram num mundo envolto em recessão, terrorismo, violência, volatilidade e complexidade.

Por isso, apesar de receberem generosas mesadas semanais, como seus irmãos mais velhos da geração Y, são econômicos, verdadeiros “homens de negócios”, a tal ponto de emprestarem dinheiro a seus pais e aos perdulários Ipisilons. Numa pequena pesquisa que realizei recentemente, através das redes sociais, sobre um recente achado de uma pesquisa americana, pude comprovar que a classe média brasileira rivaliza a americana no que concerne ao valor das mesadas à geração Z. Os dados americanos da Mintel 2013 “Activities of kids and teens” apontam uma mesada média de R$ 40,00 por semana. Meus resultados apontam média de R$ 45,00.

Esta generosa semanada se traduz em generosos $44 bilhões de dólares por ano para a economia americana. O que significa que esta será, com certeza, uma geração muito mais estudada e pesquisada que a anterior.

Crianças escolhem o que comer. Nunca dantes ...

Crianças escolhem o que comer. Nunca dantes …

Também estarei antenada aos novos estudos destas crianças e jovens que já são responsáveis por 84% da escolha de brinquedos, 73% dos cardápios do jantar, 65% das férias familiares e 70% das opções de entretenimento.

Muito das marcas que as novas gerações vão deixar no mundo, tem a ver como as gerações mais velhas interagem com as mais novas. Extremismo não parece ser o caminho. As novas gerações não são nem o centro do universo como seus pais os criaram – trocando o bifinho por um danoninho -, nem a escrotidão da humanidade. São uma geração não-linear, nativa digital e globalizada. E temos que nos esforçar e entender o que isso significa: como isso alavanca a humanidade, e como nos ajuda a sermos melhores num mundo que parou de andar para saltar.

Crianças Prototipando: Adeus Tédio. Bem-vinda a Atenção!

Crianças Prototipando: Adeus Tédio. Bem-vinda a Atenção!

A Geração Z diz que vai inventar uma coisa que vai mudar o mundo. Vamos ajudá-los? Queremos uma geração bombando suas incríveis potencialidades ou entediada com avalanches de reprovação?

Se você faz parte das gerações tradicionalistas, baby boomer, ou da X, há 99,99% de chances que esteja lendo esse artigo em uma tela. Lembra quando você achou que isso não ia pegar, ou que era coisa de moleque?

As 5 Gerações Conectadas

Há menos de 10 anos você não acreditaria que estaria hoje lendo este artigo em uma tela.

Nota:
Idade das Gerações hoje em 2016.
Geração tradicionalista (acima de 70 anos), baby-boomer (51 a 69 anos), X (36 a 50), Y (35 a 19), Z (6 a 18) e A (até 5 anos).


23
Apr 16

Geenteeem, eu tô passaaaada!

Sera que eu falo?

Sera que eu falo?

Fazia tempo que a conversa de restaurante, da mesa ao lado, não me alucinava tanto!

Ouço, olho de soslaio, nem pisco! Estico o ouvido diante da improbabilidade de um ser humano falar como se fosse um livro. É inviável, mas é verdade: é uma conversa real entre 2 pessoas!

Uma é a cliente (coachee). Dela saíram as primeiras frases, que me esforço aqui para repetir. Achei que poderia lembrar aquela monótona e infindável sequência de “jogos do contente”. Ia assim, “quero me cercar de pessoas do amor e da amizade e construir uma Roda da Felicidade (!)”. Acho que se a verdadeira Poliana a ouvisse, a acharia too-much-Poliana!

A outra é a profissional, a Coach.

Quem me conhece, sabe da minha ojeriza a frases prontas, frases formais que impactam, mas pouco ou nada transmitem além de seus sons. Não comunicam. São palavras, soam como palavras, mas são vazias de envolvimento.

Bla Bla Bla ...

Bla Bla Bla …

A tal Coach-de-Prateleira soa como um livro-falante. Mas que inveja! Linda, calma, tranquila, serena, plácida. E de sua linda boca saem dezenas, centenas de palavras, todas perfeitamente ordenadas, harmônicas, com sujeito, predicado, conjunções verbais e adverbiais, dois pontos, travessão, notas de rodapés e páginas numeradas. Tudo parecia estar saindo de alguma apostila-de-como-se-tornar-coach-em-15-minutos. Expressões faciais: zero! Mas linda, linda!

Deduzi que esse jantar era a primeira reunião delas ao vivo. A química foi perfeita! Ali mesmo fecharam o negócio e selaram as sessões de coach. E, dali para frente, elas viverão felizes em suas Rodas de Felicidades!

Deixando de lado a chacota, quero esclarecer 2 coisas. Primeiro, fiquei extremamente incomodada com o fechamento do negócio. Segundo, pra quem não me conhece, nada tenho contra o exercício de coaches, nem de mentores. Poucas pessoas têm tantos amigos que desempenham essas profissões, como eu. São tantos, que quando me pedem indicação, me dou ao luxo de discorrer sobre seus distintos estilos. Conheço até coach antroposófica!

Fico pensando se a tal cliente, ouvindo a tal coach em outro contexto, enxergaria a falcatrua, a barbaridade da situação. Se se revoltaria tanto quanto eu.

A analogia que me passa pela cabeça é a pessoa desesperada que sai à procura de igrejas milagrosas. Vai encaixar, não vai? A fragilidade é tamanha, que as vãs frases feitas dos bispos-falantes marcam um golaço, em poucos minutos. Nada bate uma verborragia comprovada.

Tem solução? Como um cliente pode fazer uma melhor escolha usando uma lente objetiva? Minha sugestão é terceirizar essa objetividade, essa sensibilidade, e cheguei a uma solução que acredito simples e bem prática: leve um amigo junto com você.

Ah, se ela tivesse me levado naquele almoço! Te digo, com essa coach-de-prateleira é que ela não fecharia suas sessões. Não mesmo!

Num mundo complexo como o que estamos vivendo, energizar a carreira e a empresa com coaches e mentores é um impulso fenomenal para as nossas vidas e trabalho.

Não tenha pressa. Fuce. Você merece o melhor profissional. E você não achou o seu suado dinheirinho na rua. Comunicar não é falar. Abaixo o bla bla bla. 

 


31
Mar 16

Nova Era da Cognição Exige Educação Experimental

Beia Carvalho e a Educação do século 21.

Beia Carvalho e a Educação do Século 21.

Fui entrevistada pela jornalista Luciana Alvarez para o blog da Bett Educar. É que em maio palestro pelo 3º ano para o BETT BRASIL EDUCAR, o maior evento educacional do Brasil, este ano com o tema ‘Melhor educação, melhor sociedade!’. A entrevista toca no tema dos sobressaltos da educação na Nova era dos saltos. Eu amei o texto desta jovem e adorável jornalista. Aqui está:

Para além do verniz de inovação, escolas têm de investir em mudar o centro do processo de ensino-aprendizagem e, assim, desenvolver a criticidade dos alunos, diz a futurista Beia de Carvalho.

Mas por que questionar e criticar é cada dia mais importante? Por que a escola precisa mudar? Segundo Beia, estamos em trânsito para a nova era – e a escola deve preparar os mais jovens para essa realidade.

Claro que a mudança tem certas dificuldades. “Quando se está em trânsito, o sentimento é de insegurança, porque você não está em casa nem no seu destino. Quanto mais resistência houver, mais o ser humano estica esse trânsito, mas nada aborta chegada da nova era”, afirmou.

Beia Carvalho Palestrante Futurista

Beia Carvalho Palestrante Futurista

Um exemplo clássico de resistência é o uso de telefones celulares. No começo, era comum as pessoas dizerem que não precisavam de celular, as empresas proibirem os funcionários de usar. Não importa por quanto tempo se resistiu, hoje praticamente todos aderiram.

Mas qual é a grande diferença entre a era passada e a próxima, a tal “era da cognição”? De acordo com Beia, a do passado era linear, com mudanças de degrau por degrau, de forma compassada. Na nova era, as mudanças serão exponenciais, por saltos. “Depois de um salto, vem o salto em cima do salto, nos deixando atônitos”, afirmou.

Essa nova era em que o mundo entra ainda não ganhou um nome oficial. Beia gosta de usar o termo “era da cognição”, algo que mostra que educação é um ponto nevrálgico. “Hoje no Brasil ela está atrasada e ineficiente, mas a educação está sendo rediscutida mesmo nos países de excelência. Em um mundo complexo, você precisa de talentos para resolver problemas complexos de forma simples. Pessoas críticas, questionadoras vão ser valorizadas”, disse.

A educação atual é linear, baseada no que a sociedade precisava numa era de revolução industrial. “Tudo tinha que ser igual, o mais padronizado possível. O que a gente menos precisa no mundo hoje são pessoas iguais. Só a diversidade traz inovação”, afirmou a futurista.

Aparentemente é simples, mas quem trabalha na área sabe bem que não é assim. A nova educação tem que ser experimental e, portanto, é repleta de incertezas, avalia Beia: “Os pais querem uma educação moderna, para o século 21, mas querem manter as certezas do passado, pedindo conteúdos, provas. A mudança é necessária para todos nós”.

Repense seus paradigmas numa palestra inquietante, desafiadora e cheia de bom humor, na Bett Brasil Educar 2016.

Notas:
Veja a entrevista original no Blog Bett Educar: http://www.bettbrasileducar.com.br/Content/Bett-Blog-61-29-03

Foto de capa: Felipe Feca

Foto do post: Egydio Zuanazzi.


6
Mar 16

Facão e o Dia da Mulher

Facão e o Dia da Mulher

Facão e o Dia da Mulher

Mulheres são fundamentais, mas ainda abrem caminho com facão.

Edição Especial do PropMark em homenagem ao Dia Internacional da Mulher

Edição Especial do PropMark em homenagem ao Dia Internacional da Mulher

E a minha expressão ‘facão” virou a manchete da matéria!
Leia aqui a minha entrevista completa para a Edição Especial do PropMark em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.

Valeu PropMark!

Beia Carvalho, presidente da 5 Years From Now®, é outro exemplo feminino que abriu caminhos à força. “Acho que tenho um caminho aberto com facão. Fui sócia durante 15 anos de cinco homens. Isso não é comum, não é um bolinho crocante. Foi um aprendizado. Uma minissociedade é reflexo da sociedade com seus dramas, problemas e problemáticas.”
O desafio dela foi abrir o próprio negócio e partir para o desconhecido. “Faço as pessoas pensarem no futuro. Abri essa picada para explicar uma coisas que não existe com uma metodologia baseada em jogos num mundo em que as pessoas tendem a ser mais formais.”Uma das maiores batalhas é a falta de apoio para abrir frentes e desbravar novos caminhos. Beia fica impressionada como a sociedade, de uma forma geral, e as as mulheres de forma específica, não têm apoio para inovar. “As pessoas acham que você está louca”, diz. “Parece que a sociedade não quer você empreendedora. A sociedade não te fortalece para ter esse aval de empreender na vida. Acho que isso é a maior batalha.”

Uma das maiores batalhas é a falta de apoio para abrir frentes e desbravar novos caminhos. Beia fica impressionada como a sociedade, de uma forma geral, e as as mulheres de forma específica, não têm apoio para inovar. “As pessoas acham que você está louca”, diz. “Parece que a sociedade não quer você empreendedora. A sociedade não te fortalece para ter esse aval de empreender na vida. Acho que isso é a maior batalha.”

O comercial abaixo tem legendas em inglês, mas dá pra entender muito bem, tim tim por tim tim. Porque esta é a vida como ela é. Ou como tem sido para a maior parte das mulheres do mundo, em todas as classes sociais.

Com expertise para provocar reflexão, inspirar a ousar, criar e inovar, Beia acha importante questionar o que as mães estão ensinando aos seus filhos. “Quando as mulheres aprenderem a criar seus filhos como ‘pares’ de uma mulher e não ‘chefes’, aí, sim, teremos uma sociedade mais igualitária. Nós, mulheres, temos de nos reeducar, educar nossos filhos com essa perspectiva e, principalmente, continuarmos a desfilar pelo mundo, trazendo a paz a compreensão e a beleza por onde passarmos”, opina. No fundo, o que as mulheres querem não é a igualdade, mas sim, equidade. Equiparação. “Não faz sentido que uma mulher ganhe menos que um homem. Eu nunca passei esse perrengue, mas isso sempre me chamou a atenção”, declara Beia.

Sempre me causou espécie o fato que países considerados não-machistas, os países nórdicos por exemplo, também praticarem a desigualdade de salários.
Isso leva essa discussão a um nível muito mais complexo e profundo, já que sempre que se aponta a desigualdade , se força a barra no machismo latino.

Edição Especial do PropMark em homenagem ao Dia Internacional da Mulher

CAPA da Edição Especial do PropMark em homenagem ao Dia Internacional da Mulher

Texto da minha entrevista para o PropMark em homenagem ao Dia Internacional da Mulher

Texto da minha entrevista para o PropMark em homenagem ao Dia Internacional da Mulher

MATÉRIA de Ana Paula Jung, publicada no jornal PropMark, março 2016.


6
Feb 16

Vivam as Mulheres. Abaixo os Grupos de Mulheres!

Mulheres & Homens. Nepal.

Mulheres & Homens. Nepal.

Sempre tive problemas em compreender ou fazer parte de grupos exclusivos por gênero, raça. Nunca recebi uma boa explicação intelectual. É uma aversão natural. Uma ojeriza, mesmo. Sendo mulher, tenho sido continuamente convidada – ou, nestes tempos de redes sociais, simplesmente incluída, à minha revelia – para grupos de mulheres. Participei de algumas reuniões nesses grupos. Não gostei do que vi, nem do que ouvi. Se me coloquei e tentei mudar o que não gostava? Não. Se insisti até colher resultados? Não.

Eu acredito em grupos que são formados com um propósito e com diversidade. De gênero, idade e influência social, política, intelectual. Enfim, diversidade na veia. Morei nos Estados Unidos à época das cotas escolares para negros. E pude presenciar, ao longo de décadas, as distorções e o acirramento “black & white” que essas segregações causam. Fui contra a aplicação das cotas no Brasil até recentemente, quando meu amigo e atinado critico político-social Jayme Serva me convenceu que, se aplicadas por período seriamente predeterminado, com políticas para começo, meio e fim das cotas, poderiam ser uma arma de grande sucesso para reparar as cruéis injustiças sociais causadas pela desumana escravidão. Enfim, continuo contra, a menos que tenha essa linha de tempo estabelecida.

Nossa maior força está em levar diversidade para outros grupos

Nossa maior força está em levar diversidade para outros grupos

Voltando às mulheres. Recentemente, esses convites, reuniões e tentativas de convencimento se tornaram mais e mais frequentes. E me forçaram a ter uma opinião mais qualificada sobre essa minha oposição. Seria um capricho de minha parte?

Faço uma pausa aqui para confessar que, se as pessoas não me provocassem, acho que ficaria o dia inteiro assistindo filmes e fazendo nada. Desta vez, a provocadora foi a editora Nilceia, que está à frente do grupo Mulheres que Decidem.

Fui pesquisar e achei 2 ótimos artigos. O primeiro mais focado no networking de grupos de mulheres. E o segundo, fantástico, fruto de experiências do cientista social Thomas Malone no assunto Inteligência Coletiva.

O título do artigo de Meghan Casserly, na Revista Forbes, cativou minha atenção de imediato: “Por que Grupos de Networking de Mulheres Fracassam?” Ela, como eu, também se sente incomodada em frequentar esses grupos e propõe uma questão: “Será que grupos de mulheres podem ajudar uma jovem a invadir o Clube dos Meninos, mesmo se tratando de grandes redes?” Para responder, Meghan cita o post que leu na HBR, do blog de Athena Vongalis-Macrow. Athena pede que façamos 3 perguntas antes de nos juntarmos e colocarmos nossa energia para que um grupo funcione.

1. Quem está na rede?
A melhor receita de rede é aquela que tem uma parte de mulheres com recursos e bagagem profissional colecionados através do tempo. Outro terço de “bibliotecárias”, aquelas com as últimas e mais pertinentes informações e dados; e, finalmente, as Boas Samaritanas, que estão lá para ajudar em todas as situações. Segundo a IDEO, é esta combinação desejada: recursos, informação e boas intenções. E Athena ainda nos provoca: faltou algum desses elementos? Pula fora!

2. É uma rede que se conecta bem?
A conexão flui entre uma reunião e outra ou é aquela coisa de se encontrar uma vez por mês? Você se sente desconfortável em acessar aquela superexecutiva do grupo, porque ela pode achar você uma chata ou invasiva?

3. A rede tem uma comunicação funcional?
Isto é, suas frustrações e desapontamentos serão acolhidos e ouvidos? Alguém se voluntariará a ajudá-la com um novo caminho ou a prevenir que você exploda?

E Meghan adicionou mais uma:
Com quem você está falando?
Networking não é chamado de “escada corporativa” à toa. Networking é estar próximo do poder. A qualidade e a velocidade com que você sobe essa escada tem a ver com a qualidade das conexões que os membros de seu grupo têm e cultivam. Grupos de mulheres que pertencem a vários outros grupos são capazes de importantes novas conexões.

Com essa última reflexão de Meghan, chego mais perto do que acredito. É a diversidade que nos engrandece, que nos empurra para novos territórios, novas experiências, novos conhecimentos, novos ensaios. Novas vidas.

Eu reconheço que nós mulheres temos muitas causas a serem lutadas e vencidas. Algumas ainda a serem formuladas. E muitas delas, como o feminicídio, têm os homens como nossos algozes. Mas acredito que seja com eles, e não com a exclusão deles, que venceremos.

Por fim, o sensacional estudo de Malone, que abordou homens e mulheres entre 18 e 60 anos, aleatoriamente divididos em grupos, aos quais foram aplicados vários testes: de inteligência, exercícios de brainstorming e tomada de decisões, quebra-cabeças e um problema realmente complexo para ser resolvido pelo grupo. Quais grupos foram considerados os mais inteligentes? Aqueles que tinham pessoas com os mais altos QI? Não. Os grupos que tinham mais mulheres!

Assista o vídeo com Thomas Malone sobre Inteligência Coletiva

E neste link o cientista em entrevista à Harvard Business Review:
https://hbr.org/2011/06/defend-your-research-what-makes-a-team-smarter-more-women/ar/1

A pesquisinha valeu, não é? Em todos os casos, me parece que Meghan, Atena e Thomas nos fazem ver que uma sonora diversidade faz jus à sua fama da nova era.

Se você quer usufruir de inteligência coletiva superior, aqui está a receita: produza um grupo com diversidade de pessoas e vá adicionando mais e mais mulheres, até que elas sejam a maioria no seu grupo. E aqui está a cereja do bolo: grupos excepcionais tem participantes que ouvem uns aos outros. Fecho este artigo com esta citação de Thomas Malone:

“Teoricamente, sim, as 10 pessoas mais inteligentes deveriam formar o grupo mais inteligente, mas não apenas porque eles são os indivíduos mais inteligentes. Mas porque grupos excepcionais ouvem uns aos outros. Eles compartilham as críticas de forma construtiva. Eles têm mentes abertas. Eles não são ditatoriais. E, em nosso estudo, vimos muito claramente que grupos que tinham pessoas inteligentes dominando as conversas não eram os grupos mais inteligentes.”

NOTAS:
1) Meghan é ex-editora da Revista Forbes e atual Relações Públicas na Google.
Why Women’s Networking Groups Fail, de Meghan Casserly.
Acesse: The Value of Your Networks, de Athena Vongalis-Macrow
https://hbr.org/2012/06/assess-the-value-of-your-network

2) Thomas W Malone é catedrático da MIT Sloan School of Management e diretor-fundador do Centro para Inteligência Coletiva do MIT. Também diretor-fundador do Centro para Coordenação de Ciências do MIT e um dos dois cofundadores da iniciativa do MIT em Inventar Organizações para o século 21. Anita Woolley é sua assistente.

Beia Carvalho
*Palestrante futurista
beia@5now.com.br


4
Feb 16

CONQUISTAS DAS MULHERES PELAS GERAÇÕES

Dia Internacional das Mulheres

Dia Internacional das Mulheres

Beia Carvalho pode falar das Conquistas da Mulheres através das gerações, porque entende de Gerações, é mãe de 2 filhos, avó de 2 netos, foi executiva e já empreendeu 4 vezes!

Faltam 25 dias para o dia 8 de março.

Quem sempre fala pra todo mundo, vai falar diretamente com as mulheres no mês da comemoração do Dia Internacional das Mulheres e do aniversário da palestrante também.


11
Jan 16

Estaremos em 2021. Onde você estará?

Até 2021 estaremos imprimindo pele em impressoras 3D.

Até 2021 estaremos imprimindo pele em impressoras 3D.

Não é novidade para a gigante L’Oreal fazer pele. Há décadas esse lento e complexo processo é presença nos laboratórios de indústrias cosméticas.

A Pele do Futuro

A Pele do Futuro

Em 5 anos, a bioimpressão em 3D vai acelerar a construção de protótipos mais fortes e novos produtos.

E, principalmente, criar novas receitas. Só a L’Oreal investiu perto de US$1 bilhão em pesquisas e inovação, em 2013.

No jogo também está a gigante Procter & Gamble, mas L’Oreal (LRLCF) está à frente numa joint-venture com a empresa americana de biotecnologia Organovo (ONVO) para produzir pele com o objetivo de testar produtos em “pele real”.

Assista este vídeo sobre algumas novas tecnologias incluindo a impressão de pele em 3D.

De um lado, a produção de pele em 3D levará empresas a abandonar testes de produtos em pessoas e ou animais. De outro, esse tremendo investimento traz benéficas esperanças para queimaduras, principalmente aquelas que exigem reposição de grandes áreas queimadas.

Mais aqui na reportagem da WIRED http://www.wired.com/2015/05/inside-loreals-plan-3-d-print-human-skin

FICA DICA #39: em 2021 imprimiremos pele em impressoras 3D

FICA DICA #39: em 2021 imprimiremos pele em impressoras 3D


27
Oct 15

E vai começar o Movember: HOMENS, preparem-se!

MOVEMBER: eles também aderiram

MOVEMBER: eles também aderiram

Tudo pronto para começar?

‘MO’ de Moustache e ‘VEMBER’ de novembro. Há 5 anos, falei pela 1ª vez deste movimento iniciado na Austrália, em 2003, por Travis Garone e Luke Slattery, com apenas 30 participantes. Hoje engaja 5 milhões de homens e mulheres em todo o mundo, ainda que no Brasil continue a ser novidade. Desde a sua fundação é uma campanha vencedora, que levanta enormes somas para a causas de câncer de próstata em todo o mundo. Apenas nos EUA, mais de US $650 milhões até hoje.

MOVEMBER é listado em 72º lugar entre as 500 ONGs mais importantes do mundo. Na minha opinião, o sucesso vem não só de embarcar nas tendências da colaboração e compartilhamento como forças imbatíveis, mas por ter resistido em seus 12 anos de exisitência, a não abandonar o humor e o desigin como expressão da causa.

Qual é o seu estilo?

Qual é o seu estilo?

E o mais importante: é um movimento qaue sabe como engajar homens na difícil tarefa de cuidar de sua saúde. Como? Compreendendo o real sentido doengajamento e o exercendo, de fato. Este é um difícil verbo, que poucas empresa, pais, educadores sabem conjugar – e que faço questão de enfatizar e exemplificar em todas as minhas palestras. ENGAJAR é despertar a sede por conhecimento, é motivar o outro com ideias e tarefas que façam sentido para a vida do outro. Neste caso, que façam sentido para a vida dos homens do nosso planeta atual. Nas próprias palavras do MOVEMBER:

“você tem que engajá-los com aquilo que eles se sentem confortáveis: deixar seu bigode crescer e competir. Isso os leva para a conversa que queremos ter: aumentar a consciência e donativos para o câncer de próstata”.

O site traz todos os tipos de bigode que se possa imaginar. Concursos, vídeos, dados. É completo. O vídeo que escolhi é da Speedo, sempre no mote do humor.

Muito mais aqui: https://au.movember.com/get-involved/moustaches

Qual Che você prefere?

Qual Che você prefere?


13
Oct 15

Voltei de 2040 e 2015 me enche de surpresas boas!

Beia Carvalho é palestrante. Foto: Egydio Zuanazzi.

Beia Carvalho é palestrante. Foto: Egydio Zuanazzi.

Enquanto eu ainda estava em Londres, participando da Conferência Antecipando 2040, foi publicada minha participação no Projeto Extreme Makeover. Fiquei tão contente!
O Projeto da Revista Pequenas Empresas Grandes Negócios tem como objetivo promover uma transformação radical em 3 empresas selecionadas. Para mim, foi selecionada a Pets Du Monde. Minha mentoria se baseou nos 3 anos em que planejei a comunicação para a marca Pedigree. Na época, participei dos processos de disrupção da marca no Brasil e no México, parte de um programa global da TBWA\ em 9 regiões do mundo. Um dos aprendizados mais importantes da minha vida profissional e que veio a ser o fermento da minha consultoria 5 Years From Now®. E um orgulho: o meu slogan para a campanha “cachorro é tudo de bom” foi o vencedor.

Pets Du Monde ganha mentoria de especialista em inovação

A palestrante Beia Carvalho, especializada em inovação, já foi empreendedora no comércio de antiguidades e até dirigente e sócia de empresas de comunicação, como a subsidiária brasileira da multinacional TBWA.

Ao longo da carreira, a empreendedora colecionou quatro leões em Cannes – o prêmio mais cobiçado pelos publicitários. Nas dicas abaixo, ela oferece três caminhos para Angelina Ravazzi, dona da Pets Du Monde, mudar alguns detalhes de seu negócio.

1. Gatos são um bom nicho
“Se eu fosse você, Angelina Ravazzi, que produz alimentos de qualidade, com receitas originais, diferenciados, livres de aditivos químicos, com preço premium e com a linha de petiscos variados eu ficaria só com os cachorros e gatos. Aliás, eu faria uma aposta especial nos gatos, porque eles são muito mais exigentes em relação a paladar e, assim, a fidelização a seu nicho seria mais rápida.”

2. Imagine-se grande
“Você atua numa das 40 tendências de comportamento do mercado: pet. É um caminho que vai longe. Você tem um belo presente e futuro à sua frente. Faça um exercício: pense que você cresceu 3 vezes mais que as suas expectativas. No que você investiria? Em ampliar a linha para outros animais, ou cobrir outras áreas destes dois, cães e gatos? Ou?”

3. Expanda as ideias, depois concentre
“Se eu fosse você, me forçaria, neste exercício, a escrever 50 linhas de produtos que ampliassem a sua atuação em cães e gatos. Parece muito? Bem, com essa lista na mão, escolha de um a três produtos que tenham tudo a ver com a Pets Du Monde. Pregue na porta da sua empresa, bem naquela em que você passa todo dia. Dessa seleção, consolide a estratégia pra Pets Du Monde crescer. Qualquer ideia que te tire desses trilhos, fica descartada. Se eu fosse você, acenderia esse farol, que vai iluminar os passos para o futuro da Pets Du Monde.

Notas:

Para saber tudo sobre o Projeto Extreme-Makeover: aqui

Pequenas Empresas Grandes Negócios, por Jayme Serva - 07/10/2015

Pequenas Empresas Grandes Negócios, por Jayme Serva – 07/10/2015


Campanha Pedigree “Somos Loucos por Cachorros”, 2006.


12
Oct 15

Mães e Pais de Futuros Humanos.

Spier Secret Festival 2014, Guido Giglio, Africa do Sul.

Spier Secret Festival 2014, Guido Giglio, Africa do Sul.

Não sei se você está amamentando, desfraldando, ensinando a se vestir, a guardar a roupa e brinquedos, ou sofrendo para pagar a escolinha. Pague. Pague a melhor escola que faça deste ser humano um ser crítico. Ao longo se sua vida você não vai receber uma recompensa. Serão inúmeras! De cores, formatos e intensidades distintas. Na maior parte das vezes, chegarão para te surpreender. Para você ficar literalmente boquiaberta. Saltar de alegria. E querer abraçar todo mundo. Passei por essas deliciosas sensações inúmeras com meus 2 filhos. Hoje vou falar de uma destas surpresas, que tem um tom mais midiático e talvez, por isso mesmo, a gente dê uma importância desmesurada. Não sei. Você lê e depois me diz.

Antes de deixar você ler o artigo publicado, vou colar aqui 2 comentários que ilustram a situação. O primeiro é do Galileo: ‘Meu irmão Guido no Huffington Post! Agora entendi que ele é designer, mas faz eventos que misturam gastronomia e design. Ele e seu sócio Hannes Bernard falam sobre seus projetos gastro-design-nômicos e seu escritório SulSolSal.” O outro é da concunhada, Paul Kim: “Finalmente entendi, com a ajuda do Huffington Post, o que membros de sua família fazem, quando eles não estão ajudando a encher balões em festinhas de crianças junto com você. Guido Giglio, Hannes Bernard & SulSolSal: congrats!!!!

Sem mais enrolações, aqui está o artigo escrito por Fabio Parasecoli, professor associado e diretor da Food Studies, New School – NYC, em 5 out 2015. Enjoy!

Food Design no Hemisfério Sul

Pop-Up Bar: drinks funcionais

Pop-Up Bar: drinks funcionais

Nos últimos meses food design tem aparecido em alguns de meus posts como um nova e estimulante área de pesquisa e de prática profissional. À medida que engrenamos para receber a 2ª. Conferência Internacional em Food Design, da New School, em New York, dias 6 e 7 de novembro, postarei aqui perfis de food designers com quem tive a sorte de colaborar ou entrevistar.

Esses curtos perfis tem o objetivo de enfatizar a riqueza e diversidade deste campo em termos de projetos e abordagens, como também delinear seus limites e potencial.

Começo com a colaboração do arquiteto brasileiro Guido Giglio e o designer sul-africano Hannes Bernard, que apresentarão um de seus projetos na Conferência New York.

Eles são o SulSolSal, que em inglês significa “South, Sun and Salt”. Tive a oportunidade de me reunir com Hannes em seu estúdio em Amsterdam, alguns meses atrás. O trabalho do SulSolSal, que atravessa a Europa, África e América do Sul, reflete como o food design é inerentemente internacional – ou global – em seu escopo e perspectiva. Seus profissionais em todo o mundo, estão perfeitamente conscientes do trabalho de seus colegas e frequentemente cooperam entre si. Os projetos de Giglio e Bernard também apontam o potencial do food design para enfrentar complexos problemas sociais. Como declarado em seu site SulSolSal combina pesquisa cultural, histórica e econômica para criar espaços comuns, publicações e food performance como uma forma de investigar as complexas inter-relações entre design, economia e sociedade. A atuação deles está em algum lugar entre a sobreposição do design crítico, urbanismo, instalações artísticas e interações entre comida e espaço público.

Uma obra que representa totalmente esta abordagem é o The End Times (foto), que eles lançaram na Cidade do Cabo, em julho de 2012. The End Times era um jornal impresso, que através das habilidades gráficas de design e comunicação de Bernard e Giglio, objetivava celebrar a criatividade do hemisfério sul, onde grandes segmentos da população vivem em uma permanente situação de austeridade, e oferecer uma crítica de como a austeridade é discutida na Europa, um continente balançado uma profunda crise econômica. O material impresso celebrava iniciativas que refletiam o empreendedorismo sul-africano, inventividade e adaptabilidade. Restaurantes “pop-up” que escapavam das cozinhas da população para as ruas, proporcionando comida acessível e ocasiões para construção de uma troca comunitária. Cabritos inteiros assados em quintais para serem vendidos para vizinhos ou passantes. Toda uma economia informal é construída ao redor da necessidade básica da comida, reagindo e tirando vantagens de espaços intersticiais onde o controle do governo e a ordem são fracos ou inexistentes. Como me explicou Bernard, essa atitude “tem muito a ver com gestos, tem muito a ver com a forma como a população vive … que eu penso que, de alguma forma, são muito melhor adaptadas para o tipo de sistema onde as coisas são mais caóticas, ou em mudança ou flexíveis.” The End Times queria apresentar uma alternativa visível à  cena “foodie” da classe média na Cidade do Cabo, que apesar de sua relativa acessibilidade, não dialoga sempre com a cena gastronômica da área em toda a sua diversidade étnica e cultural.

The End Times, jornal impresso em 2012, crítica e celebração da criatividade do hemisfério sul.

The End Times, jornal impresso em 2012, celebra criatividade do hemisfério sul.

Essa experiência na África do Sul os instigou a considerar comida com uma mídia para a prática do design. Ao cutucar audiências a refletir na produção, transformação, consumo e descarte da comida, Giglio e Bernard exploram não só o potencial, como também os problemas estruturais e culturais do sistema alimentar contemporâneo. Por exemplo, eles abriram um bar temporário em Amsterdam onde ofereceriam apenas 3 opções: Booster, Snoozer, e Builder, todas baseadas no que Bernard descreve como legal smart drugs (drogas inteligentes legais). Eles se inspiraram em drinks funcionais, cuja finalidade é atender a necessidades claramente identificadas, reduzindo o papel dos alimentos a seu aspecto puramente útil, ignorando os seus aspectos culturais e emocionais.

O projeto que o SulSolSal apresentará em New York tem foco na Pineapple Beer (Cerveja de Abacaxi) que os dois designers produziram numa área rural do estado da Bahia, Brasil, usando cana de açúcar, casca de abacaxi e fermento de origem local, energia solar (não havia eletricidade na região) e garrafas recicláveis. Até o rótulo foi criado usando uma velha impressora mecânica do governo baiano, movida por pedal, que estava no local há décadas. A motivação dos designers era desenvolver a ideia de um design de impacto-zero – ainda que especulativo -, que gerasse insights ao establishment sobre um sistema alimentar mais resiliente e sustentável. Os projetos do SulSolSal constituem um interessante exemplo de como o food design é capaz de engajar questões públicas e dinâmicas comunitárias de uma forma criativa.

Food DesignFood SystemBrazilSouth AfricaSocial InnovationFood for Thought

Notas:
1. The Huffington Post é um portal de notícias e agregador de blogs americano criado em 2005 por Arianna Huffington e Kenneth Lerer. Em 2011 Arianna esteve em São Paulo, palestrando sobre “como as mídias sociais têm revolucionado as comunicações” e anunciou a versão brasileira do The Huffington Post, o primeiro da America Latina, e o 6º. criado fora dos Estados Unidos. Além dos comentaristas habituais (Harry Shearer, John Conyers e Rosie O’Donnell) e Roy Sekoff, editor do site, o Huffington Post conta com as colunas de personalidades, como Barack ObamaHillary ClintonNorman MailerSaskia SassenJohn Cusack e Bill Maher. O site faz o contraponto liberal à cobertura conservadora de sites como o Drudge Report. Comparado a blogs de esquerda, como o Znet ou o Daily Kos, o Huffington Post mostra-se muito mais complexo, uma vez que oferece tanto notícias como comentários, e não se limita à política, discute também sobre religiãoculturaambientalismomídiaeconomia etc.
2. Guido e Hannes são sócios do SulSolSal. Visite o site.
Guido Giglio B.A. ARCHITECTURE & URBANISM 2007 Universidade de São Paulo, Brazil. M.DES – MASTERS OF DESIGN 2012 Sandberg Instituut, Amsterdam, Netherlands. 
Hannes Bernard, B.A. VISUAL COMMUNICATION DESIGN, 2008 Stellenbosch University, South Africa.  M.DES – MASTERS OF DESIGN  2013 Sandberg Instituut, Amsterdam, Netherlands. 
3. 2ª. Conferência Internacional em Food Design, da New School, em New York, dias 6 e 7 de novembro.
4. Huffington Post – 5/10/15Foto: Sulsolsal
5. Para ler no original em inglês: aqui.

SulSolSal designed a special edition of Carne do Sol, a preserved food dining experience for Spier Secret 2014, Spier Secret Festival, Africa do Sul.

SulSolSal designed a special edition of Carne do Sol,  for Spier Secret 2014, South Africa.